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Quatro histórias

Algumas vezes em minha vida eu comprei Arte. Não é fácil. Pois o associar dinheiro a algo que nos é sublime nos deixa desconfortáveis. Preciso sempre de duas  histórias. Uma história de antes da aquisição e uma história da aquisição. E, é claro, sempre vai existir uma terceira história, a de depois da aquisição.

As histórias mais significativas se relacionam a compras de obras diretamente de quem as fez. Do artista. Sem intermediários, seja de galerias, marchands ou leilões. Neste post, vou citar três. Três histórias.

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Submersão”, de Píndaro Castelo Branco. Ost. Detalhe.

A primeira é a obra “Submersão“, do pintor Píndaro Castelo Branco. Já conhecia a obra do artista desde os anos 70 e já tinha comprado algumas obras com seu marchand  Cláudio Gil. Mas um dia fui conhecer o atelier do pintor. Logo ao entrar, uma obra se apossou de mim: “Submersão”.  Pertencia ao seu acervo particular. Não estava à venda. Mesmo assim, ousei perguntar qual valor a obra poderia custar. Ouvi um preço bastante alto, sobretudo para o meu padrão de renda na época. Não hesitei. Fiz a oferta. Após instantes de apreensão e ansiedade mútuas, eu havia comprado a obra, submersa em intensa felicidade. Uma verdadeira conquista!

Aqui neste blog, já escrevi um post sobre o artista: “Píndaro, uma tatuagem na alma“.

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“Marinha”, de Azamor. Ost.

A segunda obra é do artista Azamor. Silvio Azamor de Oliveira. É um artista conhecido por suas marinhas, feitos em pequenos pedaços de madeira. Eu já havia adquirido em leilões alguns daqueles “pedaços de mar”, quando um dia fui conhecer o seu atelier, situado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro. Lá, soube que ele havia desmontado um imenso armário e cortado em minúsculos pedaços para poder ter um suporte e pintar suas marinhas. Mas lá, encontrei também uma tela maior, totalmente glamurosa, com uma marinha soberba. Paixão ao primeiro olhar. Comprei.

A terceira e quarta história tiveram Van Gogh como fio condutor.

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“Van Gogh”, escultura de Chico Joy.

Há anos os personagens criados pelo artista Chico Joy percorrem minha casa. E meu jardim. Músicos, cientistas, pintores povoam salas e quartos. Poetas e escritores deixam seus versos e prosas nos canteiros do “Jardim dos Poetas“. Mas neste ano uma escultura me arrebatou: a de Vincent van Gogh. Impressionante a riqueza de detalhes e de sentimentos expostos em tão pouca matéria. Bendita seja a minha paixão pelas Artes!

Também escrevi um post (aliás, mais de um… ) neste blog sobre Chico Joy: “Chico Joy, o artesão que faz arte“.

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Releitura de “Noite Estrelada”, de Van Gogh. Por Miguel Arruda. Acrílica e nanquim sobre papel canson.

A quarta e quinta obra são uma aquisição recente. Ainda estou me acostumando. Sim, porque quando se compra uma obra, é preciso se acostumar. É mais uma paixão em nossa vida. É mais um pedaço deste quebra-cabeças gigantesco de relação com a Arte que a gente vai montando pela vida afora. Então, as obras são releituras das famosíssimas “Noite Estrelada” e “Lírios” de Vincent van Gogh. Um primor. Pertence à coleção “Impressões sobre Van Gogh“, feita pelo artista e engenheiro Miguel Arruda. Já tinha visto parte desta coleção em sua casa em Botafogo, no ano passado. Fiquei tão encantada que escrevi na ocasião um post de mesmo nome: “Impressões sobre Van Gogh“.

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Releitura de “Lírios”, de Van Gogh, por Miguel Arruda. Acrílica e nanquim sobre papel canson.

Aí, nesta semana ele resolveu vender as obras. Minha decisão foi instantânea. Vejo curvas de nível nas estrelas, nas montanhas, no cipreste.  Nas flores. Um primor e um esplendor. Aliás, dois primores, dois esplendores.

  Autor: Catherine Beltrão

Vik Muniz: reflexos e versos

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Vik Muniz. “Autorretrato”, feito com folhas, galhos, terra e sementes.

Vik Muniz (1961) é artista plástico, brasileiro, nascido em São Paulo e radicado em Nova York. A partir de 1988, começou a desenvolver trabalhos que faziam uso da percepção e representação de imagens a partir de materiais como o açúcar, chocolate, catchup e outros como o gel para cabelo, diamantes e lixo.

Vik define sua trajetória de artista da seguinte forma: “Meu sonho é mudar a forma elitista com a qual a arte é encarada. Não acredito na separação entre o popular e o inteligente, como se fossem coisas antagônicas.”

Ainda no século passado, Vik Muniz fez trabalhos inusitados, como a cópia da “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, usando manteiga de amendoim e geleia de uva, como matéria prima. Suas releituras de obras famosas  são inúmeras. Entre elas, “Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso, feita com peças de quebra-cabeças que não se encaixam e “A Noite Estrelada“, de Vincent van Gogh, confeccionada com pedaços de papel colados.

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“Mona Lisas”, de Vik Muniz, a partir da obra de Da Vinci. Feitas com geleia de uva e com pasta de amendoim.

Um projeto inédito desenvolvido pelo artista e apresentado em diversos museus e galerias pelo mundo, inclusive no Brasil, é o intitulado “Versos“.

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Verso da obra “Mona Lisa”, de Da Vinci, por Vik Muniz

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“Mona Lisa”, de Da Vinci. 1503-1506

Vik Muniz começou fotografando os versos de pinturas famosas em 2002. Em seu livro “Reflexo” (2005), já manifestava o desejo de fazer impressões de tamanho natural dessas fotografias e exibi-las. As primeiras delas, meticulosas cópias em 3D dos lados reversos, foram feitas em 2008. Ele as intitulou “Versos“, imitações perfeitas do lado dos quadros que normalmente fica voltado para a parede.

Para Muniz, o verso de cada pintura é único: os furos, os suportes de metal, as etiquetas e todas as outras marcas, contando a sua história.

 

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“A Noite Estrelada”, de Vik Muniz, a partir da obra de Van Gogh. Feita com colagem de pedaços de papel.

À medida que os anos passam, o verso de uma pintura se modifica. Novos donos deixam sua marca.

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Verso da obra “A noite estrelada”, de Van Gogh, por Vik Muniz.

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“A noite estrelada”, de Van Gogh. 1889.

 Os processos mais recentes deixam uma marca. O verso revela os materiais dos quais a pintura é feita – tela, painéis – e mostra detalhes da tela e qualquer outra medida de segurança tomada enquanto estava em exposição. Seria como poder ver a intimidade de uma obra-prima, algo que deveria permanecer secreto mas que enfim se revela – como um segredo que não deveria ser mostrado, cicatrizes expostas, uma certa verdade de obras tão conhecidas quanto inacessíveis.

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“Les demoiselles d’Avignon”, de Vik Muniz, a partir da obra de Picasso. Feita com peças de quebra-cabeças que não se encaixam.

Para recriar os versos das obras, Vik Muniz percorreu seis anos trabalhando com pesquisadores, curadores, artesãos, técnicos e até falsificadores, para executarem cada detalhe, como molduras, arranhões, manchas, etiquetas e ferragens.

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Verso da obra “Les demoiselles d’Avignon”, de Picasso, por Vik Muniz

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“Les demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso. 1907.

Assim, o espectador recria em sua cabeça a imagem icônica de cada obra, e a encaixa sobre o verso a sua frente, para que obras tão célebres ganhem enfim uma dimensão nova e, até então, desconhecida.

Em 2008, Muniz organizou sua primeira exposição de “Verso“, na galeria Sikkema, Jenkins & Co., em Nova Iorque. Na ocasião, ele apresentou o lado reverso de obras-primas como “Les Demoiselles d’Avignon“, de Picasso (MoMA, Nova Iorque) e “A Noite estrelada“, de Van Gogh (MoMA), entre outras. Outros “Versos“ foram mostrados em outras exposições, como “A Mona Lisa“, de Da Vinci (Louvre, Paris).

Reflexos e versos. Reflexo pode ser de espelho. Ou de reação. Verso pode ser de poesia. Ou o lado de trás. Vik Muniz, por ser artista, é o espelho, a reação, a poesia e o lado de trás.

 Autor: Catherine Beltrão

Detalhes

Detalhe é um pedaço. De um pensamento. De uma atitude. De um fazer. Quase sempre, um pedaço bem pequeno. Ou até muito pequeno. Mas, um detalhe não é coisa menor. Pode até ficar grande. Muito grande. Imenso. Como são os detalhes de certas pinturas. Ou esculturas.

Mãos. É bom começar pelas mãos. Pelas mãos da “Canção” de Cecília Meireles.

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Detalhe das mãos de “O pensador”, de Rodin.

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

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Detalhe das mãos de “David”, de Michelangelo.

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Detalhe das mãos de Plutão, em “O rapto de Prosérpina”, de Bernini.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

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Detalhe do olhar de um “Autorretrato”, de Van Gogh

Depois das mãos, o detalhe do olhar. O olhar de Vinicius de Moraes, em seu “Soneto da Separação“.

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Detalhe do olhar de Mona Lisa, de Da Vinci.

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Detalhe do olhar de um “Autorretrato”, de Lucien Freud.

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

E aí chega a hora do detalhe da flor. Mas, dentro da flor, fica a palavra do “Apanhador de desperdícios“, de Manoel de Barros.

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Detalhe de uma das “Ninfeias”, de Monet.

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.

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Detalhe de “Flores em um vaso”, de Renoir.

Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

As mãos, o olhar, flores. Palavras. Os versos. Einstein sabia das coisas:

Eu quero conhecer os pensamentos de Deus; o resto são detalhes“.

Autor: Catherine Beltrão

Van Gogh em sonhos

Em 1990, quando eu estava na França, vi um filme esplendoroso: “Sonhos“, do cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998). O filme se baseia em oito sonhos verdadeiros que Kurosawa teve em momentos diferentes de sua vida. Um destes oito episódios tem como personagem um estudante de artes que, em uma visita a um museu, penetra em algumas obras de Van Gogh (1853-1890), caminhando em meio a suas paisagens.

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“A ponte de Langlois em Arles”, de Van Gogh. 1888.
Vídeo com fragmento do filme “Sonhos”, no episódio “Corvos”.

 A caminhada inicia pela obra “A ponte de Langlois em Arles“, de 1888.

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“A ponte de Langlois em Arles”, no sonho de Kurosawa.

A obra, também conhecida como “A Ponte em Langlois com Lavadeiras”, segundo o próprio Van Gogh, “retrata uma ponte com uma pequena carroça amarela e um grupo de lavadeiras, um estudo em que a terra é laranja brilhante, a grama é muito verde, a água e o céu azuis.”

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“Estrela com cipreste e estrela”, no sonho de Kurosawa.

Van Gogh conheceu a ponte de Langlois quando explorava os arredores de Arles. Ele se encantou com sua leve estrutura de madeira e o seu maravilhoso contexto cromático, feito com tijolos multicoloridos nas paredes que a ladeiam.

A caminhada do estudante continua passando por vielas, jardins, campos de trigo… ah, os famosos campos de trigo, dourados e perfumados, junto a ciprestes eretos!

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“Jardim florido em Arles”, no sonho de Kurosawa.

Van Gogh foi considerado louco. Será? O fato de ter cortado a própria orelha faz dele um louco? A lucidez criativa com a qual ele criou sua obra faz dele um louco?  Ao caminhar por essas vielas e campos de trigo, parece que são estas as respostas que o estudante procura.

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“Campo de trigo com corvos”, no sonho de Kurosawa.

Após uma conversa com o próprio Van Gogh, interpretado por Martin Scorsese – que o dispensa alegando “não ter tempo para conversas pois precisa pintar, que o tempo é curto” –  o estudante perde a trilha do artista e viaja através de outros trabalhos tentando reencontrá-lo.

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“Campo de trigo com corvos”, de Van Gogh. 1890.

Finalmente, Van Gogh é avistado pelo estudante, ao fim de uma estradinha em meio a um campo de trigo. O céu é absurdamente azul. De repente, corvos surgem. Aos poucos, inundam o céu com sua cor preta. E um tiro é ouvido ao longe.

A obra “Campo de trigo com corvos” é considerada o testamento pictural de Van Gogh. Um céu azul escurecido pelo voo dos corvos, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte.

O episódio “Corvos” no filme “Sonhos” é acompanhado pelo belíssimo Prelúdio opus 28 nº 15, de Frédéric Chopin, mais conhecido como “Prelúdio da Gota d’Água“.

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“Autorretrato”, de Van Gogh. 1889.

Em “Sonhos“, também é mostrado um dos autorretratos de Van Gogh, dos 35 pintados somente no período 1886-1889. Uma pergunta: qual teria sido o critério de Akira Kurosawa ao escolher precisamente este autorretrato para representar Van Gogh em seu filme?

 Autor: Catherine Beltrão

Anjos

Neste início de ano, uma vontade imensa de escrever sobre anjos. Estes seres alados e sem tempo, que povoam nossa imaginação e, em consequência, nossos pensamentos e crenças. E, mais uma vez, poetas, pintores e escultores se juntam neste louvor.

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Leonardo da Vinci (1452-1519): “A Anunciação” – 1472/75

Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam
Clarice Lispector (1920-1977)

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Michelangelo Buonarroti (1475-1564): “Angel with Candlestick” – 1494/95. Faz parte da decoração da Arca de São Domingo, na Basílica de São Domingo em Bolonha.

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Giotto(1266-1337): “Anjo”, na capela Arena Scrovegni, em Pádua – 1304/06

A doce canção“, de Cecília Meireles (1901-1964)

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade – e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve,no chão, criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um arco íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

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Rafael Sanzio (1483-1520): “Madonna Sistine” (detalhe) – 1512

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Aleijadinho (1730-1814): “Anjo do Getsêmani”, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG

O mistério do meu canto,
Deus não soube,tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
-todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente
meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o aumente,
para trazer o universo
de pólo a pólo contente.

O Anjo da Escada“, de Mario Quintana (1906-1994)

Na volta da escada
Na volta escura da escada.
O Anjo disse o meu nome.
E o meu nome varou de lado a lado o meu peito.
E vinha um rumor distante de vozes clamando
clamando…

Deixa-me!
Que tenho a ver com as tuas naus perdidas?
Deixa-me sozinho com os meus pássaros…
com os meus caminhos…
com as minhas nuvens…

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Vincent van Gogh (1853-1890): “Cabeça de Anjo, a partir de Rembrandt”

Eu vi o anjo no mármore e o esculpi até ‘libertá-lo‘”.
Michelangelo Buonarroti

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Salvador Dali (1904-1989): “O anjo caído”, em O Purgatório, Canto I, de Dante Aleghieri – déc.60

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Paul Cezanne (1839-1906): “O beijo da Musa” – 1860

Com licença poética“, de Adélia Prado (1935)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.

Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.

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Marc Chagall (1887-1985): “A queda do anjo” – 1947

A verdade é que ser anjo estava começando a me pesar.
Clarice Lispector

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Tarsila do Amaral (1886-1973): “Anjos” – 1924

O anjo“, de Ferreira Gullar (1930-2016)

1. O anjo, contido
em pedra
e silêncio
me esperava.

Olho-o, identifico-o
tal se em profundo sigilo
de mim o procurasse desde o início.

Me ilumino! todo
o existido
fora apenas preparação
deste encontro.

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Victor Brecheret (1894-1955): “Ave Maria 1″ – 1955. Última obra de Brecheret. Túmulo família Scuracchio. Cemitério São Paulo.

2. Antes que o olhar, detendo o pássaro
no voo, do céu descesse
até o ombro sólido
do anjo,
criando-o
– que tempo mágico
ele habitava?
3. Tão todo nele me perco
que de mim se arrebentam
as raízes do mundo;
tamanha
a violência de seu corpo contra
o meu,
que a sua neutra existência
se quebra:
e os pétreos olhos
se acendem;
o facho
emborcado contra o solo, num desprezo
à vida
arde intensamente;
a leve brisa
faz mover a sua
túnica de pedra.

4. O anjo é grave
agora.
Começo a esperar a morte.

 Autor: Catherine Beltrão

Peixes, pintores e poetas

Peixes, pintores e poetas. O ambiente dos peixes é a água. Nela,  eles nascem, respiram e morrem. Os pintores precisam das imagens. Nelas, se expressam, se transformam, se transcendem. Os poetas vivem entre as estrelas. Nelas, os sentimentos brotam, pousam e se escondem.

Seguem dois poemas e dezessete pinturas. De peixes criados por poetas e pintores.

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“Natureza Morta com peixes”, de Guignard. 1933.

 

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“Natureza morta com peixes”, de Renoir. 1916.

“Pescaria”, de Cecília Meireles

Cesto de peixes no chão.
 Cheio de peixes, o mar.
 Cheiro de peixe pelo ar.
 E peixes no chão.

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“Natureza morta com peixes”, de Gauguin.

Chora a espuma pela areia,
 na maré cheia.

As mãos do mar vêm e vão,
 as mãos do mar pela areia
 onde os peixes estão.

 As mãos do mar vêm e vão,
 em vão.
 Não chegarão
 aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia,
 a espuma da maré cheia.

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“Sol poente”, de Tarsila do Amaral. 1929.

 

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“Arenques defumados em um pedaço de papel amarelo”, de Van Gogh. 1889.

“O livro sobre nada”, de Manoel de Barros

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“Mulher com peixes”, de Ivan Blin. 1957.

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“Natureza morta com peixes dourados”, de Goya.

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“Natureza morta com peixes”, de Frédéric Bazille. 1866.

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“Natureza morta com peixes”, de Vlaminck.

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“Natureza morta com peixes vermelhos”, de Matisse. 1911.

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“O peixe”, de Magritte. 1933.

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“Peixe”, de Aldemir Martins. 1968.

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“Peixes”, de Portinari.1961.

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“Peixes e garrafas”, de Picasso. 1908.

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“Sem título”, de Basquiat. 1981.

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“O peixe dourado”, de Paul Klee. 1925.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
 Tudo que não invento é falso.
 Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
 Tem mais presença em mim o que me falta.
 Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
 Sou muito preparado de conflitos.
 Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que  a revelou.
 O meu amanhecer vai ser de noite.
 Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
 O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
 Meu avesso é mais visível do que um poste.
 Sábio é o que adivinha.
 Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
 A inércia é meu ato principal.
 Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
 Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
 Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
 Peixe não tem honras nem horizontes.
 Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar  nada, faço poesia.
 Eu queria ser lido pelas pedras.
 As palavras me escondem sem cuidado.
 Aonde eu não estou as palavras me acham.
 Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
 Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
 A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos  mais fundos desejos.
 Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
 Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
 Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada.  Só se compara aos santos.
Os santos querem ser os vermes de Deus.
 Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
 O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
 Por pudor sou impuro.
 O branco me corrompe.
 Não gosto de palavra acostumada.
 A minha diferença é sempre menos.
 Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
 Não preciso do fim para chegar.
 Do lugar onde estou já fui embora.

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“Tuna Fishing”, de Dali. 1967.

 

Após escrever este post, percebo que os peixes interessam mais os pintores que os poetas.  São mais imagens do que versos. Por quê?

Autor: Catherine Beltrão

Impressões sobre Van Gogh

Vincent van Gogh (1853-1890) foi um dos maiores gênios da pintura que já existiu. E como é sublime seguir suas pegadas, se sentir no aconchego de sua arte, da cor e do movimento que imprimiu em suas obras. Este post apresenta impressões de alguns escritores – Cecília Meireles, Mario Quintana, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Jonh Lennon - e de um engenheiro pintor - Miguel Arruda – sobre a arte de Van Gogh.

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“Impressões sobre Van Gogh: Os Lírios”, de Miguel Arruda

Se não fosse o Van Gogh, o que seria do amarelo?”, de Mario Quintana

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“Impressões sobre Van Gogh: O Café Terrasse à noite”, de Miguel Arruda

Canção para Van Gogh“, de Cecília Meireles

Os azuis estão cantando
no coração das turquesas:
formam lagos delicados,
campo lírico, horizonte,
sonhando onde quer que estejas.

E os amarelos estendem
frouxos tapetes de outono,
cortinados de ouro enxofre,
luz de girassóis e dálias
para a curva do teu sono.

Tudo está preso em suspiros,
protegendo o teu descanso.
E os encarnados e os verdes
e os pardacentos e os negros
desejam secar-te o pranto.

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“Impressões sobre Van Gogh: Estrada com cipreste e estrela”, de Miguel Arruda

Ó vastas flores torcidas,
revoltos clarões do vento,
voz do mundo em campos e águas,
de tão longe cavalgando
as perspectivas do tempo!

No reino ardente das cores,
dormem tuas mãos caídas.
Luz e sombra estão cantando
para os olhos que fechaste
sobre as horas agressivas.

E é tão belo ser cantado,
muito acima deste mundo…
E é tão doce estar dormindo!
É preciso dormir tanto!
(É preciso dormir muito…)

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“Impressões sobre Van Gogh: Campo de trigo com corvos”, de Miguel Arruda

Os girassóis de Van Gogh“, de Manoel de Barros

Hoje eu vi
 Soldados cantando por estradas de sangue
 Frescura de manhãs em olhos de crianças
 Mulheres mastigando as esperanças mortas.

Hoje eu vi homens ao crepúsculo
 Recebendo o amor no peito.
 Hoje eu vi homens recebendo a guerra
 Recebendo o pranto como balas no peito.

E como a dor me abaixasse a cabeça,
 Eu vi os girassóis ardentes de Van Gogh.

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“Impressões sobre Van Gogh: A Noite Estrelada”, de Miguel Arruda

A Noite Estrelada“, de Ferreira Gullar

Quando, em 1890, Vincent van Gogh (1853-1890) se dispôs a pintar uma noite estrelada e se pôs diante da tela em branco, nada ali indicava por onde começar. Mas acordara, naquele dia, decidido a inventar uma noite delirantemente estrelada, como imaginava frequentemente e não se atrevia a fazê-lo não se sabe se por temer errar a mão e pôr a perder o sonho ou se porque preferia guardá-lo como uma possibilidade encantadora, uma esperança que o mantinha vivo.

Aliás, já tentara antes expressar na tela seu fascínio pelo céu constelado. Um ano antes, pintara duas telas em que fixava a beleza do céu noturno -uma dessas telas mostra a entrada de um café com mesas na calçada e, ao fundo, no alto, o céu negro ponteado de estrelas; a outra tela é uma paisagem campestre sob as estrelas. Mas eram como ensaios, tentativas de aproximação do tema que continuava a exigir dele a expressão plena, ou melhor, extrema, como era próprio de sua personalidade passional.

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“Impressões sobre Van Gogh: O Semeador”, de Miguel Arruda

Como começar a pintá-la, se ela não existe? Diante da tela em branco, tudo é possível e, por isso mesmo, nada é possível, a menos que se atreva a começá-la. E assim, num impulso, lança a primeira pincelada que, embora imprevista, reduz a probabilidade infinita do vazio e dá começo à obra -ou seja, transforma o acaso em necessidade.

E assim foi que a sucessão de pinceladas, de linhas e cores, aos poucos definiu uma paisagem noturna que era mais céu que terra: um pinheiro que liga o chão ao céu e, lá adiante, a pequena vila sobre a qual uma avassaladora tormenta cósmica se estende, como se assistíssemos ao nascer do Universo.

Finalizando, uma citação de John Lennon:

Não é divertido ser artista. Beethoven, Van Gogh, todos eles: se tivessem psiquiatras nós não teríamos esses gênios.”

 Autor: Catherine Beltrão

O amarelo e o azul nas casas de Monet, van Gogh e Frida Kahlo

Outro dia estava pensando na famosa Casa Amarela de van Gogh. E me veio logo à mente a Casa Azul, de Frida Kahlo. Juntando o amarelo e o azul, me veio a cozinha e a sala de jantar da casa de Monet, em Giverny.

Claude Monet (1840-1926) viveu na casa de Giverny de 1883 a 1926. Ele  criou, fora e dentro da casa, uma atmosfera que se confunde com suas pinturas e pôde viver ali por vários anos, até morrer.

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Sala de jantar, toda em amarelo, da casa de Monet, em Giverny.

 

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Cozinha azul na casa de Monet, em Giverny.

A sala de jantar amarela parece ter saído de um recanto dos jardins da casa.  As almofadas das cadeiras são de xadrez azul e branco e há louças amarelas, azuis e brancas.   As porcelanas e gravuras azuis que decoram a sala, já introduzem a atmosfera da cozinha ao lado.

A cozinha, toda azul, é grande sem deixar de ser acolhedora. Azulejos em abundância emolduram as panelas de cobre e as cortininhas xadrez. E flores… flores por toda parte.

Uma das pinturas noturnas de Vincent van Gogh (1853-1890), retrata a famosa Casa Amarela em que o pintor morou em Arles, no sul da França, por menos de um ano, antes de morrer.  A cor amarela da fachada foi escolhida pelo próprio pintor: um “amarelo-manteiga”, segundo sua próprias palavras.

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“A Casa Amarela”, de van Gogh. 1888, ost, 72 X 92cm

A minha casa aqui é pintada por fora de amarelo-manteiga e tem persianas em verde forte; fica rodeada de sol, numa praça, onde também há um parque verde com plátanos, aloendros , acácias. Por dentro é pintada de branco e o chão é de azulejos vermelhos. E por cima, o céu de azul luminoso. Lá dentro posso, com efeito, viver e respirar e pensar e pintar”.

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Foto da Casa Amarela onde morou van Gogh, em Arles, antes de ser demolida, após a 2ª Guerra Mundial.

Van Gogh alugou a parte direita de um prédio de dois andares, onde pensou criar uma escola de arte. Mandou pintar a casa da cor amarela, que para ele era muito importante e bastante simbólica. Seria talvez mais um sol para iluminar e aquecer sua alma conturbada.  Quando pintou o quadro, ele resolveu colorir todas as casas de amarelo na tela, e não só a sua. Esta obra talvez seja  representativa do sonho de vida e de arte de Vincent van Gogh. Mais que isso: talvez represente o sonho de vida de qualquer um de nós: realizando ou não, todos nós temos um sonho na vida.

Frida Kahlo (1907-1954) nasceu na Casa Azul de Coyoacán, na cidade do México e lá viveu toda a sua trágica e sofrida vida. Quatro anos após sua morte, a casa transformou-se em museu.

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A Casa Azul, transformada em Museu Frida Kahlo, na cidade do México.

A casa pertenceu à família Kahlo desde 1904 e foi morando ali que Frida se consolidou como artista e lenda. Contraiu poliomielite na infância, que a deixou manca e sofreu um grave acidente aos 18 anos, que a impossibilitou de ser mãe.

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Cozinha da Casa Azul de Frida Kahlo, toda em amarelo e azul cobalto.

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Jardins externos da Casa Azul de Frida Kahlo.

Casou-se com o muralista Diego Rivera em 1929, que também passou a morar na Casa Azul. Ambos eram  entusiastas do comunismo e tinham fotos de Mao, Lenin, Marx e Stalin em seu quarto e em outros cômodos pela casa. O casal também abrigou Leon Trotsky, que morou um tempo na casa azul e com quem acredita-se que Frida tenha tido um caso.  Por sua vez, Diego traiu Frida com sua própria irmã, dentro da mesma casa. Quando descobriu, Frida externou sua tristeza em alguns detalhes da casa, como um relógio que marca o dia em que terminaram, e o dia em que reataram.

Alguns objetos pessoais estão à mostra no museu: vestidos, cartas de amor, o espelho pendurado na cama de onde ela fazia seus autorretratos enquanto não podia se locomover.

Monet, van Gogh e Frida: três artistas irmanados por duas cores, o amarelo e o azul de suas moradas.

Autor: Catherine Beltrão

As estrelas solares de van Gogh

Van Gogh pintou o Sol e as estrelas. Mas suas estrelas eram solares.

As estrelas eram uma das grandes motivações das pinturas de van Gogh, como vemos na obra “A noite estrelada” , de 1889. Ele disse certa vez: “Quero expressar a esperança por meio de alguma estrela“.

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“A noite estrelada”. 1889.

Sem dúvida esta é a mais famosa pintura de Vincent van Gogh, também considerada por muitos especialistas como um dos mais importantes trabalhos de arte produzidos no século XIX. Foi feita em junho de 1889, quando van Gogh estava internado em um hospício de Saint-Rémy.  Durante essa fase de sua vida van Gogh sofria contínuos ataques e alucinações, tendo sido “A noite estrelada” provavelmente o resultado de uma intensa confusão mental.. Nesta sua obra, o céu é pintado com pinceladas fortes onde predominam linhas curvas. As estrelas são manchas amarelas e brancas, parecendo vários sóis em um céu tumultuado.

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“Café Terrace à noite”. 1888.

“O Café Terraço à Noite“, cujo nome completo é “O Café Terraço na Place du Forum, Arles, à Noite“, é uma das mais famosas obras do pintor holandês. Pintado em setembro de 1888, este quadro de van Gogh é um dos mais memoráveis do artista. Sobre esta obra, ele mesmo fez questão de declarar: “Uma cena noturna sem qualquer cor preta nele, feita apenas com bonito azul e violeta e verde…”. As estrelas são como buquês de flores que se espalham sobre um céu noturno de cor azul profundo. O Café Terrace ainda existe em Arles, na França, agora com o nome de Café Van Gogh.

Noite estrelada sobre o Ródano“  é uma pintura realizada em 1888,  quando van Gogh vivia na cidade francesa de Arles, para onde mudou-se em busca de luz e cor, nove meses antes de se internar. Van Gogh dizia: “Estou terrivelmente fascinado pelo problema de pintar cenas ou efeitos noturnos no local, ou melhor, à noite.”

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“Noite estrelada sobre o Ródano”. 1888.

No azul profundo as estrelas são cintilantemente esverdeadas, amarelas, brancas, cor-de-rosa, de um brilhante mais vítreo do que em casa – mesmo em Paris: chame-se-lhes opalas, esmeraldas, lápis lazuli, rubis, safiras. Certas estrelas são amarelo-limão, outras têm um rubor rosa, ou um verde ou azul ou um brilho que não se esquece. E, sem querer alargar-me neste assunto, torna-se suficientemente claro que colocar pequenos pontos brancos numa superfície azul-preta não basta.“(Carta de Van Gogh ao irmão Theo em 19 de junho de 1888).

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“Estrada com cipreste e estrela”. 1890.

A magnífica pintura “Estrada com cipreste e estrela” foi feita em maio de 1890, quando van Gogh continuava internado no  sanatório em Saint-Rémy. Para representar a estrela, ele pintou pequenos traços formando círculos incompletos, com uma pequena região central que se destaca.

Vincent van Gogh oscilava entre a alegria e a tristeza, a esperança e o desespero, o amor e o ódio. Pintar era o seu refúgio. Utilizando cores fortes para expressar seus sentimentos, criou uma nova forma de fazer arte. Segundo ele: “Pinto o que sinto e não o que vejo”.

As estrelas eram a luz que van Gogh procurava dentro de si. As estrelas eram a sua religião: “Quando sinto uma terrível necessidade de religião, saio à noite para pintar as estrelas.”

 Autor: Catherine Beltrão

200 posts! Festa de Arte doce!

Hoje é dia de festa! Dia de comemorar 200 posts do blog ArtenaRede! Dia de festejar e comer muita arte doce!

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Mondrian.
Vídeo: “Die ideale Wirklichkeit – Piet Mondrian “. Duração: 2:43

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Mondrian
Vídeo: animação sobre neoplasticismo. Duração: 2:04

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Van Gogh.
Vídeo: animação interativa com “Noite Estrelada”. Duração: 4:15

 

Piet Mondrian (1872-1944) e Vincent van Gogh (1853-1890) são os primeiros a chegar à festa, trazendo duas obras da série “Composições em vermelho, amarelo e azul“, “A Noite Estrelada” e “Amendoeira em flor“. Mondrian, o grande nome do neoplasticismo e Van Gogh, talvez o mais amado dos pintores, são inconfundíveis, até mesmo quando sua arte se transforma em bolos…

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Van Gogh
Vídeo: animação do pintor em 3D. Duração: 1:51

 

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Klimt.
Vídeo: análise da obra “O beijo”. Duração: 3:56

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Munch
Vídeo: “The Scream”, fantástica animação sobre a obra “O Grito”. Música de Pink Floyd. Duração: 3:22

 

Gustav Klimt (1862-1918) e Edvard Munch (1863-1944) chegam logo em seguida. “O Beijo” e “O Grito” são puro encantamento, trazendo momentos do simbolismo e do expressionismo.

 

E eis que chegam duas das maiores figuras artísticas do século XX!

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Picasso
Vídeo: pinturas de Picasso. Duração: 3:00

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Picasso
Vídeo: história e análise da obra “Les demoiselles d’Avignon. Duração: 4:19

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Dali
Vídeo: animação “Destino & Time – Salvador Dali, Walt Disney and Pink Floyd”. Duração: 7:05

 

Pablo Picasso (1881-1973) e Salvador Dali (1904-1989),  os maiores nomes do cubismo e do surrealismo, vêm trazendo “Mulher em frente ao espelho“, “Les demoiselles d’Avignon” e “A persistência da memória“, este em duas versões…

É impossível não se emocionar com a Arte e com a história destes dois gênios: o Picasso de várias mulheres e o Dali de uma só…

 

 

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Dali
Vídeo: explicação da criação da obra “A persistência da memória”. Duração: 2:52

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Monet
Vídeo: “Claude Monet – Giverny ‘Les Nymphéas’. Música de Claude Debussy. Duração: 5:25

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Matisse
Vídeo: obras do pintor. Música de Claude Debussy. Duração: 3:52

 

A festa prossegue com a chegada de Claude Monet (1840-1926) e Henri Matisse (1869-1954), com seus emblemáticos  “Le bassin aux nymphéas” e “Interior com cortina egípcia“, obras máximas do impressionismo e do fauvismo.

 

Mas o abstracionismo não podia ficar de fora!

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Pollock
Vídeo: Pollock e sua arte de criação. Duração: 1:40

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Pollock
Vídeo: Trecho do filme “Pollock” (2000), dirigido e protagonizado por Ed Harris, com música do compositor Jeff Beal. A atuação representa o pintor compondo um mural. Duração: 3:45

 

Já no fim da festa, vem chegando Jackson Pollock (1912-1956), o grande nome do expressionismo abstrato, trazendo duas obras representantes da sua técnica característica, o “gotejamento“.

 

Para abrilhantar a festa, inseri alguns vídeos no post. Basta clicar nas imagens…

E, para acessar os links onde foram obtidas as imagens dos bolos, clique aqui, aqui e aqui.

Que festa! Mondrian, Van Gogh, Klimt, Munch, Picasso, Dali, Monet, Matisse e Pollock… que time de artistas para comemorar os 200 posts do blog!

Autor: Catherine Beltrão