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As estrelas solares de van Gogh

Van Gogh pintou o Sol e as estrelas. Mas suas estrelas eram solares.

As estrelas eram uma das grandes motivações das pinturas de van Gogh, como vemos na obra “A noite estrelada” , de 1889. Ele disse certa vez: “Quero expressar a esperança por meio de alguma estrela“.

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“A noite estrelada”. 1889.

Sem dúvida esta é a mais famosa pintura de Vincent van Gogh, também considerada por muitos especialistas como um dos mais importantes trabalhos de arte produzidos no século XIX. Foi feita em junho de 1889, quando van Gogh estava internado em um hospício de Saint-Rémy.  Durante essa fase de sua vida van Gogh sofria contínuos ataques e alucinações, tendo sido “A noite estrelada” provavelmente o resultado de uma intensa confusão mental.. Nesta sua obra, o céu é pintado com pinceladas fortes onde predominam linhas curvas. As estrelas são manchas amarelas e brancas, parecendo vários sóis em um céu tumultuado.

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“Café Terrace à noite”. 1888.

“O Café Terraço à Noite“, cujo nome completo é “O Café Terraço na Place du Forum, Arles, à Noite“, é uma das mais famosas obras do pintor holandês. Pintado em setembro de 1888, este quadro de van Gogh é um dos mais memoráveis do artista. Sobre esta obra, ele mesmo fez questão de declarar: “Uma cena noturna sem qualquer cor preta nele, feita apenas com bonito azul e violeta e verde…”. As estrelas são como buquês de flores que se espalham sobre um céu noturno de cor azul profundo. O Café Terrace ainda existe em Arles, na França, agora com o nome de Café Van Gogh.

Noite estrelada sobre o Ródano“  é uma pintura realizada em 1888,  quando van Gogh vivia na cidade francesa de Arles, para onde mudou-se em busca de luz e cor, nove meses antes de se internar. Van Gogh dizia: “Estou terrivelmente fascinado pelo problema de pintar cenas ou efeitos noturnos no local, ou melhor, à noite.”

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“Noite estrelada sobre o Ródano”. 1888.

No azul profundo as estrelas são cintilantemente esverdeadas, amarelas, brancas, cor-de-rosa, de um brilhante mais vítreo do que em casa – mesmo em Paris: chame-se-lhes opalas, esmeraldas, lápis lazuli, rubis, safiras. Certas estrelas são amarelo-limão, outras têm um rubor rosa, ou um verde ou azul ou um brilho que não se esquece. E, sem querer alargar-me neste assunto, torna-se suficientemente claro que colocar pequenos pontos brancos numa superfície azul-preta não basta.“(Carta de Van Gogh ao irmão Theo em 19 de junho de 1888).

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“Estrada com cipreste e estrela”. 1890.

A magnífica pintura “Estrada com cipreste e estrela” foi feita em maio de 1890, quando van Gogh continuava internado no  sanatório em Saint-Rémy. Para representar a estrela, ele pintou pequenos traços formando círculos incompletos, com uma pequena região central que se destaca.

Vincent van Gogh oscilava entre a alegria e a tristeza, a esperança e o desespero, o amor e o ódio. Pintar era o seu refúgio. Utilizando cores fortes para expressar seus sentimentos, criou uma nova forma de fazer arte. Segundo ele: “Pinto o que sinto e não o que vejo”.

As estrelas eram a luz que van Gogh procurava dentro de si. As estrelas eram a sua religião: “Quando sinto uma terrível necessidade de religião, saio à noite para pintar as estrelas.”

 Autor: Catherine Beltrão

O Sol na obra de Van Gogh

Hoje, dia 3 de maio, comemora-se o Dia Internacional do Sol.

Como todo mundo sabe, o Sol é a estrela central do Sistema Solar e a luz e calor que emite é a principal fonte de energia da Terra. Sem o Sol não existiria vida em nosso planeta. E nenhum outro pintor captou e soube transmitir a luz e a energia do Sol como Vincent van Gogh (1853-1890).

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“Campo com casas sob um céu com o disco solar”, de 1888. Desenho feito em Arles.

Cansado e desgostoso de Paris, Van Gogh passou os dois últimos anos de sua vida no sul da França, que os franceses chamam de Midi. Ele queria pintar ao ar livre, em um contexto mais luminoso. Em uma carta ao seu irmão Théo, em 1888, ele escreveu:

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“Salgueiros ao por do Sol”. Pintado em Arles, no outono de 1888.

Vim ao Midi por muitas razões. Por querer ver outra luz, crer que a contemplação da natureza sob um céu mais claro pode me dar um ideia mais exata da maneira de sentir e desenhar dos japoneses. Querer, enfim, ver este sol mais intenso, porque pressinto que, sem conhecê-lo, não é possível compreender desde o ponto de vista da realização e da técnica, as obras de Delacroix, e porque me intuiu que as cores do prisma se velam com as brumas do norte”.

A vinha e os seus vindimadores no Outono inspiraram a obra “Vinha encarnada“.  Ao descrever o quadro ao irmão Théo, Vincent disse que o tinha feito após a chuva, com o pôr do sol, pintando o chão de violeta e as folhas das parreiras de vermelho “como vinho“. O toque esverdeado no céu foi usado para contrastar com os tons de vermelho quente que dominam a composição.

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“Vinha encarnada”, de 1888.

Vinha encarnada” foi a única obra vendida de van Gogh em sua vida. Foi  exibida pela primeira vez na Exposição anual  de Bruxelas, em 1890 e adquirida pelo famoso colecionador russo Sergei Shchukin.

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“Doze girassóis numa jarra”, de 1888

Após a sua chegada ao sul de França, estabelecendo-se em Arles, Van Gogh “descobre” o sentido da cor e da luz. Doze Girassóis numa Jarra pode ser considerado o ápice de todo este efeito em sua obra. É como ele quisesse aprisionar pedaços do Sol em seus girassóis.

“Tive uma semana de trabalho carregado e duro nos trigais em pleno sol;  resultaram estudos de trigais, paisagem e um esboço de semeador. Num campo lavrado, um grande campo com torrões de terra violeta subindo contra o horizonte um semeador em azul e branco. No horizonte um campo de trigo curto e maduro. Sobre tudo isto, um céu amarelo com um sol amarelo.”

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“Semeador com o por do sol”, de 1888

Após uma violenta discussão com seu amigo pintor Paul Gauguin (1848-1903), e que teve como consequência a famosa mutilação de parte da orelha, Van Gogh foi internado no sanatório de Saint-Rémy.  Lá, o Sol continuava presente em suas criações.

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“Campo de trigo com ceifeiro e Sol”, de 1889. Pintado quando van Gogh estava internado no sanatório de Saint-Rémy.

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“Oliveiras com céu amarelo e Sol”, de 1889

Sol_VanGogh_Oliveiras-com-ceu-amareloEm seus últimos meses de vida, e durante uma das várias internações de van Gogh no sanatório de Saint-Rémy, ele descobriu na França  meridional uma fonte de inspiração inesgotável: as oliveiras. Com elas  compartilhou os últimos dias de sua vida turbulenta. Talvez uma destas obras mais significativas que tenha pintado foi “Oliveiras com céu amarelo e Sol“. Recentemente, esta obra foi uma das escolhidas em um projeto para sofrer um corte virtual de suas árvores como forma criativa de chamar a atenção para o desmatamento.

Van Gogh era fascinado pelos astros. Sol, Lua, estrelas. Procurava a luz à sua volta. Talvez para iluminar o seu interior sombrio. Ele precisava de todas as luzes da natureza para fazer germinar a natureza da sua Arte.

Autor: Catherine Beltrão