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A hora e a vez de Alberto da Veiga Guignard

No último dia 13 de agosto, a obra “Vaso de Flores”, de Alberto da Veiga Guignard (1896 – 1962), foi disputada por cinco compradores e finalmente arrematada na Bolsa de Arte de São Paulo por R$ 5,7 milhões, tornando-se a obra mais cara de um artista brasileiro vendida em leilão.

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“Vaso de flores”. Ost, 1930.

 

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Escola Guignard, em Belo Horizonte

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Museu Casa Guignard, em Ouro Preto

Tendo sido “adotado” nos anos 40 pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek,  é em Belo Horizonte que existe hoje a Escola Guignard e é em Ouro Preto que se encontra o Museu Casa Guignard, ambas construções que homenageiam este grande artista.  Também é em Ouro Preto que repousam os seus restos mortais, na Igreja de São Francisco de Assis. Assim, para muitos, Guignard teria nascido em Minas Gerais.

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Logo do projeto “Guignard, filho de Nova Friburgo”

Mas Alberto da Veiga Guignard nasceu em Nova Friburgo, cidade serrana do Rio de Janeiro. Em 2003, a ArtenaRede, empresa então ainda incubada na UERJ, incentivada pelo jornalista e cineasta Luis Carlos Prestes Filho, teve a ideia de criar o projeto “Guignard – filho de Nova Friburgo“, que tem por objetivo valorizar a vida e a obra do artista Alberto da Veiga Guignard em sua cidade natal. Além da criação do site, na época várias pesquisas sobre a vida e a obra do pintor foram realizadas pela ArtenaRede, a ponto de localizar o famoso Solar Savory, local em que  o artista residiu por alguns meses no início dos anos 40. Em tempo: nenhum livro sobre Guignard, já publicado até aquele ano, havia mencionado o exato local deste Solar. Infelizmente, hoje o Solar Savory já não existe: foi demolido e em seu lugar, construído um shopping de moda íntima.

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“Solar Savory”, em Mury, Nova Friburgo, região serrana fluminense. Hoje, o solar não existe mais.

Alberto da Veiga Guignard, um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, agora chegou ao topo da escala de valorização dos artistas plásticos brasileiros. Será que continuará desconhecido da população friburguense? Será que o projeto “Guignard, filho de Nova Friburgo” terá vez na cidade, que em 2018 completa 200 anos?Quem tiver curiosidade, aqui está o post “Guignard, filho de Nova Friburgo“, que escrevi neste blog, em março de 2014.

Autor: Catherine Beltrão

“Retrato de Adele Bloch-Bauer I”, de Gustav Klimt (1862-1918)

Dando prosseguimento à série “Histórias de obras”, este post foca uma das obras mais valorizadas do mercado de arte mundial, uma obra-prima de Gustav Klimt. A trajetória percorrida por este retrato é bastante interessante, tendo sido, inclusive, roubada  pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, resgatada.

Retrato de Klimt por Egon Schiele - 1913

Retrato de Klimt por Egon Schiele – 1913

Gustav Klimt foi um pintor simbolista austríaco, um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que recusava a tradição acadêmica nas artes. Seus primeiros trabalhos notórios foram como decorador de átrios, escadarias e auditórios de grandes espaços em Viena. No início do século XX, conheceu Veneza, Florença, Paris. E também Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Munch, Toorop, Gauguin, Bonnard e Matisse. É a época do período dourado de sua obra, da qual faz parte o “Retrato de Adele Bloch-Bauer I”.

 

Klimt - Adele

“Retrato de Adele Bloch-Bauer I”, óleo e ouro sobre tela marinheira, 1905, 138 X 138cm

Adele , mulher de Ferdinand Bloch-Bauer, tornou-se a única modelo pintada em duas ocasiões por Klimt, em 1905 e em 1912.  Em 1925 Adele faleceu de meningite, e quando os nazistas  ocuparam a Áustria, o seu viúvo exiliou-se na Suíça. Todas as suas propriedades foram confiscadas, incluída a coleção Klimt.  No seu testamento de 1945, Bauer-Bloch designou os seus sobrinhos e sobrinhas, incluindo a Maria Altmann, como herdeiros do seu patrimônio. Nos anos que se seguiram, as pinturas de Klimt foram disputadas em batalha judicial entre os Estados Unidos e a Áustria. As obras acabaram ficando nos Estados Unidos, sendo exibidas em Los Angeles até o Retrato de Adele Bloch-Bauer I ser vendido a Lauder, dono da Neue Galerie de Nova Iorque.

A pintura passou a ser a peça central da coleção de Lauder, que passou parte de sua vida tentando recuperar a arte que tinha sido propriedade da comunidade judaica, a maioria da Alemanha e Áustria, e que fora confiscada ou roubada pelo governo nazista. Lauder trabalhou para esta meta enquanto foi embaixador dos Estados Unidos na Áustria, membro da “World Jewish Restitution Organization”, e da comissão designada por Bill Clinton para examinar casos de roubo nazista. É significativo o comentário de Lauder ao recuperar o Retrato de Adele Bloch-Bauer I: “Esta é a nossa Mona Lisa….”

Esta obra foi vendida a Lauder, em junho de 2006, em leilão da Christie’s, por US$ 87,9 milhões, o que a tornou naquele momento na segunda pintura de maior valor de todo o mundo. Atualmente, ela ocupa o sétimo lugar.

Fontes das informações:

- http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2013/06/mulheres-na-historia-xxiii-adele-bloch.html -http://pt.wikipedia.org/wiki/Retrato_de_Adele_Bloch-Bauer_I

Autor: Catherine Beltrão