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Quatro histórias

Algumas vezes em minha vida eu comprei Arte. Não é fácil. Pois o associar dinheiro a algo que nos é sublime nos deixa desconfortáveis. Preciso sempre de duas  histórias. Uma história de antes da aquisição e uma história da aquisição. E, é claro, sempre vai existir uma terceira história, a de depois da aquisição.

As histórias mais significativas se relacionam a compras de obras diretamente de quem as fez. Do artista. Sem intermediários, seja de galerias, marchands ou leilões. Neste post, vou citar três. Três histórias.

Pindaro_Submersao

Submersão”, de Píndaro Castelo Branco. Ost. Detalhe.

A primeira é a obra “Submersão“, do pintor Píndaro Castelo Branco. Já conhecia a obra do artista desde os anos 70 e já tinha comprado algumas obras com seu marchand  Cláudio Gil. Mas um dia fui conhecer o atelier do pintor. Logo ao entrar, uma obra se apossou de mim: “Submersão”.  Pertencia ao seu acervo particular. Não estava à venda. Mesmo assim, ousei perguntar qual valor a obra poderia custar. Ouvi um preço bastante alto, sobretudo para o meu padrão de renda na época. Não hesitei. Fiz a oferta. Após instantes de apreensão e ansiedade mútuas, eu havia comprado a obra, submersa em intensa felicidade. Uma verdadeira conquista!

Aqui neste blog, já escrevi um post sobre o artista: “Píndaro, uma tatuagem na alma“.

Azamor_Marinha

“Marinha”, de Azamor. Ost.

A segunda obra é do artista Azamor. Silvio Azamor de Oliveira. É um artista conhecido por suas marinhas, feitos em pequenos pedaços de madeira. Eu já havia adquirido em leilões alguns daqueles “pedaços de mar”, quando um dia fui conhecer o seu atelier, situado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro. Lá, soube que ele havia desmontado um imenso armário e cortado em minúsculos pedaços para poder ter um suporte e pintar suas marinhas. Mas lá, encontrei também uma tela maior, totalmente glamurosa, com uma marinha soberba. Paixão ao primeiro olhar. Comprei.

A terceira e quarta história tiveram Van Gogh como fio condutor.

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“Van Gogh”, escultura de Chico Joy.

Há anos os personagens criados pelo artista Chico Joy percorrem minha casa. E meu jardim. Músicos, cientistas, pintores povoam salas e quartos. Poetas e escritores deixam seus versos e prosas nos canteiros do “Jardim dos Poetas“. Mas neste ano uma escultura me arrebatou: a de Vincent van Gogh. Impressionante a riqueza de detalhes e de sentimentos expostos em tão pouca matéria. Bendita seja a minha paixão pelas Artes!

Também escrevi um post (aliás, mais de um… ) neste blog sobre Chico Joy: “Chico Joy, o artesão que faz arte“.

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Releitura de “Noite Estrelada”, de Van Gogh. Por Miguel Arruda. Acrílica e nanquim sobre papel canson.

A quarta e quinta obra são uma aquisição recente. Ainda estou me acostumando. Sim, porque quando se compra uma obra, é preciso se acostumar. É mais uma paixão em nossa vida. É mais um pedaço deste quebra-cabeças gigantesco de relação com a Arte que a gente vai montando pela vida afora. Então, as obras são releituras das famosíssimas “Noite Estrelada” e “Lírios” de Vincent van Gogh. Um primor. Pertence à coleção “Impressões sobre Van Gogh“, feita pelo artista e engenheiro Miguel Arruda. Já tinha visto parte desta coleção em sua casa em Botafogo, no ano passado. Fiquei tão encantada que escrevi na ocasião um post de mesmo nome: “Impressões sobre Van Gogh“.

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Releitura de “Lírios”, de Van Gogh, por Miguel Arruda. Acrílica e nanquim sobre papel canson.

Aí, nesta semana ele resolveu vender as obras. Minha decisão foi instantânea. Vejo curvas de nível nas estrelas, nas montanhas, no cipreste.  Nas flores. Um primor e um esplendor. Aliás, dois primores, dois esplendores.

  Autor: Catherine Beltrão