Arquivo da tag: Montand

Outonos perenes

Mais um outono que chega. Para nós, o outono é uma estação. Uma das quatro. Morna. Nem fria nem quente. Nem alegre nem triste. Simplesmente amena. Tão somente plácida.

Mas um pintor pensa diferente. Para ele, o outono é tão importante que ele precisa permanecer eterno. Perene. Como estes outonos europeus do século XIX, eternizados pelos impressionistas franceses Claude Monet (1840-1926) e Pierre-Auguste Renoir (1841-1919),  da comuna de Argenteuil, na França.

Outono_Monet1

“Outono no Sena em Argenteuil”, de Claude Monet

Outono_Renoir

“Ponte em Argenteuil no Outono”, de Renoir

O tempo passa, trazendo e levando outonos. E trazendo e levando artistas que pintam outonos. Como estes dos austríacos Gustav Klimt (1862-1918), simbolista, e Egon Schiele (1890-1918), expressionista.

Outono_Klimt1

“Madeira de bétula”, de Gustav Klimt

Outono_Schiele2

“Arvores de outono”, de Egon Schiele

Os anos trouxeram novos outonos e mais pintores. Entre eles, Wassily Kandinsky (1866-1944), abstracionista russo, que pintou um outono na Baviera, região da Alemanha.

Outono_Kandinsky

“Outono na Baviera”, de Wassily Kandinsky

Na música, existe uma canção que eternizou todos os outonos: “Les Feuilles Mortes”, com a letra do poeta maior francês Jacques Prévert.   Em 1945, Prévert escreveu o roteiro do filme “Les Portes de la Nuit“, baseado no ballet “Le Rendez-Vous“, criado por Roland Petit neste mesmo ano. Petit e Prevért … que dupla!

Foram – e continuam sendo - muitos os intérpretes de “Feuilles Mortes“. Mas é impossível não deixar registradas aqui as interpretações de Yves Montand (1921-1991) e de Andrea Bocelli (1958).

outono_YvesMontand

Vídeo com Yves Montand, interpretando “Les Feuilles Mortes”

Oh je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux ou nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu’aujourd’hui

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n’ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi

Et le vent du nord les emportent
Dans la nuit froide de l’oubli
Tu vois, je n’ai pas oublié
La chanson que tu me chantais

outono_Bocelli

Vídeo com Andrea Bocelli, interpretando “Les Feuilles Mortes”

C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais, et je t’aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m’aimait, moi qui t’aimais

Mais la vie sépare ceux qui s’aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants desunis

C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais, et je t’aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m’aimait, moi qui t’aimais

Mais la vie sépare ceux qui s’aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis

Outonos. Amenos e plácidos pedaços de tempo. Do tempo que passa, fluindo pela vida que segue, sempre em frente, até o último instante… de um certo outono.

 Autor: Catherine Beltrão