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Lua, nosso alvo de pensamentos

A Lua, nosso satélite desde quase sempre, é o único corpo celeste para além da Terra no qual os seres humanos já pisaram. Mas se alguns pés humanos já passaram por lá, não passa um dia sequer que a Lua não seja bombardeada por nossos pensamentos, sentimentos, pinturas, poesias e canções.

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Lenagal

São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes

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Tarsila do Amaral

Tenho fases, como a lua.  Fases de andar escondida,  fases de vir para a rua…  Perdição da minha vida!  Perdição da vida minha!  Tenho fases de ser tua,  tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,  no secreto calendário  que um astrólogo arbitrário  inventou para meu uso.

E roda a melancolia  seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

Cecília Meireles

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Van Gogh

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda

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Luiza Caetano

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu!

Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo) – eis o teu corpo.

Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

[...]

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

Fernando Pessoa

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Paul Klee

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu dessespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
– só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

 Adélia Prado

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Salvador Dali

Eu tenho pena da Lua!  Tanta pena, coitadinha,  Quando tão branca, na rua  A vejo chorar sozinha!…

As rosas nas alamedas,  E os lilases cor da neve  Confidenciam de leve  E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha…  Tão triste na minha rua  Lá anda a chorar sozinha …

Eu chego então à janela:  E fico a olhar para a lua…  E fico a chorar com ela! …

 Florbela Espanca

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Juan Miró

Têm para mim Chamados de outro mundo  as Noites perigosas e queimadas,  quando a Lua aparece mais vermelha  São turvos sonhos, Mágoas proibidas,  são Ouropéis antigos e fantasmas  que, nesse Mundo vivo e mais ardente  consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas  e escuto essas Canções encantatórias  que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,  a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:  passaram-me por cima da cabeça  e, como um Halo escuso, te envolveram.  Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,  a ventania me agitando em torno  esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,  ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida  e nossos pés a Ela estão ligados.  Deixa que teu cabelo, solto ao vento,  abrase fundamente as minhas mão…

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,  o vento encrespa as Águas dos dois rios  e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

 Ariano Suassuna

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Lua na Pedra Furada do Gongo, uma das áreas mais isoladas e selvagens do Parque Nacional Serra da Capivara – Patrimônio Cultural da Humanidade (UNESCO)

Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?

Mario Quintana

O que seria dos poetas, dos escritores, dos pintores, sem a Lua? O que seria de nós sem suas obras lunares?

Autor: Catherine Beltrão

Megaexposições, uma tendência

As megaexposições estão tomando conta das grandes cidades.  É uma constatação. Mas por que será?

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Ron Mueck

Em 2014, o eixo Rio-São Paulo apresentou quatro megaexposições em nobres espaços de arte: Ron Mueck no MAM/RJ e Pinacoteca/SP, Dali no CCBB-RJ e Instituto Tomie Ohtaque-ITO/SP e Miró na Caixa Cultural/RJ.

E 2015 mal começou e a mostra de Kandinsky já aparece no CCBB-RJ, após ter sido visitada por mais de 243.000 pessoas no espaço cultural do banco em Brasília .   Em abril, será a vez de Miró no ITO/SP.

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Salvador Dali

Todas estas exposições atraíram centenas de milhares de visitantes. Com certeza, não se trata de preferências de estilos ou de movimentos artísticos. Salvador Dali (1904-1986) e Joan Miró (1893-1983) representam o Surrealismo. Wassily Kandinsky (1866-1944) é o maior nome do Abstracionismo e Ron Mueck ( 1958) atrai multidões com suas figuras hiperrealistas.

O que faria 978.000 pessoas, só na exposição do Rio, enfrentarem horas na fila, para ver algumas obras do Dali? E o que encanta as nove obras de Ron Mueck, apresentadas nas mostras do Rio e São Paulo, para as mais de 600.000, que também enfrentaram horas de espera, embaixo de sol e chuva? Seriam amantes da Arte? Seriam fãs incondicionais dos artistas? Óbvio que não. A grande maioria, definitivamente, não.

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Joan Miró

Uma rápida pesquisa junto aos enfileirados, pode responder à pergunta: “Um(a) amigo(a) já veio ver a exposição, gostou e …  vim conferir“; “Talvez eu não tenha outra oportunidade…”. Estas respostas são fantásticas! Demonstram que existe uma curiosidade latente, uma vontade de absorver cultura, que é o que move grande parte dos que viajam para o exterior, à cata de museus, renomados ou não.

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Wassily Kandinsky

Mas, infelizmente, existem também os que enfrentam a tal fila e, lá dentro do espaço, não são capazes de admirar obra alguma, tão estressados e ocupados estão em tirar fotos e selfies, com ou sem pau, para postar nas redes sociais… uma lástima!

Que venham mais exposições, mega ou mini, em espaços nobres ou não. Precisamos de arte!

Autor: Catherine Beltrão

Exposição com desenhos e gravuras de Miró chegou ao Rio de Janeiro

Depois de temporada em São Paulo e Curitiba, a exposição “A Magia de Miró″ foi inaugurada nesta recente terça-feira, dia 29,  na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (coladinho ao metrô da Estação Carioca), onde fica até setembro.

Obra "La Cascade" (1964), de Miró. Litografia/papel (divulgação)

Obra “La Cascade” (1964), de Miró. Litografia/papel (divulgação)

Na mostra são apresentadas 69 obras do artista espanhol e 23 fotografias (em P&B) do próprio Miró registradas por Alfredo Melgar, fotógrafo galerista em Paris e curador da mostra no Brasil.  A entrada é gratuita.

A exposição procura revelar um plano mais íntimo e pessoal do mundo de Miró ao exibir esboços ou notas, além de obras produzidas sobre papel, com lápis e giz de cera ao longo dos últimos cinco anos de vida do artista.

Foto por Alfredo Melgar, no ateliê, 1980. Da esquerda para direita, o pintor cubano Baruj Salinas, o poeta francês Jacques Dupin, o escritor cubano Carlos Franqui, Joan Miró e o diretor da Bienal de Venezia, Luigi Carluccio. (divulgação)

Foto por Alfredo Melgar, no ateliê, 1980. Da esquerda para direita, o pintor cubano Baruj Salinas, o poeta francês Jacques Dupin, o escritor cubano Carlos Franqui, Joan Miró e o diretor da Bienal de Venezia, Luigi Carluccio. (divulgação)

Já as ilustrações correspondem a diferentes épocas da sua produção, entre 1962 e 1983, e remetem ao universo do processo criativo do artista espanhol.

Após a temporada no Rio, a mostra segue para Recife e Salvador.

Serviço
Exposição “A Magia de Miró″
Quando:
 29 de julho a 28 de setembro de 2014 (terça-feira a domingo), das 10h às 21h
Onde: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3 – Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Quanto: Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência
Mais informações: (21) 3980-3815