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Oito ícones, seis museus

Mesmo quem não sabe quase nada de artes plásticas, já ouviu falar de “Mona Lisa“, certo? E, com quase  toda certeza, de “A Noite Estrelada” e, talvez, até de “O Grito“…

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“Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci

E quem teria pintado estas obras? Essa também é fácil! Leonardo da Vinci, Vincent van Gogh e Edward Munch…

Mas e se a pergunta fosse: Onde estão situadas estas obras? Aí, a coisa complica, não é?

Bem, o post de hoje fala destes e de outros ícones da pintura e dos museus que as abrigam. Vamos lá:

A “Mona Lisa“, obra pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1506, encontra-se no Museu do Louvre, na França, desde 1797.

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Museu do Louvre, em Paris

O Museu do Louvre, é o maior museu de arte do mundo e fica situado em Paris, França. Ele possui aproximadamente 380.000 itens, da pré-história ao século XXI, que são exibidos em uma área de 72.735 metros quadrados. Inaugurado em 1793, é o museu mais visitado do mundo.

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“A Noite Estrelada”, de Vincent van Gogh

E “A Noite Estrelada“, onde fica?

A Noite Estrelada“, obra de Vincent van Gogh, pintada em 1889,  faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, desde 1941.

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“Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso

Mas neste museu também se encontram dois outros ícones da pintura, “Les Demoiselles d’Avignon” e “A Persistência da Memória“.

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“A Persistência da Memória”, de Salvador Dali

Les Demoiselles d’Avignon” é uma obra de Pablo Picasso, feito em 1907. Levou nove meses para ser feita, e sua importância se deve ao fato de ser uma das obras responsáveis por revolucionar a história da arte, formando a base para o cubismo e a pintura abstrata.

Quanto ao ícone “A Persistência da Memória“, esta obra foi pintada por  Salvador Dalí, em 1931. A pintura está localizada no MoMA desde 1934. Para quem tiver interesse, vale a pena pesquisar um pouco sobre os significados dos vários símbolos presentes na tela: relógios derretidos, formigas, caricatura do pintor…

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MoMA, em Nova Iorque

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, mais conhecido como MoMA, foi fundado no ano de 1929 como uma instituição educacional. Atualmente é um dos mais famosos e importantes museus de arte moderna do mundo.  Possui mais de 150.000 pinturas, esculturas, desenhos, maquetes, imagens, fotografias e peças de design. E também contém uma livraria e arquivo com cerca de 305.000 livros e ficheiros de mais de 70.000 artistas.

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“A Moça do Brinco de Pérola”, de Johannes Vermeer

E essa? Quem não conhece?

Também conhecida como “A Mona Lisa do Norte” ou “A Mona Lisa Holandesa“,  “A Moça com o Brinco de Pérola“  é uma pintura do artista holandês Johannes Vermeer, feita em 1665. A pintura está no Museu Mauritshuis, desde 1902.

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Museu Mauritshuis, em Haia

O Museu Mauritshuis ( ou Casa de Maurício) é um rico museu de Haia, um dos mais importantes da Holanda. Seu nome se deve ao fato de ter sido construída por ordem de João Maurício de Nassau, que foi governador do Brasil holandês no século XVII, e hoje é a sede da Real Galeria de Pinturas de Maurishuits. Possui um importante acervo de arte, com mais de 800 obras, incluindo obras de Rembrandt e Rubens.

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“As Meninas”, de Diego Velázquez

Um outro ícone importante da pintura mundial é a obra “As Meninas“, de Diego Velázquez.  Pintada em 1656, esta obra foi intensamente analisada e reconhecida como uma das pinturas mais importantes na história da arte ocidental. Ela está atualmente no Museu do Prado em Madrid.

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Museu do Prado, em Madri

O Museu do Prado, localizado em Madri, é o mais importante museu da Espanha e um dos mais importantes do mundo. Inaugurado em 1819, sua coleção é baseada principalmente em pinturas dos séculos XVI a XIX. Entre seus quadros, conta com obras-primas de pintores como Velázquez, El Greco, Rubens, Bosch e Goya.

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“O beijo”, de Gustav Klimt

Essa aqui é fácil!

O quadro “O beijo“, de Gustav Klimt, pintado entre 1907 e 1908, é uma das obras mais reproduzidas da arte mundial. Pertence à chamada “fase dourada” do artista, que utilizou folhas de ouro na composição dos trabalhos nesta fase. O quadro está exposto em Viena, na Galeria Belvedere da Áustria.

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Galeria Belvedere da Áustria, em Viena

Veja que beleza de palácio!

A Galeria Belvedere da Áustria é um museu situado no Palácio Belvedere, em Viena, Áustria. Inaugurado em 1905, sua coleção inclui obras-primas da arte, desde a Idade Média e o Barroco até o século XXI. O acervo inclui obras de Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoschka.

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“O Grito”, de Edward Munch

Esse ícone é barbada! Mas talvez você não saiba que “O Grito” não se resume a uma só obra: é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, pintada em 1893.  Dois dos quadros da série, “A Ansiedade” e “O Desespero“, se encontram no Museu Munch, em Oslo, outra na Galeria Nacional de Oslo e outra em coleção particular.

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Museu Munch, em Oslo

O Museu Munch é um museu de arte situado em Oslo, albergando mais da metade das obras de Edvard Munch, deixadas em testamento à comuna de Oslo em 1940. O museu foi inaugurado em 1963, cem anos após o nascimento do pintor.

Oito ícones. Seis museus. Que tal um roteiro artístico percorrendo estes museus? Mais alguém se habilita?

Autor: Catherine Beltrão

As nove obras de Leonardo da Vinci

Outro dia estava tomando café com alguns amigos e surgiu o nome Leonardo. Leonardo da Vinci. O maior gênio de todos os tempos. E talvez o maior polímata de toda a História, destacando-se como  cientista, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, inventor, fisiólogo, anatomista, escritor, poeta e músico.

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“São Jerónimo no deserto” – c. 1480 – Tempera e óleo sobre painel – 103 × 75 cm

Mas a prosa enveredou para o Leonardo pintor. Mesmo porque ninguém ali iria discutir “O Homem Vitruviano“, a proporção áurea e a simetria da beleza. Nem tecer considerações sobre protótipos de helicópteros ou calculadoras.

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“A Adoração dos Magos” – 1481 – Óleo sobre madeira – 240 × 250 cm

Uso de energia solar? Alguém entende de? Teoria de placas tectônicas? Placas o quê? Não, definitivamente não. A zona de conforto era falar de “Mona Lisa“, certo?

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“Virgem das Rochas” – 1483–1486 – Óleo sobre madeira (transferida para tela) – 199 × 122 cm

Bem, todo mundo sabe que a “Mona Lisa” é o retrato mais famoso e valioso já pintado na História. Está na linha de frente das obras de arte mais controversas, questionadas, valiosas, elogiadas, comemoradas e reproduzidas.

Foi aí que comentei que a quantidade de obras pintadas por Leonardo cabiam nos dedos das duas mãos. Mesmo faltando um dedo. Isso mesmo! Somente nove obras são atribuídas universalmente a Da Vinci! Como assim? Isso não é possível…

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“A Última Ceia” – (1495-1498) – Mista com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco – 460 × 880 cm

É verdade. O maior gênio de todos os tempos, autor do quadro mais famoso da História da Arte, possui somente nove obras a ele atribuídas sem contestação. Senão vejamos, por ordem cronológica:

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“A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João Batista” – c. 1499–1500 – Carvão e giz preto e branco sobre papel colorido – 142 × 105 cm

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Sala delle Asse – 1498–1499 – Afrescos

1. “São Jerônimo no deserto” – c. 1480 – Tempera e óleo sobre painel – 103 × 75 cm – Museu do Vaticano, Vaticano
2. “A Adoração dos Magos” – 1481 – Óleo sobre madeira – 240 × 250 cm – Uffizi, Florence
3. “Virgem das Rochas” – 1483–1486 – Óleo sobre madeira (transferida para tela) – 199 × 122 cm – Museu do Louvre, Paris
4. “A Última Ceia” – (1495-1498)  – Mista com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco – 460 × 880 cm – Santa Maria delle Grazie, Milão
5. “Sala delle Asse” – 1498–1499 – Afrescos – Castelo Sforzesco, Milão
6. “A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João Batista” – c. 1499–1500 – Carvão e giz preto e branco sobre papel colorido – 142 × 105 cm – National Gallery, Londres
7. “Salvator Mundi“- c. 1499–1500 – Óleo sobre painel – 66 × 46 cm – Museu do Louvre, filial em Abu Dhabi
8. “Mona Lisa ” – c. 1503–1507 – Óleo sobre madeira – 76.8 × 53.0 cm – Museu do Louvre, Paris
9. “A Virgem e o Menino com Santa Ana” – c. 1508 – Óleo sobre painel – 168 × 112 cm – Museu do Louvre, Paris

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“Salvator Mundi” – c. 1499–1500 – Óleo sobre painel – 66 × 46 cm

Ao analisarmos a lista das nove obras, percebemos que todas se encontram na Europa, com exceção de “Salvator Mundi“. Este quadro, aliás, ostenta hoje o título de obra mais valiosa já adquirida em leilão: no dia 15 de novembro de 2017, na casa Christie’s de leilões, foi arrematada por um valor recorde de 450,3 milhões de dólares.

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“Mona Lisa” – c. 1503–1507 – Óleo sobre madeira – 76.8 × 53.0 cm

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“A Virgem e o Menino com Santa Ana” – c. 1508 – Óleo sobre painel – 168 × 112 cm

 

Paris, Milão, Florença, Vaticano e Londres: cinco cidades europeias a percorrer para visitar oito obras de Leonardo da Vinci. É o que se pode chamar de concentração de beleza!

 

   Autor: Catherine Beltrão

Fatias de arte

Você quer uma fatia de Van Gogh? Ou de Dali? Ou prefere uma de Mondrian, talvez…

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Bolo Mondrian

Estes bolos construídos como releituras de obras importantes de pintores famosos não são de hoje. Todos já devem ter visto imagens dessas maravilhas…

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Bolos “O Grito”, de Munch e “A Garota no Espelho”, de Picasso. By Maria Aristidou

São muitas as histórias sobre a origem dos bolos decorados. Itália e França se empenham em empunhar essa bandeira de pioneirismo. De qualquer modo, o cake design  nasceu ainda no período da Idade Média. Naquela época, a massa de açúcar - pâte à sucre – não podia ser utilizada por qualquer um pois o açúcar era artigo de luxo.  Estes bolos, às vezes de vários andares, faziam parte de banquetes promovidos pela aristocracia francesa.  Assim, o cake design caiu em desuso na França durante o século XIX. Mas voltou com força total no século XX, nos Estados Unidos, com a utilização de glacê real e pasta de açúcar, a conhecida pasta americana.

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Bolo “A Noite Estrelada”, de Van Gogh

Mas e os bolos criados a partir de obras icônicas de grandes pintores?

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Bolos “A persistência da memória”, de Dali e “O beijo”, de Klimt

Alguns bolos decorados são verdadeiros trabalhos artísticos. Um dia, um cake designer deve ter se perguntado: “Por que não decorar um bolo como se fosse um releitura de uma obra de arte famosa?” E assim foi feito. Surgiram várias releituras doces e comestíveis de “A Noite Estrelada“, de Van Gogh, de “O Grito“, de Edvard Munch, de “Garota no Espelho“, de Pablo Picasso, de “A Persistência da Memória“, de Salvador Dali… entre várias outras.

Mas ainda não encontrei bolos decorados com releituras de obras como “O Ciclo do Café“, de Cândido Portinari, “Abaporu“, de Tarsila do Amaral ou de uma “Paisagem Imaginante“, de Alberto da Veiga Guignard … Alguém já comeu? Alguém já viu?

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Escultura de bolos com releituras de obras de Van Gogh, Pollock, Mondrian, Warhol, Brito e Da Vinci. Como cereja do bolo, um móbile de Calder

 Autor: Catherine Beltrão

 

O lote de US$ 1,63 bilhão… quem dá mais?

Da Vinci, Picasso, Modigliani, Bacon,  Giacometti, Munch, Basquiat e Warhol… o que eles têm em comum? Você sabe? Eles são os autores das dez obras mais caras já vendidas em leilão. Picasso e Giacometti aparecem duas vezes nesta lista. Os valores destas obras, em conjunto, ultrapassam US$ 1,63 bilhão!

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“Salvador do Mundo”, de Leonardo da Vinci.
45,4 cm x 65,6 cm – ost – cerca de 1500

Comecemos pela obra “Salvator Mundi” (“Salvador do Mundo“), de Leonardo da Vinci (1452-1519).  Ela representa Jesus Cristo, no estilo renascentista, dando uma bênção com a mão direita  levantada e os dedos cruzados enquanto segura uma esfera de cristal na mão esquerda. A obra precorreu uma extensa trajetória até ser   redescoberta em 2005. Alguns especialistas contestam a autoria de Da Vinci. Apesar disso, a obra foi vendida em leilão pela Christie’s em Nova York, em 15 de novembro de 2017, por US$ 450,3 milhões, estabelecendo uma nova marca para a pintura mais cara já vendida.

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“As mulheres de Argel”, de Pablo Picasso.
114 X 146,4cm – ost – 1954/55

A segunda obra mais cara é de autoria de Pablo Picasso (1881-1973). Sua obra “Les femmes d’Alger” (“As mulheres de Argel“) representa um harém, e foi arrematada por US$ 179,3 milhões em um leilão na casa Christie’s, em Nova York, em 11 de maio de 2015. Esta obra faz parte de uma série de 15 pinturas e vários desenhos feitos por Picasso, com o mesmo tema,  tendo o pintor sido inspirado pelo artista francês do século XIX, Eugène Delacroix.

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“Nu deitado”, de Amedeo Modigliani.
92 X 160cm – ost – 1917

No terceiro lugar, fica Amedeo Modigliani (1884-1920),  com a obra “Nu couché” (“Nu deitado“), vendida por US$ 170,4 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York. A pintura é uma das famosas séries de nus que Modigliani pintou em 1917 sob o patrocínio de Léopold Zborowski, seu negociador polonês. Acredita-se que ela tenha sido incluída na primeira e única exposição de arte de Modigliani em 1917, na Galeria Berthe Weill, que foi encerrada pela polícia. Este grupo de nus de Modigliani serviu para reafirmar e revigorar o nu como sujeito da arte modernista.

Em seguida, temos a obra “Three Studies of Lucian Freud” (“Três estudos de Lucian Freud”), um tríptico de Francis Bacon (1909-1992), vendido por US$ 142,4 milhões em 12 de novembro de 2013  também na Christie’s de Nova York.

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“Três estudos de Lucien Freud”, de Francis Bacon.
147,5 X 198cm – ost – 1969

O tríptico é composto por telas do mesmo tamanho e emolduradas individualmente, que retrata o pintor Lucian Freud (neto de Sigmund Freud), grande amigo de Bacon, tendo um exercido grande influência sobre o outro. Os três painéis foram trabalhados ao mesmo tempo, mas foram vendidos separadamente em meados de 1970, após o tríptico ser exposto no Grand Palais/Paris (1971-1972), para tristeza do artista, que dizia que ficavam “sem sentido, a menos que um  estivesse unido aos outros dois painéis.” Mas em 1999 o trabalho voltou à sua forma original.

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“O homem que aponta”, de Alberto Giacometti.
177,5cm de altura – bronze – 1947

A quinta obra mais cara já vendida em leilão é a escultura “L’homme au doigt” (“O homem que aponta”), de Alberto Giacometti (1901-1966),  que se tornou em 11 de maio 2015, a escultura mais cara já leiloada ao alcançar o preço de US$ 141,28 milhões em um leilão promovido pela casa Christie’s, em Nova York. A obra é uma representação escultórica da filosofia do existencialismo e faz parte de uma série de seis peças, das quais é a única pintada à mão pelo artista. A peça de bronze faz parte de uma série de seis esculturas e foi vendida no mesmo leilão em que também foi vendida a obra “Mulheres de Argel” de Picasso.

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“O Grito”, de Edvard Munch.
83,5 X 66cm – óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão – 1895

Em sexto lugar, fica talvez a mais famosa desta lista de top10. Trata-se da obra “O Grito“, de Edvard Munch (1863-1944), vendida por US$ 119,9 milhões em 2 de maio de 2012 na Sotheby’s de Nova York.  Esta obra também pertence a uma série, com quatro pinturas conhecidas, que se encontram no Museu Munch, em Oslo, na Galeria Nacional de Oslo e a terceira em coleção particular. Em 2012, a quarta obra da série tornou-se a pintura mais cara da história a ser arrematada na época, num leilão. É uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Nesta versão de 1895 as cores são mais fortes do que nas outras três versões e é a única em que a moldura foi pintada pelo artista com o poema que descreve uma caminhada ao pôr-do-sol que inspirou a pintura. Outra particularidade única desta versão é que uma das figuras que está em segundo plano olha para baixo, para a cidade. O poema:
Eu caminhava com dois amigos – o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue – eu ressenti como que um sopro de melancolia. Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho – eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza.”

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“Sem título”, de Jean-Michel Basquiat.
183 X 173cm – ost – 1982

Segue-se uma obra bastante controversa: a tela sem título de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), vendida por US$ 110,5 milhões em 18 de maio de 2017 na Sotheby’s de Nova York. Basquiat criou a obra com 21 anos, no momento mais importante de sua carreira como artista. “Tudo o que tocava era fantástico”, disseram os responsáveis da Sotheby’s durante a apresentação da tela antes do leilão. O comprador anterior pagou US$ 19 mil em um leilão em 1984. Desde então ela não voltou a ser vista em público. Os especialistas afirmam que é um dos três melhores quadros de Basquiat, transformado desde então em “uma grande obra prima”.

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“Nu, folhas verdes e busto”, de Pablo Picasso.
163 X 130cm – ost – 1932

O oitavo luga também pertence a uma outra obra de Pablo Picasso, o  “Nu au plateau de sculpteur” (“Nu, folhas verdes e busto“), vendida por US$ 106,4 milhões em 4 de maio de 2010 na Christie’s de Nova York.  A obra representa a amante de Picasso, Marie-Thérèse Walter, nua e reclinada, enquanto a cabeça do pintor está   representada num busto postado num pedestal, que observa a mulher logo abaixo. Faz parte de uma série de retratos que Picasso pintou de sua amante e musa Marie-Thérèse Walter, em 1932.

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“Silver car crash (double disaster)”, de Andy Warhol.
390 X 240cm – serigrafia – 1963

Segue mais uma obra polêmica, desta vez de Andy Warhol (1928-1987), a “Silver car crash (double disaster)”, vendida por US$ 105,4 milhões em 13 de novembro de 2013 na Sotheby’s de Nova York. A serigrafia é de tamanho monumental e pertence a um dos quatro trabalhos da série ‘Car Crash – Death and Disasters‘.  Especialistas afirmam que esta obra é um trabalho de grande escala e ambição, da mesma forma que  “Guernica“, de Picasso, ou a “ Balsa da Medusa” de Théodore  Géricault.

Para muitos, a série ‘Death and Disasters‘ é a conquista artística mais significativa de Warhol, considerado pai e expoente máximo da pop art.

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“O homem caminhando I”, de Alberto Giacometti.
183cm de altura – bronze – 1961.

Terminando esta lista, a segunda obra de Alberto Giacometti.  A escultura “L’homme qui marche” (“O Homem Caminhando I”) foi vendida  104,3 milhões de dólares em 4 de fevereiro de 2010 num leilão da Sotheby’s, em Londres. “Ela representa o ápice da experimentação de Giacometti com a forma humana e é tanto a imagem de um homem simples e submisso como um forte símbolo da humanidade“, afirmou a Sotheby’s, na época. Esta escultura é  considerada a principal obra de Giacometti e está estampada também na nota de 100 francos suíços. Existem seis originais da peça. O homem caminhando I faz parte de uma série de esculturas de bronze esbeltas feitas pelo artista suíço entre 1947 e sua morte e que representam homens e mulheres solitários.

Essa lista dos top10 é bastante intrigante. O mais amado dos pintores – Vincent van Gogh – já não consta da lista. Picasso e Giacometti estão representados duas vezes. Basquiat, um desconhecido para a maioria, está aí. Ele e Warhol talvez tomaram o lugar de Monet e de Van Gogh. Pop Art no lugar do Impressionismo. Munch e Modigliani seguram o expressionismo e o modernismo. E, acima de todos, o renascentista Leonardo da Vinci…

Autor: Catherine Beltrão

Quem foi Mona Lisa?

A”Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci (1452 a 1519) é a obra mais famosa, mais difundida, mais reproduzida, mais comemorada e mais valiosa de toda a História da Arte. No entanto, até hoje, não se sabe ao certo quem foi a modelo que Leonardo retratou.

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“Mona Lisa”, 1503-1506. Óleo sobre álamo, 77 X 53cm.
Belíssimo vídeo de Agnaldo Ferreira, sobre a obra. Duração: 15:46

A obra, um óleo sobre álamo, foi pintada entre 1503 e 1506 e é relativamente pequena em relação à sua enorme fama: mede 77cm X 53cm. A versão mais difundida da identidade da modelo para a obra sustenta que um rico cidadão de Florença, Francesco Del Giocondo, teria encomendado a Leonardo Da Vinci um retrato da sua esposa, Lisa di Antonio Maria Gherardini, em 1503. É possível que o rosto da Mona Lisa seja o mesmo da esposa de Del Giocondo, o que explicaria o outro nome dado à pintura: Gioconda. Mas, em uma variação desta versão, conta-se, também, uma história um pouco diferente: “A senhora Gherardini teria sido o grande amor de Giuliano de Medici (1479-1516), irmão do papa Leão X. O fato de ela ser casada tornava tal amor impossível, mas, segundo essa lenda, o quadro teria sido encomendado por Giuliano e não pelo marido dela”, diz a historiadora da arte Daisy Peccinini, da USP.

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Mona Lisa seria o próprio Da Vinci?
Vídeo apresentando esta versão. Duração: 5:47

Para Lillian Schwartz, cientista dos Laboratórios Bell, Mona Lisa é um autorretrato de Leonardo da Vinci.  Esta versão é defendida pelo pesquisador italiano Silvano Vinceti, que pediu a exumação dos supostos restos de Da Vinci, enterrados no Castelo de Amboise, no Vale do Loire, na França, para tentar comprovar a tese de que a pintura é um autorretrato.

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Código nos olhos de Mona Lisa?

Segundo Vinceti, presidente do Comitê Nacional para a Valorização de Bens Históricos, Culturais e Ambientais, um código estaria inscrito nos olhos da Mona Lisa, na forma de letras microscópicas, não visíveis a olho nu. Ele diz ter identificado as iniciais LV, de Leonardo da Vinci, pintadas em preto sobre o marrom-esverdeado da pupila direita da Mona Lisa. No olho direito, ele diz ter identificado as iniciais CE ou possivelmente a letra B. No fundo da pintura, estariam os números 72, ou L2 se invertidos. Para Vinceti, essas inscrições seriam a chave para revelar a identidade da modelo da pintura.

Existem ainda  mais três versões de quem teria sido a Mona Lisa. A historiadora Maike Vogt-Lüerssen, de Adelaide sugeriu, após ter pesquisado o assunto por 17 anos, que a mulher por trás do sorriso famoso é Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para quem Leonardo da Vinci trabalhou como pintor da corte durante 11 anos. A quarta versão diz que a Mona Lisa é um auxiliar de Da Vinci, Gian Giacomo Caprotti, conhecido como Salai, com quem o artista teria mantido um caso. E a quinta versão defende a tese de que o rosto da tela seria o de uma escrava chamada Caterina, que, ainda por cima, seria a mãe de Leonardo.

O mistério faz parte da fama.

 Autor: Catherine Beltrão

Murais: de pinturas rupestres a grafites

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Pintura rupestre na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, na Serra da Capivara. Piaui, Brasil. Datação provável: 12000 anos.

Desde sempre, desenhos foram pintados em paredes: poderiam ser dentro de cavernas, dentro de igrejas, dentro e fora de casas, de palácios, de monumentos ou mesmo, de simples prédios.  A pintura mural tem raízes no instinto primitivo dos povos de decorar seu ambiente e de usar as superfícies das paredes para expressar idéias, emoções e crenças.

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Mural na Vila dos Mistérios, em Pompeia, pintado por volta de 60 a 70 a,C.

A cidade de Pompeia, na Itália, foi totalmente devastada pelas lavas do vulcão Vesúvio, em 24 de agosto de 79. Construída no sec. II a.C, a Vila dos Mistérios é uma das casas mais bem preservadas de Pompeia, com afrescos representando um rito de iniciação misterioso dionisíaco das mulheres no casamento.

A técnica de uso mais generalizado para o muralismo é a do afresco, que consiste na aplicação de pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida.

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“A última ceia”, afresco de Leonardo da Vinci. 1495–1498, 460 cm × 880 cm. Localização: Santa Maria delle Grazie, Milão

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“O Juízo Final” (detalhe), afresco de Michelangelo. 1537-1541, 1370 x 1220 cm. Localização: Capela Sistina, Vaticano.

No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo, e a “Última ceia“, de Leonardo da Vinci. Este afresco foi pintado com técnica mista, com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco (estuque).

“O Juízo Final” é um afresco do pintor renascentista italiano Michelangelo Buonarroti, pintado na parede do altar da Capela Sistina. É, na visão do artista, uma representação do Juízo Final inspirada na narrativa bíblica.

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“Tiradentes” (detalhe), de Cândido Portinari. 1949. Têmpera s∕tela, 309 x 1767 cm. Localização: Memorial da América Latina – São Paulo.

Após alguns séculos de decadência, a pintura mural ressurgiu no século XX, com todo vigor, com trabalhos de grupos cubistas e fauvistas, em Paris, incluindo artistas como Picasso, Matisse, Léger, Miró, Portinari e Chagall,  e também a partir do movimento revolucionário mexicano, com Diego Rivera.

Em “Tiradentes“, Portinari representa os episódios e os principais protagonistas da Inconfidência Mineira. A escolha do tema é do próprio Portinari que se dedica aos estudos e documentos sobre os fatos que sucederam ao martírio de Joaquim José da Silva Xavier. Adota como fonte importante de pesquisa o “Romanceiro da Inconfidência” de Cecília Meireles e tem como desafio implícito a tela “Tiradentes Esquartejado“, 1893, de Pedro Américo.

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“Pan American Unity Mural”, de Diego Rivera. 1940. Localização: City College of San Francisco

O mexicano Diego Rivera acreditava que somente o mural poderia redimir artisticamente um povo que esquecera a grandeza de sua civilização pré-colombiana durante séculos de opressão estrangeira. Assim como os outros muralistas, considerava burguesa a pintura de cavalete, pois na maior parte dos casos as telas ficavam confinadas em coleções particulares. Dentro deste conceito, realizou gigantescos murais que contavam a historia política e social do México, mostrando a vida e o trabalho do povo mexicano, seus heróis, a terra, as lutas contra as injustiças, as inspirações e aspirações.

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Teto do Opéra Garnier, em Paris, de Marc Chagall – 1964

O famoso Ópera de Paris apresentou em 23 de setembro de 1964 um deslumbrante novo teto pintado como oferecimento pelo artista bielo-russo Marc Chagall, que passou grande parte da vida na França. O teto era característico das obras primas de Chagall – infantil em sua aparente simplicidade, embora luminoso pelas cores e evocativo do mundo de sonhos e do subconsciente. Trabalhando em uma superfície de 560 metros quadrados, Chagall dividiu o teto em zonas coloridas que preencheu com paisagens e figuras representativas dos luminares da ópera e do balé.

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“The Fischerman”, um dos cinco murais de concreto de Picasso. Localização: Oslo, Noruega.

O sempre inovador Pablo Picasso se aventurou em murais de concreto. Os prédios do Regjeringskvartale (Quarteirão do Governo), em Oslo, na Noruega, apresentam cinco murais de Picasso esculpidos no concreto. Trata-se da primeira incursão do artista espanhol neste material. Os murais variam em tamanho. Vão do “The Fisherman”, uma imagem de 12 metros de largura que ocupa uma parede inteira, a “The Beach”, gravada na parede interior de outro prédio.

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Maior grafite do Rio de Janeiro, by Toz. 30 X 70m. Localização: Praça Mauá, Rio de Janeiro.

Desde 2013, um imenso painel de cores vibrantes e formas harmoniosas chama a atenção em meio à paisagem cinza das construções antigas e às obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, Brasil. Com 30 metros de altura e 70 de largura, o maior grafite do Rio, na lateral de um prédio na Rua Coelho e Castro, na Saúde, próximo à Praça Mauá, do artista plástico Tomaz Viana, o Toz. Na pintura, em sua maior parte dividida em triângulos, aparecem, entre outras,  imagens de meninas, animais e balões.

De pinturas rupestres a grafites, o homem sempre procurou, através dos tempos e ao mesmo tempo, popularizar e eternizar sua arte pictórica em espaços públicos e perenes, vinculados à arquitetura de seus ambientes.

Autor: Catherine Beltrão

Da Vinci: Monalisa, Homem Vitruviano, ornitóptero, CVT…

Autorretrato - da Vinci

Leonardo da Vinci – autorretrato, Cerca de 1512 a 1515.

No último dia 15 de abril, comemorou-se o aniversário de Leonardo da Vinci (1452-1519). Embora o Google não lhe tenha dedicado um doodle nesta data, não posso deixar passa-la em branco. E como colorir está na moda, vou dar cores a esta página-data.

Para muitos, Leonardo da Vinci foi o maior gênio de todos os tempos. Como pode alguém ter levado tão a sério a cumplicidade da Arte com a Ciência? Como a mesma pessoa pode ter pintado a Monalisa e desenhado projetos de engenharia que seriam executados séculos depois? Como um único homem demonstrou, em 1490, através de um único desenho - O Homem Vitruviano – a simetria básica do universo e em outro desenho, também datado do mesmo ano, o conceito da transmissão continuamente variável, o atual câmbio CVT?

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Ornitóptero, criação de Da Vinci, em 1488

Entre as inúmeras invenções de Leonardo, está o ornitóptero, precursor da asa-delta. Este invento data de 1488 e nada mais é do que um aparelho voador leve, porém mais pesado do que o ar, que imita o voo de pássaros e insetos voadores. O ornitóptero possuía em seu projeto original um confortável assento, além de diversos controles para o piloto.  Através dos séculos, o principal obstáculo para a execução do projeto teria sido a relação entre a força aplicada e o impulso obtido. Finalmente, em 2010, um ornitóptero canadense batizado Snowbird realizou o primeiro voo bem-sucedido de um ornitóptero movido à força humana, e deste modo concretizou o sonho de Leonardo da Vinci.

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Conceito do CVT, idealizado por Da Vinci, em 1490.

O conceito de CVT – Transmissão continuamente variável é um tipo de transmissão que simula uma quantidade infinita de relações de marcha, uma vez que funciona com um sistema de duas polias de tamanhos diferentes interligadas por uma correia metálica de alta resistência, em vez de engrenagens com determinados tamanhos. O conceito do CVT foi idealizado por Leonardo da Vinci em 1490, tendo sido a primeira patente do sistema registrada em 1886. Hoje, o câmbio CVT é usado principalmente em pequenos veículos como motocicletas, jet skis, karts, snowmobiles e carros de golfe, tem vindo a ser incorporado a veículos maiores como carros de passeio e pickups, é também considerado um tipo de câmbio automático, apesar de seu funcionamento ser diferente.

Nos carros, além da aceleração contínua, sem trancos, o que dá a impressão de que o carro nunca troca de marchas, o sistema CVT proporciona economia de combustível em relação a todos os outros sistemas anteriores, sejam eles automáticos ou manuais. Meu amigo Ângelo Pecly, também professor, fez o seguinte depoimento:

Lembro que a algumas montadoras já tentaram implantar este câmbio em seus carros, mas nunca funcionou muito bem, principalmente porque a correia deslizava. Pra encurtar a história, mais recentemente, as montadoras conseguiram implementar o conceito através de correntes. Bem, hoje temos, por exemplo, o Honda Fit que é mais econômico na versão automática (com CVT) do que a versão com câmbio manual. Até bem pouco tempo atrás, diria uns 5 anos, não se podia imaginar um câmbio automático ser mais econômico que um manual. “  Mais um gol de placa do Leonardo da Vinci!

da Vinci - Homem Vitruviano

O Homem Vitruviano, de Da Vinci

Eu já escrevi um post neste blog sobre o Homem Vitruviano e suas implicações no número áureo. Este célebre desenho de Da Vinci data também de 1490 e é considerado frequentemente como um símbolo da simetria básica do corpo humano e, por extensão, para o universo como um todo. É interessante observar que a área total do círculo é idêntica à área total do quadrado (quadratura do círculo) e este desenho pode ser considerado um algoritmo matemático para calcular o valor do número irracional Phi (aproximadamente 1,618), ou número áureo. Este número é a representação extrema da perfeição, ou ainda, é a ponte que liga a Arte à Matemática.

A Monalisa é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, senão, o quadro mais famoso e valioso de todo o mundo. Poucos outros trabalhos de arte são tão controversos, questionados, valiosos, elogiados, comemorados ou reproduzidos. É uma pintura a óleo sobre madeira de álamo e encontra-se exposta no Museu do Louvre, em Paris, desde 1797, sendo a maior atração do museu.

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Monalisa, de Da Vinci. 1503 a 1506. 77 X 53cm

A Monalisa já protagonizou várias histórias. Em pesquisa na Internet, encontramos algumas. Por exemplo, o imperador Napoleão Bonaparte ficou apaixonado pelo quadro desde a primeira vez que o viu, e mandou colocá-lo nos seus aposentos. Porém, durante as guerras com a Prússia, a Monalisa, bem como outras peças da coleção do museu francês, foi escondida num lugar seguro.

A 22 de agosto de 1911, cerca de 400 anos após ser pintada por Leonardo da Vinci, a Monalisa foi roubada. Muitas pessoas, incluindo o poeta francês Guillaume Apollinaire e o pintor espanhol Pablo Picasso, foram presas e interrogadas sob suspeita do roubo da obra-prima da pintura italiana. Apollinaire e Picasso foram soltos meses mais tarde. Acreditou-se, que a pintura estava perdida para sempre, que nunca mais iria aparecer. Porém, a obra apareceu na Itália, nas mãos de um antigo empregado do museu onde a obra estava exposta, Vincenzo Peruggia, que era de fato, o verdadeiro ladrão.

Em 1956, um psicopata jogou ácido sobre ela, danificando parte inferior da obra; o processo de restauração foi demorado. No mesmo ano, um boliviano jogou uma pedra contra a obra, estragando parte da sobrancelha esquerda da musa de Da Vinci.

Em 2 de agosto de 2009, uma mulher russa jogou uma xícara vazia de café contra o quadro. A pintura não foi danificada, pois a xícara quebrou na proteção de vidro à prova de balas que existe antes do painel. Segundo as autoridades, a mulher só fez isso porque estava indignada após não conseguir a cidadania francesa.

A vida, as obras, os inventos, tudo de Leonardo da Vinci parece um tesouro infinito, que vai se desdobrando com o tempo, que vai desabrochando e florescendo através da evolução da ciência e tecnologia. Com toda certeza,  faço parte daqueles que consideram Da Vinci o maior gênio que já existiu.

 Autor: Catherine Beltrão

O Homem Vitruviano e o número Phi: a matemática da beleza

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Leonardo da Vinci. Autorretrato.

Leonardo da Vinci (1452-1519), um dos maiores gênios da humanidade, não foi só o pintor de Mona Lisa, a obra mais famosa já pintada, reproduzida e parodiada de todos os tempos. Ele também era matemático, engenheiro, cientista e inventor. E também botânico, poeta e músico.

Por volta de 1490, da Vinci produziu vários desenhos para um diário. Entre eles, está o célebre Homem Vitruviano, baseado numa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio na sua série de dez livros intitulados de De Architectura, um tratado de arquitetura em que, no terceiro livro, são descritas as proporções do corpo humano masculino:

da Vinci - Homem Vitruviano

“O Homem Vitruviano”, de Leonardo da Vinci. 1490, Lápis e tinta sobre papel, 34 X 24 cm

- um palmo é o comprimento de quatro dedos
- um pé é o comprimento de quatro palmos
- um côvado é o comprimento de seis palmos
- um passo são quatro côvados
- a altura de um homem é quatro côvados
- o comprimento dos braços abertos de um homem (envergadura dos braços) é igual à sua altura
- a distância entre a linha de cabelo na testa e o fundo do queixo é um décimo da altura de um homem
- a distância entre o topo da cabeça e o fundo do queixo é um oitavo da altura de um homem
- a distância entre o fundo do pescoço e a linha de cabelo na testa é um sexto da altura de um homem
- o comprimento máximo nos ombros é um quarto da altura de um homem
- a distância entre a o meio do peito e o topo da cabeça é um quarto da altura de um homem
- a distância entre o cotovelo e a ponta da mão é um quarto da altura de um homem
- a distância entre o cotovelo e a axila é um oitavo da altura de um homem
- o comprimento da mão é um décimo da altura de um homem
- a distância entre o fundo do queixo e o nariz é um terço do comprimento do rosto
- a distância entre a linha de cabelo na testa e as sobrancelhas é um terço do comprimento do rosto
- o comprimento da orelha é um terço do da face
- o comprimento do pé é um sexto da altura

Após várias tentativas de Vitrúvio para encaixar as proporções do corpo humano dentro da figura de um quadrado e um círculo, foi apenas com Leonardo que o encaixe saiu corretamente perfeito, dentro dos padrões matemáticos esperados.

Para uma melhor visualização das proporções do Homem Vitruviano, acesse aqui.

O Homem Vitruviano é considerado frequentemente como um símbolo da simetria básica do corpo humano e, por extensão, para o universo como um todo. É interessante observar que a área total do círculo é idêntica à área total do quadrado (quadratura do círculo) e este desenho pode ser considerado um algoritmo matemático para calcular o valor do número irracional Phi (aproximadamente 1,618).

 

Fibonacci - galaxia

Espiral de uma galáxia inserida no retângulo dourado

 

Phi - Girassol

Miolo do girassol

phi - colmeia

Colmeia de abelhas

Mas o que é o número Phi ou número áureo?  Este número está envolvido com a natureza do crescimento e está associado ao significado da perfeição, que pode ser encontrado em vários exemplos de seres vivos: crescimento de plantas, população de abelhas, escamas de peixes, presas de elefantes, flor de girassol, entre outros. E também em espirais de galáxias. Na matemática, o número Phi é encontrado de várias formas: Figuras Geométricas, Retângulo Dourado, Série de Frações, Série de Raízes e a Série de Fibonacci. Neste post, vou me ater ao número áureo encontrado através da Série de Fibonacci.

Fibonacci - espiral

Espiral de Fibonacci, inserida no retângulo dourado

O número áureo pode ser aproximado pela divisão do enésimo termo da Série de Fibonacci (0, 1,1,2,3,5,8,13,21,34,55,89,…, na qual cada número é a soma dos dois números imediatamente anteriores na própria série) pelo termo anterior. Essa divisão converge para o número áureo conforme tomamos cada vez maior. Podemos ver um exemplo dessa convergência a seguir, em que a série de Fibonacci está escrita até seu oitavo termo [0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13]:

2/1 = 2 ….. 3/2 = 1,5 ….. 5/3 = 1,666…… 8/5 = 1,6 …… 13/8 = 1,625

da Vinci - Homem Vitruviano fibonacci

O Homem Vitruviano e a Série de Fibonacci

 

Muitos estudos e muitas pesquisas já se fizeram e continuarão a ser feitos desvendando os mistérios do número Phi. Importante lembrar que, desde sempre, o homem está continuamente à procura da felicidade. E a beleza, sentida ou mostrada, faz parte desta felicidade. O número áureo, sendo a representação extrema da perfeição, é a ponte que liga a Arte à Matemática, em busca da beleza, em busca da felicidade.

 Autor: Catherine Beltrão

Mãe: quando a terra vira pó

Hoje faço uma pausa.

Minha mãe faleceu faz poucos dias. Seu corpo permanece gelado, esperando ser incinerado. As cinzas irão se espalhar nos ares da região do Oise, no centro-norte da França. Espero poder participar deste ritual.

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Detalhe de “A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João Batista” de Leonardo da Vinci. Carvão e giz sobre papel, 1499-1500.

 

Não fui criada por quem me gerou. Não foi minha mãe que me aleitou, que perdeu noites, que me fez levantar das quedas previstas ou não. Não foi minha mãe que me mostrou os caminhos da Arte ou da Ciência. Não foi ela que me ajudou na arte impressionantemente difícil de ser mãe.

Mas minha mãe foi a terra que me germinou. Em seu ventre, virei gente. E aqui estou, reverenciando sua vida e me pausando em sua morte. E, com sua morte, esta terra vira pó.

 Autor: Catherine Beltrão