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Oito ícones, seis museus

Mesmo quem não sabe quase nada de artes plásticas, já ouviu falar de “Mona Lisa“, certo? E, com quase  toda certeza, de “A Noite Estrelada” e, talvez, até de “O Grito“…

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“Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci

E quem teria pintado estas obras? Essa também é fácil! Leonardo da Vinci, Vincent van Gogh e Edward Munch…

Mas e se a pergunta fosse: Onde estão situadas estas obras? Aí, a coisa complica, não é?

Bem, o post de hoje fala destes e de outros ícones da pintura e dos museus que as abrigam. Vamos lá:

A “Mona Lisa“, obra pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1506, encontra-se no Museu do Louvre, na França, desde 1797.

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Museu do Louvre, em Paris

O Museu do Louvre, é o maior museu de arte do mundo e fica situado em Paris, França. Ele possui aproximadamente 380.000 itens, da pré-história ao século XXI, que são exibidos em uma área de 72.735 metros quadrados. Inaugurado em 1793, é o museu mais visitado do mundo.

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“A Noite Estrelada”, de Vincent van Gogh

E “A Noite Estrelada“, onde fica?

A Noite Estrelada“, obra de Vincent van Gogh, pintada em 1889,  faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, desde 1941.

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“Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso

Mas neste museu também se encontram dois outros ícones da pintura, “Les Demoiselles d’Avignon” e “A Persistência da Memória“.

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“A Persistência da Memória”, de Salvador Dali

Les Demoiselles d’Avignon” é uma obra de Pablo Picasso, feito em 1907. Levou nove meses para ser feita, e sua importância se deve ao fato de ser uma das obras responsáveis por revolucionar a história da arte, formando a base para o cubismo e a pintura abstrata.

Quanto ao ícone “A Persistência da Memória“, esta obra foi pintada por  Salvador Dalí, em 1931. A pintura está localizada no MoMA desde 1934. Para quem tiver interesse, vale a pena pesquisar um pouco sobre os significados dos vários símbolos presentes na tela: relógios derretidos, formigas, caricatura do pintor…

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MoMA, em Nova Iorque

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, mais conhecido como MoMA, foi fundado no ano de 1929 como uma instituição educacional. Atualmente é um dos mais famosos e importantes museus de arte moderna do mundo.  Possui mais de 150.000 pinturas, esculturas, desenhos, maquetes, imagens, fotografias e peças de design. E também contém uma livraria e arquivo com cerca de 305.000 livros e ficheiros de mais de 70.000 artistas.

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“A Moça do Brinco de Pérola”, de Johannes Vermeer

E essa? Quem não conhece?

Também conhecida como “A Mona Lisa do Norte” ou “A Mona Lisa Holandesa“,  “A Moça com o Brinco de Pérola“  é uma pintura do artista holandês Johannes Vermeer, feita em 1665. A pintura está no Museu Mauritshuis, desde 1902.

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Museu Mauritshuis, em Haia

O Museu Mauritshuis ( ou Casa de Maurício) é um rico museu de Haia, um dos mais importantes da Holanda. Seu nome se deve ao fato de ter sido construída por ordem de João Maurício de Nassau, que foi governador do Brasil holandês no século XVII, e hoje é a sede da Real Galeria de Pinturas de Maurishuits. Possui um importante acervo de arte, com mais de 800 obras, incluindo obras de Rembrandt e Rubens.

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“As Meninas”, de Diego Velázquez

Um outro ícone importante da pintura mundial é a obra “As Meninas“, de Diego Velázquez.  Pintada em 1656, esta obra foi intensamente analisada e reconhecida como uma das pinturas mais importantes na história da arte ocidental. Ela está atualmente no Museu do Prado em Madrid.

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Museu do Prado, em Madri

O Museu do Prado, localizado em Madri, é o mais importante museu da Espanha e um dos mais importantes do mundo. Inaugurado em 1819, sua coleção é baseada principalmente em pinturas dos séculos XVI a XIX. Entre seus quadros, conta com obras-primas de pintores como Velázquez, El Greco, Rubens, Bosch e Goya.

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“O beijo”, de Gustav Klimt

Essa aqui é fácil!

O quadro “O beijo“, de Gustav Klimt, pintado entre 1907 e 1908, é uma das obras mais reproduzidas da arte mundial. Pertence à chamada “fase dourada” do artista, que utilizou folhas de ouro na composição dos trabalhos nesta fase. O quadro está exposto em Viena, na Galeria Belvedere da Áustria.

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Galeria Belvedere da Áustria, em Viena

Veja que beleza de palácio!

A Galeria Belvedere da Áustria é um museu situado no Palácio Belvedere, em Viena, Áustria. Inaugurado em 1905, sua coleção inclui obras-primas da arte, desde a Idade Média e o Barroco até o século XXI. O acervo inclui obras de Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoschka.

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“O Grito”, de Edward Munch

Esse ícone é barbada! Mas talvez você não saiba que “O Grito” não se resume a uma só obra: é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, pintada em 1893.  Dois dos quadros da série, “A Ansiedade” e “O Desespero“, se encontram no Museu Munch, em Oslo, outra na Galeria Nacional de Oslo e outra em coleção particular.

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Museu Munch, em Oslo

O Museu Munch é um museu de arte situado em Oslo, albergando mais da metade das obras de Edvard Munch, deixadas em testamento à comuna de Oslo em 1940. O museu foi inaugurado em 1963, cem anos após o nascimento do pintor.

Oito ícones. Seis museus. Que tal um roteiro artístico percorrendo estes museus? Mais alguém se habilita?

Autor: Catherine Beltrão

O ouro de Klimt

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Gustav Klimt

Gustav Klimt (1862 – 1918) foi um pintor simbolista austríaco. Além do Simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que ía de encontro à tradição acadêmica nas artes. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos dos quais estão em exposição na Galeria da Secessão de Viena.

De 1905 a 1909, ocorreu a sua célebre “Fase dourada“, com a criação de obras que viraram ícones da arte mundial.

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“As três idades da Mulher”, de Gustav Klimt. 1905, ost, 180 x 180 cm Localização: Galleria Nazionale d’Arte Moderna, Roma, Itália

Na composição “As Três Idades da Mulher“, a temática sobre o ciclo da vida é mostrada diretamente. Para muitos estudiosos de arte, o artista inspirou-se no quadro “As Três Idades da Mulher e a Morte”, obra do pintor renascentista alemão Hans Baldung Grie.

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“Retrato de Adele Bloch-Bauer I”,de Gustav Klimt. 1907, ost, 138 X 138cm

O “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” tem uma história tão interessante que foi contada no filme “A Dama Dourada” (“Woman in Gold“).  A obra foi vendida em junho de 2006, a Ronald Lauder, proprietário da Neue Galerie em Nova Iorque, por 135 milhões de dólares, tendo sido, na época, a segunda pintura mais cara do mundo. Para saber mais sobre esta obra, clique aqui.

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“O beijo”, de Gustav Klimt.1907-1908, ost, 180 X 180cm

O Beijo” talvez seja a obra mais icônica de Gustav Klimt. Especialistas explicam que a tela, fazendo parte da fase dourada do artista, tem, de fato, uma estética cintilante e elementos de ouro em sua composição, além de detalhes que simulam ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas. “O Beijo” retrata sensualidade e erotismo: um homem e uma mulher abraçados sobre um tapete de flores. As roupas do casal foram pintadas como se fossem mosaicos e se distinguem uma da outra, apesar de estarem muitos próximas, dando a sensação de que ao se abraçarem, os dois se tornam um só.

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“O beijo”, de Klimt, replicado pelo artista Tamman Azzam em uma parede de um edifício bombardeado em Damasco, na Síria

Em 2013, o artista Tamman Azzam replicou a obra em uma parede de um edifício bombardeado em Damasco, na Síria, como uma forma de protesto contra a guerra. Para saber mais, clique aqui.

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“Danae”, de Gustav Klimt.1908, ost, 77 X 83cm

O tema da pintura “Danaë” esteve muito em voga no início da década de 1900 entre muitos artistas; a personagem foi utilizada como um símbolo de perfeição do amor divino, e transcendência. Durante a sua prisão pelo seu pai, Rei de Argos, numa torre de bronze, Danaë recebeu a visita de Zeus, aqui simbolizado pela chuva dourada entre as suas pernas. No trabalho, ela está enrolada com um véu púrpura o qual faz referência à sua linhagem imperial. Algum tempo depois da sua visita celestial, deu à luz um filho, Perseu, que é citado na mitologia grega como tendo morto Medusa e salvo Andrômeda.

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“A Árvore da Vida”, de Gustav Klimt. 1909, ost,102 X 195cm

A obra “A Árvore da Vida” apresenta um estilo art nouveau. Os mosaicos foram criados no último período do artista, e mostram Árvores da Vida com os ramos enrolados, uma figura feminina de pé, e um casal abraçado.

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“Morte e Vida”, de Gustav Klimt. 1908-1916, ost,198 X 178cm

Em “Morte e Vida“, Klimt apresenta a temática da morte, que seria pessimista, mas, também introduz uma nota de esperança e reconciliação; em vez de se sentir ameaçado pela figura da morte, os seres humanos à direita dela parecem desprezá-la. A imaginação do artista já não se concentra na união física, mas sim na expectativa que a precede. Talvez esta recém-descoberta serenidade tenha origem na própria consciência de envelhecimento de Klimt e proximidade dele com a morte. Mas antes que chegasse esse momento, ele escolheu representar apenas momentos de intenso prazer ou beleza e juventude milagrosas.

Gustav Klimt foi único. Sua obra, já internacionalmente reconhecida e admirada, ainda tem um longo caminho a percorrer, até chegar ao conhecimento dos que ainda não sabem de sua existência. É dele a frase:

Qualquer um que desejar saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas e procurar reconhecer nelas o que eu sou e o que eu quero”.

Autor: Catherine Beltrão

Girassóis

Diz a lenda grega que Clície era uma ninfa apaixonada por Hélio, o deus do Sol. Helio a trocou por sua irmã e Clície começou a enfraquecer. Ela ficava sentada no chão frio, sem comer e sem beber, se alimentando apenas das suas próprias lágrimas. Enquanto o Sol estava no céu, dirigindo sua carruagem de fogo, Clície não desviava dele o seu olhar nem por um segundo. Durante a noite, o seu rosto se virava para o chão, continuando então a chorar.  Seus pés ganharam raízes e o seu rosto se transformou em uma flor,  que continuou seguindo o Sol. E assim nasceu o primeiro girassol.

Mas o girassol não é uma flor. É uma inflorescência, formada por  flores dispostas de acordo com um esquema em espiral, 34 num sentido e 55 no outro.

Flor ou não, vários pintores trouxeram para suas telas este pedaço de Sol. Haja vista Vincent van Gogh (1853-1890), o mais célebre.

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“Vaso com 14 girassóis”, de Vincent van Gogh. 1889.

Parece que Van Gogh pintou onze telas com girassóis. Difícil dizer a mais bela.  Quatorze deles foram pintados em uma obra, assim referida pelo pintor em uma carta a seu irmão Théo: “Sou intenso nisso, pintando com o entusiasmo de um marselhês comendo bouillabaisse, o que não vai surpreendê-lo quando você sabe que o que eu estou pintando são alguns girassóis. Se eu levar a cabo esta ideia, haverá uma dúzia de painéis. Então a coisa toda será uma sinfonia em azul e amarelo. Estou trabalhando nisso todas as manhãs desde o nascer do sol, pois as flores desaparecem tão rapidamente. Estou agora na quarta pintura de girassóis. Este quarto é um arranjo com 14 flores … dá um efeito singular.”

Paul Gauguin (1848-1903), contemporâneo de Van Gogh, dividiu com ele, por alguns meses, um cômodo da famosa Casa Amarela, em Arles, sul da França. Foi uma relação conflituosa, que culminou com a partida de Gauguin para Paris, testemunhada por uma carta deste ao mesmo Théo, irmão de Van Gogh: “Sou obrigado a voltar para Paris. Vincent e eu não podemos de modo algum continuar vivendo lado a lado sem atritos, devido à incompatibilidade de nossos temperamentos e porque nós dois precisamos de tranquilidade para nosso trabalho. Ele é um homem de inteligência admirável que tenho em grande estima e deixo com pesar, mas, repito, é necessário que eu parta.”

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“Nature morte à l´Ésperance”, de Paul Gauguin – 1901

É famosa a obra “Nature morte à l´Ésperance“, em que Gauguin representa seu amigo pintando girassóis.

Voltemos um pouco no tempo. Claude Monet (1840-1926), o maior nome do Impressionismo, também pintou girassóis. Em vasos, colhidos de seu jardim de Vétheuil ou ainda florescendo  em seu jardim de Giverny.

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“Ramo de girassóis”, de Claude Monet. 1881.

O inebriante “Ramo de girassóis” é inconfundível, trazendo o frescor do jardim para dentro de casa, contrapondo cores e impressões que somente Monet teria condições de executar.

E que tal um girassol pintado por Gustav Klimt (1862-1918)?

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“O Girassol”, de Gustav Klimt. 1907

Além da célebre obra “Fazenda de campo com girassóis“, é também de Klimt “O Girassol“, solitário e imponente, majestoso, reinando na tela entre dezenas de flores miúdas. O pintor, mestre do Art Nouveau, cujo centenário é comemorado neste ano, nunca deixa de surpreender, na delicadeza de sua pintura, na textura impressa por suas cores…

No Brasil, talvez o nosso maior pintor de flores seja Alberto da Veiga Guignard, ou mais simplesmente Guignard (1896-1962).

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“Vaso de Flores”, de Alberto da Veiga Guignard. 1930

Nascido na cidade serrana de Nova Friburgo/RJ, cidade em que moro e trabalho e que recentemente me adotou como cidadã, o pintor das “paisagens imaginantes” foi extremamente generoso e profícuo em seu tema floral. Uma delas, a obra “Vaso de flores“, de 1930,   foi disputada por cinco compradores e finalmente arrematada na Bolsa de Arte de São Paulo por R$ 5,7 milhões, tornando-se a obra mais cara de um artista brasileiro vendida em leilão. Na obra, um imenso girassol impera, reverenciado e abraçado por centenas de pétalas e perfumes…

Autor: Catherine Beltrão

Fatias de arte

Você quer uma fatia de Van Gogh? Ou de Dali? Ou prefere uma de Mondrian, talvez…

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Bolo Mondrian

Estes bolos construídos como releituras de obras importantes de pintores famosos não são de hoje. Todos já devem ter visto imagens dessas maravilhas…

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Bolos “O Grito”, de Munch e “A Garota no Espelho”, de Picasso. By Maria Aristidou

São muitas as histórias sobre a origem dos bolos decorados. Itália e França se empenham em empunhar essa bandeira de pioneirismo. De qualquer modo, o cake design  nasceu ainda no período da Idade Média. Naquela época, a massa de açúcar - pâte à sucre – não podia ser utilizada por qualquer um pois o açúcar era artigo de luxo.  Estes bolos, às vezes de vários andares, faziam parte de banquetes promovidos pela aristocracia francesa.  Assim, o cake design caiu em desuso na França durante o século XIX. Mas voltou com força total no século XX, nos Estados Unidos, com a utilização de glacê real e pasta de açúcar, a conhecida pasta americana.

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Bolo “A Noite Estrelada”, de Van Gogh

Mas e os bolos criados a partir de obras icônicas de grandes pintores?

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Bolos “A persistência da memória”, de Dali e “O beijo”, de Klimt

Alguns bolos decorados são verdadeiros trabalhos artísticos. Um dia, um cake designer deve ter se perguntado: “Por que não decorar um bolo como se fosse um releitura de uma obra de arte famosa?” E assim foi feito. Surgiram várias releituras doces e comestíveis de “A Noite Estrelada“, de Van Gogh, de “O Grito“, de Edvard Munch, de “Garota no Espelho“, de Pablo Picasso, de “A Persistência da Memória“, de Salvador Dali… entre várias outras.

Mas ainda não encontrei bolos decorados com releituras de obras como “O Ciclo do Café“, de Cândido Portinari, “Abaporu“, de Tarsila do Amaral ou de uma “Paisagem Imaginante“, de Alberto da Veiga Guignard … Alguém já comeu? Alguém já viu?

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Escultura de bolos com releituras de obras de Van Gogh, Pollock, Mondrian, Warhol, Brito e Da Vinci. Como cereja do bolo, um móbile de Calder

 Autor: Catherine Beltrão

 

Guerra e Arte

Guernica” talvez seja a obra mais conhecida de Pablo Picasso (1881-1973), um dos maiores pintores do século XX.

Com 3,49 m de altura por 7,76 m de comprimento, “Guernica” é um imenso mural pintado a óleo em 1937, sendo uma “declaração de guerra contra a guerra e um manifesto contra a violência”. A obra é hoje um símbolo do antimilitarismo mundial e da luta pela liberdade do homem, além de ser um ícone da Guerra Civil. 

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“Guernica”, de Pablo Picasso

Tendo sido produzida em Paris para representar a Espanha na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, a obra influenciou vários artistas, incluindo os brasileiros Cícero Dias e Cândido Portinari. Após ver “Guernica“, naquele mesmo ano de 1937, Cícero Dias transformou sua temática e forma de pintar.   E foi através da amizade que se formou entre os dois pintores que possibilitou a vinda desta obra para o Brasil em 1953, para participar da Segunda Bienal de São Paulo.

Quanto a Portinari, ele viu o quadro espanhol pela primeira vez, em 1942, em Nova York. Sua temática característica, de retratar os dramas oriundos do Brasil, foi inspirada no tema da dor e das questões sociais advindas da representação de “Guernica“.

Tamman Azzam nasceu em Damasco, na Síria, em 1980. Após um treinamento artístico na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Damasco, e quando iniciou a revolta na Síria ele voltou-se para a mídia digital e arte gráfica para criar composições visuais do conflito, com grande repercussão internacional.

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Superposição do obra “O beijo”, de Gustav Klimt em prédio devastado pela guerra, na Siria. Por Tamman Azzam.

Uma das criações mais famosas de Azzam é a superposição da icônica obra “O beijo“, de Gustav Klimt, em paredes de um prédio devastado pela guerra em sua terra natal, o que provoca sentimentos contraditórios, oscilando do horror à contemplação, e vice-versa…

Em 2004, foram doados ao Museu ArtenaRede 27 obras da artista paulista Théta C. Miguez, oriundas da série “Retratos do Apocalipse”. Entre as obras, algumas evidenciam os horrores da guerra, como a inesquecível imagem da pequena vietnamita fugindo de um ataque com bombas de napalm…

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“Holocausto”, de Theta C. Miguez. 2002 – Téc.mista – 50 X 70 cm
Série “Retratos do Apocalipse”

Assim se expressou a artista, sobre a citada série:

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“O choro da menina vietnamita”, de Théta C. Miguez. 2002 – Técnica mista – 70 X 50cm.
Série “Retratos do Apocalipse”.

“A escolha do tema “Retratos do Apocalipse” se dá em face do desejo de retratar a situação das profundas transformações que estão ocorrendo em nosso mundo, em pleno apogeu da era tecnológica e dos expressivos avanços dos meios de comunicação.

Como o apocalipse representa previsões, no que tange o fim da humanidade, expresso através desse projeto, que a mesma não está em vias de acabar, como alude tais previsões místicas, mas que de certa forma, vem falindo nos seus propósitos sociais, humanitários e existenciais.

Guerra se faz com armas, o Bom Combate se faz com a mente. Na condição de artista plástica, continuarei a guerrear através dos pincéis, registrando em minhas obras, palavras e sentimentos, como ponto de partida para a Paz.”

Geralmente, o contraponto da guerra é a paz. E se o contraponto da guerra fosse a arte?

 Autor: Catherine Beltrão

Mosaicos e releituras

Mosaico é possivelmente uma palavra de origem grega. Trata-se de um aglomerado de pequenas peças (tesselas) de pedra ou de outros materiais como vidro, azulejo, cerâmica, plástico, areia, papel ou conchas, formando determinado desenho. Para aderir a uma superfície, usa-se cola ou argamassa e, após a colagem das peças, aplica-se uma massa para o rejunte, que irá preencher os espaços existentes entre as peças.

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Releitura de “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh, por Carla Verena

A técnica do mosaico é muito antiga. O primeiro registro data de 3.500 a.C., na cidade de Ur, na região da Mesopotâmia.

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Releitura de “Mulher no Espelho”, de Pablo Picasso, por Liz Panek

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Releitura de “Portrait De Femme au Col D’Hermine”, de Pablo Picasso, por Giulio Pedrana

No antigo Egito, havia preciosos trabalhos feitos em sarcófagos de antigas múmias; também havia mosaicos que decoravam colunas e paredes de templos. Mais tarde, Pompeia foi um viveiro de mosaicistas: desde os poderosos e os abastados até o povo em geral apreciavam esta arte. No período paleo-cristão, abre-se para o mosaico uma nova era: a arte bizantina, que é o verdadeiro triunfo das artes visuais do cristianismo. No mundo islâmico, a arte do mosaico teve importante aplicação na ornamentação de edifícios e mesquitas.

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Releitura de um autorretrato de Frida Kahlo, por Stacy Alexander

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Releitura de uma obra de Frida Kahlo, por Susan Elliot

No século XIX, a arte do mosaico caiu quase em abandono. No período moderno, o mosaico, arte mural por excelência, conseguiu a metamorfose: parede-cimento-pedra-cor. Com isto, ele consegue harmonizar a arquitetura moderna.

Nos dias atuais, alguns artistas resolveram fazer releituras de obras famosas de grandes mestres como Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Frida Kahlo,  Gustav Klimt e Tarsila do Amaral, entre muitos outros. São novas formas de penetrar nas obras e transformá-las em novos contextos.

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Releitura de “O Abaporu”, de Tarsila do Amaral, por Patricia Iamin

E, mais uma vez, a poesia não poderia ficar de fora. Durante um tempo, tentei achar os cacos de Cecília, Drummond, Quintana e Manoel. Estava sem sorte. Não encontrei. Na falta dos cacos mais nobres, resolvi deixar aqui os meus cacos de alma.

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Releitura de “Três idades da mulher”, de Gustav Klimt, por Silvia Danelutti

Cacos.
Cacos de vidro.
Coloridos.
Formatados.
Mas sem a forma
de nossa alma.
Aí são cortados,
pra seguir a forma
de nossa alma.

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Releitura de “O beijo”, de Gustav Klimt, por Kasia Polkowska

Cacos.
Cacos de alma.
Sem cor.
Sem forma.
Mas que vão aos poucos
tomando forma
de nosso querer.
De nosso poder.

Cacos.
Cacos de vida.
Sem o antes.
Sem o depois.
Mas com o agora
que se desvenda
através dos cacos…
de vidro.
Ou de alma.

  Autor: Catherine Beltrão

Pianos em telas e versos (Parte II)

Um só post não era suficiente para dar uma ideia de minha paixão pelo piano. Dando prosseguimento à primeira parte deste post, mais alguns pianos são agora apresentados… pianos mais modernos, mais desconcertantes, mas nem por isso, menos encantadores.

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“Florescimento da Primavera necrófila num piano de cauda”, de Salvador Dali. 1933.
Vídeo: “Gymnopédie No.1″, de Erik Satie. Duração: 3:36

Quanto aos versos, desta vez escolhi “Ode ao Piano“, de Pablo Neruda.

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“Menina com gato e piano”, de Di Cavalcanti. 1967
Vídeo: “Ária da Bachiana Brasileira nº 4″, de Heitor Villa Lobos. Duração: 4:09

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“Georgette ao piano”, de René Magritte. 1923
Vídeo: “Impressões Seresteiras, do Ciclo Brasileiro”, de Heitor Villa Lobos. Intérprete: Magda Tagliaferro. Duração: 5:51

Estava triste ao piano
no concerto,
esquecido em seu fraque de coveiro,
então abriu a boca,
sua boca de baleia:
entrou o pianista para o piano
voando como um corvo,
alguma coisa passou como se caísse
uma pedra
de prata
ou uma mão
em um tanque
escondido:
deslizou a doçura
como a chuva
sobre um sino,
caiu a luz ao fundo
de uma casa fechada,
uma esmeralda percorreu o abismo
e soou o mar,
a noite,
as campinas,
a gota de orvalho,
o altíssimo trovão,
cantou  arquitetura da rosa,
rodou o silêncio ao leito da aurora.

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“A lição de piano”, de Henri Matisse. 1916
Vídeo: “A grande porta de Kiev”, de Quadros de uma Exposição – Modest Petrovich Mussorgsky. Duração: 4:13

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“O piano”, de Pablo Picasso. 1957
Vídeo: “Sonata para piano nº 7, Op.83″, de Serge Prokofiev. Intérprete: Gleen Gould. Duração: 19:52

Assim nasceu a música
do piano que morria,
subiu as vestes
da náiade
do cadafalso
e de sua dentadura
até que no esquecimento
caiu o piano, o pianista
e o concerto,
 e tudo foi som,
torrencial elemento,
sistema puro, claro campanário.

 

Então voltou o homem
da árvore da música.
Desceu voando como
corvo perdido
ou cavaleiro louco:
fechou sua boca de baleia do piano
e ele andou para trás,
para o silêncio.

Para completar o acervo, uma obra de Klimt, que não pode ser mais vista: essa e muitas outras foram destruídas pelos nazistas em 1945.

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“Schubert ao piano”, de Gustav Klimt. 1899.
“Clair de Lune”, de Claude Debussy. Duração: 6:00

Quanto a Wassily Kandinsky, é sabido de sua forte relação com a música.  Ele, introdutor da abstração no campo das artes visuais, e Arnold Schoenberg, criador do dodecafonismo, foram os pilares da evolução artística do século XX. É de Kandisky esta citação sobre o piano:

A cor é uma força que influencia diretamente a alma. A cor é o  teclado. Os olhos são os martelos. A alma, o piano de inúmeras cordas. O artista é a mão que toca.”

Como trilha sonora desta  segunda parte do post, escolhi peças de Erik Satie, Claude Debussy, Heitor Villa Lobos, Modest Mussorgsky e Serge Prokofiev.

Para ler a parte I deste post, clique aqui.

Autor: Catherine Beltrão

Dois beijos, sem contratos

Beijos não são contratos e presentes não são promessas“: frase de William Shakespeare (1564 – 1616), o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo.

Vi no Google que hoje, 6 de julho, é um Dia Internacional do  Beijo. O outro é o dia 13 de abril. Dois dias para comemorar o beijo… Tá certo. Afinal, até que esta comemoração faz sentido…

São muitos os artistas que representaram beijos: Toulouse Lautrec, Géricault, Edvard Munch, Marc Chagall, Fragonard e Renée Magritte estão entre os mais conhecidos. Mas resolvi, para este post do dia 6 de julho, apresentar somente dois beijos: o de Auguste Rodin e o de Gustav Klimt. Os textos a seguir, sobre cada uma das duas obras, foram extraídos da Internet.

Beijo - Rodin

“O beijo”, de Rodin. 1888/1889, mármore, 181,5 cm × 112.3 cm

O beijo” é uma escultura em mármore do artista realista francês Auguste Rodin (1840-1917) que está atualmente no Museu Rodin (Musée Rodin), em Paris.

O Beijo” originalmente tinha o nome “Francesca da Rimini”, pois descreve a nobre do século XIII italiano imortalizado no Inferno de Dante (Círculo 2, Canto 5) que se apaixona por Paolo, irmão mais novo do seu marido Giovanni Malatesta. Tendo-se apaixonado ao ler a história de Lancelot e Guinevere, o casal é descoberto e morto pelo marido de Francesca. Na escultura, o livro pode ser visto nas mãos de Paolo. Os lábios dos amantes não se tocam realmente na escultura, sugerindo-se que eles foram interrompidos quando da sua morte, sem seus lábios nunca terem sido tocados.

Quando os críticos viram pela primeira vez a escultura em 1887, sugeriram um titulo menos específico: Le Baiser (O Beijo).

Antes de criar a versão em mármore de “O Beijo”, Rodin produziu várias esculturas menores em barro, gesso e bronze. Uma versão de bronze da escultura (74cm de altura) foi enviada para uma exposição em 1893 em Chicago. A escultura foi considerada inadequada para a exibição em geral e relegada para uma câmara interna. Desde então, um grande número de moldes de bronze foram feitos. O Musée Rodin relata que a “Fundação Barbedienne” sozinha produziu 319 . De acordo com a lei francesa, decretada em 1978, apenas as primeiras doze podem ser chamadas de originais.

Beijo - Klimt

“O beijo”, de Klimt. 1907/1908, ost, 180 X 180cm

O beijo” é um quadro do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862 a 1918) sendo uma de suas obras mais conhecidas, graças a um elevado número de reproduções.

A obra pertence ao período designado de fase dourada da criação do autor e é representada por sinais característicos biológicos e psicológicos do sexo – as formas estão definidas por ornamentos retangulares (masculina) e arredondados (feminina).

A ornamentação (auréola) que envolve o casal é definida pelo contorno masculino com as suas costas, qualificado como “tipo torre” ou “campanulado”, simbolizando a masculinidade no pescoço forte do homem que impõe o movimento. É ele que, no abraço, segura a cabeça da mulher e vira-a a fim de beijá-la. A mulher, ao contrário, é representada de forma passiva – ajoelhada em frente ao homem – num gesto claro de subordinação.

A composição do quadro é antagônica e sugere mais de uma possibilidade de interpretação: por um lado evoca a felicidade da união erótica, por outro, questiona a identidade das duas pessoas e dos dois sexos. Para Gert Mattenklott (1942-2009), esse traço é recorrente nos desenhos de Klimt – “… mulheres em trajes longos, estreitos como cintas elásticas..”, escondem a “diferença feminina do corpo para simular o que lhes falta. Tornam-se símbolo daquilo que não têm: …um fetiche na câmara dos apetrechos dos prazeres.”

O quadro está exposto na Galeria Belvedere (Österreichische Galerie Belvedere) de Viena, Áustria.

Dois beijos – para mim, os mais significativos entre todos – de dois artistas, Rodin e Klimt, criados com vinte anos de diferença entre eles, há mais de um século. Duas obras fundamentais e absolutas. Representando um sentimento fundamental e não absoluto e que, por isso mesmo, não precisa de contrato. Como já dizia Shakespeare, há mais de quatro séculos.

 Autor: Catherine Beltrão