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Os sessenta anos de um urso e de um palhaço

Era uma vez um ursinho preto. De pelúcia. E também era uma vez um palhaço. De pano, listrado de vermelho e branco.  Eles se encontraram na casa de uma menina. Ela tinha seis anos. Seu nome era Katia.

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“Katia e seus amigos”, de Edith Blin. 1956, pastel sobre cartolina, 48 X 30cm.

 Katia adorava brincar com eles. O ursinho preto e o palhacinho vermelho e branco. E eles adoravam brincar com ela.

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“Katia com ursinho preto”, de Edith Blin.1954, pastel sobre cartolina, 46 X 32cm

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“Retrato de Katia com palhacinho e urso I”, de Edith Blin. 1956, pastel sobre cartolina, 50 X 35cm.

A menina morava com a avó. E a avó de Katia era pintora! Ela gostava muito de pintar a Katia. Já tinha feito vários retratos dela. Então, um dia Edith – era o nome da avó -  resolveu pintar a Katia com os seus amigos, o ursinho e o palhaço. Primeiro, ela pintou a neta só com o ursinho que, a essa altura, já tinha nome e se chamava Teddy.

Katia já estava acostumada a posar… ela sabia que precisava ficar quietinha. Mas Edith não precisou falar nada  para o Teddy. Ele também não se mexeu nem um pouco enquanto posava.

Depois, Edith pintou Katia com o palhacinho listrado de vermelho e branco também. E pintou… e pintou… e pintou…

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“Retrato de Katia com palhacinho e urso II”, de Edith Blin. 1956, pastel sobre cartolina, 63 X 47cm.

Muitas vezes, Katia ouvia os dois cochicharem: “Quando é que vamos posar de novo? ” Eles adoravam posar com a Katia para a Edith.

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“Retrato de Katia com palhacinho e urso III”, de Edith Blin. 1956, óleo sobre tela, 61 X 50cm.

Passaram-se anos. Na verdade, sessenta anos. Edith continua pintando no céu. Já ouvi dizer que pinta estrelas e arco-íris.

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O ursinho Teddy e o palhacinho vermelho e branco, sessenta anos depois…

Quanto ao ursinho Teddy e ao palhacinho listrado de vermelho e branco (nunca teve nome), eles continuam por aqui mesmo. Junto com a Katia. Que não é mais menina. Que teve filhos.  E netos.

Tem dia que os três ficam lembrando de como era bom ficar posando para Edith. De como era bom ter sido criança! Afinal, mesmo sexagenários, mesmo com a pele murchando, o pelo faltando ou o pano desbotando, os três continuam amigos e eternos nas pinturas…

 Autor: Catherine Beltrão

Os modelos de Edith Blin

O que seria dos pintores sem os seus modelos? Para alguns pintores, o modelo é fundamental. Para outros, nem tanto. Quem terá sido o modelo da obra mais famosa do mundo, a Monalisa, de Leonardo da Vinci? Há controvérsias sobre esta questão, que persistem até hoje…

No decorrer de suas quatro décadas de criação, Edith Blin teve vários modelos. Apresento neste post somente os cinco modelos de minha avó com os quais eu também convivi, nos anos 60 e 70. A ordem de apresentação não é cronológica.

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“Vera segurando o cabelo”, 1972. Osc, 48 X 35cm

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“Vera vestida de amarelo”, 1974. Ost, 65 X 54cm

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“Grupo lendo jornal”, 1974, ost, 116 X 89cm. Vera está sentada, de cabelos soltos, enquanto eu aponto para o jornal.

A primeira modelo que apresento é a Vera, uma adolescente quando a conheci nos anos 70. Era (e continua sendo) linda. Morava no mesmo prédio que eu, na rua Miguel Lemos em Copacabana. Vera deu o seguinte depoimento, em 2008, no site www.edithblin.com:

Edith deixou suas pinceladas marcadas indelevelmente em meu coração. Ela tinha a capacidade de falar de sua paixão pela arte em geral e enquanto eu posava, ouvia aulas incríveis (e em francês!) sobre todos os movimentos artísticos europeus, falava da biografia dos grandes pintores, abria um mundo fantástico que teve imensa importância em minha vida.”

No final dos anos 80 e início dos anos 90, Vera e eu fomos sócias da PresenteArte, uma galeria de arte em Ipanema e fábrica de molduras em São Cristóvão.

Nos anos 60, dois modelos de Edith se destacaram: Geneviève Hours e seu filho Serge.

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“Jovem de olhos verdes fumando”, 1967, osc, 50 X 36cm

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“Grupo estudando”, 1970, ost, 116 X 89cm. O Serge é a figura central, apoiando o cotovelo em meu ombro.

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“Loura decidida”, 1966, osc, 50 X 37cm.

Geneviève era uma bela francesa, louríssima, e que posou muitas vezes para várias obras de minha avó. Ela se tornou amiga da família e lembro de ter passado alguns dias em sua casa de Teresópolis. Época dos festivais de música e que eu não podia perder de jeito nenhum, mesmo desfrutando das delícias serranas do Rio…

Serge Hours, seu filho, era um belo rapaz. Aliás, belíssimo. Deve ter sido esta a razão que o tornou modelo de Edith, posando para algumas obras. Ele também iniciou uma série – “Grupos” – que Edith realizou com jovens amigos meus, que ficaram imortalizados em telas de grandes formatos.

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“Nu de costas com almofada vermelha”, 1967, osc, 76 X 50cm

Nos anos 70, além de Vera, mais dois modelos também frequentaram assiduamente o atelier de Edith Blin: Nelson Borges, que viria a se tornar o meu marido, e sua prima Leila Borges.

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“Retrato de Nelson em azul e vermelho”, 1973, ost, 92 X 73cm

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“Retrato de Nelson com camisa verde”, 1975, ost, 65 X 50cm.

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“Nu iluminado”, 1979, osc, 68 X 48cm.

Nelson era meu colega no curso de mestrado em Informática na PUC-RJ. Sua figura peculiar, ostentando barba preta e cabelos grisalhos sem ainda ter completado 30 anos, chamou a atenção de minha avó. Ele logo se tornou seu modelo e pouco tempo depois, meu marido. Hoje, não somos mais casados.

Leila era uma bela mulher. Posou para Edith na criação de vários nus, espatulados em cartolina preta. Foi sua última modelo, contribuindo com obras pintadas em 1979 e 1980, o último ano em que minha avó usou pincéis, espátulas, cartolinas e telas.

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“Nu recostado em almofada vermelha”, 1979, osc, 50 X 70cm.

Vera, Serge, Geneviève, Nelson e Leila. Cinco nomes que ficaram gravados na alma de Edith. Cinco pessoas que tiveram o privilégio de terem posado para minha avó. Cinco vidas que foram tocadas e transformadas de alguma forma pelo convívio com Edith Blin.

 Autor: Catherine Beltrão

Gladíolos…

Às vezes, vale juntar flores e batalhas. É quando se fala de gladíolos.

Gladíolo vem do latim Gladius que significa Gládio, ou espada, devido a sua forma longa e pontiaguda. A referência à espada se dá por causa dos Gladiadores Romanos que recebiam a flor quando saíam vencedores do combate. Por isso seu simbolismo é de vitória em batalha.

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“Jarro com gladíolos”, de Vincent van Gogh

 

Na minha opinião, o mais belo poema envolvendo gladíolos é de Arthur Rimbaud (1854-1891): “Le dormeur du val” (“Adormecido no vale“, em tradução de Ferreira Gullar).

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“Gladíolos”, de Claude Monet

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“Glaieuls”, de Chaim Soutine

“Le dormeur du val”

C’est un trou de verdure où chante une rivière,
Accrochant follement aux herbes des haillons
D’argent ; où le soleil, de la montagne fière,
Luit : c’est un petit val qui mousse de rayons.

Un soldat jeune, bouche ouverte, tête nue,
Et la nuque baignant dans le frais cresson bleu,
Dort ; il est étendu dans l’herbe, sous la nue,
Pâle dans son lit vert où la lumière pleut.

Les pieds dans les glaïeuls, il dort. Souriant comme
Sourirait un enfant malade, il fait un somme :
Nature, berce-le chaudement : il a froid.

Les parfums ne font pas frissonner sa narine ;
Il dort dans le soleil, la main sur sa poitrine,
Tranquille. Il a deux trous rouges au côté droit.

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“Gladíolos em um jarro”, de Pierre Auguste Renoir

 

“Adormecido no vale”, em tradução de Ferreira Gullar

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“Gladíolos em ascensão”, de Edith Blin

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“Gladíolos”, de Anita Malfatti

É um vão de verdura onde um riacho canta
 A espalhar pelas ervas farrapos de prata
 Como se delirasse, e o sol da montanha
 Num espumar de raios seu clarão desata.

Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
 Banhando a nuca em frescas águas azuis,
 Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
 Frágil, no leito verde onde chove luz.

Com os pés entre os gladíolos, sorri mansamente
 Como sorri no sono um menino doente.
 Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.

E já não sente o odor das flores, o macio
 Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
 Tem dois furos vermelhos do lado direito.

Van Gogh, Renoir, Soutine, Monet, Anita Malfatti e Edith Blin. E Rimbaud. Uma voz em um berço de cores e perfumes. E que voz… que cores… que perfumes!

Autor: Catherine Beltrão

Sangue, tempo e aquarelas

Minha família veio de longe. De terras brumosas e brumas uivantes. E de tempos em tempos, a saudade costuma ganhar peso. Nessas horas, recorre-se a fotos antigas, a objetos que teimam não apodrecer… e que justificam nossas lembranças. Como algumas das aquarelas de Wambach.

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“Retrato de Edith”, de Georges Wambach. 1932, aquarela, 16 X 18cm

Georges Wambach (1902-1965), grande aquarelista nascido em Anvers/Bélgica, era muito boêmio e conheceu minha avó Edith Blin (1891-1983) em 1926, na época em que ela era atriz de teatro. Edith era uma mulher lindíssima e, mesmo sendo casada e mãe de três filhos, atraía olhares e provocava emoções masculinas. Wambach ficou fascinado por essa atriz apaixonante e foi se aproximando da família… Fez retratos da mãe de Edith, dos irmãos de Edith, dos sobrinhos, dos filhos… até chegar nela.

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“Bonne Maman” (mãe de Edith), de Georges Wambach. 1938, aquarela, 38 X 32cm

Para compor este post que fala de tempos passados e de sangues familiares, um poema sublime de Cecília Meireles: “Memória

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“Retrato de Jean” (irmão de Edith), de Georges Wambach. 1933, aquarela, 20 X 14cm

Minha família anda longe,
 com trajos de circunstância:
 uns converteram-se em flores,
 outros em pedra, água, líquen;
 alguns, de tanta distância,
 nem têm vestígios que indiquem
 uma certa orientação.

Minha família anda longe,
– na Terra, na Lua, em Marte –
uns dançando pelos ares,
 outros perdidos no chão.

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“Retrato de Raymonde” (irmã de Edith), de Georges Wambach. 1931, aquarela, 20 X 14cm

Tão longe a minha família!
 Tão dividida em pedaços!
 Um pedaço em cada parte…
Pelas esquinas do tempo,
 brincam meus irmãos antigos:
 uns anjos, outros palhaços…
Seus vultos de labareda
 rompem-se como retratos
 feitos em papel de seda.
 Vejo lábios, vejo braços,
– por um momento persigo-os;
 de repente, os mais exatos
 perdem sua exatidão.
 Se falo, nada responde.
 Depois, tudo vira vento,
 e nem o meu pensamento
 pode compreender por onde
 passaram nem onde estão.

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“Retrato de Jeannine” (sobrinha de Edith), de Georges Wambach. 1933, aquarela, 20 X 14cm

Minha família anda longe.
 Mas eu sei reconhecê-la:
 um cílio dentro do oceano,
 um pulso sobre uma estrela,
 uma ruga num caminho
 caída como pulseira,
 um joelho em cima da espuma,
 um movimento sozinho
 aparecido na poeira…
Mas tudo vai sem nenhuma
 noção de destino humano,
 de humana recordação.

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“Retrato de Georges” (filho de Edith), de Georges Wambach. 1928, aquarela, 20 X 14cm

Minha família anda longe.
 Reflete-se em minha vida,
 mas não acontece nada:
 por mais que eu esteja lembrada,
 ela se faz de esquecida:
 não há comunicação!
 Uns são nuvem, outros, lesma…
Vejo as asas, sinto os passos
 de meus anjos e palhaços,
 numa ambígua trajetória
 de que sou o espelho e a história.
 Murmuro para mim mesma:
“É tudo imaginação!”

Mas sei que tudo é memória…

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“Retrato de Ivan” (filho de Edith, meu pai), de Georges Wambach. 1929, aquarela, 20 X 14cm

O tempo passa. E o sangue continua correndo nas veias da família Blin. Mesmo naqueles que não mais possuem o Blin em seu nome. Pois eu sou a última da família, aqui no Brasil, a ter este privilégio.

  Autor: Catherine Beltrão

Retratos de uma velha senhora

A velha senhora se chama Marie Pivert Blin. A velha senhora é mãe de Edith Blin. A velha senhora também era conhecida como a “Bonne Maman“. Minha bisavó.

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“Bonne Maman en noir”, de Edith Blin. 1945, óleo sobre tela, 76 X 60cm

Não cheguei a conhecê-la. Nossos caminhos se cruzaram, mas em planos diferentes. Ela partiu em dezembro de 1947 e eu cheguei alguns meses depois.

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“Bonne Maman au tricot”, de Edith Blin. 1942, desenho a carvão, 30 X 22cm

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“Bonne Maman au journal” de Edith Blin. Década de 40, óleo sobre tela, 98 X 72cm

Edith foi nosso denominador comum. Marie e eu amamos Edith de uma forma que não dá para mensurar. Aquela forma que não cabe em formas de amor materno, de amor filial, ou de qualquer outro amor familiar. E Edith também nos amou desmedidamente.

Até onde sei, Marie era de pequena estatura, e possuía uma alma gigantesca. Normanda até o último fio de cabelo, passou para Edith a veneração pelo Mont Saint-Michel, aquele monumento que orgulha a nação francesa, senhor das marés e dos ventos uivantes.  Veneração que acabou passando também pra mim.

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“Portrait Maman”, de Edith Blin. 1943, desenho a carvão, 30 X 22cm

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“Bonne Maman au fauteuil”, de Edith Blin. Década de 40, desenho a carvão, 30 X 22cm

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“Les pensées de Maman sont vers la France”, de Edith Blin. 1942, desenho a carvão, 30 X 22cm

Não tenho lembranças diretas de Marie, a “Bonne Maman“. Mas guardo lembranças das lembranças de Edith de sua “Boa Mamãe“: algumas fotos, uma poltrona bergère Luis X V (ou Luis XVI, não sei ao certo), um armário normando com mais de três séculos de existência…

Lembranças que um dia não serão mais lembranças. Lembranças que irão se transformar em histórias. Sem afeto. Sem tristezas. Sem risos. E, quem sabe até, sem família.

 Autor: Catherine Beltrão

O Mont Saint-Michel de meus ancestrais

Sempre que penso no Mont Saint-Michel me vem a imagem de um cavalo a galope voltando alucinado para o Monte, tentando fugir da maré que se aproxima velozmente… Minha avó Edith sempre falava dessa maré que ía e voltava, fazendo do Mont Saint-Michel ao mesmo tempo um lugar fascinante, poderoso e repleto de mistérios…

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“Mont Saint-Michel”, de Théodore Rousseau (1812-1867)

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“Abadia do Mont Saint-Michel”, de Edith Blin (1891-1983)

Minha avó Edith Blin nasceu em 22 de julho de 1891, na cidadezinha de Pontorson, na região francesa da Normandia. Essa cidade fica bem em frente a uma das maravilhas do mundo, o Mont Saint-Michel. Se todos os que visitaram o Mont Saint-Michel não conseguem mais esquecê-lo pela vida afora, não é difícil imaginar o que representava este lugar para Edith! Para ela, era simplesmente um lugar sagrado, símbolo maior da grandeza da França, o ícone francês por excelência.

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“Mont Saint-Michel”, de William Turner (1775-1851)

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“Le Mont Saint-Michel”, de Georges Wambach (1901-1965)

O Mont Saint-Michel é uma pequena ilha rochosa, na verdade um istmo, na foz do rio Couesnon, com cerca de 960m de circunferência, localizada no departamento da Mancha, na França. No alto, foi construído uma abadia, a abadia do Mont Saint-Michel e santuário em homenagem ao arcanjo São Miguel. Antes do ano 709, a ilha era chamada de Mont Tombe. Seu antigo nome é “Monte Saint-Michel em perigo do mar” (Mons Sancti Michaeli in periculo mari).

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“Mont Saint-Michel”, de Emmanuel Lansyer (1835-1893)

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“Mont Saint-Michel”, de William Stanley Haseltine (1835–1900)

Acredita-se que a história da abadia do Mont Saint-Michel começou em 708, quando Aubert, bispo de Avranches, mandou construir no monte Tombe um santuário em honra a São Miguel Arcanjo (Saint-Michel). No século X os monges beneditinos instalaram-se na abadia e uma pequena vila foi-se formando aos seus pés. Durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, o Mont Saint-Michel foi uma fortaleza inexpugnável, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Após a dissolução da ordens religiosas ditadas pela Revolução Francesa de 1789 até 1863 o Monte foi utilizado como prisão.

O Mont Saint-Michel foi declarado monumento histórico em 1987 e o sítio figura desde 1979 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

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Vídeo sobre o Mont Saint-Michel, feito com um drone. Duração: 3:23

Visitei o Monte de meus ancestrais em três ocasiões: em 1969 (a primeira vez a gente nunca esquece), nos anos 80 e, mais recentemente, em 2012. Hoje, as lembranças do Mont Saint-Michel, além do cavalo a galope retornando à ilha, são do vento gélido batendo no meu rosto lá na abadia, da omelette à la Mére Poulard e de uma enorme tigela de moules (mexilhões)…

Autor: Catherine Beltrão

Um dia em 1972

Não lembro o dia. Nem o mês. Só o ano: 1972. Neste dia, eu fui, uma vez mais, modelo de Edith. Edith Blin, minha avó. Edith, cúmplice de vida e de alma.

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“Retrato de Katia vestida de roxo, estilo marquesa.” Edith dando os últimos retoques na obra.

Minha avó me pintou 129 vezes, em 32 anos. Desde que eu nasci até a sua partida. Foram 32 anos de cumplicidade em 129 registros de amor.

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Nas telas e no cotidiano com minha avó Edith, meu nome é Katia. Catherine é para os outros.

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A cada vez que posava, um compositor se fazia presente: Bach, Chopin, Liszt, Debussy, Villa-Lobos. Não importa. A música nos unia.

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Neste dia de 1972, deve ter sido Franz Liszt. Talvez a “Bénédiction de Dieu dans la solitude“, com Claudio Arrau ao piano.

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E, como já escrevi em depoimento de 2006, acerca de ter sido modelo de Edith: “Hoje, percebo que esta comunhão e esta interação fundamentaram minha vida a tal ponto que a minha procura de felicidade passa através da Arte e de seu processo de criação.”

Retrato de Katia com vestido roxo estilo marquesa

“Retrato de Katia vestida de roxo estilo marquesa”. 1972, ost, 92 X 73cm.

Ao lado, a obra “Retrato de Katia vestida de roxo, estilo marquesa.” Foi feita em 1972, a óleo sobre tela. Dimensão: 92 X 73cm. O vestido roxo era de veludo de seda, tendo sido de minha avó, quando jovem. O longo colar é feito de contas de âmbar. A gargantilha tem um pendente cujo desenho é um tucano feito com asas de borboleta. O vestido não existe mais. O colar e a gargantilha, sim.

Neste 8 de maio, Dia das Mães, quando o sentimento brota sem fazer esforço, a lembrança daquele dia em 1972, faz 44 anos já, traz para o presente o som e o cheiro de um daqueles momentos mágicos, partilhados com aquela que foi minha mãe de coração, mãe de alma, mãe de criação, mãe de Arte: minha avó Edith Blin.

Autor: Catherine Beltrão

 

O amor em traços e versos

O amor é um tema eterno. Não há no mundo quem não tenha amado. Pra falar de amor, surgem os poetas. Pra desenhar o amor, os pintores. Pra viver o amor, qualquer um de nós.

Este post apresenta  oito textos/poemas sobre o amor, de oito escritores que amo, ilustrados com imagens de obras de Edith Blin (1891-1983), a “pintora da alma.

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“Casal em cinza”, de Edith Blin: 1973, osc, 55 X 36cm

“Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.”

Pablo Neruda

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“Aproximação”, de Edith Blin: 1970, osc, 49 X 37cm

“Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.”

Mario Quintana

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“Depois da Fantasia”, de Edith Blin: 1972, osc, 48 X 34cm

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

Luis de Camões

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“Duas figuras, uma nos braços da outra”, de Edith Blin: 1977, osc, 50 X 38cm

Amo-te tanto, meu amor … não cante
O humano coração com mais verdade …
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.”

Vinicius de Moraes

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“Inspiré de Rodin II”, de Edith Blin: 1971, osc, 52 X 39cm

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…”

Florbela Espanca

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“Jovens do futuro”, de Edith Blin : 1978, osc, 53 X 38cm

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.”

Carlos Drummond de Andrade

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“Pausa I”, de Edith Blin: 1970, osc, 52 X 38cm

Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.” (De Julieta para Romeu)

William Shakespeare

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“Casal n•5″, de Edith Blin: 1980, osc, 51 X 37cm. Esta obra participou do Nouveau Salon de Paris – CIAC, em janeiro de 1986. Após o evento, a obra desapareceu, sendo desconhecido o seu paradeiro atualmente.

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.”

Fernando Pessoa

Uma nota a ser feita sobre as oito obras de Edith Blin apresentadas neste post: todas elas datam da década de 70, quando a artista tinha mais de 80 anos. É realmente fantástico o vigor e a força que transmitem, sem deixar de lado a ternura que o tema sugere…

Autor: Catherine Beltrão

Negros e negras

Há um amplo consenso entre antropólogos e geneticistas humanos de que, do ponto de vista biológico, raças humanas não existem. E, segundo várias pesquisas, a cor da pele não determina sequer a ancestralidade. Isso é especialmente verídico nas populações brasileiras, pelo seu alto grau de miscigenação. Já foi verificado que 87% dos brancos brasileiros apresentam pelo menos 10% de ancestralidade africana.

Muito além de qualquer discussão sobre raça e cor, este post apresenta algumas obras criadas por grandes artistas, representando o negro segundo sua cultura, a época em que viveu e sua verdade.

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“Quatro estudos de uma cabeça de negro”, de Rubens. Primeira metade do séc. XVII , ost, 51 X 66cm. Musées Royaux des Beaux-Arts, Brussels

Peter Paul Rubens (1577-1640) pintou muitos retratos, especialmente de amigos e autorretratos, e, no final de sua vida, pintou diversas paisagens. Seus desenhos são muito vigorosos, mas não muito detalhados. Utilizou-se de estudos em óleo para  preparar suas obras. Foi um dos últimos artistas a fazer uso consistente de painéis de madeira como meio de apoio, mesmo para obras grandes, e se utilizou também de lona, especialmente quando a obra precisaria ser enviada para lugares distantes. “Quatro estudos de uma cabeça de negro” foi uma das obras mais populares do pintor.

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“Retrato de Mulher Negra”, de Benoist. 1800, ost, 81 X 65cm . Museu do Louvre.

Marie-Guillemine Benoist (1768-1826) foi aluna de Jacques Louis David, principal representante da pintura neoclássica na França, e valeu-se das lições do mestre para realizar uma obra tipicamente neoclássica. O “Retrato de Mulher Negra” mostra uma mulher com  postura rígida que está posando: o olhar é fixo, a intenção do olhar a faz indagar o espectador. Não está ali uma mulher em situação de sujeição, mas de provável escolha.

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“Negra tatuada vendendo caju”, de Debret. 1827, aquarela, 15,7 x 21,6 cm. Museu da Chácara do Céu/Fundação Raymundo Ottoni de Castro Maya

Jean-Baptiste Debret (1768-1848), assim como Benoist, também foi aluno de Jacques Louis David. Mas, ao contrário da mulher de Benoist, a vendedora que aparece em sua “Negra tatuada vendendo caju“  está sentada no chão de forma mais espontânea, apoiando a cabeça com o braço, que por sua vez se apoia em suas pernas.  A mulher de Benoist parece ter sido inserida em um ambiente que não é o seu, enquanto a mulher de Debret parece estar totalmente imersa naquele espaço.

Negros_Cezanne

“O Negro Cipião”, de Cézanne. 1867, ost, 107 X 83cm. MASP

O que predomina na tela “O Negro Cipião”, de Paul Cézanne (1839-1906) é a confrontação em total harmonia de grandes volumes cromáticos: o branco do móvel com as costas de Cipião, que, por sua vez, se sobrepõe ao fundo opaco, e também o azul intenso das calças. E, ainda, no braço direito do modelo, pequenas pinceladas amarelas e vermelhas, que poderiam ser os reflexos do ambiente. Belíssima obra doada ao MASP pelo Centro dos Cafeicultores do Estado de São Paulo.

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“Limpando metais”, de Armando Vianna.1923, ost, 99 X 81cm. Juiz de Fora, Museu Mariano Procópio.

O final do século XIX trouxe consigo a valorização da pintura de cenas de costumes, por vezes representadas em quadros de grandes formatos. Buscava-se atingir sentimentalmente o observador, comovendo-o diante da situação vivenciada pelos personagens, mas sem grande dramaticidade. Assim, a mulher negra poderia ser representada expressando seus sentimentos, não mais reduzida a elemento puramente exótico. “Limpando metais”, de Armando Vianna (1897-1992), não fugiu a essa regra: foi pintado exclusivamente para concorrer ao prêmio da 31ª Exposição Geral da Escola Nacional de Belas Artes. O artista conseguiu a medalha de prata e não mais representou mulheres negras.

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“A Negra”, de Tarsila. 1923, ost, 100 X 80cm. São Paulo, MAC-USP

No Brasil, uma obra que apresenta paralelo com “Limpando metais” é a célebre tela “A negra”, de Tarsila do Amaral (1886-1973). As duas entraram em cena no mesmo ano, 1923. Mas a obra da pintora modernista em pouco tempo ganhou fama. Produzida em Paris, “A negra” de Tarsila foi exibida com entusiasmo pelo importante artista francês Fernand Léger (1881-1955) aos seus alunos. Reproduzida na capa de um livro de poemas escrito por Blaise Cendrars (1887-1961), tornou-se rapidamente símbolo de ruptura absoluta. A obra reduz o corpo nu feminino a uma superfície plana e alaranjada, salientando tão somente suas características étnicas, incorporando à estética moderna um elemento de identidade nacional. A partir dela, o modernismo brasileiro produziu um número expressivo de representações de negros e mestiços.

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“O lavrador de Café”, de Portinari. 1934, ost, 100 X 81cm. MASP

No quadro “O  Lavrador de  Café”, de Cândido Portinari (1903-1962), o modelo   aparece  bem  mais    musculoso   do  que   o  normal .  A figura   deformada com pés e mãos enormes  é  o  que aproxima Portinari   ao   expressionismo . Aumentar o  tamanho  do corpo  de seus personagens  era  o  jeito  que o artista usava para mostrar a  importância do trabalhador  brasileiro.

Ao fundo temos inúmeras figuras de pés de café, tanto na superfície plana como nos morros. Percebe-se que parte das plantações dos pés de café já está indo em direção ao espaço reservado para seleção e ensacamento. Com esses detalhes, percebe-se a superprodução ai registrada. O olhar do lavrador é expressivo e nele predomina a preocupação. Tem-se a impressão de que ele sente a ação devastadora da exploração que o homem faz na natureza.

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“Mulher Negra”, de Di Cavalvanti.1925. Uma das poucas negras pintadas por Di.

Palavras de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976): “A mulata, para mim, é um símbolo do Brasil. Ela não é preta nem branca. Nem rica nem pobre. Gosta de dança, gosta de música, gosta do futebol, como o nosso povo. Imagino ela deitada em cama pobre como imagino o país deitado em berço esplêndido.” E palavras do crítico Frederico de Morais, por ocasião da retrospectiva de DI no MAM, em 1971: “Altaneiras, monumentais quase sempre, alegres ou sonhadoras, em devaneios – o gato no colo, a flor sobre o busto – apenas por alguns momentos o olhar parece triste ou vago. Porque, hedonista nato, amoroso da vida e das pessoas, Di não se deixa abater pelos problemas existenciais, pela inquietação política ou social. Coisas mais próprias para os espíritos magros.”

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“Negra com lençol azul”, de Edith Blin. 1943, ost, 65X50cm. (Futuro) Museu ArtenaRede.

Edith Blin (1891-1983) embora tenha pintado poucos negros, estas obras são muito significativas em sua produção. Além da emblemática obra “Carnaval!”, sua magnífica “Negra com lençol azul“ dignifica uma raça, dignifica uma origem, dignifica um Brasil. O amarelo, o verde e o azul envolvem a altivez majestosa desta mulher negra, segura de si, de seu passado, presente e futuro. Ambas criações dos anos 40, mostram uma total integração da artista com o contexto do país que a acolheu.

Este post não posso chamar de autoral pois os textos referentes aos pintores foram quase todos extraídos de conteúdos existentes da Internet.

Autor: Catherine Beltrão

Lançamento do site do projeto “Edith Blin – uma Revolução Francesa”

Acaba de ser lançado o site do Projeto “Edith Blin – uma Revolução Francesa“. O site objetiva a divulgação do Projeto para a sua viabilização através de parcerias, apoios e patrocínios.

Edith

Edith Blin nos anos 40

Edith Blin (1891-1983) nasceu em Pontorson, pequena cidade da região da Normandia/França e morreu no Rio de Janeiro. A partir de 1935, Edith se radicou no Brasil, fugindo do nazismo e do prenúncio do que viria a ser a Segunda Guerra Mundial. Autodidata, começou a pintar em 1942,  inconformada com as atrocidades que ocorriam na França.

Questionou um amigo pintor, que pintava paisagens bucólicas enquanto seu país se contorcia em sangue. A resposta – Quer pintar a guerra, então pinte você! 

O episódio trouxe o início de uma brilhante carreira como pintora para Edith Blin, iniciada justamente com uma série de quadros que tinham como tema a Resistência Francesa,  mas retratavam todo o trauma vivido pelo país durante o conflito mundial.

O Projeto prevê uma retrospectiva da obra de Edith Blin, destacando a série sobre a Resistência Francesa e alguns dos 129 retratos que fez de sua neta Catherine . O projeto prevê ainda o lançamento de um catálogo de sua obra com mesa-redonda e convidados, sob a coordenação de Catherine Beltrão, guardiã do acervo da artista.

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Home do site do Projeto

O projeto prevê também a possibilidade de desenvolver uma minissérie sobre a vida de Edith Blin à luz de seu tempo, tendo como pano de fundo o panorama conturbado do mundo em que vivia, sua passagem pelo teatro nos anos 20, os casamentos e nascimentos de seus filhos, sua vinda para o Brasil com o aquarelista Georges Wambach e a força de sua arte no panorama brasileiro, a partir da década de 1940.

O período compreendido iria de 1906 (adolescência da artista) até 1983 (ano de sua morte), com destaque para as quatro décadas de sua produção pictórica e com foco em dois temas: a Resistência Francesa e os 129 retratos da neta Catherine.

Edith Blin – uma Revolução Francesa” é um projeto fantástico. E um projeto fantástico precisa de uma equipe fantástica. Que acredita no tripé Ciência, Tecnologia e Arte para a viabilização de sonhos. Esta equipe fantástica, neste momento inicial, é composta dos seguintes participantes:

Catherine Beltrão: Engenheira, Idealizadora do Projeto e Conteudista do Site; Filipe Schuenck: Engenheiro de Software e Web Designer; Eduardo Vieira: Designer e Estrategista; Rose Aguiar: Artista Visual e Arte Educadora e Annelise Gripp: Personal & Professional Coach e Gerente de Projetos.