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A Ciência pelo Caminho das Artes (parte II)

O projeto “A Ciência pelo Caminho das Artes” consiste na apresentação da trajetória de Ivan Beltrão (1923-1979), que percorreu caminhos da ARTE e da CIÊNCIA, mostrando algumas de suas relações, interseções e tangenciamentos.

Como já foi dito no post A Ciência pelo Caminho das Artes (parte I)”, Ivan foi matemático, engenheiro, cientista, poeta e pintor.

O primeiro passo do projeto foi dado em novembro de 2013, na Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, dentro do contexto do III Equinócio Cultural. Na ocasião, foram expostas 16 obras de Ivan de épocas e temas variados: barcos, rostos, flores, cidades, planetas, cristos.

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Baner Ivan – pintor. Criador da arte: Eduardo Vieira

Ivan assinava suas obras como Ivan Blin. Autodidata, nunca frequentou qualquer escola de desenho ou de pintura. Começou a desenhar em meados da década de 50. É um pintor fauve, que vem da palavra fauvisme. 

Matisse – “La Femme au chapeau”, 1905, 80,7 X 59,7 cm

Fauvisme é uma corrente da pintura do início do século XX e se caracteriza pela audácia e pela novidade de suas pesquisas cromáticas. Estes pintores recorrem a largas pinceladas ou espatuladas com cores violentas, puras. Eles separam a cor e sua referência ao objeto a fim de acentuar a expressão e reagem de forma provocadora contra as sensações visuais e a doçura do impressionismo. Principais nomes: Henri Matisse (1869-1954) e André Derain (1880-1954).

 

As 16 obras de Ivan foram expostas no hall de entorno da cúpula Galileu Galilei da Fundação Planetário. Abaixo, duas destas obras:

Ivan - Barco colorido em fundo escuro

Ivan Blin – “Barco colorido em fundo escuro”

Ivan - Cristo2

Ivan Blin – “Cristo 2″

Fundamentado pelas Leis das Curvaturas, Ivan afirmava que  “as curvaturas do Universo são feitas para se unir, tanto na espiral de uma galáxia quanto numa nuvem eletrônica que envolve o proton para formar um átomo de hidrogênio.” Em outras palavras, o macro e o micro são regidos pelas mesmas leis!

Mas como isto poderia ser mostrado no contexto de uma exposição de pintura, de forma lúdica e inteligível, sem utilizar fórmulas complexas de Matemática, Física, Biologia ou Cosmologia, apresentadas no livro de meu pai?

Para esta primeira apresentação do projeto “A Ciência pelo Caminho das Artes“, em uma cúpula da Fundação Planetário, tive então um insight! Ao fazer alguns zooms (micro) das obras em exposição, percebi que essas imagens se pareciam muito com nebulosas (macro). Se essas imagens fossem inseridas em um fundo de céu estrelado e projetadas na cúpula, o efeito poderia ser fantástico… e se, além disso, as nebulosas se movimentassem de um lado para outro e pra frente e pra trás, com um fundo musical adequado ao contexto, com certeza o resultado seria totalmente inédito e inesquecível!

No dia da abertura da exposição, apresentei uma palestra sobre o projeto na cúpula Galileu Galilei. Ao final da apresentação, uma surpresa: pequenas partes de algumas das obras expostas tinham sido tratadas com zoom sobre fundo estrelado e projetadas na cúpula, imagens que pareciam verdadeiras nebulosas, dançando ao som do “Danúbio Azul“, de Richard Strauss…

Ivan - Cristo2.zoom

Zoom de parte da obra “Cristo 2″, aplicada em fundo estrelado

 

Ivan - Casa na montanha 2

Zoom de parte da obra “Casa na montanha”, aplicada em fundo estrelado

 

E que venham as próximas etapas do projeto “A Ciência pelo Caminho das Artes“!

Mais informações sobre Ivan Beltrão: www.ivanbeltrao.com

Autor: Catherine Beltrão