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A fada bailarina lilás

Existem fadas bailarinas? Essa foi uma pergunta que a menina Katia fez para a sua avó pintora que pintava bailarinas. A partir daí, mergulhamos no universo de Charles Perrault, o famoso criador de “A Bela Adormecida” e “Pele de Asno“, entre tantos outros contos maravilhosos…

Bailarina lilas - Alexandre Benois

Desenho da Fada Lilás, do ballet “A Bela Adormecida”, por Alexandre Nikolaevich Benois (1870-1960)

- “Existem fadas bailarinas? “- perguntou Katia.

- “Como é?” – respondeu a avó.

- “Perguntei se existem fadas que são bailarinas também… existem?”

- “Deixe eu pensar um pouquinho…  Ah, claro que existem! Você lembra da história d”A Bela Adormecida?” – perguntou a avó.

Bailarina lilas - Lilia Lishchuk

A Fada Lilás, do ballet “A Bela Adormecida, interpretada pela bailarina Lilia Lishchuk

- “Aquela que a princesa morde uma maçã e fica dormindo um tempão?

- “Não!!! Quem morde a maçã é a Branca de Neve! A Bela Adormecida espeta o dedo em uma roca...” – respondeu, sorrindo, a avó.

- “Ah, é isso mesmo, confundi! Também, é tanta história que a gente mistura, não é, vó?”

- “Pois bem.  Quando a princesa Aurora nasceu – aquela que ía dormir mais de cem anos na história – várias fadas vieram lhe trazer presentes.

- “Mas essas fadas também eram bailarinas?” – insistiu a neta.

- “Na história, não. Mas aí um grande compositor fez a música de um ballet para a história e muitos personagens viraram bailarinos! Inclusive as fadas!

- “Uau, que legal! Vó, a fada que eu mais gosto é a Fada Lilás!

Bailarina lilas_Perrault

Ilustração da Fada Lilás, no livro “Contes de Perrault” para a história “Peau d’Ane”. Editora Librairie Hachette, 1929. Ilustração de Félix Lorioux.

- “Mesmo? Que coincidência… eu também!” – retrucou a avó. “E por falar em Fada Lilás, você lembra também da história “Pele de Asno”? Nessa história também tem uma Fada Lilás!

Bailarina lilas - Peau d'Anne

A Fada Lilás, no filme “Peau d’Ane”, de Jacques Démy, interpretada por Delphine Seyrig. Vídeo.

- “Não brinca! Sim, é verdade, é aquela que vive conversando com a princesa pra ela não fazer besteira, não é?“ E continuou: “Ih, vó, tô lembrando: Eu também vi o filme “Pele de Asno”! Tinha muita música bonita no filme!

Isso mesmo! E ainda bem que a fada Lilás faz parte dessa história!” – e a avó acrescentou: “Mas esta fada não é bailarina… ela não dança… ela canta!

Puxa, que pena! As fadas que cantam são legais mas eu queria que todas as fadas fossem bailarinas, vó… Você pinta uma fada bailarina pra mim?

Claro que pinto!

E a avó pintou uma linda Fada Lilás para Katia…

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“A bailarina lilás”, de Edith Blin (1891-1983). 1957.

O que seria dos contos de fada sem as fadas… e algumas são até bailarinas!

   Autor: Catherine Beltrão

Este é o 2º post da série “Bailarinas“. 1º post: “A Bailarina Azul“.

Um dia, 13 gatos

Em 1963, o filme tcheco “Um dia, um gato“, vencedor do prêmio do juri em Cannes, conta aos alunos de uma escola a vida de um professor, a história de um antigo amor e seu gato de óculos escuros. Ao tirar os óculos, o gato colore as pessoas de acordo com seus sentimentos e personalidades.

Este post apresenta 13 gatos, segundo os sentimentos e as personalidades de seus criadores: nove pintores e quatro escritores.

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Desenho de Gustave Doré (1832-1883) para o conto “O Gato de Botas”.

O Gato de Botas“, de Charles Perrault (1628-1703)

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Marc Chagall (1887-1985)

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Henri Matisse (1869-1954)

Era uma vez um moleiro muito pobre, que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram preguiçosos e o caçula era muito trabalhador.

Quando o moleiro morreu, só deixou como herança o moinho, um burrinho e um gato. O moinho ficou para o filho mais velho, o burrinho para o filho do meio e o gato para o caçula. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse:

- Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.

…………… (para saber o meio da história, clique aqui)

Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.
E daí em diante, passaram a viver muito felizes. E se o gato às vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por divertimento; porque absolutamente não mais precisava de ratos para matar a fome…

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Pablo Picasso (1881-1973)

Impossível se falar em gatos e não citar o  Gato de Cheshire, de “Alice no país das maravilhas“, de Lewis Carroll (1832-1898).

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Aldemir Martins (1922-2006)

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Cândido Portinari (1903-1962)

“Aonde fica a saída?”, Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde você quer ir…”, disse o gato.
“Eu não sei para onde ir!”, disse Alice.
“Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.”

“Mas eu não quero me encontrar com gente louca”, observou Alice.
” Você não pode evitar isso”, replicou o gato.
“Todos nós aqui somos loucos.Eu sou louco,você é louca”.
“Como você sabe que eu sou louca?” indagou Alice.
“Deve ser”, disse o gato, “Ou não estaria aqui”.

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Di Cavalcanti (1897-1976)

Mas os gatos também cabem na poesia… Pablo Neruda (1904-1973) já sabia disso, em “Ode ao gato“:

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Frida Kahlo (1907-1954)

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Luiza Caetano (1946)

O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça.
Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato, quer ser só gato
e todo gato é gato, do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

E, para terminar, a delicadeza do andar sobrenatural do gato de Clarice Lispector:

Quando de noite ele me chamar para a atração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural.

 Autor: Catherine Beltrão