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Luiza e Fernando, DNA de almas

Se alma tivesse DNA, Luiza Caetano era filha de Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935), o mais universal poeta português, deixou para os leitores do mundo um mundo de poemas e pensamentos sobre a sensibilidade de ser. O autor de “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena“, transformou a alma de  muita gente, inclusive a minha, em meus jovens anos de adolescência. Naqueles anos, eu também acreditava que “Tenho em mim  todos os sonhos do mundo.”

Aos poucos fui também, como ele, fazer a travessia:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já tem a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos“.

Luiza - Fernando 1

Obra de Luiza Caetano, retratando Fernando Pessoa e seus heterônimos

 

Durante a travessia, fui aprender a amar. Várias lições se passaram até que fui entender o que o poeta quis dizer: “Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.” Aí, fui me perceber, com todas as minhas fraquezas e covardias. “Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios“.

Luiza

Luiza Caetano

Daí, após anos de estrada com Fernando Pessoa, fui conhecer Luiza Caetano, a grande dama da pintura e da poesia portuguesa
destes nossos novos tempos. Iniciada de forma virtual, nossa amizade tomou corpo em três cidades, duas de morada – Nova
Friburgo e Lisboa – e a outra, Rio de Janeiro, servindo de ponte.

Encontrei em Luiza a alma de Fernando. Alma que expõe tormento e angústia. Mesmo adulta, alma que procura a liberdade: “Não tenho para onde fugir sou um pássaro de asas cortadas”. E que constata a inexorável passagem do tempo: “No calendário do mundo, tombam folhas como lágrimas… Tão longe o que já foi perto!

Luiza - Fernando 3

Obra de Luiza Caetano, retratando Fernando Pessoa e seus heterônimos

 

Talvez no poema “Almas gêmeas” Luiza não pensou em Fernando… mas quem conhece Fernando Pessoa e Luiza Caetano, com certeza pensa neles ao ler estes versos:

Tal qual dois espíritos
se encontram e se perdem
na volatidade dos dias,

Dois espíritos
necessitados
do oxigénio do sonho
para reinventarem a vida,

Dois rios
que se encontram
na confluência dos mares
explodindo as marés,

Dois rios,
duas estrelas
ou dois vulcões

que se cruzam
se abraçam
ou se anulam

lutando contra
o inexorável limite
dos limites.

Para quem quiser o deleite máximo, vale a pena clicar aqui neste vídeo de Jorge Soares, que reúne Maria Bethânia, Fernando Pessoa e Luiza Caetano, e que começa com “Todas as cartas de amor são ridículas …”

 Autor: Catherine Beltrão

“A Sagração da Primavera”, de Luiza Caetano

Por vezes, a obra ainda está iniciando sua trajetória mas temos a certeza absoluta que daqui a alguns anos, ela fará parte da constelação de grandes obras legadas por grandes artistas. É o caso da “Sagração da Primavera“, de Luiza Caetano.

Luiza

Luiza Caetano

Luiza Caetano, nascida em 1946, Mafra/Portugal, é uma artista naïf autodidata.  Pintora e escritora eclética, criativa e inquieta, cujos temas se envolvem quase sempre com suas emoções e paixões,  encontramos muitas vezes em seus quadros personagens como Frida Kahlo, Diego de Rivera, Botero, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues, entre muitos outros. Intensamente laureada em eventos que participa, Luiza nunca perde a humildade e a coragem de expor, em imagens e escritos, sua incrível e mágica trajetória de vida.

Luiza - face

“A Sagração da Primavera”, acrílica sobre tela, 2014, 36 X 46cm

Abaixo, texto que Luiza Caetano me enviou, acerca da obra “Sagração da Primavera“:

“Este quadro – SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA – aconteceu exatamente nesta primavera de 2014  com todas as politonalidades (como diria Leonard Bernstein) que em todos os anos estes tempos nos transmitem. As cores! A força esotérica! O renascer da vida com todo o seu  revivalismo. E não só!

Lembrei a música maravilhosa de Igor Stravinsky, a coreografia espantosa de Nijinsky e Diaghilev donde aconteceu este mesclado de cores, de luzes e da força criativa entre a terra e o céu. Entre o sonho e a fantasia. Entre a vida e a morte. Entre todos os nomes sonantes, talentosos e famosos em que me inspirei, creiam-me humildemente ajoelhada na tentativa de criar a grande festa das Cores que é realmente a Primavera.”

Luiza Caetano e sua feérica “Sagração da Primavera” foram escolhidas para representar Portugal no International Meeting da Eslovênia em Junho.

Mais informações:

- Post sobre Luiza Caetano neste blog: http://artenarede.com.br/blog/?p=149

- Luiza Caetano no Facebook: https://www.facebook.com/PintoraPoeta e https://www.facebook.com/EntreVersosETelasDeLuizaCaetano

Autor: Catherine Beltrão

 

Luiza Caetano, simplesmente a excelência na arte naïve

E lá se vão quase treze anos que Luiza e seu universo naïf me fizeram evoluir no entendimento da arte. Até então, eu pertencia àquele grupo – ainda bem que este grupo encolhe a cada dia – que considera o naïf uma arte produzida por artistas menores, artistas que desconsideram fatores como profundidade, luminosidade ou mesmo perspectiva na criação de suas obras. A minha ignorância não percebia que, sem estas pilastras, a obra produzida deve ser sustentada muito mais fortemente por outras como a firmeza no traço, a cor e, sobretudo, a sua significância. Aos poucos, penetrando neste universo, descobri a beleza e a grandiosidade desta arte maior, que tem a capacidade de atingir facilmente corações descobertos e mentes libertas.

Luiza - Frida e Diego

“Frida Kahlo e Diego de Rivera”, ast, 2000

Luiza Caetano nasceu e habita Portugal, mas frequentemente frequenta terras brasileiras, sobretudo o Rio e S.Paulo. Os primeiros contatos que tive com ela foram em 2001, pela Internet, através do site www.artenarede.com.br, quando tive o privilégio de tê-la como uma das primeiras artistas a se cadastrar e a catalogar suas obras no site. Também foi Luiza uma das primeiras artistas cadastradas a doar uma obra – “Diego Rivera e Frida Kahlo” – para o futuro Museu ArtenaRede.

Com o passar dos anos, pude conhecer Luiza pessoalmente, participando de aberturas de algumas de suas exposições no Rio de Janeiro e apresentando-lhe a cidade de Nova Friburgo/RJ, onde moro. Nosso último encontro foi em Lisboa, em 2009. Magnífica e pujante a força pessoal e criativa desta grande artista!

Luiza - Carlota e D.João VI

“Carlota e D.João VI no Brasil”, ast, 2001

Em Estoril, escreveu Edgardo Xavier, em 2002: “Interagindo com  factos, objectos, pessoas e obras da sua predilecção,  Luiza Caetano apropria-se do real e do fantástico para, com assinalável autenticidade, construir roteiros diversificados onde pontificam evocações e sentimentos que nos remetem para as fontes da sua inspiração. Pintar passa a ser, também, um acto de recuperação de heróis e mitos, de lendas e realidades douradas,de trivialidades que fazem história ou, se quisermos, apenas um reflexo desta mulher que usa a fantasia para que melhor a aceitem na plenitude da sua verdade.

Através de sua arte, Luiza Caetano gosta de interagir com diversos personagens como Amália Rodrigues, Carmem Miranda, Frida Kahlo, Botero, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa. São obras repletas de significado e de sonoridade, verdadeiras conversas entre almas gêmeas, as quais ficamos extasiados ao admirar e, por que não, delas participar.

Luiza - Pessoa

“Heterônimos”, ast, 2003

 

E, por falar em almas que se comunicam, é de Luiza Caetano este poema, intitulado “Almas Gêmeas”, pois a artista também expressa sentimentos em palavras, com a mesma pureza e paixão que dedica às telas:

Tal qual dois espíritos
se encontram e se perdem
na volatidade dos dias,

Dois espíritos
necessitados
do oxigénio do sonho
para reinventarem a vida,

Dois rios
que se encontram
na confluência dos mares
explodindo as marés,

Dois rios,
duas estrelas
ou dois vulcões

que se cruzam
se abraçam
ou se anulam

lutando contra
o inexorável limite
dos limites.

Mais informações:

- obras de Luiza Caetano catalogadas no site artenarede.com.br.

Autor: Catherine Beltrão