Ovos que não viram omeletes

O ovo é um símbolo universal de nascimento e criação. Esse símbolo está associado com a gênese do mundo por meio do “ovo cósmico”, ou seja, aquele que carrega o potencial da vida, a imagem do mundo e da perfeição.

Neste post, ovos de Fabergé, ovos de Brennand e alguns “ovos rendados” de dois artistas fantásticos: Franco Grom e Christel Assante.

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Ovo Fabergé

Os ovos Fabergé são obras primas da joalheria produzidas por Peter Carl Fabergé e seus assistentes no período de 1885 a 1917 para os czares da Rússia. Dos cerca de 50 ovos fabricados neste período, alguns continuam desaparecidos até hoje.

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Ovo Fabergé

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Ovo Fabergé

Os ovos, cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas eram encomendados a Fabergé e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial. Disputados por colecionadores em todo o mundo, os famosos ovos de Páscoa criados pelo joalheiro russo são admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.

Fabergé e seus ourives desenharam e construíram o primeiro ovo em 1885. Ele foi encomendado pelo czar Alexandre III como um presente de Páscoa para sua esposa Maria Feodorovna. Exteriormente ele parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, revelava-se uma gema de ouro, que dentro de si possuía uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Tais características lembram os bonecos matrioska.

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Ovos de Brennand

A obra de Brennand é baseada no enigma da reprodução, e o ovo é um elemento recorrente que faz parte deste contexto.

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Ovo de Brennand

Pintor, escultor e muralista de estilo incomparável, este artista pernambucano redefiniu o uso da cerâmica na arte e na arquitetura. Sua obra monumental está eternizada na Oficina construída sobre as ruínas de uma fábrica fundada por seu pai, uma propriedade fascinante que completa cem anos neste ano de 2017.

Em meio à Oficina. existe o Templo ao Ovo Primordial, obra de significado emblemático para Brennand. “O ovo é o símbolo da imortalidade. As coisas são eternas porque se reproduzem”, afirma o artista. O ovo, tão bem-guardado no templo, é também um marco na reocupação da antiga cerâmica que o pai de Francisco Brennand fundou quando tinha apenas 20 anos. “Na minha infância, essa fábrica era palco de brincadeiras com meus irmãos. Um lugar misterioso. Os fornos, na nossa imaginação, tinham certa semelhança com catacumbas”.

Trabalhos belíssimos são também feitos diretamente nas cascas de ovos. São os chamados “ovos rendados”.

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Ovo de Franco Grom

 

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Ovo de Christel Assante

Um destes artistas, que esculpem em cascas de ovos, é o esloveno Franco Grom, que chega a trabalhar durante vários meses no mesmo ovo, podendo este ter até três mil furos, dependendo do desenho. Com uma pequena furadeira ele faz furos por toda a casca, formando delicadas rendas, grafismos, flores, borboletas e dragões.

Uma outra artista, a francesa Christel Assante, transforma as cascas de ovos em impressionantes esculturas artísticas. Ela usa ovos de ema, avestruz, ganso, pato, faisão e codornas, mas prefere os ovos de ema, pela espessura de sua casca.

Além do “ovo cósmico” da gênese, o ovo também é associado com o símbolo do Yin Yang. Nesse contexto, o ovo é a união das energias, uma vez que a gema representa o feminino – o óvulo – e a clara, os espermas masculinos. Dessa união, surge a simbologia da totalidade.

 Autor: Catherine Beltrão

2 opiniões sobre “Ovos que não viram omeletes”

  1. Que pesquisa espetacular. Adorei conhecer tanta coisa nova, sobre essa arte incrível que eu desconhecia. Já havia visto alguma coisa em revistas e livros de arte, mas nada tão profundo quanto esta apresentação. Mais uma vez obrigado e parabéns por estas informações preciosas.

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