Os modelos de Edith Blin

O que seria dos pintores sem os seus modelos? Para alguns pintores, o modelo é fundamental. Para outros, nem tanto. Quem terá sido o modelo da obra mais famosa do mundo, a Monalisa, de Leonardo da Vinci? Há controvérsias sobre esta questão, que persistem até hoje…

No decorrer de suas quatro décadas de criação, Edith Blin teve vários modelos. Apresento neste post somente os cinco modelos de minha avó com os quais eu também convivi, nos anos 60 e 70. A ordem de apresentação não é cronológica.

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“Vera segurando o cabelo”, 1972. Osc, 48 X 35cm

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“Vera vestida de amarelo”, 1974. Ost, 65 X 54cm

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“Grupo lendo jornal”, 1974, ost, 116 X 89cm. Vera está sentada, de cabelos soltos, enquanto eu aponto para o jornal.

A primeira modelo que apresento é a Vera, uma adolescente quando a conheci nos anos 70. Era (e continua sendo) linda. Morava no mesmo prédio que eu, na rua Miguel Lemos em Copacabana. Vera deu o seguinte depoimento, em 2008, no site www.edithblin.com:

Edith deixou suas pinceladas marcadas indelevelmente em meu coração. Ela tinha a capacidade de falar de sua paixão pela arte em geral e enquanto eu posava, ouvia aulas incríveis (e em francês!) sobre todos os movimentos artísticos europeus, falava da biografia dos grandes pintores, abria um mundo fantástico que teve imensa importância em minha vida.”

No final dos anos 80 e início dos anos 90, Vera e eu fomos sócias da PresenteArte, uma galeria de arte em Ipanema e fábrica de molduras em São Cristóvão.

Nos anos 60, dois modelos de Edith se destacaram: Geneviève Hours e seu filho Serge.

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“Jovem de olhos verdes fumando”, 1967, osc, 50 X 36cm

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“Grupo estudando”, 1970, ost, 116 X 89cm. O Serge é a figura central, apoiando o cotovelo em meu ombro.

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“Loura decidida”, 1966, osc, 50 X 37cm.

Geneviève era uma bela francesa, louríssima, e que posou muitas vezes para várias obras de minha avó. Ela se tornou amiga da família e lembro de ter passado alguns dias em sua casa de Teresópolis. Época dos festivais de música e que eu não podia perder de jeito nenhum, mesmo desfrutando das delícias serranas do Rio…

Serge Hours, seu filho, era um belo rapaz. Aliás, belíssimo. Deve ter sido esta a razão que o tornou modelo de Edith, posando para algumas obras. Ele também iniciou uma série – “Grupos” – que Edith realizou com jovens amigos meus, que ficaram imortalizados em telas de grandes formatos.

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“Nu de costas com almofada vermelha”, 1967, osc, 76 X 50cm

Nos anos 70, além de Vera, mais dois modelos também frequentaram assiduamente o atelier de Edith Blin: Nelson Borges, que viria a se tornar o meu marido, e sua prima Leila Borges.

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“Retrato de Nelson em azul e vermelho”, 1973, ost, 92 X 73cm

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“Retrato de Nelson com camisa verde”, 1975, ost, 65 X 50cm.

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“Nu iluminado”, 1979, osc, 68 X 48cm.

Nelson era meu colega no curso de mestrado em Informática na PUC-RJ. Sua figura peculiar, ostentando barba preta e cabelos grisalhos sem ainda ter completado 30 anos, chamou a atenção de minha avó. Ele logo se tornou seu modelo e pouco tempo depois, meu marido. Hoje, não somos mais casados.

Leila era uma bela mulher. Posou para Edith na criação de vários nus, espatulados em cartolina preta. Foi sua última modelo, contribuindo com obras pintadas em 1979 e 1980, o último ano em que minha avó usou pincéis, espátulas, cartolinas e telas.

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“Nu recostado em almofada vermelha”, 1979, osc, 50 X 70cm.

Vera, Serge, Geneviève, Nelson e Leila. Cinco nomes que ficaram gravados na alma de Edith. Cinco pessoas que tiveram o privilégio de terem posado para minha avó. Cinco vidas que foram tocadas e transformadas de alguma forma pelo convívio com Edith Blin.

 Autor: Catherine Beltrão

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