O Mont Saint-Michel de meus ancestrais

Sempre que penso no Mont Saint-Michel me vem a imagem de um cavalo a galope voltando alucinado para o Monte, tentando fugir da maré que se aproxima velozmente… Minha avó Edith sempre falava dessa maré que ía e voltava, fazendo do Mont Saint-Michel ao mesmo tempo um lugar fascinante, poderoso e repleto de mistérios…

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“Mont Saint-Michel”, de Théodore Rousseau (1812-1867)

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“Abadia do Mont Saint-Michel”, de Edith Blin (1891-1983)

Minha avó Edith Blin nasceu em 22 de julho de 1891, na cidadezinha de Pontorson, na região francesa da Normandia. Essa cidade fica bem em frente a uma das maravilhas do mundo, o Mont Saint-Michel. Se todos os que visitaram o Mont Saint-Michel não conseguem mais esquecê-lo pela vida afora, não é difícil imaginar o que representava este lugar para Edith! Para ela, era simplesmente um lugar sagrado, símbolo maior da grandeza da França, o ícone francês por excelência.

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“Mont Saint-Michel”, de William Turner (1775-1851)

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“Le Mont Saint-Michel”, de Georges Wambach (1901-1965)

O Mont Saint-Michel é uma pequena ilha rochosa, na verdade um istmo, na foz do rio Couesnon, com cerca de 960m de circunferência, localizada no departamento da Mancha, na França. No alto, foi construído uma abadia, a abadia do Mont Saint-Michel e santuário em homenagem ao arcanjo São Miguel. Antes do ano 709, a ilha era chamada de Mont Tombe. Seu antigo nome é “Monte Saint-Michel em perigo do mar” (Mons Sancti Michaeli in periculo mari).

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“Mont Saint-Michel”, de Emmanuel Lansyer (1835-1893)

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“Mont Saint-Michel”, de William Stanley Haseltine (1835–1900)

Acredita-se que a história da abadia do Mont Saint-Michel começou em 708, quando Aubert, bispo de Avranches, mandou construir no monte Tombe um santuário em honra a São Miguel Arcanjo (Saint-Michel). No século X os monges beneditinos instalaram-se na abadia e uma pequena vila foi-se formando aos seus pés. Durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, o Mont Saint-Michel foi uma fortaleza inexpugnável, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Após a dissolução da ordens religiosas ditadas pela Revolução Francesa de 1789 até 1863 o Monte foi utilizado como prisão.

O Mont Saint-Michel foi declarado monumento histórico em 1987 e o sítio figura desde 1979 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

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Vídeo sobre o Mont Saint-Michel, feito com um drone. Duração: 3:23

Visitei o Monte de meus ancestrais em três ocasiões: em 1969 (a primeira vez a gente nunca esquece), nos anos 80 e, mais recentemente, em 2012. Hoje, as lembranças do Mont Saint-Michel, além do cavalo a galope retornando à ilha, são do vento gélido batendo no meu rosto lá na abadia, da omelette à la Mére Poulard e de uma enorme tigela de moules (mexilhões)…

Autor: Catherine Beltrão

Uma opinião sobre “O Mont Saint-Michel de meus ancestrais”

  1. Jamais esquecerei as memórias que carrego deste lugar, numa viagem inesquecível e pela qual serei eternamente grato. Uma viagem que desvendou vários dos mistérios que se encobriam para mim sobre esse mágico lugar, mas também apresentou tantos outros numa atmosfera de contagiante mistério, solitude e plenitude…

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