Museu ArtenaRede: do virtual ao real

Até onde sei, nenhum museu real foi criado a partir de um espaço virtual. Desde sempre, o site de um museu é criado a partir de um museu que exista fisicamente.

A idéia do acervo do Museu Artenarede é que seja constituído de obras doadas e previamente catalogadas por artistas cadastrados no site do projeto ArtenaRede - www.artenarede.com.br,  gerando assim um fato inédito nesta área: ao invés de se criar um site – espaço virtual – representativo de um museu real, está se criando um museu real a partir de um espaço virtual.

Atualmente, o Museu já conta com 67 peças doadas, vindas de vários estados do Brasil – Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de outros países como Portugal, França e Argentina.

Um livro poderia ser escrito sobre as obras doadas para o Museu Artenarede. Cada obra doada ao Museu tem sua história. A seguir, apresento algumas das obras doadas, com partes de sua história.

Lenagal - Dorsilenciosa

Lenagal – “Dor silenciosa”, ast, 2002, 54 X 65 cm

Dor silenciosa” foi uma das primeiras obras doadas ao Museu, em 2002, por Lenagal. Esta obra é fantástica, extremamente forte, dilacerante. Os olhos fechados avistam uma dor interior intensa, do tamanho do campo que se perde no horizonte. A boca retorcida não sabe ou não precisa mais sorrir: tudo é angústia, tudo é sofrimento.

Esta obra é muito significativa também pois foi a primeira doação que o Museu ArtenaRede recebeu de outro país, no caso Portugal.

Lenagal nasceu em São Miguel, Açores. Realizou várias exposições na Europa e nos Estados Unidos. Sua temática é o universo feminino, utilizando cores quentes e vibrantes.

Luiza - Frida e Diego

Luiza Cetano – “Frida Kahlo e Diego de Rivera”, ast, 2000

Frida Kahlo e Diego de Rivera”, doada ao Museu em 2002, esta obra  também veio de Portugal. A obra traz para o Museu Artenarede três grandes artistas, totalmente comprometidos com a arte e com um sentido nacionalista maior: os mexicanos Diego de Rivera e Frida Kahlo e a portuguesa Luiza Caetano. Trata-se de uma obra muito importante, contundente até, ultrapassando qualquer estilo ou escola a que possa pertencer.

Luiza Caetano nasceu em Venda do Pinheiro-Mafra, Portugal e iniciou suas exposições em 1988, na Galeria de Arte do Casino Estoril. Aborda o gênero naïf, não se prendendo a temas específicos. Esta artista é hoje uma das mais importantes pintoras naïves da atualidade, e também uma das maiores incentivadoras do projeto Artenarede, com 222 obras catalogadas no site.

Theta - Eterno campeao

Theta Miguez – “Eterno campeão”, técnica mista, 2002

Eterno Campeão” foi doada ao Museu Artenarede em 2003, por Theta Miguez. Esta obra nos traz o olhar, a aura, o pensamento de Ayrton Senna para dentro de nosso pequeno mundo interior… e ele, então, fica imenso!

Segundo as próprias palavras da artista: ‘Esta obra, que fiz com muito carinho, representa a imagem que captei na TV, quando Ayrton Senna, na sua última corrida em Ímola na Itália, já de capacete, dentro do seu carro, dirigia seu olhar aos fotógrafos e câmaras de TV. Parecia um olhar  de despedida, que jamais esquecerei. A tristeza desse olhar  traduzia  os mais profundos sentimentos de sua alma como um pressentimento sobre aquele dia fatídico.’

Théta C. Miguez é natural de Igarapava, São Paulo, tendo participado de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. A artista faleceu em 2005, tendo feito a maior doação da história do Museu Artenarede: além desta obra, ela doou mais 27 obras magníficas, que compõem a exposição completa intitulada “Retratos do Apocalipse”.

A obra “My life in the beach ” foi doada ao Museu Artenarede em 2002, por Débora Giestas. A areia, o mar, o céu… estrelas do mar, guarda-sóis… ao fundo, serão ondas, nuvens, pássaros? Não importa. O que importa é a sensação de tranqüilidade, de paz, de imersão na vida que esta obra nos traz.

Giestas - My life in the beach

Débora Giestas – “My life in the beach”, técnica mista, 2002, 80 X 150cm

Obra de grandes dimensões e de extrema fragilidade – composta de milhares de fragmentos de minúsculas partículas de casca de ovo, entre outros materiais – ela causa grande impacto em qualquer contexto em que esteja sendo exibida.

Natural de Vitória, Espírito Santo, Débora Giestas é formada em Educação Artística pela UFES. Cria lindos e inéditos mosaicos, feitos de noz de cola.

Marcellux - Moebius

Marcellux – “Moebius Strip Opus #2″, ast, 2002, 50 X 70 cm

Moebius Strip Opus #2” foi doada ao Museu Artenarede em 2004, por Marcellux, artista argentino. Sobre esta obra, disse: “…Você avança até alcançar o ponto em que iniciou. Um laço feito para nada. Todo o seu esforço é inútil. A eterna busca do que você sempre carregou consigo. Que conceito poderoso! Quantas muitas coisas engraçadas para contar… Poderia eu resistir a esta tentação? Em absoluto. Como todos os que eu conheço, eu experimentei a atração da Moebius Strip… Aqui eu a partilho com você. Divirtam-se…”

Esta obra faz parte de um grupo de 4 obras doadas por Marcellux para o Museu, que vieram diretamente de uma exposição na Galeria Soho, New York, para Nova Friburgo.

Marcellux nasceu na Argentina, sendo um dos artistas catalogados no site do projeto Artenarede que mais divulga sua arte pelo mundo afora, tendo feito inúmeras exposições em diversos países das Américas e da Europa.

Vania Machado - Triptico

Vania Machado – “Tríptico”, técnica mista, 2004, 85 X 145cm

Tríptico” foi doada ao Museu Artenarede em 2005, por Vânia Machado. Obra abstrata, ela dá margem a vários entendimentos, dependendo da imaginação de quem a observa. Serão partes de carcaças bovinas? Serão flores estilizadas? Ou será uma composição de fitas trançadas e entrelaçadas? Qualquer que seja a interpretação da obra, ela terá sido parte da evolução cultural de seu contemplador.

Vânia Machado é uma artista friburguense, sempre em busca de seu aprimoramento artístico, sempre em busca de uma comunhão de sua arte com o público que a admira.

painel_curvas

Banner da exposição na Usina Cultural. Criação da arte: Eduardo Vieira

Em 2003, 2004 e 2005, várias mostras itinerantes do Museu Artenarede foram realizadas. Estas mostras aconteceram na ACIANF – Associação Comercial e Agrícola de Nova Friburgo, na Queijaria Suíça – um dos pontos turísticos mais visitados do circuito Tere-Fri e no Colégio Anchieta. Nestas mostras, obras do acervo foram apresentadas ao público, na medida que foram sendo doadas ao Museu pelos artistas.

Mais recentemente, em setembro de 2012, uma exposição de parte do acervo do futuro Museu ArtenaRede foi realizada na cidade de Nova Friburgo, no espaço cultural da Energisa, a Usina Cultural. A organização da exposição foi primorosa, tendo sido amplamente divulgada  na mídia local, o que contribuiu para a grande visitação ao espaço.

Doze anos se passaram desde o início da captação de obras para a montagem do acervo do Museu Artenarede, em junho de 2002. Um sonho não se torna realidade sem o envolvimento de mais pessoas além do sonhador. O sonho para a criação e construção do Museu já envolveu 38 artistas que acreditaram no projeto e doaram 67 obras. O sonho do Museu Artenarede já possui uma história, um caminho percorrido. Essa história está só começando. Mais artistas deverão doar obras. Estas obras precisam de um espaço permanente para serem apreciadas pelo público. A cidade de Nova Friburgo, com quase 200.000 habitantes e a quatro anos de seu bicentenário, merece um museu: o Museu ArtenaRede.

Autor: Catherine Beltrão

 

 

 

3 opiniões sobre “Museu ArtenaRede: do virtual ao real”

  1. A força e a vontade férrea de Catherine Beltrão vão premiar certamente o espólio do futuro Museu Arte na rede de Nova Friburgo e não só! Enriquecerá todos quantos a quantos se oferecem estas obras para desfrute duma cultura multi nacional, que terá certamente o espaço privilegado que merece numa cidade que embora interior tem uma população importantíssima que precisa ser veículada para a Arte.
    Pede-se às autoridades culturais de Nova Friburgo que olhem para quem de perto e de longe já está premiando toda essa população.
    Nem só do pão vive o homem na sua busca diária. Ele precisa de alimento para sua alma. As populações precisas de se sentir rodeadas de Arte para alimento de seus espíritos numa convivência lúdica e construtiva, igualmente e com mais força as crianças precisam de crescer e serem solicitadas para algo mais que o pão nosso de cada dia.

    PARABÉNS SEMPRE a esta contrutora de sonhos que um dia se tormarão belas realidades. CATHERINE BELTRÃO

    1. Obrigada, Luiza, grande artista e amiga! Você foi e continua sendo uma grande incentivadora deste futuro Museu ArtenaRede, produto do site artenarede.com.br… somos as duas, sim, não só construtoras de sonhos mas também construtoras de almas mais sensíveis para fazer face a este mundo cada vez mais individualista e pobre de espírito. Ainda precisamos persistir neste caminho, não é mesmo? Um grande e forte abraço das terras serranas de Nova Friburgo!

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