“Guerra e Paz”, de Cândido Portinari (1903 – 1962)

Publico este post sobre a obra-prima de Portinari, “Guerra e Paz“, logo após assistir ao último episódio de uma retrospectiva de Ayrton Senna. Parte dos depoimentos foi feita com dublagem de José Wilker, um de seus últimos trabalhos. Portinari, Senna e Wilker: três dos maiores brasileiros que já existiram, deixando legados maiores que o Brasil.

Portinari

Cândido Portinari

Sem curso primário completo, e à custa de muita obstinação e talento, Portinari tornou-se um dos mais famosos pintores das Américas. Com sua morte tragicamente prematura, aos 58 anos, Portinari deixou um extraordinário legado de mais de 5 mil obras murais, afrescos e painéis, pinturas, desenhos e gravuras que representam uma ampla síntese crítica de todos os aspectos da vida brasileira de seu tempo.

Em 1950, o norueguês Trygve Lie, o primeiro Secretário Geral da ONU, fez um apelo a todos os países membros que doassem uma obra de arte à nova sede da ONU em Nova York. O Brasil designou Candido Portinari e deu a ele uma lista de temas dentre os quais estava “guerra e paz”, tema recorrente da própria obra do pintor.

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“Guerra e Paz”, óleo sobe madeira compensada naval, 1952-1956, 14 X 10m (cada painel)

Portinari pintou os painéis Guerra e Paz (14m x 10m) em nove meses, após quatro anos de estudos preparatórios (cerca de 180). Durante o período de criação dos painéis Guerra e Paz, Portinari foi proibido de pintar pelos médicos, na tentativa de freiar o processo de envenenamento pelas tintas que o pintor sofria. Mas Portinari não recuou ao desafio e ao trabalho maior de toda a sua vida. Guerra e Paz seria o coroamento na trajetória de vida de Portinari, que não pintava apenas por pintar.

Para a imensa tarefa, o artista teve o auxílio de Enrico Bianco e de Rosalina Leão. Segundo Bianco, não há um centímetro quadrado nos painéis que não tenha a pincelada de Portinari, que usou pincéis pequenos, para quadros de cavalete, não pincéis maiores… E em nove meses, cobriu, pincelada a pincelada, usando as tintas proibidas, dois monumentais paredões de 280 metros quadrados.

Guerra e Paz foi instalado no hall de entrada da sala da Assembleia Geral, em 1957, o espaço mais importante da sede da ONU. Área de segurança máxima, com acesso restrito aos funcionários da ONU e aos delegados dos países membros, a visibilidade destas obras monumentais ficou, até 2010, interditada ao grande público, a quem Portinari originalmente dedicou sua obra maior.

Por esse motivo, o Projeto Portinari sempre sonhou expor Guerra e Paz ao grande público. Em 2007, a divulgação de uma profunda reforma no edifício sede da ONU motivou o Projeto Portinari a solicitar à Presidência da República o indispensável apoio visando o empréstimo dos painéis para exposição no Brasil e no exterior. Foram três anos de empenho e articulações envolvendo a ONU, o Governo Federal, organizações internacionais, empresas estatais e privadas. Finalmente, com o apoio financeiro do BNDES, o Projeto Guerra e Paz tornou-se realidade.

Itinerário das exposições dos painéis “Guerra e Paz“:

- Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2010, reunindo mais de 40 mil pessoas em apenas 12 dias de exposição.

- Salão de Exposições do Palácio Gustavo Capanema/RJ, em 2011, para restauro da obra, atingindo um público de mais de 7 mil visitantes.

-  Memorial da América Latina/SP, de fevereiro a maio de 2012, recebendo nos 90 dias em que esteve aberta ao público, cerca de 200 mil pessoas.

- Cine Theatro Brasil Vallourec, de BeloHorizonte/MG, em 2013, tendo sido visitada por mais de 80mil pessoas em 40 dias.

Neste momento, inicia-se a itinerância internacional, que começa com uma exposição em Paris, no Salon d’Honneur do Grand Palais, a partir de 7 de maio, e termina com a devolução de Guerra e Paz à Sede da ONU, em grande evento intitulado “The Second Unveiling”.

O Grand Palais, um dos mais privilegiados espaços culturais franceses, constitui-se a vitrine prestigiosa da RMN (Reunião Nacional dos Museus) em pleno coração de Paris, atraindo anualmente um público de mais de 2.5 milhões de pessoas.

Fonte: http://www.guerraepaz.org.br/

 Autor: Catherine Beltrão

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