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Musicais dos anos dourados

Os anos 60 foram meus anos dourados. E três musicais douraram estes anos. Os três já cinquentões…

Começo por “West Side Story” (“Amor Sublime Amor“), de 1961.

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Vídeo com a canção “Somewhere”.

Com direção de Jerome Robbins e Robert Wise e música de
Leonard Bernstein, ganhou o Oscar de melhor filme em 1962.

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Cartaz do filme

West_gangsA história é uma adaptação livre de “Romeu e Julieta“, de William Shakespeare. No lado oeste de Nova York, à sombra dos arranha-céus, ficam os guetos de imigrantes e classes menos favorecidas. Duas gangues, os Sharks, de porto-riquenhos, e os Jets, de brancos de origem anglo-saxônica, disputam a área, seguindo um código próprio de guerra e honra. Tony (Richard Beymer), antigo líder dos Jets, se apaixona por Maria (Natalie Wood), irmã do líder dos Sharks, e tem seu amor correspondido. A paixão dos dois fere princípios em ambos os lados, acirrando ainda mais a disputa.

O segundo a colorir  minha adolescência foi “My Fair Lady” (“Minha Bela Dama“), de 1965.

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Vídeo com a canção “I Could Have Danced All Night”

Dirigido por George Cukor e música de Frederick Loewe, ganhou o  Oscar de melhor filme no mesmo ano de 1965.

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Cartaz do filme

Fair_TheraininSpainTendo sido adaptado de “Pygmalion“, de George Bernard Shaw, “My Fair Lady” conta a história de Eliza Doolittle (Audrey Hepburn), uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres em busca de uns trocados. Em uma dessas rotineiras noites, Eliza conhece um culto professor de fonética Henry Higgins (Rex Harrison) e sua incrível capacidade de descobrir muito sobre as pessoas apenas através de seus sotaques. Quando ouve o horrível sotaque de Eliza, aposta com o amigo Hugh Pickering, que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores numa dama da alta sociedade, num espaço de seis meses.

Também de 1965, é o musical “The Sound o Music” (“A Noviça Rebelde“).

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Vídeo com a canção “The Sound of Music”

O filme teve direção de Robert Wise e música de Richard Rodgers e
Oscar Hammerstein II, ganhando o Oscar de melhor filme em 1966.

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Cartaz do filme

Novica_SolongfarewellAdaptado do livro “The Story of the Trapp Family Singers“, escrito por Maria von Trapp, o filme se passa no final da década de 1930, na Áustria, quando o pesadelo nazista estava prestes a se instaurar no país. Uma noviça (Julie Andrews) que vive em um convento mas não consegue seguir as rígidas normas de conduta das religiosas, vai trabalhar como governanta na casa do capitão Von Trapp (Christopher Plummer), que tem sete filhos, viúvo e os educa como se fizessem parte de um regimento. Sua chegada modifica drasticamente o padrão da família, trazendo alegria novamente ao lar da família Von Trapp e conquistando o carinho e o respeito das crianças. Mas ela termina se apaixonando pelo capitão, que está comprometido com uma rica baronesa.

Estes três musicais marcaram minha adolescência. Por consequência, minha vida. Canto algumas de suas canções até hoje, passados mais de cinquenta anos…

 Autor: Catherine Beltrão

Jeanne… éternellement!

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Jeanne Moreau

Jeanne Moreau (1928-2017) acaba de morrer. E assim, também se vai um pedaço de minha adolescência. Adolescência que conviveu com a sua Catherine em “Jules e Jim“, de François Truffaut. Com a sua Marika, em “O Processo“, de Orson Welles. Com uma das Marias de “Viva Maria!“, de Louis Malle…

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Jeanne Moreau, Oskar Werner e Henri Serre, em “Jules et Jim”, de François Truffaut.
Vídeo com um trecho do filme, com a música “Le Tourbillon”, de Georges Delerue

Aliás, tendo atuado em mais de cem filmes em sua carreira, Jeanne trabalhou com os maiores diretores da segunda metade do século XX: Truffaut, Welles, Vadim, Malle, Fassbinder, Antonioni, Losey, Demy, Besson, Renoir, Kazan, Varda, Buñuel, entre outros… e o nosso Cacá Diegues. Não é brinquedo, não!

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Jeanne Moreau e Brigitte Bardot, em “Viva Maria!”, de Louis Malle

Jeanne Moreau: dois casamentos e vários amantes. Uma mulher intensa. Nas telas e fora delas. E agora, eterna. É hora de ver e rever suas centenas de personagens.

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Jeanne Moreau, em “O Processo”, de Orson Welles

Autor: Catherine Beltrão

Van Gogh em sonhos

Em 1990, quando eu estava na França, vi um filme esplendoroso: “Sonhos“, do cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998). O filme se baseia em oito sonhos verdadeiros que Kurosawa teve em momentos diferentes de sua vida. Um destes oito episódios tem como personagem um estudante de artes que, em uma visita a um museu, penetra em algumas obras de Van Gogh (1853-1890), caminhando em meio a suas paisagens.

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“A ponte de Langlois em Arles”, de Van Gogh. 1888.
Vídeo com fragmento do filme “Sonhos”, no episódio “Corvos”.

 A caminhada inicia pela obra “A ponte de Langlois em Arles“, de 1888.

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“A ponte de Langlois em Arles”, no sonho de Kurosawa.

A obra, também conhecida como “A Ponte em Langlois com Lavadeiras”, segundo o próprio Van Gogh, “retrata uma ponte com uma pequena carroça amarela e um grupo de lavadeiras, um estudo em que a terra é laranja brilhante, a grama é muito verde, a água e o céu azuis.”

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“Estrela com cipreste e estrela”, no sonho de Kurosawa.

Van Gogh conheceu a ponte de Langlois quando explorava os arredores de Arles. Ele se encantou com sua leve estrutura de madeira e o seu maravilhoso contexto cromático, feito com tijolos multicoloridos nas paredes que a ladeiam.

A caminhada do estudante continua passando por vielas, jardins, campos de trigo… ah, os famosos campos de trigo, dourados e perfumados, junto a ciprestes eretos!

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“Jardim florido em Arles”, no sonho de Kurosawa.

Van Gogh foi considerado louco. Será? O fato de ter cortado a própria orelha faz dele um louco? A lucidez criativa com a qual ele criou sua obra faz dele um louco?  Ao caminhar por essas vielas e campos de trigo, parece que são estas as respostas que o estudante procura.

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“Campo de trigo com corvos”, no sonho de Kurosawa.

Após uma conversa com o próprio Van Gogh, interpretado por Martin Scorsese – que o dispensa alegando “não ter tempo para conversas pois precisa pintar, que o tempo é curto” –  o estudante perde a trilha do artista e viaja através de outros trabalhos tentando reencontrá-lo.

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“Campo de trigo com corvos”, de Van Gogh. 1890.

Finalmente, Van Gogh é avistado pelo estudante, ao fim de uma estradinha em meio a um campo de trigo. O céu é absurdamente azul. De repente, corvos surgem. Aos poucos, inundam o céu com sua cor preta. E um tiro é ouvido ao longe.

A obra “Campo de trigo com corvos” é considerada o testamento pictural de Van Gogh. Um céu azul escurecido pelo voo dos corvos, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte.

O episódio “Corvos” no filme “Sonhos” é acompanhado pelo belíssimo Prelúdio opus 28 nº 15, de Frédéric Chopin, mais conhecido como “Prelúdio da Gota d’Água“.

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“Autorretrato”, de Van Gogh. 1889.

Em “Sonhos“, também é mostrado um dos autorretratos de Van Gogh, dos 35 pintados somente no período 1886-1889. Uma pergunta: qual teria sido o critério de Akira Kurosawa ao escolher precisamente este autorretrato para representar Van Gogh em seu filme?

 Autor: Catherine Beltrão

Carrie, Debbie e Manoel: comoções

Faz poucos dias, Carrie Fischer e Debbie Reynolds morreram. Filha e mãe. Num dia uma, no outro dia, outra. A princesa Leia de “Star wars” e   a Kathy de “Cantando na chuva“. A morte comove.

Faz poucos dias, eu vi o vídeo “Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo“, baseado no poema  “O menino que carregava água na peneira“,  entre outros, de Manoel de Barros. A poesia comove.

Neste post, um tributo à Carrie e a Debbye, com a poesia de Manoel de Barros.

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Tributo a Carrie Fischer e Debbie Reynolds, por Ricky Lachance

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

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Tributo a Carrie Fischer e Debbie Reynolds, por Norio Fujikawa

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

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Tributo a Carrie Fischer e Debbie Reynolds, por Mlle Arole

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

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Tributo a Carrie Fischer e Debbie Reynolds, por Caragh Mcerlean

Para ver o vídeo “Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo”, clique aqui ou na imagem abaixo.

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Autor: Catherine Beltrão

Marília

Marília Pera morreu. Morreu? Como assim?

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Marília é uma enorme ilha neste arquipélago do mar das Artes. Teatro. Dança. Música. Cinema. Televisão. De tudo ela fez. Por tudo ela se doou. Com tudo ela nos encantou. Apesar de tudo ela nos deixou.

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Vídeo com cena de “Pixote, a lei do mais fraco”, com Marília interpretando a prostituta Sueli

Foram dezenas de filmes. Dezenas de peças teatrais. Dezenas de novelas. “Pixote, a lei do mais fraco”, “Central do Brasil”, “Jogo de Cena”.  “Apareceu a Margarida”, “Mademoiselle Chanel”, Hello, Dolly”.  “Brega e Chique”, “O primo Basílio”, “Pé na Cova“.

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Vídeo com cena de “O primo Basílio”, de 1988, com Marilia Pera interpretando a criada Juliana.

Marília estará  transitando para sempre em nós mesmos. Duvido que exista algum de nós que não tenha sido atingido por uma de suas atuações. É impossível.

Autor: Catherine Beltrão

James Dean, o rebelde que causou

Não me digam que ninguém é insubstituível. Sei de três artistas que são: James Dean (1931-1955), Elvis Presley (1935-1977) e Freddie Mercury (1946-1991). Três trajetórias que transformaram a vida de milhões.

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James Dean

Mas este post tem como foco James Dean, o rebelde que causou. No último dia 30 de setembro, há sessenta anos atrás, James Dean morreu ao volante de um Porsche, dirigido em alta velocidade. Ele tinha 24 anos. Em sua curta existência, participou de sete filmes. Mas ganhou notoriedade e fama com três deles: “Vidas Amargas“, “Juventude Transviada” e “Assim Caminha a Humanidade.”

Vidas Amargas” (“East of Eden“) é um filme estadunidense de 1955, dirigido por Elia Kazan. O roteiro é baseado no romance “East of Eden”, do escritor laureado com o prêmio Nobel de literatura John Steinbeck.

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Vídeo do filme “Vidas Amargas”. Duração: 3:29

No Vale das Salinas, na Califórnia, na época da Primeira Guerra Mundial, Cal Trask (James Dean) disputa com o irmão Aaron (Richard Davalos), o “menino de ouro” da família, o amor de seu pai (Raymond Massey). Cal se sente solitário, e desde a infância luta pela atenção do pai, que não esconde sua preferência pelo outro filho. Só que uma surpresa muda um pouco as coisas: Cal descobre que sua mãe (Julie Harris), dada como morta há muito tempo, mora perto dele. Ele vai fazer um empréstimo com ela, que virou prostituta, para salvar a fazenda da família e ganhar a aprovação do pai.

Indicado ao Oscar de melhor ator em 1956, por sua atuação em “Vidas Amargas“, James Dean recebeu a primeira indicação póstuma da história das premiações.

Em uma das performances que mais influenciaram a história do cinema, no filme “Juventude Transviada” (“Rebel Without a Cause“) os jovens vivem uma vida confortável de classe média e não se preocupam nem com os direitos civis em uma era racista nem com os americanos que estão morrendo na Guerra da Coreia. São filhos de famílias destruídas em conflito de gerações, rebeldes sem causa.

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Vídeo do filme “Juventude Transviada”. Duração: 2:25

James Dean interpreta um jovem recém-chegado a uma cidade e cuja solidão, frustração e fúria identificam os adolescentes do pós-guerra – e ainda se mostram atuais. Natalie Wood e Sal Mineo foram indicados para o Oscar por suas interpretações bem realistas. O diretor Nicholas Ray também recebeu uma indicação ao prêmio por seu trabalho neste verdadeiro marco do cinema, escolhido como um dos 100 Maiores Filmes Norte-Americanos pelo American Film Institute.

Assim Caminha a Humanidade” (“Giant“) é um filme norte-americano de 1956, dirigido por George Stevens, que ganhou Oscar de melhor diretor. O roteiro do filme é baseado em um romance de Edna Ferber. Por este filme, James Dean recebeu sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator no ano de 1957.

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Vídeo do filme “Assim caminha a humanidade”. Duração: 3:44

Assim Caminha a Humanidade” marca a derradeira atuação de James Dean no cinema; ele morreu antes mesmo de ver o filme concluído. O filme foi considerado pela revista Time o mais contundente legado anti intolerância racial jamais levado às telas, o retrato de uma era.

O filme conta a história de Leslie (Elizabeth Taylor), Bick (Rock Hudson) e Jett (James Dean). Bick conheceu Leslie quando foi a casa do pai dela comprar um cavalo premiado e os dois se apaixonam. Eles se casam e vão para o Texas – terra de Bick – e lá constroem sua família, no rancho Reata. Ali perto mora Jett, que de certa forma é inimigo de Bick. A cada dia que passa os dois continuam se odiando, mesmo quando Jett enriquece e se torna um magnata do petróleo. O filme aborda claramente a intolerância racial e é um épico imbatível que explora o assunto e defende o fim do racismo.

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O “Little Bastard”, carro que James Dean dirigia quando morreu

James Dean morreu dirigindo um Porsche 550 Spyder, pequeno roadster alemão apelidado como “Little Bastard”. No momento do acidente, o Porsche estava a cerca de 135 km/h. Até hoje, continuam desaparecidos quaisquer vestígios do “Little Bastard“. Para quem quiser saber um pouco mais sobre a história deste carro, clique aqui.

Fui conhecer as atuações de James Dean somente nos anos 60. Na minha adolescência. E fui mais uma entre as milhões de pessoas que o consideram único. Insubstituível.

Autor: Catherine Beltrão

O Pequeno Príncipe e Divertida Mente: duas pérolas

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Capa do livro “O Pequeno Príncipe”. Edições Livraria Gallimard. 1953.

Nascemos, começamos a crescer e nos tornamos crianças. Primeiras frustações.  Crescemos mais um pouco e passamos pela adolescência. Primeiras desilusões. O tempo passa e nos tornamos adultos. Com responsabilidades e deveres. Com metas a alcançar e críticas a suportar. Mas, para alguns de nós, permanecem ilhas da infância e da juventude em nossos corações e mentes. E é para lá que nos refugiamos nos momentos de angústia e seriedade demasiada. Os caminhos para estas ilhas? Filmes como “O Pequeno Príncipe” e “Divertida Mente“, duas pérolas que tanto podem virar Sol ou Lua em nossos pensamentos, dependendo se forem solares ou lunares…

Saint-Exupéry fez parte de minha infância e de minha adolescência. Li “Le Petit Prince” a primeira vez aos nove anos de idade. “Terre des Hommes” e “Vol de Nuit” me chegaram aos dezessete, dezoito anos. Com eles, veio a poesia. O pensar e o escrever poético.

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Vídeo trailer do filme “O Pequeno Príncipe”, do diretor Mark Osborne.

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Extraído do filme “O Pequeno Príncipe”, de Mark  Osborne

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Extraído do filme “O Pequeno Príncipe”, de Mark Osborne

O diretor Mark Osborne fez a primeira adaptação animada de “O Pequeno Príncipe“, de Antoine de Saint-Exupéry.  O roteiro está centrado em uma menina, que acaba de se mudar para uma cidade com a mãe obsessiva, que a prepara para um mundo adulto, repleto de metas e deveres a cumprir.  Este mundo é povoado de tons cinza, figuras recurvadas e solenes, todas olhando para o chão onde pisam. Ao lado mora um vizinho excêntrico, um velho aviador, em uma casa cheia de cores, plantas e bichos. Este aviador se torna amigo da menina que passa a conhecer um mundo extraordinário e quase mágico, no qual tudo é possível. É o mundo do Pequeno Príncipe. A imaginação da menina começa a funcionar e uma emocionante jornada mágica acontece pelo universo do Pequeno Príncipe. É a redescoberta da infância, onde “o que é realmente essencial somente pode ser visto com o coração“, onde “o tempo que perdeste com tua rosa é que fez tua rosa tão importante“, onde “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas“…

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Extraído do filme “O Pequeno Príncipe”, de Mark Osborne

Para os entendidos em efeitos visuais, existe também um contraponto no filme. De um lado, os fantásticos efeitos proporcionados em 3D para a narrativa da história da menina com sua mãe obsessiva e seu amigo aviador. Do outro lado, o stop motion 2D utilizado quando a menina olha e imagina as aquarelas originais das páginas do livro “O Pequeno Príncipe“.  Nestes momentos, nós, adultos, voltamos a nossa infância, na “busca do tempo perdido“.

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Vídeo-trailer do filme “Divertidamente”

E o filme “Divertida Mente“? Por coincidência ou não,  a protagonista da história também é uma menina. Ela tem onze anos e também sua vida vai se transformar quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal para viver em outra cidade, com novos colegas na escola nova. Vamos então mergulhar no cérebro da menina e tentar entender seus sentimentos: a Alegria, a Tristeza, o Medo,  a Raiva e o Nojo. Estes sentimentos vão interagir o tempo todo, a cada vez que uma decisão precisa ser tomada ou quando uma sensação aparece.

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Extraído do filme “Divertida Mente”, de Pete Doctor. A Alegria tentando organizar as memórias relacionadas a sentimentos…

A história foi ideia do diretor Pete Docter (que também dirigiu “Monstros S.A” e “Toy Story“), inspirado em sua própria experiência como pai.  Especialistas, psiquiatras e neurologistas foram convocados para a produção do filme, para ajudar na compreensão do funcionamento da mente e da consciência.

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Extraído do filme “Divertida Mente”, de Pete Doctor. A Alegria e a Tristeza trocando ideias…

À primeira vista, parece que o único bom sentimento é a Alegria. É ela que rege a vida da menina, que a faz encarar as barreiras e os problemas. Aos poucos, percebe-se que a Tristeza, a princípio a vilã da história, é bem mais importante do que se imagina.  É ela, pelo seu senso de realidade, que irá salvar a menina e ajuda-la a voltar para o convívio da família, seu porto seguro.

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Extraído do filme “Divertida Mente” de Pete Doctor 

Memórias, medos, sonhos, imaginação. O que povoa nossa mente? Memórias que se apagam à medida que o tempo passa. Medos de sombras que percebemos na escuridão da noite. Sonhos de viagens pelo arco-íris … a imaginação de uma criança é infinita.

Os efeitos visuais proporcionados pelos Estúdios Disney-Pixar em “Divertida Mente” são fantásticos.  É cada vez mais impressionante ver o que a Tecnologia faz pela Arte. Vale a pena assistir a este vídeo do making-off, mostrando parte da computação gráfica utilizada no filme.

Estes dois filmes, “O Pequeno Príncipe” e “Divertida Mente” servem  Poesia e Arte na bandeja da Ciência e da Tecnologia. Cabe a cada um procurar o pedaço de criança que ainda não se foi, aquele que ainda teima em fazer parte de nós.

Autor: Catherine Beltrão