Arquivo da categoria: Leilões

Banksy e a arte que se destrói

 

banksy2

“Menina com um balão”, de Banksy

A obra “Menina com um balão“, de Banksy, que já havia sido proclamada como sendo a mais amada  pelo povo inglês, acaba de sofrer uma das mais insólitas jogadas de marketing do planeta: logo após sua aquisição, em um leilão da Sotheby’s londrina, por uma valor de US$ 1,4 milhão, a obra se autodestruiu, sendo triturada por um dispositivo instalado em sua moldura.

banksy1

“Menina com um balão” sendo destruída.

Mas quem é Banksy?

Trata-se de um artista de rua, nascido em Bristol/Inglaterra, em 1974, especializado em trabalhos em estêncil, talvez o mais importante artista inglês vivo.

Além de artista grafiteiro, Banksy é ativista político e diretor de cinema.

banksy4

“A menina e o soldado”, de Banksy

Seu primeiro filme, ‘Exit Through the Gift Shop’, teve sua estreia no Festival de Filmes de Sundance/USA, tendo sido oficialmente lançado no Reino Unido em março de 2010, e em janeiro de 2011 foi nomeado para o Oscar de Melhor Documentário.

banksy5

“A arte está no ar”, de Banksy

Suas obras costumam ser carregadas de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, o que provoca identificação com o público que as observa.

Banksy não vende seus trabalhos diretamente ou em galerias, mas  leiloeiros de arte costumam vender alguns de seus grafites nos locais em que foram feitos e deixam o problema de como remover o desenho nas mãos dos compradores.

banksy3

“Les misérables”, de Banksy

Durante o mês de outubro de 2013 Banksy esteve em Nova Iorque e realizou uma série de trabalhos pelas ruas da cidade. Todas as suas intervenções foram divulgadas em um site e acabaram atraindo a atenção de moradores e turistas.

Em dezembro de 2015,  no campo de refugiados de Calais/França, Banksy expôs a obra “Filho de um imigrante sírio“, com o rosto de Steve Jobs, fundador da Apple.

banksy6

“Filho de um imigrante sírio”, de Banksy

Quanto à sua identidade, não se sabe ao certo… Quem sabe, mais uma jogada de marketing?

 Autor: Catherine Beltrão

O lote de US$ 1,63 bilhão… quem dá mais?

Da Vinci, Picasso, Modigliani, Bacon,  Giacometti, Munch, Basquiat e Warhol… o que eles têm em comum? Você sabe? Eles são os autores das dez obras mais caras já vendidas em leilão. Picasso e Giacometti aparecem duas vezes nesta lista. Os valores destas obras, em conjunto, ultrapassam US$ 1,63 bilhão!

Recorde_DaVinci

“Salvador do Mundo”, de Leonardo da Vinci.
45,4 cm x 65,6 cm – ost – cerca de 1500

Comecemos pela obra “Salvator Mundi” (“Salvador do Mundo“), de Leonardo da Vinci (1452-1519).  Ela representa Jesus Cristo, no estilo renascentista, dando uma bênção com a mão direita  levantada e os dedos cruzados enquanto segura uma esfera de cristal na mão esquerda. A obra precorreu uma extensa trajetória até ser   redescoberta em 2005. Alguns especialistas contestam a autoria de Da Vinci. Apesar disso, a obra foi vendida em leilão pela Christie’s em Nova York, em 15 de novembro de 2017, por US$ 450,3 milhões, estabelecendo uma nova marca para a pintura mais cara já vendida.

Recorde_Picasso

“As mulheres de Argel”, de Pablo Picasso.
114 X 146,4cm – ost – 1954/55

A segunda obra mais cara é de autoria de Pablo Picasso (1881-1973). Sua obra “Les femmes d’Alger” (“As mulheres de Argel“) representa um harém, e foi arrematada por US$ 179,3 milhões em um leilão na casa Christie’s, em Nova York, em 11 de maio de 2015. Esta obra faz parte de uma série de 15 pinturas e vários desenhos feitos por Picasso, com o mesmo tema,  tendo o pintor sido inspirado pelo artista francês do século XIX, Eugène Delacroix.

Recorde_Modigliani

“Nu deitado”, de Amedeo Modigliani.
92 X 160cm – ost – 1917

No terceiro lugar, fica Amedeo Modigliani (1884-1920),  com a obra “Nu couché” (“Nu deitado“), vendida por US$ 170,4 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York. A pintura é uma das famosas séries de nus que Modigliani pintou em 1917 sob o patrocínio de Léopold Zborowski, seu negociador polonês. Acredita-se que ela tenha sido incluída na primeira e única exposição de arte de Modigliani em 1917, na Galeria Berthe Weill, que foi encerrada pela polícia. Este grupo de nus de Modigliani serviu para reafirmar e revigorar o nu como sujeito da arte modernista.

Em seguida, temos a obra “Three Studies of Lucian Freud” (“Três estudos de Lucian Freud”), um tríptico de Francis Bacon (1909-1992), vendido por US$ 142,4 milhões em 12 de novembro de 2013  também na Christie’s de Nova York.

Recorde_Bacon

“Três estudos de Lucien Freud”, de Francis Bacon.
147,5 X 198cm – ost – 1969

O tríptico é composto por telas do mesmo tamanho e emolduradas individualmente, que retrata o pintor Lucian Freud (neto de Sigmund Freud), grande amigo de Bacon, tendo um exercido grande influência sobre o outro. Os três painéis foram trabalhados ao mesmo tempo, mas foram vendidos separadamente em meados de 1970, após o tríptico ser exposto no Grand Palais/Paris (1971-1972), para tristeza do artista, que dizia que ficavam “sem sentido, a menos que um  estivesse unido aos outros dois painéis.” Mas em 1999 o trabalho voltou à sua forma original.

Recorde_Giacometti

“O homem que aponta”, de Alberto Giacometti.
177,5cm de altura – bronze – 1947

A quinta obra mais cara já vendida em leilão é a escultura “L’homme au doigt” (“O homem que aponta”), de Alberto Giacometti (1901-1966),  que se tornou em 11 de maio 2015, a escultura mais cara já leiloada ao alcançar o preço de US$ 141,28 milhões em um leilão promovido pela casa Christie’s, em Nova York. A obra é uma representação escultórica da filosofia do existencialismo e faz parte de uma série de seis peças, das quais é a única pintada à mão pelo artista. A peça de bronze faz parte de uma série de seis esculturas e foi vendida no mesmo leilão em que também foi vendida a obra “Mulheres de Argel” de Picasso.

Record_Munch

“O Grito”, de Edvard Munch.
83,5 X 66cm – óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão – 1895

Em sexto lugar, fica talvez a mais famosa desta lista de top10. Trata-se da obra “O Grito“, de Edvard Munch (1863-1944), vendida por US$ 119,9 milhões em 2 de maio de 2012 na Sotheby’s de Nova York.  Esta obra também pertence a uma série, com quatro pinturas conhecidas, que se encontram no Museu Munch, em Oslo, na Galeria Nacional de Oslo e a terceira em coleção particular. Em 2012, a quarta obra da série tornou-se a pintura mais cara da história a ser arrematada na época, num leilão. É uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Nesta versão de 1895 as cores são mais fortes do que nas outras três versões e é a única em que a moldura foi pintada pelo artista com o poema que descreve uma caminhada ao pôr-do-sol que inspirou a pintura. Outra particularidade única desta versão é que uma das figuras que está em segundo plano olha para baixo, para a cidade. O poema:
Eu caminhava com dois amigos – o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue – eu ressenti como que um sopro de melancolia. Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho – eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza.”

Recorde_Basquiat

“Sem título”, de Jean-Michel Basquiat.
183 X 173cm – ost – 1982

Segue-se uma obra bastante controversa: a tela sem título de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), vendida por US$ 110,5 milhões em 18 de maio de 2017 na Sotheby’s de Nova York. Basquiat criou a obra com 21 anos, no momento mais importante de sua carreira como artista. “Tudo o que tocava era fantástico”, disseram os responsáveis da Sotheby’s durante a apresentação da tela antes do leilão. O comprador anterior pagou US$ 19 mil em um leilão em 1984. Desde então ela não voltou a ser vista em público. Os especialistas afirmam que é um dos três melhores quadros de Basquiat, transformado desde então em “uma grande obra prima”.

Recorde_Picasso2

“Nu, folhas verdes e busto”, de Pablo Picasso.
163 X 130cm – ost – 1932

O oitavo luga também pertence a uma outra obra de Pablo Picasso, o  “Nu au plateau de sculpteur” (“Nu, folhas verdes e busto“), vendida por US$ 106,4 milhões em 4 de maio de 2010 na Christie’s de Nova York.  A obra representa a amante de Picasso, Marie-Thérèse Walter, nua e reclinada, enquanto a cabeça do pintor está   representada num busto postado num pedestal, que observa a mulher logo abaixo. Faz parte de uma série de retratos que Picasso pintou de sua amante e musa Marie-Thérèse Walter, em 1932.

Recorde_Andy

“Silver car crash (double disaster)”, de Andy Warhol.
390 X 240cm – serigrafia – 1963

Segue mais uma obra polêmica, desta vez de Andy Warhol (1928-1987), a “Silver car crash (double disaster)”, vendida por US$ 105,4 milhões em 13 de novembro de 2013 na Sotheby’s de Nova York. A serigrafia é de tamanho monumental e pertence a um dos quatro trabalhos da série ‘Car Crash – Death and Disasters‘.  Especialistas afirmam que esta obra é um trabalho de grande escala e ambição, da mesma forma que  “Guernica“, de Picasso, ou a “ Balsa da Medusa” de Théodore  Géricault.

Para muitos, a série ‘Death and Disasters‘ é a conquista artística mais significativa de Warhol, considerado pai e expoente máximo da pop art.

Recorde_Giacometti2

“O homem caminhando I”, de Alberto Giacometti.
183cm de altura – bronze – 1961.

Terminando esta lista, a segunda obra de Alberto Giacometti.  A escultura “L’homme qui marche” (“O Homem Caminhando I”) foi vendida  104,3 milhões de dólares em 4 de fevereiro de 2010 num leilão da Sotheby’s, em Londres. “Ela representa o ápice da experimentação de Giacometti com a forma humana e é tanto a imagem de um homem simples e submisso como um forte símbolo da humanidade“, afirmou a Sotheby’s, na época. Esta escultura é  considerada a principal obra de Giacometti e está estampada também na nota de 100 francos suíços. Existem seis originais da peça. O homem caminhando I faz parte de uma série de esculturas de bronze esbeltas feitas pelo artista suíço entre 1947 e sua morte e que representam homens e mulheres solitários.

Essa lista dos top10 é bastante intrigante. O mais amado dos pintores – Vincent van Gogh – já não consta da lista. Picasso e Giacometti estão representados duas vezes. Basquiat, um desconhecido para a maioria, está aí. Ele e Warhol talvez tomaram o lugar de Monet e de Van Gogh. Pop Art no lugar do Impressionismo. Munch e Modigliani seguram o expressionismo e o modernismo. E, acima de todos, o renascentista Leonardo da Vinci…

Autor: Catherine Beltrão

Os crânios de Basquiat

Basquiat

Jean-Michel Basquiat

Jean-Michel Basquiat (1960 – 1988) foi um artista americano. Basquiat tinha ascendência porto-riquenha por parte de mãe e haitiana por parte de pai. Desde cedo mostrou uma aptidão para a arte e foi influenciado pela mãe, Matilde, a desenhar, pintar e a participar de atividades relacionadas ao mundo artístico. Aos seis anos, já frequentava o Museu de Arte Moderna de Nova York, de onde tinha carteira de sócio mirim.

Aos sete anos foi atropelado e no acidente teve o baço dilacerado. Foi submetido a uma cirurgia e ficou uma temporada no hospital. Sua mãe lhe deu de presente um livro de anatomia que teria grande influência em seu futuro de artista, revelado pelas pinturas de corpos humanos e detalhes de anatomia.

Aos 17 anos, Basquiat começou a fazer grafite em prédios abandonados em Manhattan. Ganhou popularidade primeiro como um grafiteiro na cidade onde nasceu e então como neo-expressionista.

Basquiat_cranio1_Skull_1981

“Skull”, de Basquiat. 1981

No início dos anos 80, ele começou a namorar uma cantora desconhecida na época, Madonna. Neste mesmo ano, conheceu Andy Warhol, com quem colaborou ostensivamente e cultivou amizade.

Basquiat_cranio2

Outro crânio de Basquiat.

O período mais criativo da curta vida de Basquiat situa-se entre 1982-1985, e coincide com a amizade com Warhol, época em que fez colagens e quadros com mensagens escritas, que lembram o graffiti do início e que o remetem às suas raízes africanas. É também o período em que começa a participar de grandes exposições.

Com a morte do amigo e protetor Andy Warhol em 1987, Basquiat fica abalado, perdido e debilitado, e isso se reflete na sua criação. A crítica, exigente, já não o trata com unanimidade e Basquiat responde a essas cobranças como racismo. Vendo-se sozinho, passou a exagerar no consumo de drogas. Em 1988, põe fim à vida com uma overdose de heroína.

Basquiat_cranio3

Mais um crânio de Basquiat

Jean-Michel Basquiat utilizava imagens e palavras europeias e símbolos gráficos de cavernas africanas, além de imagens robotizadas e grafites em seus trabalhos. Basquiat procurava inspiração na arte histórica e até nos trabalhos figurativos de Jackson Pollock.

Na obra sem nome “Skull” (crânio), ele mostra uma seção da cabeça humana feita com pastiche e marcas de pontos que parecem juntar o crânio à cabeça. A parte azul ao redor da cabeça demonstra uma imagem eletrônica do mundo médico, e as letras na parte superior da obra parecem uma mensagem criptografada. A obra faz parte do acervo “The Eli Broad Family Foundation“, Santa Mônica, California, USA.

No próximo dia 18 de maio, será leiloado na Sotheby’s um dos crânios  de Basquiat. Esta tela foi comprada em um leilão por US$ 19 mil, em 1984, e permaneceu com a mesma família por 34 anos, segundo a casa de leilões. Pintada em 1982, é uma versão menor do quadro da coleção do bilionário Eli Broad, considerado uma das obras-primas do artista. Estima-se que a obra poderá chegar a US$ 60 milhões.

Basquiat_cranio4_1982_Sothebys

Crânio de Basquiat, de 1982, a ser leiloado na Sothebys, em maio. Valor estimado: US$ 60 milhões

Jean-Michel Basquiat foi o primeiro afro-americano a ter sucesso nas artes plásticas de Nova York. O recorde atual para uma obra do artista é do bilionário japonês Yusaku Maezawa, que pagou US$ 57,3 milhões por um autorretrato de Basquiat em um leilão realizado pela Christie’s em maio de 2016.

Autor: Catherine Beltrão

Modigliani, um tsunami na Arte

Modigliani

Amedeo Modigliani

Amedeo Modigliani (1884-1920),  artista plástico e escultor italiano,  foi principalmente figurativo, tornando-se célebre sobretudo por seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas. Na infância, Amedeo sofreu de diversas doenças graves – pleurisia, tifo e tuberculose -, que comprometeram sua saúde pelo resto da vida e cujo tratamento forçava-o a constantes viagens, até sua mudança definitiva para Paris, em 1906. O grande artista morreu aos trinta e cinco anos de idade, em Paris, em condições de precariedade material e de saúde, vítima de meningite tuberculose, agravada pelo excesso de trabalho, de drogas e de álcool.

No espaço de um ano, três de suas obras avançaram vertiginosamente seus preços nos leilões da Sotheby’s e da Christie’s.

Modigliani_Tete

“Tête”, de Modigliani. 1910/12, escultura em pedra calcária, 65cm. Vídeo editado pela Sotheby’s. Duração: 3:05cm (em inglês).

Em novembro de 2014, a belíssima escultura “Tête” foi arrematada por US$ 71 milhões na Sotheby’s.

Modigliani_Paulette

“Retrato de Paulette Jourdain”, de Modigliani. 1919, ost. 100,3 X 65,4 cm. Vídeo editado pela Sotheby’s. Duração: 1:36 (em inglês)

Em 04 de novembro de 2015, foi a vez de o “Retrato de Paulette Jourdain“, da Coleção de A. Alfred Taubman,  ser vendido na Sothebys, por US$ 42,8 milhões.

Modigliani_Nudeitado

“Nu couché”, de Modigliani. 1917/1918, ost, 59,9 X 92cm

E agora, em 09 de novembro de 2015, a obra “Nu couché” (“Nu deitado“) foi arrematada por US$ 170,4 milhões , na Casa Christie’s, em Nova York, sendo a segunda obra mais cara vendida em leilão no mundo. Superando “Nu couché“, apenas a pintura “Mulheres de Argel“, de Pablo Picasso, que estabeleceu o recorde de maior valor já pago por uma obra de arte em leilão. A Christie’s vendeu o quadro em maio por US$ 179,4 milhões.

Até agora, foram catalogadas 337 obras de Amedeo Modigliani. Poucas obras, valores altíssimos e poucos especialistas, o que torna suas criações alvos favoritos dos falsificadores de obras de arte.

Autor: Catherine Beltrão

A hora e a vez de Alberto da Veiga Guignard

No último dia 13 de agosto, a obra “Vaso de Flores”, de Alberto da Veiga Guignard (1896 – 1962), foi disputada por cinco compradores e finalmente arrematada na Bolsa de Arte de São Paulo por R$ 5,7 milhões, tornando-se a obra mais cara de um artista brasileiro vendida em leilão.

Guignard_vaso1

“Vaso de flores”. Ost, 1930.

 

Guignard_Escola

Escola Guignard, em Belo Horizonte

Guignar_Museu

Museu Casa Guignard, em Ouro Preto

Tendo sido “adotado” nos anos 40 pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek,  é em Belo Horizonte que existe hoje a Escola Guignard e é em Ouro Preto que se encontra o Museu Casa Guignard, ambas construções que homenageiam este grande artista.  Também é em Ouro Preto que repousam os seus restos mortais, na Igreja de São Francisco de Assis. Assim, para muitos, Guignard teria nascido em Minas Gerais.

Guignard_logo

Logo do projeto “Guignard, filho de Nova Friburgo”

Mas Alberto da Veiga Guignard nasceu em Nova Friburgo, cidade serrana do Rio de Janeiro. Em 2003, a ArtenaRede, empresa então ainda incubada na UERJ, incentivada pelo jornalista e cineasta Luis Carlos Prestes Filho, teve a ideia de criar o projeto “Guignard – filho de Nova Friburgo“, que tem por objetivo valorizar a vida e a obra do artista Alberto da Veiga Guignard em sua cidade natal. Além da criação do site, na época várias pesquisas sobre a vida e a obra do pintor foram realizadas pela ArtenaRede, a ponto de localizar o famoso Solar Savory, local em que  o artista residiu por alguns meses no início dos anos 40. Em tempo: nenhum livro sobre Guignard, já publicado até aquele ano, havia mencionado o exato local deste Solar. Infelizmente, hoje o Solar Savory já não existe: foi demolido e em seu lugar, construído um shopping de moda íntima.

Guignard_solarsavory

“Solar Savory”, em Mury, Nova Friburgo, região serrana fluminense. Hoje, o solar não existe mais.

Alberto da Veiga Guignard, um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, agora chegou ao topo da escala de valorização dos artistas plásticos brasileiros. Será que continuará desconhecido da população friburguense? Será que o projeto “Guignard, filho de Nova Friburgo” terá vez na cidade, que em 2018 completa 200 anos?Quem tiver curiosidade, aqui está o post “Guignard, filho de Nova Friburgo“, que escrevi neste blog, em março de 2014.

Autor: Catherine Beltrão

Picasso, Giacometti e Christie’s: três novos recordes a serem batidos

Dia 11 de maio de 2015. Segunda-feira. Sala de leilões da Christie’s em Nova York. Nesta noite, a célebre casa de leilões Christie’s assumiria a ponta na corrida da valorização de obras de artistas plásticos. Nesta noite, três recordes foram batidos: pintura, escultura e arrecadação em uma só noite de leilão.

leilao - Christies 1808

Casa de leilão Christie’s – 1808

Fundada em 5 de Dezembro de 1766 por James Christie em Londres, Inglaterra, a Christie’s conseguiu criar uma rápida reputação entre as casas leiloeiras britânicas, nos anos seguintes à Revolução Francesa no que se refere ao comércio de obras de arte. Quase 250 depois, a Christie’s também se faz presente em 32 países, com 53 escritórios e 12 salas de leilões, incluindo Londres, Nova York, Paris, Gênova, Milão, Amsterdam, Dubai, Zurique, Hong Kong, Xangai e Mumbai. Mais recentemente, ela tem apontado seus holofotes para a Russia, a China, a India e os Emirados Árabes.

leilao - Picasso

“As mulheres de Argel”, de Pablo Picasso – ost, 1955

Na noite do dia 11 de maio, na sessão do leilão intitulada “Looking Forward to the Past” (“Explorando o Futuro através do Passado“), a obra “As mulheres de Argel” (“Les femmes d’Alger“), de Pablo Picasso (1881-1973) foi arrematada por US$ 179,4 milhões, o maior valor já pago por uma obra de arte em leilão.

leilao - Delacroix

“Mulheres de Argel em seu apartamento”, de Eugène Delacroix. Ost, 1834, 180 X 229cm

As Mulheres de Argel” faz parte de uma série de Picasso inspirada no artista Eugene Delacroix, lançada entre 1954 e 1955. Apareceu diversas vezes em retrospectivas do artista espanhol. Esta obra de Picasso representa uma cena passada num harém, sem dúvida alguma inspirada nas “Mulheres de Argel em seu Apartamento“, de Eugéne Delacroix (1798-1863).

Eu ainda estou em choque que vamos colocá-lo à venda” afirmou na ocasião o vice-presidente da Christie’s, Olivier Camu, de acordo com o The Guardian. “Entre as obras de Picasso que são propriedade privada, essa é a mais importante”.

Nesta mesma noite, foi arrematada a escultura “O homem que aponta” (“L’homme au doigt“), de Alberto Giacometti (1901-1966), pelo valor de US$ 141,3 milhões. A obra é uma representação escultórica da filosofia do existencialismo e faz parte de uma série de seis peças, das quais é a única pintada à mão pelo artista.

leilao - Giacometti

“O home que aponta”, de Alberto Giacometti – bronze, 1947, 177,5cm

leilao - Giacometti2

“O homem que caminha I”, de Giacometti. Bronze, 1961, 183cm

L’homme au doigt” confirma assim o monopólio de Giacometti no mercado milionário da escultura, pois supera seu próprio recorde, “O homem que caminha I” (“L’Homme qui marche I“), que alcançou em 2010 o preço de US$ 104,3 milhões em Londres.

Esta escultura é a questão do existencialismo. Um homem sozinho, apontando sem saber o que aponta“, explicou à Agência Efe a especialista em arte contemporânea da Christie’s, Ana María Celis, para quem Giacometti, com suas figuras espigadas, de superfície cavernosa e alta expressividade, não tem rival no mercado  de esculturas.

A noite “Looking Forward to the Past” da Christie’s totalizou US$ 705,9 milhões, recorde mundial de arrecadação de todos os tempos em uma só sessão de leilão. Foram 35 lotes à venda, dois vendidos acima de US$ 100 milhões, três acima de US$ 50 milhões, 9 lotes acima de US$ 20 milhões, 12 lotes acima de US$ 10 milhões e 29 lotes acima de US$ 1 milhão.

A propósito: Picasso e Giacometti são os dois artistas mais cobiçados da atualidade. Da lista das dez obras de arte mais caras da história vendidas em leilão, quatro são de Picasso e três são de Giacometti.

Pois é. Enquanto isso, ao sul do Equador, a Arte continua sendo coisa de somenos importância. Fecham-se museus. Fecham-se espaços culturais. Em cidades onde eles existem/existiam. Porque por aqui também há cidades de mais de 200.000 habitantes sem museus.

Autor: Catherine Beltrão

Aquarela de “0 Pequeno Príncipe” pode chegar às alturas dos vôos de seu criador

Saint_exupery

Antoine de Saint-Exupéry

Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) foi escritor, ilustrador e piloto de caça da Segunda Guerra Mundial. O sonho de ser mecânico o levou a se alistar e se tornar piloto militar em 1922. Em 1926 tornou-se piloto de linha e passou a comandar a equipe de pilotos pioneiros. Morreu numa missão de reconhecimento em 1944, mas somente os restos de seu avião foram encontrados e apenas em 2004. Seu corpo nunca foi encontrado. Escreveu vários livros mas a sua obra mais significativa é O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince), um dos três livros mais publicados de toda a História, com mais de 270 traduções e tendo vendido mais de 145 milhões de exemplares.

No dia 09 de dezembro, a primeira ilustração original do desenho “O Pequeno Príncipe”, de Antoine Saint -Exupéry, será leiloada na casa de leilão Arcurial, em Paris, França.

Pequeno_principe7

Aquarela dos originais do livro, a ser leiloada em 09.12

O desenho com tinta aquarela leva a assinatura de Saint- Exupéry e faz parte da página 17 do livro original, lançado em 1943. O valor estimado da ilustração está entre 400 mil e 500 mil euros (entre R$1,2 mi e R$1,5 mi) .

A aquarela representa o personagem do astrônomo turco que descobre o asteroide B612, planeta do Pequeno Príncipe, apontando com o dedo para uma série de fórmulas matemáticas.

Pequeno_principe2

Uma das aquarelas dos originais do livro

Pequeno_principe3

Uma das aquarelas dos originais do livro

É muito difícil encontrar alguém que não conheça “O Pequeno Príncipe“, de Saint-Exupéry. Embora a maioria das pessoas tenha feito sua primeira leitura ainda criança, seu entendimento maior é alcançado quando nossa vivência se torna maior. E, mesmo assim, não são todos os adultos que irão entender o que significa esta frase: “A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinhos nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.”

O único livro infantil de Antoine de Saint-Exupéry acabou virando uma das obras mais amadas de todos os tempos. A obra foi escrita durante um exílio de Saint-Exupéry nos EUA, após a invasão nazista na França. Em tal contexto, o autor tentava convencê-los a entrar na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha Nazista. O perigo que as árvores baobás representavam para o lar do principezinho também está relacionado com a realidade. O tal perigo nada mais é senão o que o Nazismo representava para Saint-Exupéry.

Pequeno_principe4

Uma das aquarelas dos originais do livro

Pequeno_principe1

Uma das aquarelas dos originais do livro

O Pequeno Príncipe não foi publicado na França, terra natal do autor, até dois anos após a sua morte. A primeira publicação foi feita em 1943, nos Estados Unidos, onde alcançou sucesso apenas moderado. Em abril de 1943, logo após o livro ser publicado, Saint-Exupéry enfiou os manuscritos e desenhos de O Pequeno Príncipe em um saco de papel marrom e os entregou a sua amiga Silvia Hamilton. “Eu gostaria de lhe dar algo esplêndido”, disse a ela, “mas isso é tudo o que tenho”. No ano seguinte, ele morreu numa missão militar.

Em 1968, The Morgan Library, em Nova York, adquiriu os manuscritos.

Agora, uma nova exposição explora o processo criativo de Saint-Exupéry por meio dos escritos que excluiu da versão final — o original tem quase o dobro do tamanho livro publicado.

 Autor: Catherine Beltrão

 

Recordes de obras em leilões de arte

Algumas obras de arte já ultrapassaram o valor de cem milhões de dólares ao trocarem de mãos em leilões da Sotheby’s/Londres e da Christie’s/NY. O que faz uma obra de arte valorizar tanto? O que encanta tanto um colecionador?

Após uma pesquisa internetiana em alguns links sobre o assunto, condensei as seguintes informações sobre as cinco obras mais caras já vendidas em leilões até hoje:

1.Três estudos de Lucien Freud“, de Francis Bacon (1909-1962). Obra mais cara do britânico Francis Bacon ( o artista, não o filósofo, este falecido em 1626) e a mais cara já arrematada em leilões de arte até hoje.  Valor: US$ 142,4 milhões, vendido na Christie’s, em novembro de 2013.

 
Bacon - Tres estudos

“Três estudos de Lucien Freud”, de Francis Bacon. Óleo, 1969, 198 X 147,5 cm.

O triplo retrato do artista britânico, representando outro importante pintor do século XX, que era também seu amigo, marca a relação de Bacon e Freud, prestando homenagem ao parentesco criativo e emocional dos dois artistas. Os dois britânicos conheceram-se em 1945 numa estação de comboios, quando estavam a caminho da casa de campo de um amigo comum e tornaram-se muito próximos de imediato. Nos anos 50, encontravam-se todos os dias para trabalhar ou passear pelo Soho. Tinham em comum a pintura, apesar de métodos e abordagens bem diferentes, e o fascínio pelo jogo – Freud apostava nos cavalos e Bacon privilegiava o casino. Era raro o dia em que não jantavam juntos. Não é por isso de estranhar que se tivessem, de alguma forma, influenciado, e que desenhassem e pintassem retratos um do outro mais do que uma vez, antes de se distanciarem na década de 1970.

O tríptico foi pintado em 1969, no Royal College de Londres, depois de um incêndio ter destruído o estúdio de Bacon.  Foi também nessa altura que, depois de exposto no Grand Palais (1971-72), o tríptico foi separado, voltando apenas a ser mostrado completo no Connecticut em 1999.

2.O Grito“, de Edvard Munch (1863-1944). Valor da obra: US$ 119,9 milhões, vendida na Sotheby’s, em maio de 2012.

Munch - O Grito

“O Grito”, de Munch. Pastel sobre cartão, 1895, 91 x 74cm

O Grito (no original Skrik) é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol.

O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. É curioso que existam várias versões diferentes deste quadro para além da obra de 1893. Em todas o carimbo emocional de Munch está presente para nos recordar que o lado negro da vida pode ser belo.

Há uma série de factores que influenciaram Munch para a realização deste quadro. Desde já, um período em que esteve doente em Nice, em 1892. Edvard escreveu em seu diário o momento que por certo o inspirou a pintar a sua obra: “Estava a passear cá fora com dois amigos, e o Sol começava a pôr-se – de repente o céu ficou vermelho, cor de sangue – Parei, sentia-me exausto e apoiei-me a uma cerca – havia sangue e língua de fogo por cima do fiorde azul-escuro e da cidade – os meus amigos continuaram a andar e eu ali fiquei, de pé, a tremer de medo – e senti um grito infindável a atravessar a Natureza “.

A versão vendida no leilão de maio na Sotheby’s era a de pastel sobre cartão, de Petter Olsen, cujo pai foi amigo e vizinho de Munch.

3. Nu, folhas verdes e busto“, de Pablo Picasso (1881-1973).  Valor da obra: US$ 106,4 milhões, vendida na Christie’s, em 2010.

Picasso - Nu, olhos verdes e busto

“Nu, folhas verdes e busto”, de Picasso. Óleo, 1932, 162 X 130cm

A obra, com título original “Nu au plateau de sculpteur“, foi pintada em apenas um dia e representa a amante do espanhol Picasso, Marie-Thérèse Walter, nua e reclinada. O busto no pedestal é uma imagem do próprio Picasso, que assim se fez representar no quadro de perfil. É um dos quadros de uma sequência de retratos de Marie-Therese Walter, pintados por Picasso em Boisgeloup, na Normandia, nos primeiros meses de 1932. São tidos como algumas das suas obras-primas do período entre guerras.

O ano em que este quadro foi pintado é considerado um ponto de virada para o artista, pois foi a partir dai que ele começou a criar telas totalmente diferente de tudo o que já tinha feito antes: maiores e mais sensuais. A obra estava desde os anos 1950 na posse de dois colecionadores de Los Angeles, Frances e Sidney Brody, ambos falecidos e só foi mostrada em público uma vez em 1961, coincidindo com o aniversário de 80 anos o pintor.

4. Homem Caminhando I“, de Alberto Giacometti (1901-1966). Valor da obra: US$ 104,3 milhões, vendida na Sotheby’s, em 2010.

Giacometti - Homem caminhando

“Homem caminhando I”, de Giacometti. Bronze, 1961, 183cm

A escultura de bronze, intitulada no original “L’Homme qui marche I”,  mostra um homem solitário a meio-passo, com os braços pendurados ao seu lado. A peça é descrita como uma “humilde imagem, tanto de um homem comum, como de um poderoso símbolo da humanidade”.  O suíço Giacometti descreveu a escultura, por ter visto “o equilíbrio natural do passo” como um símbolo de força “do homem na sua própria vida“.

Em 1960, Giacometti foi convidado a fazer parte de um projeto público pela Chase Manhattan Plaza, em Nova York, para fundar figuras de bronze no exterior do edifício. Ele criou várias esculturas com o L’Homme qui marche I entre eles. Giacometti teve dificuldades para desenvolver o projeto e acabou abrindo mão da encomenda. No entanto, em 1961, ele lançou o tamanho da vida de trabalho em bronze e expôs na um ano depois.

L’Homme Qui Marche I foi criado num período alto de Giacometti e representa o ápice de sua experimentação com a forma humana. A peça é considerada uma das mais importantes obras do artista e uma das imagens mais icônicas da arte moderna e está estampada também na nota de 100 francos suíços. Existem seis originais da peça.

Curiosidade: Homem caminhando I era uma das 3 mil obras da coleção de arte do Dresdner Bank e estava exposta no hall de entrada do banco em Frankfurt. Com a fusão de maio de 2008, ela passou para o Commerzbank, que, segundo o portal Tagesanzeiger.ch, se desfez da obra “porque a figura do homem emagrecido poderia ser interpretada como símbolo da crise bancária”.

5. Rapaz com cachimbo“, de Pablo Picasso (1881-1973).  Valor da obra: US$ 104,2 milhões, vendida na Sotheby’s, em 2004.

Picasso_Garconalapipe

“Rapaz com cachimbo”, de Picasso. Óleo, 1905, 100 X 81,3cm

Com o título original de “Garçon à la Pipe”, Picasso pintou o famoso quadro quando dos seus 24 anos, durante o seu Período Rosa. O óleo sobre tela, pintado em Montmartre, França, retrata um jovem rapaz francês com um cachimbo na mão esquerda e uma coroa de rosas na cabeça.

Pouco se sabe sobe o menino que serviu de modelo para esta obra. Algumas fontes mencionam que ele teria cerca de dez anos de idade e que teria manifestado o desejo de posar para o pintor.

A obra deixa transparecer o estilo adotado por Picasso nos seus primeiros anos como artista e é considerada por muitos a principal tela deste período que ainda permanece sob domínio privado.

Curiosidade: a primeira compra desta obra foi feita em 1950, pelo valor de US$ 30 mil.

Voltando à pergunta inicial: O que faz uma obra de arte chegar a valer mais de cem milhões de dólares? O que encanta tanto um colecionador de arte?

Além do óbvio – investimento, status, cobiça, disputa, … – eu acredito que a história que a obra possui exerce muita influência no processo de sua valorização. Em qual contexto foi criada, como foi sua trajetória de percurso desde sua criação ou, caso a obra retrate alguém, qual teria sido a relação do artista com este(a) modelo… enfim, considerando que o artista morre, como qualquer outro indivíduo, cada uma de suas obras continua a representar pedaços de sua vida, de seus relacionamentos, de suas crenças ou pensamentos. É isto que emociona. É isto que comove. É isto que encanta.

Autor: Catherine Beltrão