Bibliotecas e livrarias que são obras de arte (Parte I)

Estamos em plena Bienal Internacional do Livro. É a 18ª e acontece no Rio de Janeiro. É inevitável a lembrança das mais belas bibliotecas e livrarias que existem pelo mundo afora. O tema merece dois posts: um para as bibliotecas, outro para as livrarias. Três bibliotecas e três livrarias.

Começo pelas bibliotecas. E começo pela brasileira. O Real Gabinete Português de Leitura fica situado no Rio de Janeiro e é a associação mais antiga criada pelos portugueses do Brasil após a independência de 1822.

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Real Gabinente Português de Leitura, Rio de Janeiro/Brasil

Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito. É possível que os fundadores do “Gabinete” tenham sido inspirados pelo exemplo vindo da França, onde, logo seguir à revolução de 1789, começaram a aparecer as chamadas “boutiques à lire”, que nada mais eram do que lojas onde se emprestavam livros, por prazo certo, mediante o pagamento de uma determinada quantia.

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Real Gabinete Portuguêsde Leitura

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Real Gabinete Português de Leitura. Fachada externa.

Nas comemorações do tricentenário da morte de Camões (1880), a sede do Gabinete irá ocupar um terreno na antiga rua da Lampadosa.  A sua nova sede, construída em estilo neomanuelino e que foi inaugurada pela Princesa Isabel em 1887, guarda cerca de 350.000 volumes (milhares de obras raras).  Esse acervo maravilhoso está disponível a qualquer um do povo, pois o Real Gabinete é uma biblioteca pública, a partir de 1900.Em 1906, o rei D. Carlos atribui o título de “Real” ao Gabinete e tem lugar, no Salão dos Brasões, uma grande exposição de pinturas de José Malhôa, a cuja inauguração comparece o Presidente Rodrigues Alves.

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Biblioteca Clementinum, Praga/República Tcheca

Construída em 1722, o edifício da Biblioteca Clementinum é uma obra da arquitetura barroca de Praga, capital da República Tcheca. A Biblioteca abriga mais de 20.000 volumes sobre literatura, medicina e teologia. Por muito tempo foi considerada o maior colégio jesuíta do mundo. Seu teto é repleto de afrescos do pintor Jan Hiebl.

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Biblioteca Clementinum. Fachada externa.

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Biblioteca Clementinum.

Sua história remonta à existência de uma capela dedicada a São Clemente, no século 11. Um mosteiro dominicano foi fundado no período medieval, sendo depois transformado, em 1556, em um colégio jesuíta. Em 1622, os jesuítas transferiram a biblioteca da Charles University para o Klementinum, e o colégio foi absorvido pela Universidade em 1654. Os jesuítas permaneceram até 1773, quando o Klementinum foi estabelecido como um observatório, biblioteca e universidade  pela imperatriz Maria Theresa da Áustria.Além dos afrescos que decoram o teto, a biblioteca abriga retratos de santos jesuítas, antigos patronos da biblioteca e outras pessoas proeminentes e  também uma preciosa coleção de globos geográficos e relógios astronômicos, na sua maioria, feitos por padres jesuítas.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino, em Admont/Áustria.

A Biblioteca do Mosteiro Beneditino fica situada em Admont, na Áustria.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino. Fachada externa.

Foi fundada em 1776 e está integrada num Mosteiro Beneditino.O salão biblioteca, construída em 1776 e  projetada pelo arquiteto Joseph Hueber, em estilo rococó, é de 70 metros de comprimento, 14 metros de largura e 13 metros de altura. É a maior biblioteca monástica do mundo. Possui mais de 180.000 obras, incluindo 1,4 mil manuscritos (o mais antigo do século 8) e os 530 incunábulos (livros impressos antes de 1500), além de volumes antigos e edições originais de obras raras. O teto é composto por sete cúpulas e  tem afrescos do artista austríaco Bartolomeo Altomonte (1657-1745), pintados entre 1775 e 1776, que celebram a ciência e a fé. A luz penetra  por 48 janelas e é refletida pelo esquema de cores originais de ouro e branco.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino. Sala de leitura.

Quando se eleva a leitura ao nível de uma prece, o homem chega perto de Deus.

Para ler a segunda parte deste texto, apresentando as livrarias Lello, na cidade do Porto, El Ateneo, em Buenos Aires e Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda, clique aqui.

 Autor: Catherine Beltrão

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