Todos os post de Eduardo Vieira

Permitam-me uma breve apresentação: sou Eduardo Vieira, designer, diretor de criação (e emoção), empreendedor e pai duas crianças lindas. Amante das artes, apreciador das mais diversas expressões culturais e um entusiasta do uso criativo em qualquer ramo ou atividade, pretendo trazer uma contribuição a respeito do que está acontecendo no cenário artístico atual, trazendo atualidades, dicas, exposições e um olhar diferenciado e provocativo em cima do que estiver ´quente´ em relação às manifestações artísticas. Não desejo um monólogo, mas um diálogo ou um debate entre nós! :-) Antecipadamente, agradeço a atenção. Entre e sinta-se à vontade!

Exposição com desenhos e gravuras de Miró chegou ao Rio de Janeiro

Depois de temporada em São Paulo e Curitiba, a exposição “A Magia de Miró″ foi inaugurada nesta recente terça-feira, dia 29,  na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (coladinho ao metrô da Estação Carioca), onde fica até setembro.

Obra "La Cascade" (1964), de Miró. Litografia/papel (divulgação)

Obra “La Cascade” (1964), de Miró. Litografia/papel (divulgação)

Na mostra são apresentadas 69 obras do artista espanhol e 23 fotografias (em P&B) do próprio Miró registradas por Alfredo Melgar, fotógrafo galerista em Paris e curador da mostra no Brasil.  A entrada é gratuita.

A exposição procura revelar um plano mais íntimo e pessoal do mundo de Miró ao exibir esboços ou notas, além de obras produzidas sobre papel, com lápis e giz de cera ao longo dos últimos cinco anos de vida do artista.

Foto por Alfredo Melgar, no ateliê, 1980. Da esquerda para direita, o pintor cubano Baruj Salinas, o poeta francês Jacques Dupin, o escritor cubano Carlos Franqui, Joan Miró e o diretor da Bienal de Venezia, Luigi Carluccio. (divulgação)

Foto por Alfredo Melgar, no ateliê, 1980. Da esquerda para direita, o pintor cubano Baruj Salinas, o poeta francês Jacques Dupin, o escritor cubano Carlos Franqui, Joan Miró e o diretor da Bienal de Venezia, Luigi Carluccio. (divulgação)

Já as ilustrações correspondem a diferentes épocas da sua produção, entre 1962 e 1983, e remetem ao universo do processo criativo do artista espanhol.

Após a temporada no Rio, a mostra segue para Recife e Salvador.

Serviço
Exposição “A Magia de Miró″
Quando:
 29 de julho a 28 de setembro de 2014 (terça-feira a domingo), das 10h às 21h
Onde: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3 – Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Quanto: Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência
Mais informações: (21) 3980-3815

Obras da brasileira Lygia Clark são expostas no MoMa, em Nova York

A pintora e escultora brasileira Lygia Clark vai ganhar sua primeira grande retrospectiva nos Estados Unidos. Entre os dias 10 de maio e 24 de agosto, o Museu de Arte Moderna de Nova York – MoMA vai exibir quase 300 obras da artista, entre pinturas, esculturas e instalações. A exposição, chamada “Lygia Clark: O Abandono da Arte, 1948-1988”, será também o tema de um documentário dirigido por Daniela Thomas.

Os trabalhos expostos, que reúnem todas as fases da obra da artista plástica brasileira Lygia Clark, serão apresentados pela primeira vez no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa. É a primeira grande exposição nos Estados Unidos da artista, que é autora da obra de arte brasileira mais valiosa até hoje — “Superfície modulada nº 4”, de 1958, comprada por R$ 5,3 milhões num leilão em São Paulo no ano passado — e que atrai cada vez mais atenção internacional. Além de agrupados por datas, seus desenhos, pinturas, esculturas e projetos participativos são organizados em três temas-chave no sexto andar do MoMA: abstração, neoconcretismo e, claro, o “abandono da arte”.

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Mineira de Belo Horizonte, mas presente no Rio de Janeiro e em Paris, Lygia Clark tem uma obra difícil até de ser definida devido a seu aspecto atemporal, mas certamente a palavra genialidade pode ser utilizada como predicado. Reconhecendo isso, o MoMA presta um solene tributo,  dedicando suas galerias mais importantes às obras de Lygia.

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Divulgção/MoMA/Alécio de Andrade/Cortesia Associação Cultural “O Mundo de Lygia Clark”, Rio de Janeiro

Trata-se verdadeiramente de uma mostra de consagração. Para nós é uma honra e um privilégio ter a possibilidade de expor a obra completa de Lygia Clark, desde o começo da sua carreira até o final, no MoMA.  Acho mais importante para o MoMA do que para a Lygia”, diz o  curador de arte latino-americana do museu, Luis Pérez-Oramas, que organizou a exposição com a curadora-chefe do Hammer Museum de Los Angeles, Connie Butler.

A exposição “O abandono da arte” reúne todas as fases da artista. No começo, a influência de um artista importante: Roberto Burle Marx.

Nas superfícies moduladas, a moldura do quadro é uma extensão da obra. O neo-concretismo, um movimento brasileiro, que resultou na série de esculturas “Bichos“.

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Para Eduardo, filho de Lygia, ver uma exposição tão grande foi como reencontrar a mãe, que morreu há 26 anos. “Desde o início, quando ela começou a pintar, ela tinha um objetivo, uma missão. Eu tenho a impressão que aqui, hoje, ela está completando essa missão“, afirma Eduardo Clark, filho de Lygia.

A exposição em Nova York revela uma preocupação que a Lygia Clark sempre teve: ela queria que o público fosse muito mais que apenas espectador de suas obras. E conseguiu. Uma das provas é a instalação ‘A casa é o corpo’, que a Lygia criou para a Bienal de Veneza, em 1968.

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A exposição se estende ao quarto andar do museu, onde foi remontada a instalação penetrável “A casa é o corpo”, de 1968. O MoMA aproveita para apresentar, de carona, a mostra “On the edge: Brazilian film experiments of the 1960’s and early 1970’s”, com filmes experimentais de Anna Bella Geiger, Arthur Omar, Glauber Rocha e Neville D’Almeida, entre outros. Até o fim da mostra, em 24 de agosto, haverá ainda workshops com artistas como Carlito Carvalhosa, Michel Groisman, Ricardo Basbaum e Allison Smith.

Autor: Eduardo Vieira

 

Quadros roubados de Gauguin e Bonnard estiveram 40 anos na cozinha de trabalhador da Fiat

A polícia italiana anunciou, nesta recente quarta-feira (02 de abril, talvez para não se confundir com o Dia da Mentira… risos) a inesperada descoberta de dois quadros desaparecidos dos pintores franceses Paul Gauguin (1848-1903) e Pierre Bonnard (1867-1947), que tinham sido roubados em Londres, (em 1970!), da casa de uma rica família britânica.

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Quadros roubados, de Gauguin e Bonnard

Numa conferência de imprensa em Roma, e na presença do ministro dos Bens Culturais, Dario Franceschini, foi revelada a recuperação de Fruits sur une table ou Nature au petit chien, que Gauguin pintou em 1889, dedicado à condessa N(imal), e de La femme aux deux fauteuils, de Bonnard, sem data.

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“Fruits sur une table” ou “Nature au petit chien”, de Gauguin – 1889

A primeira pintura foi avaliada entre 15 e 35 milhões de euros. Para a segunda,  uma verba próxima dos 600 mil euros.

As duas telas foram recuperadas há cerca de dois meses, na Sicília, na cozinha de um operário reformado da Fiat. Segunda a descrição desta história dada pela polícia local, este trabalhador, um “apaixonado por arte”, comprou os dois quadros num leilão anônimo em Turim, quando lá ainda vivia, em 1975, tendo pago por ambos a quantia de 45 mil liras. Naturalmente desconhecendo o valor (e a identidade dos autores) das obras.

Bem, o operário, de posse dos quadros,  pendurou-os na parede da sua cozinha. Primeiro em Turim, depois na Sicília, quando se aposentou, e onde estiveram durante 40 anos até terem sido recuperados.

O percurso que a polícia italiana conseguiu reconstituir das obras diz que elas foram abandonadas, após o roubo em Londres, numa viagem de trem Paris-Turim, tendo depois ido parar à seção de  “Achados e Perdidos” da estação de de trens da cidade italiana. Foi daí que chegaram depois, anonimamente, ao leilão de 1975.

O trabalho da polícia italiana sobre este caso não está ainda concluído. Contudo, sabe-se já que os quadros de Gauguin e Bonnard eram propriedade da família londrina Mark-Kennedy. E “os herdeiros poderão, a partir de agora, reivindicar a propriedade das obras”, anunciou Mariano Mossa, responsável pela unidade da polícia italiana que tutela o patrimônio cultural.

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“La femme aux deux fauteuils”, de Bonnard

Também a forma como a polícia italiana chegou à identificação das obras tem contornos “extraordinários”. A partir da informação sobre o desaparecimento dos quadros, e tendo também recorrido a artigos publicados, na época, no The New York Times e num diário de Singapura, o departamento romano especializado em patrimônio roubado iniciou um demorado inquérito, que foi dirigido pelo procurador-adjunto Giancarlo Capaldo.

Os investigadores procuraram em catálogos de museus, de leiloeiros, e também na Internet, e foram descobrindo pormenores estranhos. Num deles, a polícia italiana teve acesso a fotografias dos quadros em posse do operário aposentado da Fiat.  Com recurso a advogados e especialistas, acabou por fazer a ligação entre essas telas e a notícia do seu roubo na capital inglesa em 1970.

Mas a investigação não está terminada, assinalou o general Mariano Mossa, fazendo notar que é preciso ainda reconstituir “as várias etapas do percurso dos quadros” desde o roubo em Londres até ao guichet dos “Achados e Perdidos” da estação de trens de Turim.

Um dos pormenores ainda a explicar é a redução do tamanho original da tela de Gauguin, de 49×54 cm, para os actuais 46,5×53 cm, porexemplo.

Enfim… uma ótima história e muitos mistérios ainda a serem decifrados. Daria ou não uma bom roteiro em Hollywood?

:-)

  Autor: Eduardo Vieira

 

Você já viu Ron Mueck no MAM – RJ?

Com sucesso absoluto de público em Paris e Buenos Aires, a exposição com as esculturas hiper-realistas do australiano Ron Mueck chegou ao Museu de Arte Moderna do Rio no dia 20 de março, única cidade brasileira que irá receber a mostra.

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Mueck já é reconhecidamente um fenômeno no meio das artes, ainda que o próprio evite ao máximo circular socialmente nesses ambientes.

O acervo do escultor é ainda pequeno, com cerca de 40 obras, muitas ainda de acervo pessoal. Outras unidades são pertencentes ao museu Tate em Londres ou a Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, responsável pela exposição em Paris e na América Latina.

Esse número ainda incipiente de obras, por si só, já nos dá uma dimensão da qualidade e curiosidade pelo trabalho de Mueck. É difícil citar artistas que tenham alcançado um patamar de reconhecimento mundial com tão poucas obras e em tão pouco tempo ´no mercado´.

Um de seus primeiros trabalhos artísticos, a obra “Dead Dad” (finalizada em 1997), se tornou uma das esculturas mais famosas mundialmente, contrariando tanto o ideal clássico da escultura quanto o da abstração modernista.

As características visuais da obra de Mueck formam um produto final bastante apropriado ao contexto atual, pelo estilo plástico hiperrealista e inusitado, de potencial altamente popular quando levamos em conta a quantidade de megapixels presentes em nossas câmeras digitais ou celulares de última geração, sempre no punho da geração  mais exibicionista de toda a história, disposta a compartilhar imagens e impressões (muitas vezes rasas) nas redes sociais.

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Aliás, prepare-se para, em meio a apreciação das esculturas, para ouvir seguidamente os ´clicks´ de ´selfies´ tirados pelos demais visitantes e até mesmo para, a pedidos, ajudar alguém a tirar uma divertida foto, dadas as proporções e tamanhos de algumas obras, característica  muito bem explorada pelo artista, garantindo reações das mais diversas, e divertidos instantâneos capturados.

Mueck trabalha sem pressa, sem brigar com o tempo em um ateliê em Londres, onde mora. Pode passar uma hora e meia fazendo apenas o olho de uma escultura. Tanto perfeccionismo teve origem ainda na infância, nas cobranças do pai, um alemão rigoroso. “Quando era criança, ele já fazia os bonecos e as marionetes para vender no mercado. O pai ficava o tempo todo dizendo ‘não, muda, não está bom, faz de novo’. Era uma exigência e daí essa super perfeição, esse detalhismo que ele tem para tudo”, conta Carlos Alberto Chateubriand, presidente do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro.

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A realidade (ou hiper-realidade) de seu trabalho é oriunda dessa paciente trabalho, feito a partir de materiais como resina, fibra de vidro e silicone. Ron Mueck revitalizou a escultura figurativa contemporânea, fazendo uso de uma rica diversidade de fontes, tais como fotografias jornalísticas, histórias em quadrinhos ou obras de arte históricas, memórias proustianas ou fábulas e lendas antigas, iluminando as verdades universais. Estes temas que parecem ser tão comuns também irradiam uma espiritualidade e profunda humanidade que provoca uma resposta.  Visando muito além das tradições do retrato, Mueck revela a natureza misteriosa da nossa relação com o corpo e a existência.  Trata-se de um trabalho único, muito realista sobre a vida humana, sobre a vida em geral.

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É muito curiosa a escala em que o artista trabalha. Quando você tende a ver uma escultura humana em grandes proporções, você tende a encará-la como um monumento, mas essa, definitivamente, não é a sensação quando se avista suas obras. Pelo contrário, elas parecem familiares e íntimas.

O presidente do MAM ainda explica que a figura que está em um barco à deriva é o pai do artista Ron Mueck. Em outra escultura, o próprio Mueck está retratado.

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Fotos de jornal, lendas e até desenhos animados. Tudo isso serve de inspiração para Ron Mueck. Em uma obra, chamada “À Deriva”, ele fez a partir de uma fotografia de um grande amigo, que tinha morrido. Uma homenagem eternizada pela arte.

As esculturas são carregadas de tensão. Mueck é um homem que gosta de estar só.  Ele foge de aglomerações,  que,  ironicamente,  é por onde passam suas exposições que batem recordes de público e de fotos que os visitantes tiram das obras.

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A exposição no Rio recebe nove obras de Mueck, um conjunto muito representativo do trabalho do artista, segundo a curadora da mostra Grazia Quaroni. Além das esculturas monumentais, a mostra exibe o documentário “Still Life: Ron Mueck At Work” (2011-2013), de Gautier Deblonde, que apresenta o artista trabalhando em seu ateliê e mostra o trabalho que ele faz com as mãos, sem utilizar recursos de computadores, segundo seu assistente, Charlie Clarke.

Entre as obras, três são inéditas e foram produzidas em 2013, especialmente para a mostra na América Latina. São elas “Woman With Shopping” (Mulher com as Compras), “Young Couple” (Jovem Casal) e a maior obra da exposição, “Couple Under a Umbrella” (Casal debaixo do Guarda-Sol).

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Aliás, prepare-se para as filas. Em poucos dias, um total de 15 mil visitantes já haviam passado pela  exposição, surpreendendo até mesmo os responsáveis pela organização.  A expectativa é levar pelo menos 300 mil pessoas até o fim da mostra, cujo encerramento será no dia 1º de junho. O público também é bastante variado, compreendendo várias faixas etárias e até visitantes de outros estados e países.  Chateaubriand informa que essa mesma exposição atraiu 400 mil pessoas em Paris e outras 180 mil quando passou por Buenos Aires.

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Ron Mueck
MAM-Rio – Museu de Arte Moderna do Rio
Av. Infante Dom Henrique 85 – Parque do Flamengo
Rio de Janeiro – RJ
ter – sex 12h – 18h
sab – dom e feriados 12h – 19h
a bilheteria fecha 30 min antes
www.mamrio.com.br

Informações / serviço: http://mamrio.org.br/museu/servico/

 Autor: Eduardo Vieira