As mães de Picasso

Época de falar de mãe.

A primeira ideia que me veio para este post foi preparar um buquê de pinturas de mães feitas por vários pintores: Renoir, Mary Cassat,  Portinari, Van Gogh… e Picasso. Mas quando cheguei nele, encontrei um jardim. Aí resolvi ficar só com as mães de Picasso.

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Pablo Picasso

Pablo Picasso (1881-1973) foi um pintor, escultor e desenhista espanhol. Para quem não sabe ainda, o nome completo de Picasso é Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios  Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso.  Pesquisei no Google e tentei achar o (a) responsável por ter dado este nome a um menino recém-nascido. Não achei. Provavelmente, como ocorre com quase todos nós, deve ter sido seu pai ou sua mãe. Mas, caso a mãe não tenha culpa pelo seu nome, certamente influenciou a trajetória de vida de Pablo Picasso. É dele a célebre frase:

“Minha mãe me dizia: Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa. Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso.”

 

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“Maternidade”, de Picasso. 1905.

 “Maternidade” é a minha mãe preferida de Picasso. Talvez uma das mães que mais me enternece na pintura. As cores em tons pastéis, o olhar de doação, o aconchego, tudo se harmoniza e transmite a sensação de vida que segue…

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“Mãe com criança enferma”, de Picasso. 1903.

Em contraponto com a obra anterior, está a “Mãe com criança enferma“, pertencente à fase azul de Picasso, caracterizada pelo predomínio de cores sombrias, como o azul e o verde. Aqui impera a melancolia e a tristeza.  A figura feminina retrata uma prostituta,  que Picasso conheceu ao visitar o Hospital de Saint Lazare, em Paris. A mulher, abandonada, buscava ajuda para seu filho doente.  A mãe expressa solidão e súplica.

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“Mãe e criança”, de Picasso. 1902.

A fase azul de Picasso decorreu entre 1901 e 1904.  As obras desta fase, que iniciou logo após o suicídio de Casagemas, um grande amigo do pintor, mostram a solidão das personagens retratadas, isolando-as num ambiente impreciso, com um uso quase exclusivo do azul. Também é da fase azul a obra “Mãe e criança“. Percebe-se nesta pintura as fusões mãe-filho e manto-parede, simbolizando proteção na adversidade.

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“Mãe e filho”, de Picasso. 1906.

Da fase azul, Picasso passou para a sua fase rosa, que teve início quando ele conheceu Fernande Olivier, sua primeira companheira. Esta fase, com obras abundantes de tons de rosa e vermelho, caracteriza-se pela presença de acrobatas, dançarinos, arlequins, artistas de circo, saltimbancos. Dos personagens atormentados, doentes, solitários,  os novos personagens tornaram-se cheios de ternura e esperança. É da fase rosa a  obra “Mãe e filho”. A criança já cresceu, já participa de uma atividade circense e já acabou de comer. A mãe pode não estar feliz, mas está tranquila. O desespero não existe mais.

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“Mãe e criança”, de Picasso. 1921.

Mais mães, mais filhos.  A partir de 1915, pode ser notado um maior realismo nas pinturas de Picasso. Em 1917, viajou para Roma, com Jean Cocteau - poeta, cineasta e dramaturgo francês - desenhando costumes e cenários para espetáculos da cidade. A partir desse contato com a Itália, a influência da arte clássica em suas obras também cresce. “Mãe e Criança “, de 1921, é um exemplo de suas inclinações neoclássicas.

Mae_Picasso_MaecomCriancaelaranjasTrinta anos se passam. O surrealismo passa. Mulheres se sucedem na vida de Picasso. Mas é o cubismo que se instala de vez. É de 1951 a obra “Mãe com crianças e laranjas“, com cores múltiplas: azuis, amarelos, verdes e um pouco de vermelho. A laranja, de cor laranja, atrai o olhar. Mas os pretos, os brancos e os cinzas também se superpõem. São a cor da pele dos personagens. Uma obra repleta de simbolismos, cheia de significados.

Colhi meia dúzia de obras do Jardim de Mães de Picasso. Fiz um buquê. E ofereço este buquê a todas as mães que, por um acaso qualquer, feliz ou infeliz, estiverem lendo este post. O perfume fica no meu colo. Colo de mãe.

 Autor: Catherine Beltrão

2 opiniões sobre “As mães de Picasso”

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