Arcimboldo, de animais a legumes, de elementos a estações…

Arcimboldo

Arcimboldo, autorretrato.

Giuseppe Arcimboldo (1527 — 1599) foi um pintor italiano. Sua singularidade foi ter usado, pela primeira vez, imagens da natureza, tais como frutas, verduras e flores, para compor fisionomias humanas. Iniciou-se na vida artística aos 22 anos, projetando os vitrais da catedral de Milão, juntamente com seu pai. Arcimboldo viveu muito tempo em Praga, na corte do imperador Rodolfo II, onde estudou e criou algumas de suas obras mais conhecidas: a série “Os quatro elementos” e a série “As quatro estações“.

Contrapondo-se à autoridade clássica do Renascentismo, Arcimboldo foi um dos grandes nomes do Maneirismo, movimento artístico de protesto do século XVI, junto a pintores como Michelangelo (em sua fase madura), Ticiano, Tintoretto, Veronese e El Greco, entre muitos outros.

Outra característica do Maneirismo – a ênfase no aspecto espiritual da arte – se faz presente na obra de vários dos artistas citados. Tintoretto e El Greco eram ligados à religiosidade católica. Mas Arcimboldo, não. Mesmo sendo Praga uma corte católica, ela tinha total independência em relação à Igreja Romana e seus monarcas eram de grande tolerância em relação a outras religiões e crenças. Ali conviviam judeus, cristãos e ocultistas. E o ocultismo foi uma referência importante para Arcimboldo, como se percebe em suas paisagens antropomorfas.

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“Os quatro elementos”. Água, ar, fogo (1566) e terra (1570).

A série “Os quatro elementos” mostra a água, o ar, o fogo e a terra, magistralmente apresentados através de cabeças-retratos, cada uma das quais compostas de figuras existentes nestes elementos. Na água, peixes, pérolas, camarões, tartarugas, caranguejos, polvos, sapos; no ar, pavões, faisões, araras, entre diversos outros tipos de aves; no fogo, velas, castiçais, fogueiras, armas, canhões; na terra, dezenas de animais, como elefantes, cavalos, tigres, ratos, carneiros, antílopes, leões… interessante ver a coroa que se forma nesta cabeça, formada com os chifres de alguns destes animais.

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“As quatro estações”. 1573

A série “As quatro estações” data de 1573. A exemplo da série anterior, o artista também utilizou, em cada tela, elementos que correspondem ao tema retratado. Assim, “A Primavera” é composta basicamente por flores, “O Verão”, por frutas próprias dessa estação, “O Outono”, por folhas e frutas dessa época do ano e “O Inverno”, por uma árvore praticamente sem folhas.

É bastante interessante ver o aspecto antropomórfico destas obras. A cabeça humana é formada de flora e fauna, ou qualquer outra coisa. E tudo está a serviço do homem. Pois é ele que rege a composição, o formato.

Após a morte de Arcimboldo o interesse por sua obra diminuiu, chegando quase ao esquecimento, talvez pela estranheza que podem causar suas criações. Passaram-se trezentos anos e foi apenas no século XX, com o surgimento do Surrealismo, que este e outros maneiristas foram resgatados, recebendo a atenção e o valor merecido.

 Autor: Catherine Beltrão

Uma opinião sobre “Arcimboldo, de animais a legumes, de elementos a estações…”

  1. Sempre fui fã de Salvador Dali, mas quando vi em uma livraria o livro sobre Arquimboldo me encantou, até utilizei o trabalho dele em sala de aula quando trabalhava em escola.
    E há dois anos quando fui a Paris fui com minha filha no Parque do Asterix e qual não foi minha surpresa ver um escultura gigante semelhante ao trabalho de Arquimboldo!
    O admiro bastante! Principalmente pela época que viveu!

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