A valsa de Camille Claudel

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Camille Claudel, em 1884.

Camille Claudel (1864-1943) , até alguns anos atrás, era conhecida como escultora, modelo, aluna, amante e colaboradora de Auguste Rodin, um dos maiores escultores da história da Arte, criador de “O Pensador” e de “O Beijo“.  Hoje, Camille caminha a passos largos para ser considerada maior que Rodin!

Durante quinze anos, de 1883 a 1898, os dois artistas criaram a maior parte de suas obras em conjunto, uma arte fecundando a outra. Corpos e almas se entregaram de forma voraz, produzindo obras repletas de sensualidade. Foi o caso de “A valsa“, produzida por Camille Claudel.

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“A valsa”. Vídeo feito no Museu Soumaia, no México.

Na época de sua criação, em 1892, a obra, encomendada pela Academia de Belas Artes, foi alvo de um escândalo, pois representava um casal de dançarinos nus enlaçados.  Camille recebeu a ordem de cobrir a nudez do casal, o que ela fez em 1901, vestindo a mulher com um véu de metal, o que só fez ampliar a graça ao movimento. “A valsa” foi editada em 25 exemplares, nenhum deles em mármore.

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“A valsa”. Detalhe.

claudel_valsa5Um desses exemplares, uma escultura em bronze ficou desaparecida por mais de cem anos. Esquecida em um armário de seu primeiro proprietário, recentemente foi descoberta e colocada à venda em um leilão que aconteceu em um castelo na França. Valor de arremate da peça? 1,46 milhões de euros!

É o recorde já alcançado por uma estatueta deste tamanho – ela mede 46,7cm -  de “A valsa“. Um outro exemplar, bem maior, com altura de 96cm, já tinha sido vendido em um leilão da Sotheby’s, em 2013, por 5,1 milhões de euros.

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“A valsa”. Detalhe.

E quem arrematou a peça? A sobrinha neta de Camille Claudel, Reine-Marie Paris, que disputou com vários concorrentes, inclusive dos Estados Unidos, o direito de adquirir a escultura, que já tem destino certo: o Museu de Camille Claudel, localizado em Nogent-sur-Marne, perto de Paris. Reine-Marie já doou ao Museu várias peças de sua coleção de sua tia-avó, que ela foi comprando durante a vida.

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“A valsa”. Detalhe.

Assim se expressou Louis Vauxelles, influente crítico de arte francês, acerca de “A valsa“: “O ritmo, a harmonia e a embriaguez da valsa estão aí, mas também a paixão e a concordância dos corpos. Ambos são energia atormentada e fineza nervosa. É um homem e uma mulher vacilando na paixão que os une numa sensualidade impetuosa. A Valsa é um poema de uma louca embriaguez: os dois corpos não são mais que um, o prestigioso torvelinho enlouquece-os, a bailarina morre de voluptuosidade”.

A Arte. O Amor. A Nudez. O que se aproxima mais de Deus do que uma criação como essa?

Autor: Catherine Beltrão 

 

Uma opinião sobre “A valsa de Camille Claudel”

  1. Para mim, Camille Claudel é o Van Gogh da escultura. Tenho a mesma paixão por sua obra que tenho pelas obras do pintor. Chegamos, minha esposa e eu, a ir a Tours para apreciar alguns originais de sua obra que se encontram em museu desta cidade.
    Apaixonado de corpo e alma.

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