Livros em monumentos

Transformar livros em monumentos? Um dia, alguém tentou. Quem? Como? Um dia, resolvi pesquisar. Aqui está o resultado.

O monumento que mais me impressionou foi o “Parthenon de livros“, criado pela argentina Marta Minujin, como uma réplica em grande escala do Parthenon de Atenas. Este monumento foi construído a partir de livros censurados como símbolo da resistência à repressão política.

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“Parthenon de livros”, em Kassel, na Alemanha

E que livros censurados são esses? Pesquisadores da Universidade de Kassel , na Alemanha, fizeram a lista. Pasmem! Na lista de livros censurados havia  “O Pequeno Príncipe”, censurado na  Argentina e “Alice no País das Maravilhas”, censurado na China.

Em 2017, no festival de arte Documenta 14 em Kassel, os cem mil livros que compõem o monumento foram obtidos exclusivamente de doações.

Um outro monumento amplamente fotografado e divulgado pelo mundo afora é o intitulado “Impressão Moderna de Livros“, criado  em 2006, na Bebelplatz, em frente à Universidade de Humboldt de Berlim.

São 17 livros sobrepostos numa torre de 12 metros, pesando cerca de 35 toneladas.

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“Impressão Moderna de Livros”, na Bebelplatz, em Berlim, na Alemanha.

E quais os dezessete nomes homenageados? Além de Goethe, o nome mais consensual dentro da cultura das letras alemãs, temos: Bertolt Brecht, Thomas Mann, Theodor Fontane, Hermann Hesse, Gotthold Ephraim Lessing, Friedrich Schiller, Heinrich Böll, Karl Marx, Irmãos Grimm, Friedrich Hegel, Anna Seghers, Immanuel Kant, Martin Luther, Heinrich Heine, Hannah Arendt e Günter Grass.

Você concorda? Claro que não! Nenhuma lista de 17 nomes, seja em que área for, irá coincidir com nossas escolhas…

O terceiro monumento não é tão imponente como os dois anteriores. São os degraus das “Escadas do Conhecimento“, pintados em 2017 junto à Biblioteca da Universidade de Balamand no Líbano. Cada degrau, um livro. Estes livros foram escolhidos, segundo a responsável pelo projeto, pelo seu impacto em quatro diferentes áreas — Literatura, Filosofia, Política e Ciência — e estão organizados de baixo para cima em ordem cronológica, começando com a mais antiga obra escrita, “Épico de Gilgamesh” e terminando com o livro de Bill Gates de 1997.

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“Escadas do Conhecimento”, na Universidade de Balamand, Líbano

O objetivo do projeto é apresentar aos alunos e à comunidade, clássicos que, ao longo da nossa civilização, transformaram a nossa maneira de pensar.

Como o monumento abrange “degraus” que representam toda a cultura escrita mundial, ao longo de quase cinco mil anos, é impossível contentar a todos. Interessante é o fato de encontrarmos, junto à “Divina Comédia“, de Dante, “O Príncipe“, de Maquiavel e “O Discurso do Método“, de René Descartes, alguns autores que são praticamente desconhecidos no ocidente. Obras como “Diwan“, uma coleção de poemas de Al-Mutanabbi (915-965), considerado um dos maiores poetas da língua árabe, e “A Epístola do Perdão” de Abul ‘Ala Al-Ma’arri (973-1057), considerado um dos grandes filósofos e poetas do mundo clássico árabe, sendo esta obra considerada uma espécie de percursora da Divina Comédia.

Além destes três monumentos, existem vários outros. Vale a pena destacar “A Cidade dos Livros“, uma biblioteca pública em Aix-en-Provence, na França. Sua entrada é feita através três livros enormes: “O Pequeno Príncipe“, de Antoine de Saint-Éxupéry, “O Doente Imaginário“, de Molière e “O Estrangeiro“, de Albert Camus.

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“Cidade dos livros”, em Aix-en-Provence, na França

Outro monumento interessante é a Biblioteca Pública em Kansas, Estados Unidos. O atual prédio da biblioteca foi concluído em 2004 e sua fachada se assemelha à uma prateleira de estante, formada por lombadas de vinte e duas obras literárias enfileiradas. Cada título representado tem cerca de 7 metros de altura e 2,70 de largura.

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Biblioteca pública em Kansas City, no Missouri, Estados Unidos.

Eis a lista dos vinte e dois livros escolhidos para estarem representados na fachada da biblioteca: “Histórias da Cidade de Kansas”, de vários autores; “Ardil 22″, de Joseph Heller; “Histórias de Crianças”, de vários autores; “A Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson; “O Pioneers!”, de Willa Cather; “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez; “Seus Olhos Viam Deus”, de Zora Neale Hurston; “Fahrenheit 451″, de Ray Bradbury; “A República”, de Platão; “As Aventuras de Huckleberry Finn”, de Mark Twain; “Tao Te Ching”, de Lao Tzu; “The Collected Poems of Langston Hughes”, de Langston Hughes; “Black Elk Speaks: Being the Life Story of a Holy Man of the Oglala Sioux”, de Black Elk; “Por Favor Não Matem a Cotovia”, de Harper Lee; “Homem Invisível”, de Ralph Ellison; “Journals of the Expedition”, de Meriwheter Lewis e William Clark; “Undaunted Courage”, de Stephen Ambrose; “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien; “A Tale of Two Cities”, de Charles Dickens; “Charlote’s Web”, de E. B. White; “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare e “Truman”, de David McCullough G.

E quanto a você? Qual seria a sua lista de 15 livros a serem representados em um monumento?

Autor: Catherine Beltrão

Reciclando arte

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Vídeo sobre a artista Suzanne Jongmans

Suzanne Jongmans nasceu em 1978, na cidade de Breda, na Holanda. É holandesa, como o foram artistas como Rembrandt, Jan van Eick e Johannes Vermeer.

Suzanne é uma artista interdisciplinar. Ela é escultora, costureira, figurinista e fotógrafa. Formou-se em Desenho Têxtil e Fotografia e,  desde cedo, ela era intrigada pelos pequenos detalhes. E são eles, exatamente, que tornam sua obra tão cativante.

Suzanne recriou, em fotografias, as pinturas de grandes mestres holandeses, além de outros mestres do renascimento como o alemão Holbein e o belga Rogier van der Weyden.

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Obra de Suzanne Jongmans

Para fazer cada fotografia, ela cria o figurino da personagem utilizando materiais inusitados como embalagens, plástico, isopor e cobertores reciclados.

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Obra de Suzanne Jongmans, baseado em detalhe da obra de Jan van Eick, “Retrato de Giovanni Arnolfini e a mulher dele”.

É incrível o resultado. Só é possível perceber o uso do material quando se olha realmente de perto, com um olhar mais analítico.

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Obra de Suzanne Jongmans

Ela explica:

Quando você presta atenção nos quadros dos grandes mestres, percebe o quão trabalhosos eles eram”, diz a artista. “E é exatamente este mesmo método que empreguei, que demanda tempo”.

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Obra de Suzanne Jongmans

As fotografias de Suzanne Jongmans dão vida nova a resíduos descartados. Segundo ela, sua intenção é que esses materiais “contem uma história”. A série de imagens é chamada de “Mind
over Matter” (“Mente sobre matéria“).

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Obra de Suzanne Jongmans

A ideia de criar algo do nada muda nosso olhar sobre a realidade”, afirma. “Um pedaço de plástico com texto impresso, usado para embalar uma máquina de café ou uma televisão, pode parecer um pedaço de seda. E a tampa de uma lata de molho de tomate pode parecer um anel”.

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Obra de Suzanne Jongmans, baseada em “Retrato de uma dama”, de Rogier van der Weyden

E foi o que fez a fotógrafa em de seus trabalhos, colocando uma tampa de uma lata de tomate no dedo de uma de suas personagens, em contraponto ao anel usado pela personagem de “Retrato de uma Dama”, de Rogier van der Weyden, de 1460. “As duas jovens separadas por cerca de meio milênio, posam de maneira semelhante com os dedos entrelaçados e rostos com expressões modestas e olhos castigados. Eles também compartilham os enfeites de cabeça em forma de cone plissados e visivelmente presos. A diferença está nas marcas vermelhas e pretas do retrato contemporâneo estampadas na espuma, instruções sobre reciclagem e avisos”, ela explica.

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Obra de Suzanne Jongmans

O que surpreende na obra de Suzanne Jongmans é que, apesar de o material ser reciclado, as roupas são muito delicadas. Ela transforma plástico em tecido, rendas e drapeados. Lenços de cabeça parecem feitos de seda e o plástico bolha vira uma  linda gola e mangas de um vestido. E bolinhas de isopor flutuam no ar como um véu…

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Obra de Suzanne Jongmans

Quando a arte é nossa estrela guia, transformamos um descarte em parte de uma noite estrelada… lembrando de outro mestre holandês, Vincent van Gogh!

Fonte: clique aqui.

Autor: Catherine Beltrão