A Física na pintura de Vermeer

Muito já se escreveu sobre a relação da Matemática com a Arte. Por exemplo, o numéro Phi, ou número áureo, definido por Euclides há mais de 2000 anos, foi ilustrado pela primeira vez por Leonardo da Vinci, em seu célebre “Homem Vitruviano.” Michelangelo, Botticelli e Salvador Dali também utilizaram a proporção áurea em algumas de suas obras.

Mas e a Física? Haveria alguma relação da Física com a Arte?

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“Girl with a Pearl Earring c. 1665-1666″. Real Galeria de Arte Mauritshuis, em Haia

Johannes Vermeer (1632-1675), um dos maiores pintores holandeses junto com Rembrandt, responde a esta pergunta.

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Vídeo sobre a Era de ouro da Pintura holandesa.

No século XVII, (1632-1675), a Holanda era certamente um centro para manufatura de instrumentos ópticos de alta qualidade. Naquela época, já se conhecia um dispositivo ótico chamado “câmara escura”,  que reproduzia uma imagem fiel de uma cena real para uma tela. Era uma espécie de antecedente da câmara fotográfica, 150 anos antes de sua invenção!

Supõe-se que Vermeer utilizou este dispositivo para conseguir um posicionamento preciso em suas composições, nas quais os efeitos da luz geram uma perspectiva cujo resultado não pode ser obtido a olho nu, ou seja, sem o auxilio de uma lente. Além disso, Vermeer também teria utilizado espelhos na confecção de suas pinturas. Os espelhos também necessitam de luz para refletir uma imagem, ou seja, para um observador visualizar a imagem, ele precisa receber raios luminosos provenientes do objeto.

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“The Music Lesson”, pintura (1662), óleo sobre tela, 73,3 x 64,5 cm . Na The Real Collection, Windsor, Londres.

Saído em 2013, o documentário “Tim’s Vermeer” pretendeu mostrar como um inventor texano – Tim Jenison – conseguiu reproduzir à perfeição a obra “The Music Lesson“, com a utilização de uma câmara escuro e espelhos. Foi um projeto que durou cinco anos, desde a sua concepção, passando pela construção dos objetos existentes na obra e fora dela, até chegar à sua execução. Para ver o documentário na íntegra, clique aqui.

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“A Kitchen Maid”, c. 1658

Não há um número exato de obras atribuídas a Johannes Vermeer, mas especula-se que seja entre 35 e 40 pinturas, pintando apenas duas ou três telas por ano. A maioria era de interiores e cenas cotidianas, com técnica peculiar e inconfundível.

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“Girl with the red hat”. c.1665-66

Arte e Ciência, entidades totalmente conectadas: ontem, hoje e para sempre!

 Autor: Catherine Beltrão

Guerra e Arte

Guernica” talvez seja a obra mais conhecida de Pablo Picasso (1881-1973), um dos maiores pintores do século XX.

Com 3,49 m de altura por 7,76 m de comprimento, “Guernica” é um imenso mural pintado a óleo em 1937, sendo uma “declaração de guerra contra a guerra e um manifesto contra a violência”. A obra é hoje um símbolo do antimilitarismo mundial e da luta pela liberdade do homem, além de ser um ícone da Guerra Civil. 

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“Guernica”, de Pablo Picasso

Tendo sido produzida em Paris para representar a Espanha na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, a obra influenciou vários artistas, incluindo os brasileiros Cícero Dias e Cândido Portinari. Após ver “Guernica“, naquele mesmo ano de 1937, Cícero Dias transformou sua temática e forma de pintar.   E foi através da amizade que se formou entre os dois pintores que possibilitou a vinda desta obra para o Brasil em 1953, para participar da Segunda Bienal de São Paulo.

Quanto a Portinari, ele viu o quadro espanhol pela primeira vez, em 1942, em Nova York. Sua temática característica, de retratar os dramas oriundos do Brasil, foi inspirada no tema da dor e das questões sociais advindas da representação de “Guernica“.

Tamman Azzam nasceu em Damasco, na Síria, em 1980. Após um treinamento artístico na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Damasco, e quando iniciou a revolta na Síria ele voltou-se para a mídia digital e arte gráfica para criar composições visuais do conflito, com grande repercussão internacional.

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Superposição do obra “O beijo”, de Gustav Klimt em prédio devastado pela guerra, na Siria. Por Tamman Azzam.

Uma das criações mais famosas de Azzam é a superposição da icônica obra “O beijo“, de Gustav Klimt, em paredes de um prédio devastado pela guerra em sua terra natal, o que provoca sentimentos contraditórios, oscilando do horror à contemplação, e vice-versa…

Em 2004, foram doados ao Museu ArtenaRede 27 obras da artista paulista Théta C. Miguez, oriundas da série “Retratos do Apocalipse”. Entre as obras, algumas evidenciam os horrores da guerra, como a inesquecível imagem da pequena vietnamita fugindo de um ataque com bombas de napalm…

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“Holocausto”, de Theta C. Miguez. 2002 – Téc.mista – 50 X 70 cm
Série “Retratos do Apocalipse”

Assim se expressou a artista, sobre a citada série:

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“O choro da menina vietnamita”, de Théta C. Miguez. 2002 – Técnica mista – 70 X 50cm.
Série “Retratos do Apocalipse”.

“A escolha do tema “Retratos do Apocalipse” se dá em face do desejo de retratar a situação das profundas transformações que estão ocorrendo em nosso mundo, em pleno apogeu da era tecnológica e dos expressivos avanços dos meios de comunicação.

Como o apocalipse representa previsões, no que tange o fim da humanidade, expresso através desse projeto, que a mesma não está em vias de acabar, como alude tais previsões místicas, mas que de certa forma, vem falindo nos seus propósitos sociais, humanitários e existenciais.

Guerra se faz com armas, o Bom Combate se faz com a mente. Na condição de artista plástica, continuarei a guerrear através dos pincéis, registrando em minhas obras, palavras e sentimentos, como ponto de partida para a Paz.”

Geralmente, o contraponto da guerra é a paz. E se o contraponto da guerra fosse a arte?

 Autor: Catherine Beltrão