Pablos e Ediths

Em muitos de meus posts, gosto de colocar lado a lado pintura e poesia. Cores, formas e palavras. As cores ganham significado e as palavras ganham forma.

Neste post, vou além. Escolhi dois nomes. Pablo e Edith. Um Pablo da pintura e outro da poesia. Uma Edith da pintura e outra da canção.

A primeira dupla: Pablo Picasso e Pablo Neruda…

Picasso_guernica

“Guernica”, de Pablo Picasso. Painel a óleo, 7,77m X 3,49m. 1937.

Pablo Picasso (1881-1973) foi um pintor, escultor e desenhista espanhol.
Minha mãe me dizia: Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa. Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso.

Pablo Neruda (1904-1973) foi um poeta chileno e um dos mais importantes da língua castelhana do século XX.

picasso

Pablo Picasso

“Saudade”, de Pablo Neruda (vídeo com Aldo Bastos)

Pablo NerudaSaudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Picasso_maternidade

“Maternidade”, de Pablo Picasso. Ost, 1905.

A segunda dupla: Edith Blin e Edith Piaf…

Edith_Maquis

“Maquis”, de Edith Blin. Osm. 1945.

Edith Blin (1891-1983) foi uma pintora francesa.
Sou espontânea. Minha técnica é completamente livre. Depende de meu estado de espírito. Sinto mais atração pela forma do que pela cor. Não aprecio os detalhes. Somente os essenciais. É o que importa realmente. Sou uma pintora da alma“.

Edith Piaf (1915-1973) foi uma cantora francesa e, segundo pesquisa da BBC, considerada a 10ª maior francesa de todos os tempos.

Piaf

Edith Piaf

Edith

Edith Blin

“Rien de rien”, de (Charles Dumont e Michel Vaucaire). Clique aqui para ver o vídeo com Edith Piaf.

 

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu’on m’a fait ni le mal.
Tout ça m’est bien égal.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
C’est payé, balayé et oublié.
Je me fous du passé.

Avec mes souvenirs,
J’ai allumé le feu.
Mes chagrins, mes plaisirs.
Je n’ai plus besoin d’eux.
Balayé les amours
Avec les trémolos.
Balayé pour toujours.
Je repars à zéro.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu’on m’a fait ni le mal.
Tout ça m’est bien égal.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies aujourd’hui,
Ça commence avec toi!

Edith_katiaeseusamigos

“Katia e seus amigos” (detalhe), de Edith Blin. Pastel sobre cartolina, 1955.

Uma curiosidade: Pablo Picasso (1881-1973) e Edith Blin (1891-1983) passaram ambos 92 anos neste nosso planeta. Quando Edith nasceu, Pablo tinha dez anos. Quando Edith morreu, Pablo tinha morrido fazia dez anos…

 Autor: Catherine Beltrão

Mosaicos brasileiros

Até chegar ao Brasil, a arte do mosaico passeou pela antiguidade greco-romana, bizantina, portuguesa… Nos tempos modernos, com certeza quando se fala em mosaico o nome que se vem à mente é Antoni Gaudi, o arquiteto e artista catalão que deixou sua genialidade florescer em prédios e parques da cidade de Barcelona.

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“As ondas” do calçadão de Copacabana. Burle Marx.

No Brasil, grandes artistas plásticos também utilizaram a técnica das tesselas para expressar sua arte. Grande parte deles, em seus últimos anos de vida. Como se fosse o último degrau de suas trajetórias…

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Painel abstrato em jardim de Nova York. Burle Narx. 1991.

Burle Marx talvez seja o mais conhecido mosaicista brasileiro. É dele a criação do logotipo internacional do calçadão de Copacabana.
O paisagista refez os desenhos originais dos calceteiros portugueses, realçou sua sensualidade na medida da ampliação do calçamento e manteve o paralelismo com as ondas do mar, que fora implantado na reforma de 1929 pelos calceteiros já habilitados no Brasil.  No canteiro central da Avenida Atlântica e no piso junto aos edifícios, Burle Marx aplicou novos desenhos, com pedras pretas e vermelhas (basalto) e brancas (calcáreo).

Burle Marx também projetava mosaicos abstratos para seus jardins. Em 1991, ele participou de uma exposição de jardins em Nova York . Em um deles, uma composição de 2,4 x 5 metros formada por 1.325 azulejos de cerâmica pintada, ficou suspenso sobre o lago da estufa das palmeiras, cercado por orquídeas de cores variadas.

LygiaClark

Painel do Edifício Mira Mar, em Copacabana. Lygia Clark. 1951.

Lygia Clark, uma das maiores artistas brasileiras da arte contemporânea, também deixou um legado em mosaicos é dela o painel do Edifício Mira Mar, em Copacabana, RJ. Em 1951, ela assinava a obra, talvez a menos conhecida de sua produção artística.

AldemirMartins

Painel no condomínio New Horizons, no Alto da Lapa, em São Paulo. Aldemir Martins. 2003.

Aldemir Martins, conhecido por seus gatos e galos, realizou belíssimos painéis em mosaico. Em 2003, fez o painel do Condomínio New Horizons, no Alto da Lapa, em São Paulo. Trata-se de uma obra de muitas cores fortes, que segue o mesmo padrão típico de sua vasta produção pictórica, revelando uma força muito expressiva e instigante, sobretudo se levarmos em conta que já era um homem octogenário. Mas o que se vê na obra é a mesma força e domínio plástico de seus anos de juventude. Aldemir faleceu em 2006, ou seja, três anos depois da inauguração deste painel.

Portinari

Detalhe do painel “Bandeirantes”, no Hotel Comodoro, em São Paulo. Cândido Portinari. 1957.

O nosso maior pintor, Cândido Portinari, realizou três obras em mosaico em vida. A terceira obra em mosaico que Portinari concluiu foi o painel “Bandeirantes”, aplicado em uma parede
interna de um hotel no centro de São Paulo, o Hotel Comodoro. Na época de sua inauguração, em 1957, o hotel era um dos mais
luxuosos que existia. Após décadas, a degradação da área urbana ao seu redor relativizou sua proeminência e o estabelecimento precisou de novos investimentos. O proprietário então decidiu promover um leilão para a venda do painel. Quem fizesse o maior lance ficaria com o encargo da retirada da obra, mas ninguém fez qualquer oferta acima do lance mínimo, provavelmente por temer as dificuldades inerentes à retirada de um painel em pastilhas, que é uma empreitada custosa, demorada e de risco.

TomieOhtake

Painel na Escola Imaculada em São Paulo. Tomie Ohtake. 1992.

Tomie Ohtake, uma das principais representantes do abstracionismo informal no Brasil e no mundo, fez vários painéis em mosaico, entre eles o painel na Escola Imaculada em São Paulo, realizado em 1992.
Pela importância do nome de Tomie no panorama artístico internacional e por sua sintonia com o que há de mais avançado em matéria de artes visuais, o fato de ter escolhido a linguagem das tesselas para apresentar suas obras plásticas em áreas de visibilidade pública ao longo de quase toda a década dos 90 engrandece e empresta um significado novo à esta arte.

PauloWerneck

Painel em uma agência do Banco do Brasil, em Copacabana. Paulo Werneck.

Paulo Werneck foi o responsável pela introdução da técnica do mosaico no Brasil, contribuindo com murais e painéis para projetos de diversos arquitetos. Uma de sua belas obras foi um painel encontrado por trás de uma parede forrada de gesso, por ocasião de uma reforma das instalações de uma agência do Banco do Brasil, no Posto Seis de Copacabana.

 Autor: Catherine Beltrão

Jeanne… éternellement!

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Jeanne Moreau

Jeanne Moreau (1928-2017) acaba de morrer. E assim, também se vai um pedaço de minha adolescência. Adolescência que conviveu com a sua Catherine em “Jules e Jim“, de François Truffaut. Com a sua Marika, em “O Processo“, de Orson Welles. Com uma das Marias de “Viva Maria!“, de Louis Malle…

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Jeanne Moreau, Oskar Werner e Henri Serre, em “Jules et Jim”, de François Truffaut.
Vídeo com um trecho do filme, com a música “Le Tourbillon”, de Georges Delerue

Aliás, tendo atuado em mais de cem filmes em sua carreira, Jeanne trabalhou com os maiores diretores da segunda metade do século XX: Truffaut, Welles, Vadim, Malle, Fassbinder, Antonioni, Losey, Demy, Besson, Renoir, Kazan, Varda, Buñuel, entre outros… e o nosso Cacá Diegues. Não é brinquedo, não!

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Jeanne Moreau e Brigitte Bardot, em “Viva Maria!”, de Louis Malle

Jeanne Moreau: dois casamentos e vários amantes. Uma mulher intensa. Nas telas e fora delas. E agora, eterna. É hora de ver e rever suas centenas de personagens.

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Jeanne Moreau, em “O Processo”, de Orson Welles

Autor: Catherine Beltrão