Museu da Humanidade, o passado que sensibiliza

Em 2009, conheci um museu: o Museu da Humanidade. A impressão que tive na época me marca até hoje: um castelo fantástico, em estilo oriental, com milhares de artefatos antigos, muito bem organizados em inúmeras salas e aposentos formando um labirinto de mistérios a desvendar. E tudo aquilo que via tinha sido idealizado por um só homem: Claudio Prado de Mello.

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O Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro – IPHARJ – foi criado em 1990 e em 2002, nascia o Museu da Humanidade, uma instituição privada ligada ao Instituto, onde são guardados mais de 90 mil itens arqueológicos, entre estátuas, vidros, joias, armas, tecidos, roupas, objetos em metais, madeira e pedra, entre muitos outros, do Brasil e do mundo. Peças que vão dos primórdios da História até o século XIX. Na biblioteca, mais de 40 mil títulos.

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Claudio Prado de Mello com uma turma de crianças, em uma oficina de escavação

IPHARJ2O museu é uma criação do arqueólogo Claudio Prado de Mello, que também preside o IPHARJ. A construção não conseguiu patrocínio até hoje e os recursos são advindos das contribuições dos fundadores do instituto.

Com uma área total de 2.500 metros quadrados, o Museu da Humanidade é um castelo construído em estilo Islâmico (Mamalik) e possui quatro andares distribuídos em 14 metros de altura. O andar subterrâneo ainda está em implantação, onde está sendo montada uma galeria de arqueologia funerária.  A ideia é recriar um setor subterrâneo da forma que só conseguimos ver na velha Europa e no Mundo Oriental, trazendo para o público brasileiro a oportunidade de visitar tumbas egípcias,  pré-colombianas, romanas e inusitadamente a recriação de uma tumba de Palmira que foi implodida pelo Estado Islâmico em 2015. A propósito, cripta é sempre o lugar mais introspectivo e misterioso de um monumento, como acontece com as criptas da Catedral de Notre Dame e do imponente Panteão, ambas localizadas em Paris. Para quem conhece, sabe de que estou falando…

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No térreo, funciona a pleno vapor uma área de eventos e pesquisa, além de uma sala de exposições. Atualmente, há uma síntese do que é o museu, com peças como estátuas de calcário medievais, mármores romanos, itens de madeira asiática, instrumentos de tortura da época da escravidão e cerâmicas egípcia e grega.

IPHARJ6IPHARJ10O segundo andar, também ainda sendo implantado, tem 23 salas, cada uma com o objetivo de mostrar uma época da sociedade humana e ainda antes, desde a formação do planeta Terra até o século XIX, passando por Pré-História, Egito, Grécia, Roma, Bizâncio e mundo islâmico.

No terceiro e último andar, o museu reúne uma área de pesquisa, com dois laboratórios — um de lavagem e higienização das peças, outro de análise —, para averiguar os itens que são encontrados em escavações pelo país. Também nessa área, existe um jardim suspenso e quatro salas de reserva técnica, onde são depositados os materiais já analisados.

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As peças do museu vindas de fora do país são dos cinco continentes e foram compradas em leilões. Já as do Brasil foram adquiridas em escavações realizadas pelo IPHARJ. Elas pertencem à União, e nós ganhamos, em julho deste ano, o reconhecimento do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), ou seja, nos tornamos reserva oficial do Estado brasileiro. Para conseguirmos isso, seguimos uma série de determinações oficiais”, disse Claudio Prado em 2014.

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O Museu da Humanidade também dispõe de um bistrô – o Corniche – que disponibiliza algumas das mais finas iguarias de quatro continentes.

 

Mais informações:

Endereço: Av. Chrisóstomo Pimentel de Oliveira, 443 B 1, Anchieta
Rio de Janeiro, RJ
www.ipharj.com.br
Face: https://www.facebook.com/Museu-da-Humanidade-Ipharj-1681895928797221/
e-mail: pradodemello@hotmail.com

Autor: Catherine Beltrão

Casas de Vincent van Gogh

Nos seus 37 anos de vida, Vincent van Gogh (1853-1890) habitou 37 endereços. Estes números fazem do artista um nômade. Casas, albergues, pousadas, não importa, ele precisava sempre mudar de ares, mudar de cheiros, mudar de luzes.

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“Casa amarela”. 1888. Uma das poucas obras em que Van Gogh representou a casa onde morava.

Associamos Van Gogh a girassóis, campos de trigo e autorretratos. Algumas flores… talvez. E a uma casa: a famosa “Casa amarela“. Mas ele pintou muitas casas!

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“Casa branca”. 1890

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“Casas em Auvers-sur-Oise”. 1890

Resolvi apresentar algumas das casas pintadas por Van Gogh, aquelas que ele resolveu eternizar em telas, tendo sido por ele habitadas ou não.

Van Gogh nasceu na pequena vila de Zundert, na Holanda. Em 1869 foi morar na cidade de Haia, e em 1872 em Bruxelas, na Bélgica. Dois anos depois, vai para Londres. Em 1875, encontra-se em Paris. Mas no ano seguinte, volta para a Inglaterra. Depois, volta a morar com os pais, em Etten, Holanda e em 1877, em Amsterdam. Depois, volta para a Bélgica.

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“Casas de palha”. 1890

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“Casas em Auvers”. 1890

Em 1880, ele está em Bruxelas e escreve para o irmão “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”. Também ficou em Cuesmes, perto de Bruxelas. Foi nessa época que decidiu tornar-se um artista. Faz muitos desenhos, usa carvão e pastel. Neste mesmo ano, viajou para Bruxelas. Em 1881, mais um tempo em Etten e outro em Haia. Em julho de 1882 pinta seu primeiro quadro a óleo. No ano seguinte volta para a casa dos pais, onde passa os dias lendo e pintando.

Em 1883, foi para Drente, na Holanda e depois Nuenen, para morar novamente com os pais, focando o desenho e a pintura.

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“Igreja em Auvers”. 1890.  Sobre esta obra, escreveu Van Gogh: “Tenho um quadro maior da igreja, com um efeito em que a construção parece ser violeta, contra um céu azul escuro, cobalto puro; as janelas parecem manchas de azul marinho, o telhado é violeta e, em uma parte, alaranjado…”

Em 1885, Van Gogh começou a trabalhar no que é considerada a sua primeira obra-prima, “Comedores da Batata“. Van Gogh decidiu se mudar para Paris, em 1886, e ficou na casa de seu irmão Theo.

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“Casas em fazenda perto de Auvers”. 1890

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“Casas em Auvers”. 1890

Em fevereiro de 1888, aconselhado pelo amigo Toulouse-Lautrec, Van Gogh embarcou em um trem para o sul da França, à busca de luz. Desembarcou em Arles e foi morar na que depois se tornou a célebre “Casa amarela“, junto com seu amigo Paul Gauguin.

Em 1890, Van Gogh foi para Auvers, morar no Albergue Ravoux. Por uma diária de 3F50, Van Gogh ocupou um quarto minúsculo no sótão, de apenas 7 metros quadrados e uma claraboia no teto.

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“Albergue Ravoux”. Foto c. 1890, com a família Ravoux. Van Gogh não chegou a pintar esta casa…

A propósito: o quarto que ocupou em sua última morada nunca mais foi alugado por ninguém…

 Autor: Catherine Beltrão

As ilusões óticas de Oleg Shuplyak

Quando pesquisamos sobre ilusão de ótica no google, encontramos o seguinte texto: “A interpretação do que vemos no mundo exterior é uma tarefa muito complexa. Já se descobriram mais de 30 áreas diferentes no cérebro usadas para o processamento da visão. Umas parecem corresponder ao movimento, outras à cor, outras à profundidade (distância) e mesmo à direção de um contorno. E o nosso sistema visual e o nosso cérebro tornam as coisas mais simples do que aquilo que elas são na realidade. E é essa simplificação, que nos permite uma apreensão mais rápida (ainda que imperfeita) da «realidade exterior», que dá origem às ilusões de óptica.

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“Verão”, de Giuseppe Arcimboldo

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“Céu e água”, de M.C. Escher. 1938

Talvez um dos primeiros artistas que tenha usado este conceito tenha sido Giuseppe Arcimboldo (1527-1593). Suas obras principais incluem a série “As quatro estações“, onde usou, pela primeira vez, imagens da natureza, tais como frutas, verduras e flores, para compor fisionomias humanas. A sua obra haveria de influenciar, mais tarde no século XX, os pintores surrealistas, sendo redescoberto por Salvador Dalí.

Mas, sem dúvida alguma, foi M. C.Escher (1898-1971) quem mais fez uso do conceito de ilusionamento ótico para compor suas obras, com explorações do infinito e metamorfoses – padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Ele também era conhecido pela execução de transformações geométricas (isometrias) nas suas obras.

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“Autorretrato”, de Oleg Shuplyak

Mas quem conhece Oleg Shuplyak, um artista ucraniano nascido em 1967, que usa ilusões de ótica para criar várias obras em uma só?

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De quem são os rostos acima representados?

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E esse?

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Esse todo mundo sabe…

Oleg foi estudante de Arquitetura. No curso, aprendeu a criar imagens dentro de outras imagens.   Em seu tempo livre, ele começou a pintar paisagens, desenhando rostos de pessoas famosas dentro das pinturas.

O artista escolheu personagens como Salvador Dali, Paul Cezanne, Paul Gauguin, Vincent Van Gogh, Charles Darwin, Michelangelo, Leonardo da Vinci, John Lenon, William Shakespeare, entre muitos outros.

Em algumas de suas pinturas, a imagem do rosto está tão visível que a primeira imagem se  perde. Fica difícil para o espectador lembrar-se dessa primeira imagem… Então ele a procura, acaba encontrando, e é a segunda imagem que se perde. E assim, sucessivamente… É um verdadeiro jogo de pique-esconde de imagens em nossas mentes!

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Mais dois desafios…

Fui procurar em nossos poetas uma ilusão de ótica. Talvez aquele que mais brinca com as palavras a ponto de nos iludir e nos transviar seja Manoel de Barros. Senão, vejamos “O poeta“:

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Esse não é difícil…

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E esse, alguém sabe?

Vão dizer que não existo propriamente dito.
Que sou um ente de sílabas.
Vão dizer que eu tenho vocação pra ninguém.
Meu pai costumava me alertar:
Quem acha bonito e pode passar a vida a ouvir o som
das palavras
Ou é ninguém ou zoró.
Eu teria 13 anos.
De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.

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Esse é um pequeno barco na imensidão do “deep blue”…

Ilusão de ótica. Pinturas duplas. Imagens ocultas. Vários nomes para um só sentimento: deslumbramento…

Autor: Catherine Beltrão

Completa 50 anos o disco Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band

Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, o mais importante disco lançado pelos Beatles, completa 50 anos. Conheça um pouquinho (acredite, apenas um pouquinho mesmo se tratando de uma mega produção) desse clássico que foi um marco da cultura pop do século XX.

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Os Beatles foram de tudo. De mocinhos exemplares a heróis da contracultura. De marqueteiros de primeira a mega rockstars (e foram também tudo o que esse título carrega nas entrelinhas). A história da música, sem sombra de dúvidas, pode ser dividida em Antes dos Beatles e Depois dos Beatles.

Após rodar o mundo propagando a Beatlemania e fazendo iêiêiê, sentiram-se maduros e seguros para mudar a temática das suas canções. Dilemas juvenis e dramas sentimentais da primeira fase da banda ainda tocavam nas rádios e faziam todas as adolescentes suspirarem profundamente. Mas eles queriam mais. Após o mítico encontro com Bob Dylan e a descoberta da maconha e do LSD, eles estavam prontos para mudar a estética de suas canções em todos os sentidos.

Mergulhados na lisergia sessentista, lançaram Rubber Soul e Revolver.

George incorporava a musicalidade indiana. Ringo, que anos antes ameaçara sair da banda alegando pouca atenção, se  firmava cada vez mais como um baterista criativo e um esporádico vocalista carismático. John e Paul já soltavam farpas, ainda que bem discretamente tentando impor suas lideranças. Estavam ali naquele momento esbanjando criatividade no que foi considerada por muitos críticos a melhor fase da dupla, mostrando o ápice de um amadurecimento poético e literário.

Mas o mundo não esperava por um furacão colorido chamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.

Se o primeiro álbum da banda, Please Please Me, levou apenas um único dia para ficar pronto, Sgt. Peppers exigiu um esquema hollywoodiano de superprodução com 400 horas de estúdio e o custo de 100 mil dólares – cifras incomuns para um disco de rock. Mas os números acima são apenas reflexos de toda a loucura criativa que a banda queria apresentar nesse novo trabalho. Orquestras enormes, adições de sons dos mais diversos animais, acordes audíveis apenas para ouvidos caninos, instrumentos incomuns, solos tocados ao contrário (o que já haviam experimentado em Revolver) e mensagens subliminares que tentavam dar credibilidade à lenda da morte de Paul McCartney. Tudo isso sob a clássica capa dos quatro músicos fardados como se pertencessem a uma fanfarra vitoriana psicodélica. Esses elementos e muitos outros deram a Sgt Peppers inúmeros adjetivos, que iam desde o primeiro disco de rock progressivo da história até o melhor disco já lançado e mais importante trabalho da cultura pop.

Faixas principais

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A faixa título abre o disco, e é a apresentação do personagem fictício ‘Sargento Pimenta’ que comandava a ‘Banda Clube dos Corações Solitários’ e é logo emendada com With a Little Help From My Friends cantada por Ringo e seu refrão de duplo sentido “I get high with a little help from my friends”, algo como “Eu chego mais alto com uma ajudinha dos meus amigos” ou “Eu fico chapado com uma ajudinha dos meus amigos”. Essa canção teve seu auge na voz de Joe Cocker, considerado por muitos o melhor cover de uma canção dos Beatles já criada.

Beatles_LucyintheskyLucy In the Sky with Diamonds foi chamada de maior canção já feita sobre o LSD, embora John Lennon negasse o fato veementemente. Segundo John, a música foi composta a partir de um desenho feito por seu filho Julian, que retratava sua amiguinha de escola Lucy flutuando em um céu onde as estrelinhas pareciam diamantes. A referência com as letras LSD era uma mera coincidência. Os esforços para explicar esse fato, no entanto, foram em vão e a canção chegou a ser proibida pela BBC.

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Outra faixa que foi relacionada com uso de drogas – dessa vez a heroína – foi Fixing a Hole. No primeiro verso da canção, Paul canta “Estou fechando um buraco por onde a chuva entra”. Paul também negou a acusação alegando que a música foi feita em referência a Jesus Cristo.

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O disco tem um desfecho apoteótico com A Day In The Life, considerada pela revista Rolling Stone a melhor canção dos
Beatles. A canção é uma junção de duas composições distintas escritas uma por John e outra por Paul que foram agregadas
de forma perfeita. Foi mais uma canção banida das rádios inglesas devido a referências ao uso de LSD e maconha.

Beatles_capaBeatles_capasketchO conceito inicial da capa foi sugerido por Paul. A ideia era fazer a banda do Sargento Pimenta recebendo um título ou um troféu das mãos do prefeito na praça de uma cidade imaginária. Paul conta suas ideias para Robert Frazer, que o leva para conhecer Peter Blake, importante artista do movimento Pop Art. Peter fez então um sketch mudando ligeiramente o conceito de Paul e novas mudanças seriam feitas até se tornar a capa que conhecemos hoje.

Os quatro Beatles escolheram as pessoas que iriam compor o cenário. Artistas de cinema e da TV, músicos, escritores,  pensadores, filósofos, líderes políticos, gurus hindus, e até a polêmica escolha de Jesus Cristo e Adolph Hitler.

Sabe-se que a imagem que Hitler foi retirada do corte final, e talvez Jesus tenha ficado escondido entre os demais para evitar polêmicas maiores. John já havia dado a fatídica declaração de que os Beatles eram maiores que Jesus Cristo e queriam evitar mais problemas. Na parte inferior, uma espécie de canteiro com o nome da banda feito com flores vermelhas e a adição de alguns pequenos adornos como gnomos de jardim, troféus, bustos, imagens religiosas, uma
televisão, etc.

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A lenda da morte de Paul em um trágico acidente de carro em 1966 já estava circulando. Na história, um sósia entrara para a banda encarnando o baixista, tudo porque a Beatlemania estava no auge e os trabalhos da banda não poderiam ser abruptamente interrompidos.

Na música A Day In The Life, John começa cantando “Ele estourou sua cabeça em um carro/ Não reparou que as luzes do semáforo tinham mudado”. Boatos em torno da história diziam que Paul havia sido decapitado no acidente. Outra mensagem escondida em uma canção é no final de Strawberry Fields Forever, onde ouvimos claramente John Lennon dizendo de forma veemente “I buried Paul” (“Eu enterrei o Paul”). E, claro, na capa do disco muitas mensagens estão escondidas também.

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O fato é que para muitos todo o conceito da capa não passa do funeral do próprio Paul McCartney.

Beatles_baixodefloresBeatles_bumbocentralEmbaixo do nome da banda está o baixo Hofner canhoto de Paul feito com flores amarelas, possuindo apenas três cordas e não mais quatro. À direita do quarteto com roupas coloridas estão os quatro Beatles de terno cinza feitos em cera, todos com olhares de pesar. Se a história toda aconteceu em 1966, era com essa roupa que eles se apresentavam. Acima da cabeça do Paul fardado de azul, aparece a mão do comediante Issy Bonn, acenando como se estivesse se despedindo ou abençoando. As palavras Lonely Hearts do bumbo central ao serem espelhadas, formam o jogo de letras “IONEIX HE<>DIE”, que ao serem separadas formam “I ONE IX HE <> DIE, sugerindo a data 11/9, ou November 9, 1966, data em que Paul supostamente teria morrido. Depois da data, continuam as palavras HE DIE, e no centro uma espécie de seta aponta para o beatle de azul. E no encarte do disco, existe uma foto onde a banda olha para frente e apenas Paul aparece de costas.

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Iniciamos o texto dizendo que os Beatles foram marqueteiros de primeira. A história gerou tanto fascínio na época que eles continuariam aplicando mensagens acerca da morte de Paul nas capas dos próximos discos, em vídeo clipes e muito mais. Traduzindo em termos comerciais, eram mais discos vendidos, mais holofotes e mais dinheiro.

Segundo o produtor da banda George Martin, os Beatles em Sgt. Peppers nunca estiveram tentando fazer arte conceitual ou
procurando uma integridade musical. Eles só queriam fazer algo diferente. E fizeram!

Nenhuma outra banda até hoje conseguiu fazer o que os Beatles fizeram em apenas sete anos de atividade. Eles mostraram que uma banda de rock pode romper barreiras sonoras, comportamentais e ideológicas, deixar uma pulga atrás da orelha de muita gente, virar teses de mestrado e vender como água – mesmo depois de quase meio século do fim das atividades.

Eles começaram gritando HELP! e terminaram dizendo LET IT BE. O interim dessa trajetória linda vai ficar para sempre na memória dos mais velhos, na imaginação dos mais jovens, na estante de trilhões de pessoas e na linha cronológica não apenas da cultura pop e do Rock n’ Roll, mas de toda a humanidade.

Chico Joy