A Alice de Dali

Qual a história que tem como personagens um chapeleiro maluco, uma lagarta, um coelho branco, uma tartaruga fingida, o gato de Cheshire e uma Rainha de Copas? Alguém aí não pensou em “Alice no País das Maravilhas“?

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Ilustração para a capa do livro “Alice no Paí das Maravilhas”, de Salvador Dali. Vídeo com as 14 heliogravuras.

 

A história escrita por Lewis Carroll – pseudônimo do escritor, poeta e matemático Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898) – foi publicada em 1865. Há mais de 150 anos, as peripécias de Alice encantam adultos e crianças pois, muito mais do que um conto de fadas, é uma história psicodélica, imaginativa, crítica e atemporal.

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Ilustração para a “Festa do Chá Maluco”, de Salvador Dali.

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Ilustração para o “Conselho de uma Lagarta”, de Salvador Dali

Certo dia, Alice adormece e sonha que entrou num outro país, o País das Maravilhas, onde tudo é muito estranho: ela encontra um Coelho Branco sempre atrasado, um Chapeleiro que toma um chá interminável com a Lebre de Março, ouve os conselhos de uma Lagarta Fumante e conhece a Rainha de Copas que quer cortar a sua cabeça…

Em 1969, quando a obra completava 104 anos, a editora de livros americana Random House – uma das maiores do mundo – decidiu que “Alice” merecia uma nova edição, algo especial. E quem mais psicodélico e surreal do que a própria história de Alice deveria fazer as novas ilustrações?

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Ilustração para a “Toca do Coelho”, de Salvador Dali. Vídeo (em inglês)apresentando a  publicação de 1969.

Preservando o texto original, a editora convidou o pintor surrealista Salvador Dalí (1904-1989)  para reinterpretar o visual da história. Ao todo, foram 14 heliogravuras incluindo capa e pós-capa.  As poucas edições publicadas tornaram-se relíquias. Em 2011, a Amazon anunciava a venda de uma delas por US$ 12,9 mil (cerca de R$ 20 mil, na época).

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Ilustração para o “Chão Croquetado da Rainha”, de Salvador Dali

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Ilustração para a “História da Tartaruga Fingida”, de Salvador Dali

Para aqueles que não conhecem a técnica usada por Dali, a heliogravura consiste em um processo fotomecânico destinado a obter uma gravura a partir da exposição à luz e transferência química para uma placa de estanho (ou cobre) derivado de um petróleo fotossensível. Dali usou uma camada de gelatina sensibilizada com bicromato de potássio e negativos, colocado em contato com a placa de metal recoberta pela gelatina que após ser exposta a luz tem as partes assim expostas endurecidas e insolúveis na água. As regiões onde a luz não reage com a gelatina (devido as zonas escuras do negativo) serão lavadas e derretidas. Assim, um ácido utilizado em parte do processo ataca apenas as partes expostas do metal, criando sulcos ou gravações que serão preenchidas com tinta.

Lewis Caroll e Salvador Dali, duas mentes criadoras e psicodélicas que ousaram na Literatura e na Arte, fazendo do País das Maravilhas de Alice um lugar para onde qualquer um de nós gostaria de viajar e conhecer…

Autor: Catherine Beltrão

Bibliotecas e livrarias que são obras de arte (Parte II)

Após as monumentais bibliotecas (clique aqui) do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, do Clementinum,  em Praga e do Mosteiro Beneditino, na Áustria, é a vez de apresentar três magníficas livrarias.

Começo pela famosa Livraria Lello, localizada na cidade do Porto, em Portugal. Esta livraria ostenta uma estilo arquitetônico único, combinando neogótico com “art nouveau” e “art déco”.

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Livraria Lello, no Porto/Portugal. Escadaria principal.

A história da livraria Lello é também a história dos irmãos Lello. José e António Lello nasceram na Casa de Ramadas, freguesia de Fontes, em Santa Marta de Penaguião, filhos de um proprietário rural. José Lello é o primeiro a vir para o Porto. Homem de cultura, amante da leitura, dos livros e da música, sonha tornar-se livreiro, o que vem a acontecer com a abertura da primeira livraria e editora em 1881 com o seu cunhado. Após o falecimento deste, José Lello constitui a sociedade José Pinto de Sousa Lello & Irmão, com o irmão Antônio Lello, 9 anos mais novo.

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Livraria Lello.

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Livraria Lello. Fachada externa.

Os irmãos Lello estabelecem-se na Rua do Almada, desconhecendo ainda que o edifício que levaria o seu nome até ao próximo milênio se encontrava a poucos quarteirões. A atividade editorial da Lello e Irmãos era marcada por uma paixão pelos livros e pela cultura. Este amor à arte deu origem à criação de edições especiais, editadas em número reduzido, com a colaboração de artistas plásticos, como ilustradores e pintores, e com enorme cuidado gráfico.

É em 1894 que José Pinto de Sousa Lello compra a Livraria Chardron aos então donos, juntamente com todo o seu espólio. Embora estivesse já  em outras mãos, esta livraria tinha feito o seu nome pela mão do francês Ernesto Chardron. Este influente editor era um motor do setor, tendo publicado as primeiras edições de obras eternamente sonantes como as de Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco, por exemplo. Esta ambiciosa ampliação da Lello e Irmãos precisava de ser acompanhada de um quartel condizente com a renovada importância no setor. O edifício da Rua das Carmelitas é então moldado pela visão suntuosa do engenheiro Francisco Xavier Esteves. E é em 1906 a inauguração do espaço como hoje é conhecido.

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Livraria El Ateneo, em Buenos Aires/Argentina.

Em 2008, a livraria Ateneo Grand Splendid, uma das mais conhecidas de Buenos Aires, foi classificada pelo jornal britânico “The Guardian” como a segunda mais bonita do mundo.

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Livraria El Ateneo.

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Livraria El Ateneo

O edifício foi projetado pelos arquitetos Peró e Torres Armengol e aberto como um teatro em 1919. Palco de diversos espetáculos de tango feitos por artistas como Carlos Gardel e Roberto Firpo no passado, ela possui estilo eclético, com afrescos pintados pelo artista italiano Nazareno Orlandi, no teto, e cariátides esculpidas por Troiano Troiani. O teatro acabou sendo fechado e, em 2000 foi comprado pela cadeia de livrarias Yenni. Atualmente, a Ateneo Grand Splendid conta com 120 mil exemplares de livros, um bar e um café, localizados no palco do antigo teatro.

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Livraria Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen, em  Maastricht/Holanda

A livraria que foi considerada campeã na lista do “The Guardian” é a holandesa Boekhandel Selexyz Dominicanen, localizada na cidade de Maastricht. O nome pomposo faz jus ao ambiente: a livraria foi montada em 2007 dentro de uma exuberante igreja dominicana do século XII que há anos encontrava-se abandonada, servindo de depósito de bicicletas. O contraste da estrutura gótica da igreja com a decoração interior moderna dá um charme extra à ideia que, por si só, já atrai curiosos.

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Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

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Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

A igreja Dominicana original foi construída em 1294, cerca de 80 anos após São Domingos ter formado a Ordem dos Pregadores. O fechamento é geralmente creditado a Napoleão Bonaparte. Seu exército fechou o edifício durante a invasão de 1794, apesar do respeito de Napoleão e seu carisma com a religião católica, forma de manter a ordem social.

A igreja não caiu em ruínas, mas passou os próximos dois séculos abandonada e negligenciada. A imponente igreja dominicana do século XII foi restaurada, resultando num contraste incrível entre a estrutura gótica externa e a decoração interior moderna, um charme para poucos. Hoje, a estrutura tem uma estante de três andares completa, com passarelas, escadas e elevadores.

Quando os livros se mesclam à beleza e à imponência de um lugar, não há limite para a nossa imaginação e nem mesmo para a nossa felicidade.

 Autor: Catherine Beltrão

 

Bibliotecas e livrarias que são obras de arte (Parte I)

Estamos em plena Bienal Internacional do Livro. É a 18ª e acontece no Rio de Janeiro. É inevitável a lembrança das mais belas bibliotecas e livrarias que existem pelo mundo afora. O tema merece dois posts: um para as bibliotecas, outro para as livrarias. Três bibliotecas e três livrarias.

Começo pelas bibliotecas. E começo pela brasileira. O Real Gabinete Português de Leitura fica situado no Rio de Janeiro e é a associação mais antiga criada pelos portugueses do Brasil após a independência de 1822.

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Real Gabinente Português de Leitura, Rio de Janeiro/Brasil

Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito. É possível que os fundadores do “Gabinete” tenham sido inspirados pelo exemplo vindo da França, onde, logo seguir à revolução de 1789, começaram a aparecer as chamadas “boutiques à lire”, que nada mais eram do que lojas onde se emprestavam livros, por prazo certo, mediante o pagamento de uma determinada quantia.

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Real Gabinete Portuguêsde Leitura

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Real Gabinete Português de Leitura. Fachada externa.

Nas comemorações do tricentenário da morte de Camões (1880), a sede do Gabinete irá ocupar um terreno na antiga rua da Lampadosa.  A sua nova sede, construída em estilo neomanuelino e que foi inaugurada pela Princesa Isabel em 1887, guarda cerca de 350.000 volumes (milhares de obras raras).  Esse acervo maravilhoso está disponível a qualquer um do povo, pois o Real Gabinete é uma biblioteca pública, a partir de 1900.Em 1906, o rei D. Carlos atribui o título de “Real” ao Gabinete e tem lugar, no Salão dos Brasões, uma grande exposição de pinturas de José Malhôa, a cuja inauguração comparece o Presidente Rodrigues Alves.

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Biblioteca Clementinum, Praga/República Tcheca

Construída em 1722, o edifício da Biblioteca Clementinum é uma obra da arquitetura barroca de Praga, capital da República Tcheca. A Biblioteca abriga mais de 20.000 volumes sobre literatura, medicina e teologia. Por muito tempo foi considerada o maior colégio jesuíta do mundo. Seu teto é repleto de afrescos do pintor Jan Hiebl.

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Biblioteca Clementinum. Fachada externa.

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Biblioteca Clementinum.

Sua história remonta à existência de uma capela dedicada a São Clemente, no século 11. Um mosteiro dominicano foi fundado no período medieval, sendo depois transformado, em 1556, em um colégio jesuíta. Em 1622, os jesuítas transferiram a biblioteca da Charles University para o Klementinum, e o colégio foi absorvido pela Universidade em 1654. Os jesuítas permaneceram até 1773, quando o Klementinum foi estabelecido como um observatório, biblioteca e universidade  pela imperatriz Maria Theresa da Áustria.Além dos afrescos que decoram o teto, a biblioteca abriga retratos de santos jesuítas, antigos patronos da biblioteca e outras pessoas proeminentes e  também uma preciosa coleção de globos geográficos e relógios astronômicos, na sua maioria, feitos por padres jesuítas.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino, em Admont/Áustria.

A Biblioteca do Mosteiro Beneditino fica situada em Admont, na Áustria.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino. Fachada externa.

Foi fundada em 1776 e está integrada num Mosteiro Beneditino.O salão biblioteca, construída em 1776 e  projetada pelo arquiteto Joseph Hueber, em estilo rococó, é de 70 metros de comprimento, 14 metros de largura e 13 metros de altura. É a maior biblioteca monástica do mundo. Possui mais de 180.000 obras, incluindo 1,4 mil manuscritos (o mais antigo do século 8) e os 530 incunábulos (livros impressos antes de 1500), além de volumes antigos e edições originais de obras raras. O teto é composto por sete cúpulas e  tem afrescos do artista austríaco Bartolomeo Altomonte (1657-1745), pintados entre 1775 e 1776, que celebram a ciência e a fé. A luz penetra  por 48 janelas e é refletida pelo esquema de cores originais de ouro e branco.

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Biblioteca do Mosteiro Beneditino. Sala de leitura.

Quando se eleva a leitura ao nível de uma prece, o homem chega perto de Deus.

Para ler a segunda parte deste texto, apresentando as livrarias Lello, na cidade do Porto, El Ateneo, em Buenos Aires e Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda, clique aqui.

 Autor: Catherine Beltrão

Pablos e Ediths

Em muitos de meus posts, gosto de colocar lado a lado pintura e poesia. Cores, formas e palavras. As cores ganham significado e as palavras ganham forma.

Neste post, vou além. Escolhi dois nomes. Pablo e Edith. Um Pablo da pintura e outro da poesia. Uma Edith da pintura e outra da canção.

A primeira dupla: Pablo Picasso e Pablo Neruda…

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“Guernica”, de Pablo Picasso. Painel a óleo, 7,77m X 3,49m. 1937.

Pablo Picasso (1881-1973) foi um pintor, escultor e desenhista espanhol.
Minha mãe me dizia: Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa. Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso.

Pablo Neruda (1904-1973) foi um poeta chileno e um dos mais importantes da língua castelhana do século XX.

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Pablo Picasso

“Saudade”, de Pablo Neruda (vídeo com Aldo Bastos)

Pablo NerudaSaudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

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“Maternidade”, de Pablo Picasso. Ost, 1905.

A segunda dupla: Edith Blin e Edith Piaf…

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“Maquis”, de Edith Blin. Osm. 1945.

Edith Blin (1891-1983) foi uma pintora francesa.
Sou espontânea. Minha técnica é completamente livre. Depende de meu estado de espírito. Sinto mais atração pela forma do que pela cor. Não aprecio os detalhes. Somente os essenciais. É o que importa realmente. Sou uma pintora da alma“.

Edith Piaf (1915-1973) foi uma cantora francesa e, segundo pesquisa da BBC, considerada a 10ª maior francesa de todos os tempos.

Piaf

Edith Piaf

Edith

Edith Blin

“Rien de rien”, de (Charles Dumont e Michel Vaucaire). Clique aqui para ver o vídeo com Edith Piaf.

 

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu’on m’a fait ni le mal.
Tout ça m’est bien égal.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
C’est payé, balayé et oublié.
Je me fous du passé.

Avec mes souvenirs,
J’ai allumé le feu.
Mes chagrins, mes plaisirs.
Je n’ai plus besoin d’eux.
Balayé les amours
Avec les trémolos.
Balayé pour toujours.
Je repars à zéro.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu’on m’a fait ni le mal.
Tout ça m’est bien égal.

Non, rien de rien.
Non, je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies aujourd’hui,
Ça commence avec toi!

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“Katia e seus amigos” (detalhe), de Edith Blin. Pastel sobre cartolina, 1955.

Uma curiosidade: Pablo Picasso (1881-1973) e Edith Blin (1891-1983) passaram ambos 92 anos neste nosso planeta. Quando Edith nasceu, Pablo tinha dez anos. Quando Edith morreu, Pablo tinha morrido fazia dez anos…

 Autor: Catherine Beltrão

Mosaicos brasileiros

Até chegar ao Brasil, a arte do mosaico passeou pela antiguidade greco-romana, bizantina, portuguesa… Nos tempos modernos, com certeza quando se fala em mosaico o nome que se vem à mente é Antoni Gaudi, o arquiteto e artista catalão que deixou sua genialidade florescer em prédios e parques da cidade de Barcelona.

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“As ondas” do calçadão de Copacabana. Burle Marx.

No Brasil, grandes artistas plásticos também utilizaram a técnica das tesselas para expressar sua arte. Grande parte deles, em seus últimos anos de vida. Como se fosse o último degrau de suas trajetórias…

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Painel abstrato em jardim de Nova York. Burle Narx. 1991.

Burle Marx talvez seja o mais conhecido mosaicista brasileiro. É dele a criação do logotipo internacional do calçadão de Copacabana.
O paisagista refez os desenhos originais dos calceteiros portugueses, realçou sua sensualidade na medida da ampliação do calçamento e manteve o paralelismo com as ondas do mar, que fora implantado na reforma de 1929 pelos calceteiros já habilitados no Brasil.  No canteiro central da Avenida Atlântica e no piso junto aos edifícios, Burle Marx aplicou novos desenhos, com pedras pretas e vermelhas (basalto) e brancas (calcáreo).

Burle Marx também projetava mosaicos abstratos para seus jardins. Em 1991, ele participou de uma exposição de jardins em Nova York . Em um deles, uma composição de 2,4 x 5 metros formada por 1.325 azulejos de cerâmica pintada, ficou suspenso sobre o lago da estufa das palmeiras, cercado por orquídeas de cores variadas.

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Painel do Edifício Mira Mar, em Copacabana. Lygia Clark. 1951.

Lygia Clark, uma das maiores artistas brasileiras da arte contemporânea, também deixou um legado em mosaicos é dela o painel do Edifício Mira Mar, em Copacabana, RJ. Em 1951, ela assinava a obra, talvez a menos conhecida de sua produção artística.

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Painel no condomínio New Horizons, no Alto da Lapa, em São Paulo. Aldemir Martins. 2003.

Aldemir Martins, conhecido por seus gatos e galos, realizou belíssimos painéis em mosaico. Em 2003, fez o painel do Condomínio New Horizons, no Alto da Lapa, em São Paulo. Trata-se de uma obra de muitas cores fortes, que segue o mesmo padrão típico de sua vasta produção pictórica, revelando uma força muito expressiva e instigante, sobretudo se levarmos em conta que já era um homem octogenário. Mas o que se vê na obra é a mesma força e domínio plástico de seus anos de juventude. Aldemir faleceu em 2006, ou seja, três anos depois da inauguração deste painel.

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Detalhe do painel “Bandeirantes”, no Hotel Comodoro, em São Paulo. Cândido Portinari. 1957.

O nosso maior pintor, Cândido Portinari, realizou três obras em mosaico em vida. A terceira obra em mosaico que Portinari concluiu foi o painel “Bandeirantes”, aplicado em uma parede
interna de um hotel no centro de São Paulo, o Hotel Comodoro. Na época de sua inauguração, em 1957, o hotel era um dos mais
luxuosos que existia. Após décadas, a degradação da área urbana ao seu redor relativizou sua proeminência e o estabelecimento precisou de novos investimentos. O proprietário então decidiu promover um leilão para a venda do painel. Quem fizesse o maior lance ficaria com o encargo da retirada da obra, mas ninguém fez qualquer oferta acima do lance mínimo, provavelmente por temer as dificuldades inerentes à retirada de um painel em pastilhas, que é uma empreitada custosa, demorada e de risco.

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Painel na Escola Imaculada em São Paulo. Tomie Ohtake. 1992.

Tomie Ohtake, uma das principais representantes do abstracionismo informal no Brasil e no mundo, fez vários painéis em mosaico, entre eles o painel na Escola Imaculada em São Paulo, realizado em 1992.
Pela importância do nome de Tomie no panorama artístico internacional e por sua sintonia com o que há de mais avançado em matéria de artes visuais, o fato de ter escolhido a linguagem das tesselas para apresentar suas obras plásticas em áreas de visibilidade pública ao longo de quase toda a década dos 90 engrandece e empresta um significado novo à esta arte.

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Painel em uma agência do Banco do Brasil, em Copacabana. Paulo Werneck.

Paulo Werneck foi o responsável pela introdução da técnica do mosaico no Brasil, contribuindo com murais e painéis para projetos de diversos arquitetos. Uma de sua belas obras foi um painel encontrado por trás de uma parede forrada de gesso, por ocasião de uma reforma das instalações de uma agência do Banco do Brasil, no Posto Seis de Copacabana.

 Autor: Catherine Beltrão

Jeanne… éternellement!

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Jeanne Moreau

Jeanne Moreau (1928-2017) acaba de morrer. E assim, também se vai um pedaço de minha adolescência. Adolescência que conviveu com a sua Catherine em “Jules e Jim“, de François Truffaut. Com a sua Marika, em “O Processo“, de Orson Welles. Com uma das Marias de “Viva Maria!“, de Louis Malle…

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Jeanne Moreau, Oskar Werner e Henri Serre, em “Jules et Jim”, de François Truffaut.
Vídeo com um trecho do filme, com a música “Le Tourbillon”, de Georges Delerue

Aliás, tendo atuado em mais de cem filmes em sua carreira, Jeanne trabalhou com os maiores diretores da segunda metade do século XX: Truffaut, Welles, Vadim, Malle, Fassbinder, Antonioni, Losey, Demy, Besson, Renoir, Kazan, Varda, Buñuel, entre outros… e o nosso Cacá Diegues. Não é brinquedo, não!

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Jeanne Moreau e Brigitte Bardot, em “Viva Maria!”, de Louis Malle

Jeanne Moreau: dois casamentos e vários amantes. Uma mulher intensa. Nas telas e fora delas. E agora, eterna. É hora de ver e rever suas centenas de personagens.

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Jeanne Moreau, em “O Processo”, de Orson Welles

Autor: Catherine Beltrão

Mosaicos da devoção

Quando a técnica do mosaico é utilizada na decoração de capelas, o resultado pode ultrapassar qualquer limite imaginativo, seja nos trilhos da beleza, seja nos corrimões da fé.

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Interior da Capela do Mosaico Santa Cruz, em São Bento do Sapucaí/SP.
Vídeo.

É o caso das capelas de São Bento do Sapucaí, em São Paulo. Geralmente chamadas de capelinhas de Santa Cruz, foram realizadas em cumprimento de promessas.

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Fachada da Capela do Mosaico de Santa Cruz

Uma dessas construções, centenária, passou a ser chamada Capela do Mosaico, depois de revitalizada em 2008 pelos artistas plásticos Ângelo Milani e Cláudia Vilar que utilizaram vários cacos de diversos materiais, como fragmentos de estátuas de santos abandonados, contas variadas, pedaços de vidro e azulejos, compondo mosaicos coloridos, que enfeitam esta capela de forma peculiar e original.

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Detalhe da parte interna da Capela de Santa Cruz

A parte externa da capela ficou a cargo de Ângelo Millani, que reformou a parede frontal do prédio que ostentava uma grande rachadura, ornamentando depois a fachada com mosaicos compostos por formas abstratas.

Para a decoração do interior, o espaço recebeu o enriquecedor acréscimo de um conjunto de mosaicos criados por sua esposa Claudia Villar, concebidos originalmente para uma instalação realizada com sucesso por ela em 2005 na Capela do Morumbi, em São Paulo. Trata-se de 30 conjuntos retangulares, que ficam enfileirados em ambas as paredes laterais, assemelhando-se a uma surpreendente via-crúcis, plena de novos significados.

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Fachada lateral de uma capelinha em São Bento do Sapucaí.

Em volta dessas obras, foram criados novos nichos, com novos trabalhos, completando e preenchendo praticamente todos os espaços interiores. Além disso, foram também incorporadas pequenas peças produzidas por crianças em oficinas de criação. O efeito chega a ser perturbador, devido a grande concentração de informações visuais.

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Interior de uma capelinha em São Bento do Sapucaí.

Na mesma cidade de São Bento do Sapucaí, outra capelinha também foi construída por este casal, Ângelo e Cláudia, difundindo e estimulando cada vez mais a prática profissional do mosaico. É significativo o número de cidadãos que passaram a dedicar-se a essa modalidade artística, estendendo sua ação e difusão às cidades vizinhas.

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Capela do Mosaico, em Peruíbe/SP. Vídeo.

Também em São Paulo, na localidade de Peruíbe, encontramos a Capela do Mosaico, chamada de Capela de Nossa Senhora da Saúde, com o revestimento feito com mosaicos no estilo Opus Incertum, uma técnica romana de aplicação de mosaicos em alvenaria encontrada apenas na Itália.

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Painel interno da Capela do Mosaico.

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Detalhe de um painel interno da Capela do Mosaico.

Idealizados por frei Giorgio Callegari e pelo arquiteto italiano Roberto Corradini, o projeto e a construção da capela foram realizados, contando e mostrando a realidade nacional de imensos contrastes, resgatando questões como a miséria, a escravidão, o preconceito racial (brancos e negros) e de etnias.

Entre os trabalhos em mosaico, está a representação de uma imagem de Jesus feita em estilo bizantino. A perfeição dos trabalhos com mosaicos na Capela do Mosaico dá a impressão de estar olhando para uma pintura, por causa da perfeição dos encaixes entre as peças. A Capela do Mosaico é particular e pertence ao Recanto Colônia Veneza.

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Capela Nhá Chica, em São Lourenço/MG. Vídeo.

A Capela Nhá Chica, instalada na cidade de São Lourenço, Minas Gerais, é uma obra da arquitetura mineira.

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Figura externa da Capela Nhá Chica.

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Capela Nhá Chica.

Na década de 70, o carioca Marco Aurélio Dias, cansado da vida agitada da capital, abandonou a cidade do Rio de Janeiro e mudou-se para a pacata estância hidromineral de São Lourenço, em Minas Gerais, onde passou a levar vida solitária e separada do mundo. Na mesma época, começou a construir uma capela para o exercício diário da sua vida espiritual, com a intenção de fazer uma homenagem à Nhá Chica, serva de Deus que tanto ajudou e orou pelos pobres e doentes do Sul de Minas.

A Capela Nhá Chica hoje é aberta ao público e visitada pelos turistas, onde escutam a história da vida de Nhá Chica – Francisca Maria de Jesus -, do Padre Vitor e de outros personagens que marcaram a história religiosa da microrregião.

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Casa da Flor, em São Pedro da Aldeia/RJ. Vídeo.

Por último, uma casa: A Casa da Flor. Localizada em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro,  Gabriel Joaquim dos Santos - (1892-1985), simples trabalhador nas salinas, filho de uma índia e de um ex-escravo africano – realizou uma única e poética obra, o que o colocou no seleto grupo dos “construtores do imaginário”, a que pertence o grande Antoni Gaudi, de Barcelona, por exemplo.

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Interior da Casa da Flor

Sonhador, anteviu um dia, em 1923, enquanto dormia, a imagem de um enfeite que embelezava a sua casa de pau-a-pique.  Mas ele não dispunha de recursos para realizar o sonho. Que fazer ? Desistir do sonho, apagar da memória a visão tão bela que o inconsciente lhe trazia ? Surgiu em sua mente uma ideia, que de tão bizarra fez com que muitos parentes e vizinhos passassem a olhá-lo com estranheza no início da tarefa a que se dedicou até morrer, 63 anos depois: usar o lixo abandonado nas estradinhas da região, garimpar nesses montes de detritos – de que todos se afastam – cacos de cerâmica, de louça, de vidro, de ladrilhos e de toda uma série de objetos considerados imprestáveis para o uso, tais como velhos bibelôs, lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis… Sabiamente, ele comentava que fez uma casa “do nada” .

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Casa da Flor.

Sempre inspirado por sonhos e devaneios, passou a criar flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, que ia fixando dentro e fora da casa. Inventava luminárias com lâmpadas queimadas; nichos para proteção de um osso de baleia e de alguns bibelôs mais bonitos; molduras para retratos fixados à parede; uma estante chamada por ele de “altar dos livros”; bancos e armários de alvenaria, sensualmente aplicados, cobertos de ladrilhos coloridos. Gravava ou moldava com cimento inscrições para assinalar os trabalhos mais significativos… Uma composição de riqueza plástica surpreendente, o barroco intuitivo criado por um artista marginal e solitário. Não havia materiais nobres: o imprestável, o estragado, o feio, o inútil, transformavam-se através de seus olhos visionários em matéria preciosa para a criação artística. Verdadeiro alquimista, explicava: “tudo caquinho transformado em beleza”.

Embora não tenha sido construída com o objetivo de ser uma casa de Deus, Gabriel atribuía a Deus a realização da sua obra, tendo sido   fruto de inspiração divina:

“… Eu não tive escola. Aprendi no ar, aprendi no vento… Isso não é de mim. Deus me deu essa inteligência, vêm aquelas coisas na memória e eu vou fazer tudo perfeitozinho conforme sonhei.”

Autor: Catherine Beltrão

Cassinos da serra: o que foi e o que poderia ter sido…

Datados do século XX, encontramos em cidades da região serrana do Rio de Janeiro dois belíssimos exemplos de construções que tinham como objetivo serem cassinos: o Cassino Quitandinha, em Petrópolis e o Cassino Cascata, em Nova Friburgo.

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Palácio Quitandinha, em Petrópolis

O Palácio Quitandinha foi construído a partir de 1941 pelo empreendedor mineiro Joaquim Rolla, para ser o maior cassino hotel da América do Sul.

Construído em 1944 por Joaquim Rolla e Antonnio Faustino para ser o maior hotel cassino da América Latina, seu estilo arquitetônico utiliza o rococó hollywoodiano, em sua parte interna  e o normando-francês, em sua parte externa.

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Restaurante Central, no Palácio Quitandinha. Anos 40.

Com 50 000 metros quadrados, sete andares com pé direito alto, mais a garagem no sub-solo, chega a atingir 10 andares nas torres; divididos em 440 apartamentos, 13 grandes salões com até 10 metros de altura que podem abrigar 10.000 pessoas simultaneamente. A cúpula do Salão Mauá, onde era localizado o cassino, é a 2ª maior do mundo, com 30 metros de altura e 50 metros de diâmetro.  Existe um Teatro Mecanizado, com três palcos giratórios com capacidade para 2.000 pessoas. e uma piscina térmica em formato de um piano de cauda, cuja profundidade chega a 5 metros, dotada de caldeiras que mantinham a água a uma temperatura de 30º C.

Na construção do lago em frente ao palácio, foi usada uma grande quantidade de areia da praia de Copacabana.

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Contagem do dinheiro arrecadado em uma noite no Cassino Quitandinha. Anos 40.

No seu auge, na década de 40, o Palácio Quitandinha chegou a empregar 1.500 pessoas. Foi neste cenário que durante um curto período de esplendor, o hotel teve grandes personalidades brasileiras e internacionais desfilando por suas dependências, como os políticos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart… Entre os Artistas contratados para os shows em sua Boate, estiveram ali: Carmen Miranda, Grande Otelo, Oscarito, Emilinha Borba, Marlene, a vedete Virgínia Lane e outros ídolos do rádio como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Mário Reis e Nelson Gonçalves.

Passaram também por seus salões o presidente americano Harry S. Truman e a mais controvertida primeira dama e líder política
argentina Evita Perón. Estrelas de Hollywood não faltavam: a atriz Lana Turner, que teve uma estada de dois meses na suíte presidencial, Errol Flynn, Marlene Dietrich, Orson Welles, Henry Fonda, Maurice Chevalier, Greta Garbo, Bing Crosby e até Walt Disney, em visita ao Brasil para o lançamento do personagem Zé Carioca…

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Vídeo sobre o Palácio Quitandinha

Em 30 de maio de 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra decretou a proibição do jogo no Brasil e o Quitandinha a partir da década de 1960 começou a ter dificuldades para sobreviver somente como hotel. Seu alto padrão exigia alto custo a seus hóspedes e sem o cassino começou a perder para concorrentes da época localizados mais próximos das classes mais abastadas e das maiores esferas de poder, como o Hotel Glória e o Copacabana Palace Hotel. Em 1962 o Palácio Quitandinha deixava de funcionar como hotel.

Nos dias de hoje, as áreas históricas e de lazer, que ficam no térreo, são administradas pelo Sesc desde 2007, e um condomínio residencial absorve os cinco andares acima.

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Colégio Nova Friburgo, projetado para ser o Cassino Cascata.

No início do século XX, Dermeval Barbosa Moreira, conhecido em Nova Friburgo como um médico caridoso, estranhamente resolve diversificar a sua atividade profissional. Juntamente com o seu cunhado, edificou no local denominado “Cascata” das Duas Pedras, um suntuoso prédio destinado a um hotel cassino, o Cassino Cascata. Construíra esse cassino, ao que parece, em sociedade com os mesmos empresários do Cassino da Pampulha, Cassino da Urca e do Quitandinha. No entanto, quando o prédio estava praticamente pronto, eis que o jogo de azar passa a ser proibido no país pelo Governo Dutra e o cassino virou um elefante branco. Desesperado, o médico procurou a equipe médica do Hospital de Tuberculosos de Corrêas, em Petrópolis, oferecendo o prédio do Cassino Cascata para a instalação de um hospital de tuberculosos. Houve interesse por parte daquele estabelecimento e as negociações começaram. Convém lembrar que Nova Friburgo já tinha sido o local escolhido pela Marinha do Brasil para a instalação do Sanatório Naval, estabelecimento destinado a cura de marinheiros tuberculosos. Mas será que a cidade comportaria dois hospitais para tuberculosos?

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Colégio Nova Friburgo. Anos 50.

Surge então um grupo liderado por Augusto Spinelli, e integrado por César Guinle, José Eugênio Müller, Tuffi El Jaick, entre outros, que se mobilizam para impedir a instalação de mais um sanatório, prejudicial à representação de Nova Friburgo como cidade salubre. Resolvem adquirir o prédio a fim de instalar no local um estabelecimento educacional. Criaram então a Empresa Educacional Fluminense, também denominada de Fundação Educacional, e adquiriram o Cassino Cascata de Dr. Dermeval com o propósito de instalar um ginásio. Acontece, entretanto, que a nova empresa, não dispondo de recursos financeiros à altura da iniciativa, e também não podendo retroceder na compra do edifício, sob pena de enorme prejuízo, toma a deliberação de procurar um novo proprietário para o prédio. A Empresa Educacional Fluminense entra em entendimentos com os clérigos do Colégio Anchieta a fim de prolongarem aquele estabelecimento até o Cascata, mas o valor para o empreendimento era superior aos recursos do Colégio Anchieta. Oferecem então ao Seminário de São José, no Rio de Janeiro, cujos clérigos vêm à Nova Friburgo estudar as possibilidades. Mas o Seminário também não pode arcar com o valor do imóvel. O tempo corria, os prejuízos cresciam, a hipoteca da Caixa Econômica vencendo juros, os fornecedores fazendo pressão e os compromissos com os construtores do Cascata avolumavam-se. A Empresa Educacional Fluminense resolve então abrir o ginásio por conta própria e assim iniciam ampla propaganda pelos grandes jornais do Rio de Janeiro, rádios, etc. No entanto, a empreitada é superior à sua condição econômica e a Empresa Educacional novamente volta ao ponto de partida no intuito de encontrar um comprador para o Cascata. Dessa vez urgia pressa ou uma catástrofe financeira desabaria sobre todos. Surge então a Fundação Getúlio Vargas. O fato do prefeito César Guinle ser amigo de Simões Lopes, presidente da Fundação Getúlio Vargas, teria provavelmente facilitado o acordo com essa instituição.

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Escadaria e lustre no prédio do Ginásio Nova Friburgo. Foto atual.

Inicia-se uma negociação que envolve a Prefeitura de Nova Friburgo, a Empresa Educacional Fluminense e a Fundação Getúlio Vargas. A Prefeitura precisaria desembolsar alguns milhões de cruzeiros para viabilizar a vinda de Fundação, o que acabou gerando protestos de alguns segmentos da sociedade friburguense. Porém, a mensagem do prefeito César Guinle foi aprovada pela Câmara Municipal, que conseguiu recursos para viabilizar a vinda da Fundação Getúlio Vargas para Nova Friburgo. Foi investido no Cascata um total de CR$6.000.000,00 (seis milhões de cruzeiros): a Prefeitura doou CR$2.000.000,00; uma subscrição realizada entre a população friburguense arrecadou CR$1.000.000,00 e foi feito um empréstimo junto à Caixa Econômica de CR$2.5000.000,00. A Fundação Getúlio Vargas entrou somente com CR$500.000,00. Cumpre destacar que particulares ainda doaram terrenos no Cascata para ampliação do colégio. Logo, o Cascata passou a abrigar, a partir de 1949, o Colégio Nova Friburgo sob a égide da Fundação Getúlio Vargas, cujo período letivo se inicia no ano seguinte. Ficou conhecido esse estabelecimento de ensino na cidade como “Fundação”. Tratava-se de um colégio de ensino secundário, em regime de internato, consistindo quase todos os internos do sexo masculino. Esse colégio foi considerado uma referência em todo país pelo alto nível de seu ensino e quadro docente. Era um colégio moderno, um colégio laboratório, onde nele seria aplicado um novo sistema de ensino: o estudo dirigido. Várias obras foram executadas. Adaptaram o prédio às salas de aula, construíram o primeiro ginásio esportivo da cidade, pista olímpica, piscina, auditório e um novo prédio para o “curso científico” com salas amplas, biblioteca, laboratórios de química e física, dormitórios e áreas de lazer. As atividades começavam às 8 horas e se estendiam até às 17. Professores de gabarito moravam em casas construídas em torno dos prédios do colégio.

Foi desativado em 1977, depois de 27 anos em atividade.

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Vídeo sobre o Colégio Nova Friburgo. Imagens antigas e atuais.

O local passou anos à deriva, até que em 1989, nas dependências do antigo GNF passou a funcionar o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ). Em janeiro de 2011, o IPRJ teve seu campus interditado, em decorrência da tragédia climática que atingiu a região serrana do estado do Rio de Janeiro e, em particular, a cidade de Nova Friburgo. Hoje, o IPRJ foi transferido para a extinta fábrica Filó, na Vila Amélia.

O que poderia ter sido um dia o Cassino Cascata encontra-se, hoje, abandonado.

Cassino Quitandinha e Cassino Cascata. Duas construções majestosas. Ambiciosas. Duas histórias de resiliência.  Uma, com final feliz. Outra, não. Por quê?

Autor: Catherine Beltrão

Macieiras em flor

Aqui em Nova Friburgo, as cerejeiras começam a florir. É um espetáculo único e efêmero, para os que gostam do inverno e das montanhas. E aí, eu me lembro de outras flores, depositadas no eterno por artistas e poetas: as flores das macieiras!

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“Pommiers en fleurs”, de Georges Wambach. 1937

“Solau à moda antiga”, de Mário Quintana

Senhora, eu vos amo tanto
Que até por vosso marido
Me dá um certo quebranto…

Pois que tem que a gente inclua
No mesmo alastrante amor
Pessoa, animal ou cousa
Que seja lá o que for,
Só porque os banha o esplendor
Daquela a quem se ama tanto?
E, sendo desta maneira,
Não me culpeis, por favor,
Da chama que ardente abrasa,
O nome de vossa rua,
Vossa gente e vossa casa.

E vossa linda macieira
Que ainda ontem deu flor…

Claude Monet's Le Printemps.

“Le Printemps”, de Claude Monet. 1901

“Declaração de amor”, de Carlos Drummond de Andrade

Minha flor minha flor minha flor.
Minha prímula meu pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro.
Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera.
Minha clívia.
Meu cimbídio.
Flor flor flor.
Floramarílis. floranêmona. florazálea. clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia.
Minha hortensegerânea.
Ah, meu nenúfar. rododendro e crisântemo e junquilho meus. meu ciclâmen. macieira-minha-do-japão.
Calceolária minha.
Daliabegônia minha. forsitiaíris tuliparrosa minhas.
Violeta… amor-mais-que-perfeito.
Minha urze. meu cravo-pessoal-de-defunto.
Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.

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“Macieira em flor no jardim”, de Edvard Munch.

“Poema duma macieira”, de Miguel Torga

Este é o poema duma macieira.
Quem quiser lê-lo,
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.
Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.
São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.

 

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“Pommiers en fleurs près de Vetheuil”, de Claude Monet.

Ode à tristeza, de Pablo Neruda

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“Macieira em flor”, de Vincent van Gogh. 1888

Tristeza, escaravelho
de sete patas sujas,
ovo de teia de aranha,
rato descalabrado,
esqueleto de cadela:
Aqui não entras.
Não passas.
Anda-te.
Volta
ao Sul com teus guarda-chuvas,
volta
ao Norte com teus dentes de cobra.
Aqui vive um poeta.
A tristeza não pode
entrar por estas portas.
Pelas janelas
entra o ar do mundo,
as vermelhas rosas novas,
as bandeiras bordadas
do povo e de suas vitórias.
Não podes.
Aqui não entras.
Sacode
tuas asas de morcego,
eu pisarei as penas
que caem de teu manto,
eu varrerei os pedaços
de teu cadáver para
os quatro cantos do vento,
eu te torcerei o pescoço,
te costurarei os olhos,
te cortarei a mortalha
e enterrarei teus ossos roedores
debaixo da primavera de uma macieira.

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“Macieiras em flor”, de Alfred Sisley.

“A História da Macieira”, de Clarice Lispector

A macieira ficava a mesma durante todo o dia espiando as árvores frondosas que cresciam ao seu redor

Durante a noite a macieira olhava para o alto e via as estrelas no céu…e debaixo de sua pequenez, imaginava que as mesmas
estavam penduradas nos galhos das árvores ao seu redor e pensava – “por que razão Deus deu estrelas para essas árvores e
nada cresce nos meus galhos?”.

Ficava tristonha e esbravejava contra a sua sorte.

Pois que chega a primavera e os ganhos da macieira enchem-se de flores – lindas e perfumadas. As pessoas que frequentavam o
bosque correram para sua sombra, todos queriam descansar sob os galhos da pequena macieira. Ela, sempre querendo as
estrelas, desdenhava de suas flores.

_ Por que razão me destes flores ao invés de estrelas? Flores morrem e caem e eu não as terei mais em breve. Dizia a
macieira para Deus que respondia:

_ Não vês, então, macieira, que és a única que abriga pessoas sob teus galhos? Mas a pequena árvore não se satisfazia.

Chega o outono e um vento forte corta os ares do bosque. Macieira percebe que algo cai de seus galhos e olha para o chão.

_ Nossa, meu Deus, já não bastassem as flores que caíram e agora essas bolas vermelhas???!!!

Deus olha risonho para a pequena e petulante arvorezinha e pergunta:

_ Não vês, minha querida, o presente que te dei? Olha com atenção para este que partiu-se em dois.

Macieira, então, olha para a maçã que partira-se em dois e percebe, encantada, a pequena estrela escondida dentro dela.

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“Macieira em flor”, de Claude Monet.

“Mulheres são como maçãs”, de Machado de Assis

As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos,
mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo,
os homens não querem alcançar essas boas,
porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs mais podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo,
mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade,
ELES estão errados. Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar…
Aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

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“Macieira em flor”, de Piet Mondrian. 1912

A flor da macieira não é só beleza, não é só perfume, não é só ternura. É também a presença de Monet e de Neruda. De Van Gogh e de Machado. De Munch e de Torga. De Sisley e de Quintana. De Wambach e de Clarice. De Mondrian e de Drummond.

Autor: Catherine Beltrão  

Museu da Humanidade, o passado que sensibiliza

Em 2009, conheci um museu: o Museu da Humanidade. A impressão que tive na época me marca até hoje: um castelo fantástico, em estilo oriental, com milhares de artefatos antigos, muito bem organizados em inúmeras salas e aposentos formando um labirinto de mistérios a desvendar. E tudo aquilo que via tinha sido idealizado por um só homem: Claudio Prado de Mello.

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O Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro – IPHARJ – foi criado em 1990 e em 2002, nascia o Museu da Humanidade, uma instituição privada ligada ao Instituto, onde são guardados mais de 90 mil itens arqueológicos, entre estátuas, vidros, joias, armas, tecidos, roupas, objetos em metais, madeira e pedra, entre muitos outros, do Brasil e do mundo. Peças que vão dos primórdios da História até o século XIX. Na biblioteca, mais de 40 mil títulos.

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Claudio Prado de Mello com uma turma de crianças, em uma oficina de escavação

IPHARJ2O museu é uma criação do arqueólogo Claudio Prado de Mello, que também preside o IPHARJ. A construção não conseguiu patrocínio até hoje e os recursos são advindos das contribuições dos fundadores do instituto.

Com uma área total de 2.500 metros quadrados, o Museu da Humanidade é um castelo construído em estilo Islâmico (Mamalik) e possui quatro andares distribuídos em 14 metros de altura. O andar subterrâneo ainda está em implantação, onde está sendo montada uma galeria de arqueologia funerária.  A ideia é recriar um setor subterrâneo da forma que só conseguimos ver na velha Europa e no Mundo Oriental, trazendo para o público brasileiro a oportunidade de visitar tumbas egípcias,  pré-colombianas, romanas e inusitadamente a recriação de uma tumba de Palmira que foi implodida pelo Estado Islâmico em 2015. A propósito, cripta é sempre o lugar mais introspectivo e misterioso de um monumento, como acontece com as criptas da Catedral de Notre Dame e do imponente Panteão, ambas localizadas em Paris. Para quem conhece, sabe de que estou falando…

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No térreo, funciona a pleno vapor uma área de eventos e pesquisa, além de uma sala de exposições. Atualmente, há uma síntese do que é o museu, com peças como estátuas de calcário medievais, mármores romanos, itens de madeira asiática, instrumentos de tortura da época da escravidão e cerâmicas egípcia e grega.

IPHARJ6IPHARJ10O segundo andar, também ainda sendo implantado, tem 23 salas, cada uma com o objetivo de mostrar uma época da sociedade humana e ainda antes, desde a formação do planeta Terra até o século XIX, passando por Pré-História, Egito, Grécia, Roma, Bizâncio e mundo islâmico.

No terceiro e último andar, o museu reúne uma área de pesquisa, com dois laboratórios — um de lavagem e higienização das peças, outro de análise —, para averiguar os itens que são encontrados em escavações pelo país. Também nessa área, existe um jardim suspenso e quatro salas de reserva técnica, onde são depositados os materiais já analisados.

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As peças do museu vindas de fora do país são dos cinco continentes e foram compradas em leilões. Já as do Brasil foram adquiridas em escavações realizadas pelo IPHARJ. Elas pertencem à União, e nós ganhamos, em julho deste ano, o reconhecimento do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), ou seja, nos tornamos reserva oficial do Estado brasileiro. Para conseguirmos isso, seguimos uma série de determinações oficiais”, disse Claudio Prado em 2014.

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O Museu da Humanidade também dispõe de um bistrô – o Corniche – que disponibiliza algumas das mais finas iguarias de quatro continentes.

 

Mais informações:

Endereço: Av. Chrisóstomo Pimentel de Oliveira, 443 B 1, Anchieta
Rio de Janeiro, RJ
www.ipharj.com.br
Face: https://www.facebook.com/Museu-da-Humanidade-Ipharj-1681895928797221/
e-mail: pradodemello@hotmail.com

Autor: Catherine Beltrão

No blog ArtenaRede são postados textos sobre impressões artísticas de seus colaboradores, que poderão servir de pretextos para comentários e discussões dos leitores, pois a Arte nunca foi unânime.