Oito ícones, seis museus

Mesmo quem não sabe quase nada de artes plásticas, já ouviu falar de “Mona Lisa“, certo? E, com quase  toda certeza, de “A Noite Estrelada” e, talvez, até de “O Grito“…

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“Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci

E quem teria pintado estas obras? Essa também é fácil! Leonardo da Vinci, Vincent van Gogh e Edward Munch…

Mas e se a pergunta fosse: Onde estão situadas estas obras? Aí, a coisa complica, não é?

Bem, o post de hoje fala destes e de outros ícones da pintura e dos museus que as abrigam. Vamos lá:

A “Mona Lisa“, obra pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1506, encontra-se no Museu do Louvre, na França, desde 1797.

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Museu do Louvre, em Paris

O Museu do Louvre, é o maior museu de arte do mundo e fica situado em Paris, França. Ele possui aproximadamente 380.000 itens, da pré-história ao século XXI, que são exibidos em uma área de 72.735 metros quadrados. Inaugurado em 1793, é o museu mais visitado do mundo.

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“A Noite Estrelada”, de Vincent van Gogh

E “A Noite Estrelada“, onde fica?

A Noite Estrelada“, obra de Vincent van Gogh, pintada em 1889,  faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, desde 1941.

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“Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso

Mas neste museu também se encontram dois outros ícones da pintura, “Les Demoiselles d’Avignon” e “A Persistência da Memória“.

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“A Persistência da Memória”, de Salvador Dali

Les Demoiselles d’Avignon” é uma obra de Pablo Picasso, feito em 1907. Levou nove meses para ser feita, e sua importância se deve ao fato de ser uma das obras responsáveis por revolucionar a história da arte, formando a base para o cubismo e a pintura abstrata.

Quanto ao ícone “A Persistência da Memória“, esta obra foi pintada por  Salvador Dalí, em 1931. A pintura está localizada no MoMA desde 1934. Para quem tiver interesse, vale a pena pesquisar um pouco sobre os significados dos vários símbolos presentes na tela: relógios derretidos, formigas, caricatura do pintor…

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MoMA, em Nova Iorque

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, mais conhecido como MoMA, foi fundado no ano de 1929 como uma instituição educacional. Atualmente é um dos mais famosos e importantes museus de arte moderna do mundo.  Possui mais de 150.000 pinturas, esculturas, desenhos, maquetes, imagens, fotografias e peças de design. E também contém uma livraria e arquivo com cerca de 305.000 livros e ficheiros de mais de 70.000 artistas.

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“A Moça do Brinco de Pérola”, de Johannes Vermeer

E essa? Quem não conhece?

Também conhecida como “A Mona Lisa do Norte” ou “A Mona Lisa Holandesa“,  “A Moça com o Brinco de Pérola“  é uma pintura do artista holandês Johannes Vermeer, feita em 1665. A pintura está no Museu Mauritshuis, desde 1902.

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Museu Mauritshuis, em Haia

O Museu Mauritshuis ( ou Casa de Maurício) é um rico museu de Haia, um dos mais importantes da Holanda. Seu nome se deve ao fato de ter sido construída por ordem de João Maurício de Nassau, que foi governador do Brasil holandês no século XVII, e hoje é a sede da Real Galeria de Pinturas de Maurishuits. Possui um importante acervo de arte, com mais de 800 obras, incluindo obras de Rembrandt e Rubens.

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“As Meninas”, de Diego Velázquez

Um outro ícone importante da pintura mundial é a obra “As Meninas“, de Diego Velázquez.  Pintada em 1656, esta obra foi intensamente analisada e reconhecida como uma das pinturas mais importantes na história da arte ocidental. Ela está atualmente no Museu do Prado em Madrid.

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Museu do Prado, em Madri

O Museu do Prado, localizado em Madri, é o mais importante museu da Espanha e um dos mais importantes do mundo. Inaugurado em 1819, sua coleção é baseada principalmente em pinturas dos séculos XVI a XIX. Entre seus quadros, conta com obras-primas de pintores como Velázquez, El Greco, Rubens, Bosch e Goya.

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“O beijo”, de Gustav Klimt

Essa aqui é fácil!

O quadro “O beijo“, de Gustav Klimt, pintado entre 1907 e 1908, é uma das obras mais reproduzidas da arte mundial. Pertence à chamada “fase dourada” do artista, que utilizou folhas de ouro na composição dos trabalhos nesta fase. O quadro está exposto em Viena, na Galeria Belvedere da Áustria.

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Galeria Belvedere da Áustria, em Viena

Veja que beleza de palácio!

A Galeria Belvedere da Áustria é um museu situado no Palácio Belvedere, em Viena, Áustria. Inaugurado em 1905, sua coleção inclui obras-primas da arte, desde a Idade Média e o Barroco até o século XXI. O acervo inclui obras de Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoschka.

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“O Grito”, de Edward Munch

Esse ícone é barbada! Mas talvez você não saiba que “O Grito” não se resume a uma só obra: é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, pintada em 1893.  Dois dos quadros da série, “A Ansiedade” e “O Desespero“, se encontram no Museu Munch, em Oslo, outra na Galeria Nacional de Oslo e outra em coleção particular.

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Museu Munch, em Oslo

O Museu Munch é um museu de arte situado em Oslo, albergando mais da metade das obras de Edvard Munch, deixadas em testamento à comuna de Oslo em 1940. O museu foi inaugurado em 1963, cem anos após o nascimento do pintor.

Oito ícones. Seis museus. Que tal um roteiro artístico percorrendo estes museus? Mais alguém se habilita?

Autor: Catherine Beltrão

Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora. Nossa Senhora Aparecida. Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Padroeira do Brasil.  E também das grávidas e recém-nascidos, dos rios e mares, do ouro, do mel, da beleza, dos rodeios, dos peões e dos vaqueiros.

Tudo isso sendo mulher. E negra.

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Nossa Senhora Aparecida, mosaico de Gerson Portella

Muitos foram os artistas que representaram esta mulher. A mais venerada brasileira.

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Nossa Senhora Aparecida, de Djanira

Cabe neste post, sem dúvida, a letra da música “Nossa Senhora“, de Roberto Carlos:

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Nossa Senhora Aparecida, de Aleijadinho

Cubra-me com seu manto de amor
Guarda-me na paz desse olhar
Cura-me as feridas e a dor me faz suportar
Que as pedras do meu caminho
Meus pés suportem pisar
Mesmo ferido de espinhos me ajude a passar

Se ficaram mágoas em mim
Mãe tira do meu coração
E aqueles que eu fiz sofrer peço perdão
Se eu curvar meu corpo na dor
Me alivia o peso da cruz
Interceda por mim minha mãe junto a Jesus

 

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Nossa Senhora Aparecida, de Romero Britto

Nossa Senhora me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida do meu destino
Nossa Senhora me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim

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Nossa Senhora Aparecida, de Andreza Katsani

Sempre que o meu pranto rolar
Ponha sobre mim suas mãos
Aumenta minha fé e acalma o meu coração
Grande é a procissão a pedir
A misericórdia o perdão
A cura do corpo e pra alma a salvação

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Nossa Senhora Aparecida, de Antonio Poteiro

Pobres pecadores oh mãe
Tão necessitados de vós
Santa Mãe de Deus tem piedade de nós
De joelhos aos vossos pés
Estendei a nós vossas mãos
Rogai por todos nós vossos filhos meus irmãos

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Nossa Senhora Aparecida, de Ronaldo Mendes

Nossa Senhora me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim

Bendita seja a diversidade! Assim como a natureza assume a forma de cada folha que possa existir, a fé também se expressa na criação de cada um de nós…

 Autor: Catherine Beltrão

Velásquez e o Museu do Prado

O foco de hoje é a Espanha.

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“Autorretrato”, de Diego Velázquez. 1640.

Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660) foi um pintor espanhol e principal artista da corte do rei Filipe IV de Espanha. Era um artista individualista do período barroco contemporâneo, importante como um retratista. A este respeito, alguns críticos o consideram o maior retratista que o mundo já conheceu.

A obra de Velázquez também foi um modelo para os pintores realistas e impressionistas, em especial Édouard Manet que chegou a afirmar que Velásquez era o “pintor dos pintores“. Ele também influenciou artistas mais modernos, incluindo os espanhóis Pablo Picasso e Salvador Dalí, bem como o pintor anglo-irlandês Francis Bacon, que o homenageou recriando várias de suas obras mais famosas.

A grande maioria dos seus quadros estão no Museu do Prado, como:

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“O Triunfo de Baco”, de Diego Velázquez. 1629 – 165 X 225cm.

“O Triunfo de Baco”,  obra pintada para Filipe IV de Espanha. Baco é representado como o deus que recompensou ou presenteou o ser humano com o vinho. Na literatura barroca, Baco é considerado uma alegoria sobre libertação humana da escravidão da vida diária.

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“A Rendição de Breda”, de Diego Velázquez. 1634 – 307 X 367cm

A Rendição de Breda“, sua única obra com tema histórico. Também conhecida como “As lanças“, a obra é considerada por grande parte dos críticos como a mais perfeitamente equilibrada do artista.

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“As Meninas”, de Diego Velázquez. 1656 – 318 X 276cm

As Meninas“, a obra-prima de Diego Velázques, que foi reconhecida como uma das pinturas mais importantes na história da arte ocidental.

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“As Fiandeiras”, de Diego Velázquez. 1657 – 222 X 293cm

E “As Fiandeiras“, primeiro quadro na história da arte dedicado ao trabalho. Esta obra constitui um dos quadros em que é mais fácil identificar a personalidade estética do Museu do Prado.

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Fachada frontal do Museu do Prado, com a estátua de Diego Velázquez.

O Museu do Prado é o mais importante museu da Espanha e um dos mais importantes do mundo.

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Interior do Museu do Prado.

Foi concebido por Juan de Villanueva, o arquiteto do rei Carlos III, sendo esta a maior e mais ambiciosa obra do neoclassicismo espanhol.

Após várias interrupções em sua construção, o museu foi inaugurado a 19 de novembro de 1819. Contendo coleções de pintura e escultura provenientes das coleções reais e da nobreza, o museu detinha, aquando da sua inauguração, cerca de 311 obras de arte, todas elas de autores espanhóis.

Atualmente, a coleção de pintura é bastante completa e complexa, existindo neste museu coleções de pintura espanhola, francesa, flamenga, alemã e italiana. Além de Velázquez, encontram-se neste museu milhares de obras de dezenas de pintores como El Greco, Goya, Georges de La Tour, Watteau, Bruegel, Bosh, Rubens, Rembrandt, Durer, Fra Angelico, Botticelli e Caravaggio, entre muitos outros…

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Interior do Museu do Prado. Sala onde se encontra “as Meninas”, de Diego Velázquez.

 Autor: Catherine Beltrão

Primavera de flores e versos

É na primavera que o ciclo recomeça. Que o tempo vira criança. Que a luz clareia a angústia. Que a alma se percebe plena.

Não é nada difícil escrever sobre a Primavera. Basta que tenhamos flores e versos. Ou poesia sem versos. Dá no mesmo.

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Vincent van Gogh

Comecemos por Cecília. A Meireles. Tem outra?

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

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Odilon Redon

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

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Pierre-Auguste Renoir

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

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Claude Monet

O Drummond bem que podia ser o segundo. Eu acho.

Chegou a primavera? Que me contas!
Não reparei. Pois afinal de contas
nem uma flor a mais no meu jardim,
que aliás não existe, mas enfim
essa ideia de flor é tão teimosa,
que no asfalto costuma abrir a rosa
e põe na cuca menos jardinília
um jasmineiro verso de Cecília.
Como sabes, então, que ela está aí?
Foi notícia que trouxe um colibri
ou saiu em manchete no jornal?
Que boato mais bacana, mais genial,
esse da primavera? Então eu topo,
e no verso e na prosa, eis que galopo,
saio gritando a todos: Venham ver
a alma de tudo, verde, florescer!
Mesmo o que não tem alma? Pois é claro.
Na hora de mentir, meu São Genaro,
é preferível a mentira boa,
que o santo, lá no céu, rindo, perdoa,
e cria uma verdade provisória,
macia, mansa, meiga, meritória.
Olha tudo mudado: o passarinho
na careca do velho faz seu ninho.
O velho vira moço e na paquera
ele próprio é sinal de primavera.
Como beijam os brotos mais gostoso
ao pé do monumento de Barroso!
E todos se namoram. Tudo é amor
no Meier e na Rua do Ouvidor,
no Country, no boteco, Lapa e Urca,
à moda veneziana e à moda turca.
Os hippies, os quadrados, os reaças,
os festivos de esquerda, os boas-praças,
o mau-caráter (bom neste setembro)
e tanta gente mais que nem me lembro,
saem de primavera, e a vida é prímula
a tecnicolizar de cada rímula.
(Achaste a rima rica? Bem mais rico
é quem possui de doido-em-flor um tico.)
Já se entendem contrários, já se anula
o que antes era ódio na medula.
O gato beija o rato; o elefante
dança fora do circo, e é mais galante
entre homens e bichos e mulheres
que indagam positivos malmequeres.
E prima, é primavera. Pelo espaço,
o tempo nos vai dando aquele abraço.
E aqui termino, que termina o fato
surgido, azul, da terra do boato.

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Alberto da Veiga Guignard

Após este boato da primavera de Drummond, Manoel de Barros faz a festa!

(…)

Lugar mais bonito de um passarinho ficar é a palavra.
Nas minhas palavras ainda vivíamos meninos do mato,
um tonto e mim.
Eu vivia embaraçado nos meus escombros verbais.
O menino caminhava incluso em passarinhos.
E uma árvore progredia em ser Bernardo.
Ali até santos davam flor nas pedras.
Porque todos estávamos abrigados pelas palavras.
Usávamos todos uma linguagem de primavera.
Eu viajava com as palavras ao modo de um dicionário.
A gente bem quisera escutar o silêncio do orvalho
sobre as pedras.

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Marc Chagall

Vale agora Mario Quintana primaverescendo…

Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

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Edith Blin

Com o Vinicius, de Moraes, morre-se de primavera!

O meu amor sozinho,
É assim como um jardim sem flor,
Só queria poder ir dizer a ela,
Como é triste se sentir saudade.

É que eu gosto tanto dela,
Que é capaz dela gostar de mim,
Acontece que eu estou mais longe dela,
Do que a estrela a reluzir na tarde.

Estrela, eu lhe diria,
Desce à terra, o amor existe,
E a poesia só espera ver nascer a primavera,
para não morrer,
Não há amor sozinho,
É juntinho que ele fica bom,
Eu queria dar-lhe todo o meu carinho,
Eu queria ter felicidade.

É que o meu amor é tanto,
Um encanto que não tem mais fim,
No entanto ela não sabe que isso existe,
É tão triste se sentir saudade.

Amor,eu lhe direi,
Amor que eu tanto procurei,
Ah! quem me dera eu pudesse ser,
A tua primavera e depois morrer.

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Nivouliés de Pierrefort

E Clarice Lispector põe o ponto final.

Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores.

Clarice, Nélida e os vasos comunicantes

Lispector - Carlos Scliar, 1972

Retrato de Clarice Lispector, por Carlos Scliar. 1972

Quase todo mundo conhece a Clarice Lispector ( 1920-1977) escritora. Minha primeira incursão em seus escritos foi quando cursava o ginásio, no início dos anos 60, ao ler “Perto do coração selvagem“. Não foi amor à primeira leitura. Precisei ler e reler o livro várias vezes para que nossas almas se ajustassem.

Com o passar do tempo, e com o passar das leituras, entendi a máxima: não se concebe o espanhol sem Cervantes, o inglês sem Shakespeare e o português sem Clarice.

Mas este post versará sobre o que pouca gente sabe: a Clarice Lispector pintora.

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“Explosão”, de Clarice Lispector. 1975

Clarice pintou vinte e dois quadros, sendo dezenove sobre madeira, principalmente pinho-de-riga, e três sobre tela.

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“Escuridão e luz centro da vida”, de Clarice Lispector. 1975

Um dia, ela se perguntou: “Quem sabe escrevo por não saber pintar?

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“Luta sangrenta pela paz”, de Clarice Lispector. 1975

Em “A descoberta do mundo“, Clarice registrou:

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“Pássaro da liberdade”, de Clarice Lispector. 1975

Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas – e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho.

Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas”.

Ou ainda:

Antes de mais nada, pinto pintura.
Acho que o processo criador de um pintor
e do escritor são da mesma fonte.

Quando eu escrevo,
misturo uma tinta a outra e nasce uma nova cor”.

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“O Sol da meia-noite”, de Clarice Lispector. 1975

Nélida Piñon e Clarice Lispector foram grandes amigas. Grande escritora e primeira presidente da Academia Brasileira de Letras, Nélida, nascida em 1937, continua nos fustigando com registros antológicos, como:

Se a memória simula esquecer os mortos, o amor, albergado no coração e sempre à espreita, a qualquer sinal açoita quem sobrevive às lembranças”.

Ou esse:

Pensar é um dos atos mais eróticos na vida de uma pessoa“.

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“Eu te pergunto por quê”, de Clarice Lispector. 1975

E onde entra os “vasos comunicantes” entre Clarice e Nélida?

Então.

Em 11 de julho de 2019, no leilão de Soraia Cals, no Rio de Janeiro, Nélida arrematou um dos raros quadros de Clarice Lispector. Em acirrada disputa com o Instituto Moreira Salles, a obra “Sem título“, com um primeiro lance de R$ 8 mil, saiu pelo valor de R$ 220 mil.

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“Sem título”, de Clarice Lispector. 1976

Esta obra, de pequenas dimensões, 30 X 40cm, datada de 1976, pintada a óleo sobre madeira, apresenta uma inscrição na frente: “Olhe o que está escrito atrás“,  e outra no verso: “Você já conheceu, como eu, o desespero. Mas é um erro. Tudo vai dar certo.”

A obra “Sem título“, agora, precisa mudar de título. Sugiro “Vasos comunicantes“, em homenagem à amizade entre duas escritoras monumentais: Clarice Lispector e Nélida Piñon.

Autor: Catherine Beltrão

Os abajures Tiffany

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Louis Comfort Tiffany

A empresa Tiffany & Co. surgiu em meados de 1837 e começou com um investimento de apenas US$ 1 mil. Logo se estabeleceu como uma empresa que vendia artigos de luxo para casa e, em seguida, transformou-se numa das maiores joalherias do mundo.

Mas o abajur Tiffany só apareceu no ano de 1895, através de Louis Comfort Tiffany (1848-1933), filho de um dos fundadores da empresa e uma das principais figuras do movimento de Art Nouveau.

O aspecto do abajur é bem parecido com os vitrais de uma igreja medieval. Isto se deve ao fato de o designer Comfort Tiffany ter trabalhado com técnicas utilizadas desde a Idade Média, produzindo manualmente a coloração do vidro e acrescentando qualidade e durabilidade na peça.

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Abajures de mesa Tiffany

Conhecido como Favrile, e projetado com pedaços de um tipo especial de vidro fundido com óxidos metálicos, no abajur Tiffany  este vidro ganha diversas tonalidades, formando um pequeno vitral no abajur.

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Abajures de escrivaninha Tiffany

No processo de fabricação do abajur são utilizadas técnicas nas quais são usam-se fitas de cobre soldadas que, junto ao pequeno vitral, formam uma peça de aspecto único.

A maioria dos modelos disponíveis possui uma base com pátina em tons de marrom e marrom esverdeado, dando ao item ainda mais
opulência e presença na decoração.

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Lustres Tiffany

Os abajures Tiffany estão disponíveis em 6 diferentes modelos trabalhados de maneira similar, com os efeitos vitrificados que
tanto deram às peças a sua fama e charme.

Entre os modelos estão abajures para escrivaninha, de teto, de mesa, lustre, abajures de chão e também arandelas.

Quanto aos temas dos desenhos dos vitrais, um legítimo abajur Tiffany é trabalhado principalmente com estampas florais e temas como árvores, insetos e pássaros.

E qual seria o valor de um abajur Tiffany?

Podem variar de US$ 4 mil a mais de US$ 3 milhões!

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Abajur Tiffany “Pink Lotus”

Em um leilão da Christie’s de 1997, o abajur “Pink Lotus” foi arrematado por US$ 2,8 milhões.

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Abajur Tiffany “Pond Lily”

Mas em 2018, também na Christie’s, o abajur “Pond Lily” alcançou o incrível preço de US$ 3,3 milhões!

E vale a pena relembrar uma frase de Louis Comfort Tiffany:

Cor é para o olho o que música é para o ouvido.
(“Color is to the eye what music is to the ear.”)

Autor: Catherine Beltrão

Os carretéis de Iberê

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Iberê Camargo

Iberê Camargo (1914 – 1994), pintor gaúcho, é um dos grandes nomes da arte brasileira do século XX.  É autor de uma obra extensa, incluindo pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942 e lá viveu por 40 anos.

Sem dúvida, o tema mais recorrente em sua obra é o carretel. De acordo com o próprio Iberê, o carretel traz à superfície as mais profundas memórias de sua infância. Ele significa a distância entre inocência e maturidade, figuração e abstração.

O próprio título das obras muda, e a palavra ‘carretel’ é substituída por ‘brinquedo’, ‘figura’, ‘contraste’, ‘símbolos’ ou, ainda, ‘signos’.

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“Desdobramento II”, de Iberê Camargo. 1972

Acerca dos carretéis, ele explica:

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“Ascensão I”, de Iberê Camargo. 1973

Minha pintura em nenhum momento abandonou a estruturação da fase dos carretéis. Esses, embora pareçam soltos, livres no espaço (fundo) do quadro, estão solidamente interligados por linhas de força, como os corpos celestes no sistema planetário.

Por isso, não sinto nenhuma afinidade com Pollock ou De Kooning. Minha volta à figura (em verdade nunca a abandonei) se deve ao esgotamento do tema e à necessidade de tocar a realidade que é a única segurança do nosso estar no mundo – o existir. […]

E vale muito a pena apresentar aqui algumas de suas frases:

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“Contraste”, de Iberê Camargo. 1982

Arte, para mim, foi sempre uma obsessão. Nunca toquei a vida com a ponta dos dedos. Tudo o que fiz, fiz sempre com paixão.”

“As figuras que povoam minhas telas envolvem-se na tristeza dos crepúsculos dos dias da minha infância.”

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“Símbolos”, de Iberê Camargo. 1976

É preciso que o fruto que está dentro do artista amadureça no vagar do tempo. Aquele que tem pressa em vendê-lo, fará frutos de cera ou irá apanhá-los no pomar do vizinho.

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“Carretel azul”, de Iberê Camargo. 1981

Só a imaginação pode ir mais longe no mundo do conhecimento. Os poetas e os artistas intuem a verdade. Não pinto o que vejo, mas o que sinto.

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“Composição”, de Iberê Camargo. 1980

O drama, trago-o na alma. A minha pintura, sombria, dramática, suja, corresponde à verdade mais profunda que habita no íntimo de uma burguesia que cobre a miséria do dia-a-dia com o colorido das orgias e da alienação do povo. Não faço mortalha colorida.

A realidade é um enigma que o tempo não banaliza, e o homem não decifra. Ela é a esfinge que nos devora.”

Debruço-me sobre este misterioso poço, insondável, que existe em cada homem.”

A realidade é um enigma que o tempo não banaliza, e o homem não decifra. Ela é a esfinge que nos devora.

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“Carretéis com figuras”, de Iberê Camargo. 1984

O pintor é o mágico que imobiliza o tempo.”

“No fundo, um quadro para mim é um gesto, é o último gesto.

Esta última frase é perturbadora. Para Iberê, cada obra pintada poderia ser a última. E, um dia, foi. Assim como para qualquer um de nós, cada refeição preparada (ou degustada), cada sala varrida, cada verso escrito, cada página lida, cada abraço dado, poderá ser o último. E um dia, será.

Autor: Catherine Beltrão

Djanira, o Chagall dos trópicos

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Djanira da Motta e Silva

Djanira da Motta e Silva (1914-1979) foi uma pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa brasileira. Nasceu em Avaré, São Paulo e passou por Santa Catarina, antes de voltar para a sua terra natal. No final da década de 1930, Djanira contraiu tuberculose e foi se tratar em Campos do Jordão.

Em 1939, Djanira mudou-se para o bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e adquiriu a Pensão Mauá, que se tornou um local de convívio de diversos artistas e intelectuais da época. Teve aulas com os pintores Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes na pensão.

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“Mercado da Bahia”, de Djanira. 1959

Com uma temática bem brasileira, Djanira reproduziu em sua obra a paisagem nacional em estilo de arte primitiva, com linhas e cores simplificadas. Em sua obra coexistem uma diversidade de cenas, como as festas folclóricas, as temáticas religiosas, o cotidiano dos tecelões, os pescadores, os batedores de arroz…

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“Mercado de peixe”, de Djanira. 1957

Entre 1950 e 1951, pintou o mural “Candomblé”, para a residência de Jorge Amado, em Salvador. E são de Jorge Amado estas palavras sobre Djanira:

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“Candomblé”, de Djanira.
In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: . Acesso em: 25 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.

Djanira traz o Brasil em suas mãos, sua ciência é a do povo,
seu saber é esse do coração aberto à paisagem, à cor, ao perfume,
às alegrias, dores e esperanças dos brasileiros.

Sendo um dos grandes pintores de nossa terra,
ela é mais do que isso, é a própria terra,
o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba,
as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria.
Cada uma de sua telas é um pouco do Brasil.”

Entre 1963 e 1964, confeccionou o painel “Santa Bárbara”, com 130 m2 e 5.300 azulejos, no túnel do mesmo nome, que liga os bairros de Catumbi e Laranjeiras, no Rio de Janeiro. A obra foi uma homenagem aos 18 operários mortos na abertura do túnel.

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“Painel Santa Bárbara”, de Djanira.

Posteriormente, o painel foi instalado no Museu Nacional de Belas Artes.

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“Santa’Ana de pé”, de Djanira.

Muito religiosa, em 1963, entrou para a Ordem Terceira Carmelita, recebendo o hábito com o nome de Irmã Teresa do Amor Divino. Em 1972 recebeu um diploma e uma medalha, do Papa Paulo VI. Djanira foi a primeira artista latino-americana a ser representada no Museu do Vaticano, com a obra “Sant’Ana de Pé“.

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“Três orixás”, de Djanira.1966

Nosso grande poeta Ferreira Gullar falou assim de Djanira:

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“Serradores”, de Djanira. 1959

(…) Moça do interior de São Paulo, que viveu a primeira fase de sua vida em contato com os animais, os trabalhadores do campo, a vida simples e dura, que foi também a sua, Djanira iria mais tarde dar forma de arte a essa experiência indelével. 

(…) Procuraria manter, ao longo da vida, o vínculo com esse passado: viveu cercada de pássaros, plantas e bichos, e, sempre que as condições de saúde permitiam, viajava pelo interior do país, como para renovar o contato com as fontes inspiradoras de sua arte e mesmo de sua vida. Nascida do povo, manteve-se uma mulher do povo, uma artista do povo identificada com ele em seus sofrimentos e em suas lutas. (…) Essa identificação com seu povo e sua terra, essa generosidade de sentimentos teriam, inevitavelmente, que se refletir na obra da pintora, onde a paisagem e os homens brasileiros ocupam o primeiro plano. Esses elementos – como outros também ligados a eles – constituem o seu universo, o mundo que ela necessitava organizar, transfigurar, salvar da morte. E o fez instilando neles a força do seu lirismo e a beleza que a sua sensibilidade apreendia e revelava nas coisas mais simples, nas cenas mais comuns do trabalho e da vida diária”.

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“Indústria Automobilística”, de Djanira,1962

Quem também escreveu sobre Djanira foi Paulo Mendes Campos, grande poeta e jornalista, em sua “Cantiga para Djanira“:

O vento é o aprendiz das horas lentas,
Traz suas invisíveis ferramentas,
Suas lixas, seus pentes-finos,
Cinzela seus castelos pequeninos,
Onde não cabem gigantes contrafeitos,
E, sem emendar jamais os seus defeitos,
Já rosna descontente e guaia
De aflição e dispara à outra praia,
Onde talvez possa assentar
Seu monumento de areia – e descansar.

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“Embarque de bananas”, de Djanira.1957

Sua obra teve influências: Pieter Brueghel, Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. Sobre este último, disse o historiador e crítico Mario Barata:

” (…) Diferentemente doutro poeta do mundo exterior – o russo israelita Marc Chagall -,  Djanira não é sonhadora. É realista, efetivamente realista. Sua obra emana de uma visão aplicada às coisas, com lirismo.”

Autor: Catherine Beltrão

Arte na areia

Nem toda arte é eterna e sobrevive por séculos.  A arte na areia é uma arte efêmera, que consiste em desenhar sobre a areia molhada à maré baixa. Pode ser praticada sobre pequenas ou grandes superfícies.

Neste post, apresento dois artistas que criam obras de arte na areia: Jben e Andres Amador.

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Obra de Jben

Jehan-Benjamin, Mais conhecido com Jben,  pratica a arte na areia deste 2014.

Seus desenhos medem cerca de 45m de diâmetro e podem passar de 100m de envergadura.

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Obra de Jben

Equipado de seus ancinhos e de seu drone, Jben percorre principalmente as praias do sudoeste da França, para realizar fantásticos desenhos que, em seguida, são fotografados e filmados, para deleite de suas redes sociais.

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Obra de Jben

Antes uma paixão, a arte na areia tornou-se, desde 2016, a atividade principal de Jben, que cria sobre a areia  desenhos personalizados, e também realiza oficinas de iniciação para particulares, associações e até mesmo, empresas.

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Diz Jben:

Parece que a Terra é mais bonita vista do alto, tentarei então compartilhar com vocês minha arte efêmera vista do céu!

Um outro grande artista de desenhos na areia é o paisagista Andres Amador, natural de São Francisco, Califórnia.

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Obra de Andres Amador

Ao invés de comprar uma tela e pintá-la em casa, o artista passa os dias na praia esculpindo e usando a areia como sua própria tela.

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Obra de Andres Amador

Mesmo com todo o trabalho, ele sabe que dentro de algumas horas sua obra prima não estará mais por lá, devido à água do mar que pode apagá-la. Por isso, Andres está sempre atento à maré, certificando-se de que esteja baixa quando for desenhar.

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Obra de Andres Amador

Suas imagens chegam a 500 metros, e são maravilhosas quando vistas de cima. Para completá-las, o artista conta com a ajuda de voluntários, além de promover workshops com certificados, estando sempre aberto para ensinar suas técnicas.

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Obra de Andres Amador

E, mais uma vez, temos aqui um exemplo de como a tecnologia está a serviço da arte. Se não fossem os drones, dificilmente estes artistas de arte tão efêmera poderiam criar tais obras e, menos ainda, estaríamos apreciando estas maravilhas junto ao mar…

Autor: Catherine Beltrão

O ouro de Klimt

Klimt

Gustav Klimt

Gustav Klimt (1862 – 1918) foi um pintor simbolista austríaco. Além do Simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que ía de encontro à tradição acadêmica nas artes. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos dos quais estão em exposição na Galeria da Secessão de Viena.

De 1905 a 1909, ocorreu a sua célebre “Fase dourada“, com a criação de obras que viraram ícones da arte mundial.

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“As três idades da Mulher”, de Gustav Klimt. 1905, ost, 180 x 180 cm Localização: Galleria Nazionale d’Arte Moderna, Roma, Itália

Na composição “As Três Idades da Mulher“, a temática sobre o ciclo da vida é mostrada diretamente. Para muitos estudiosos de arte, o artista inspirou-se no quadro “As Três Idades da Mulher e a Morte”, obra do pintor renascentista alemão Hans Baldung Grie.

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“Retrato de Adele Bloch-Bauer I”,de Gustav Klimt. 1907, ost, 138 X 138cm

O “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” tem uma história tão interessante que foi contada no filme “A Dama Dourada” (“Woman in Gold“).  A obra foi vendida em junho de 2006, a Ronald Lauder, proprietário da Neue Galerie em Nova Iorque, por 135 milhões de dólares, tendo sido, na época, a segunda pintura mais cara do mundo. Para saber mais sobre esta obra, clique aqui.

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“O beijo”, de Gustav Klimt.1907-1908, ost, 180 X 180cm

O Beijo” talvez seja a obra mais icônica de Gustav Klimt. Especialistas explicam que a tela, fazendo parte da fase dourada do artista, tem, de fato, uma estética cintilante e elementos de ouro em sua composição, além de detalhes que simulam ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas. “O Beijo” retrata sensualidade e erotismo: um homem e uma mulher abraçados sobre um tapete de flores. As roupas do casal foram pintadas como se fossem mosaicos e se distinguem uma da outra, apesar de estarem muitos próximas, dando a sensação de que ao se abraçarem, os dois se tornam um só.

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“O beijo”, de Klimt, replicado pelo artista Tamman Azzam em uma parede de um edifício bombardeado em Damasco, na Síria

Em 2013, o artista Tamman Azzam replicou a obra em uma parede de um edifício bombardeado em Damasco, na Síria, como uma forma de protesto contra a guerra. Para saber mais, clique aqui.

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“Danae”, de Gustav Klimt.1908, ost, 77 X 83cm

O tema da pintura “Danaë” esteve muito em voga no início da década de 1900 entre muitos artistas; a personagem foi utilizada como um símbolo de perfeição do amor divino, e transcendência. Durante a sua prisão pelo seu pai, Rei de Argos, numa torre de bronze, Danaë recebeu a visita de Zeus, aqui simbolizado pela chuva dourada entre as suas pernas. No trabalho, ela está enrolada com um véu púrpura o qual faz referência à sua linhagem imperial. Algum tempo depois da sua visita celestial, deu à luz um filho, Perseu, que é citado na mitologia grega como tendo morto Medusa e salvo Andrômeda.

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“A Árvore da Vida”, de Gustav Klimt. 1909, ost,102 X 195cm

A obra “A Árvore da Vida” apresenta um estilo art nouveau. Os mosaicos foram criados no último período do artista, e mostram Árvores da Vida com os ramos enrolados, uma figura feminina de pé, e um casal abraçado.

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“Morte e Vida”, de Gustav Klimt. 1908-1916, ost,198 X 178cm

Em “Morte e Vida“, Klimt apresenta a temática da morte, que seria pessimista, mas, também introduz uma nota de esperança e reconciliação; em vez de se sentir ameaçado pela figura da morte, os seres humanos à direita dela parecem desprezá-la. A imaginação do artista já não se concentra na união física, mas sim na expectativa que a precede. Talvez esta recém-descoberta serenidade tenha origem na própria consciência de envelhecimento de Klimt e proximidade dele com a morte. Mas antes que chegasse esse momento, ele escolheu representar apenas momentos de intenso prazer ou beleza e juventude milagrosas.

Gustav Klimt foi único. Sua obra, já internacionalmente reconhecida e admirada, ainda tem um longo caminho a percorrer, até chegar ao conhecimento dos que ainda não sabem de sua existência. É dele a frase:

Qualquer um que desejar saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas e procurar reconhecer nelas o que eu sou e o que eu quero”.

Autor: Catherine Beltrão

No blog ArtenaRede são postados textos sobre impressões artísticas de seus colaboradores, que poderão servir de pretextos para comentários e discussões dos leitores, pois a Arte nunca foi unânime.