Os barcos de meu pai (versão infantil)

Meu pai era pintor.
Pintava barcos.
Barcos coloridos.

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“Barco colorido em fundo preto”, ost.

Alguns eram barcos tristes.
Outros pareciam mais alegres.
Mas todos eram encantados.

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“Barco colorido em fundo branco”, ost.

Um dia ele pintou dois barcos
com um céu todo preto.
Devia ser de noite.

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“Dois barcos”, ost.

E foi de noite que ele pintou
um barco chamado “Thamar
ouvindo a música de uma estrela.

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“Thamar”, ost.

Passou mais um dia
e ele pintou vários barcos
apostando corrida.

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“Corrida de barcos”, ost.

Teve também um dia
Em que ele pintou um cais
e do barco dava pra ver um cidade.

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“Cais”, ost.

E em outro dia de tempestade de neve
ele pintou uma vela
com as cores do arco-iris.

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“Vela”, ost

E você?
Que tal você também pintar um barco?
Ou dois? Ou talvez três?
Podia ser um barco todo colorido…
Ou dois barcos à noite…
Ou quem sabe, uma corrida de barcos…

Autor: Catherine Beltrão

Artemisia e o feminismo no século XVII

Quando se começa a pesquisar sobre o feminismo, o que encontramos é que sua origem data do século XIX, com o direito de sufrágio por parte das mulheres. Mas será que não teria havido nenhum movimento feminista antes disso?

O que não se pode negar é a atitude de algumas mulheres no decorrer da História, assumindo um poder feminino inexistente nas sociedades em que viviam. Uma dessas mulheres é Artemisia  Gentileschi (1593-1653), pintora barroca italiana, considerada hoje uma das mais bem-sucedidas pintoras de sua época, junto de Caravaggio.

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“Maria Madalena em êxtase”, 1611 ou 1613/20, óleo sobre tela, 81,0 X 105,0 cm

Mas quem foi Artemisia Gentileschi, raramente apresentada em cursos de História da Arte?

Artemisia foi tutelada durante anos pelo seu pai. Mais tarde, a artista passou para as mãos de um outro pintor da época, Agostino Tassi, que a estuprou. Mas ela levou seu caso para julgamento, e após ser torturada psicologicamente e questionada, seu estuprador foi sentenciado. Este talvez tenha sido o primeiro caso de estupro público, com o veredicto favorável à mulher.

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“Susana e os Velhos”, de 1622

Artemisia é considerada uma artista barroca fortemente influenciada por Caravaggio. Em suas obras, é possível identificar características como o realismo e o uso dramático do chiaroscuro (claro-escuro), uma técnica de pintura caracterizada pelo jogo de contrastes estabelecidos pela utilização de cores claras e escuras. Ela fez alguns autorretratos e pintou mulheres fortes e sofredoras, que aparecem em diversas histórias da Bíblia.

Uma de suas obras mais conhecidas é o “Autorretrato tocando violão“, de 1615/17.  Na verdade, o instrumento representado na obra não é um violão e sim um alaúde…

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“Autorretrato tocando violão”, 1615/17. Óleo sobre tela, 77,5 × 71,8 cm

Outro autorretrato da mesma época,  o intitulado “Autorretrato como Santa Catarina de Alexandria“, de (1614/16), foi vendida recentemente por €2,360,600 em 19/12/2017, na casa de leilões Drouot, em Paris.

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“Autorretrato como Santa Catarina de Alexandria”, de 1614/16

Mais um de seus autorretratos, “Alegoria da Pintura“, de  1638/39, Artemisia representa a si própria ao lado de tintas e fazendo uso de um pincel, enquanto efetivamente emprega o ato de pintar.

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“Autorretrato como Alegoria da Pintura”, de 1638/39. Óleo sobre tela, 98,6 × 75,2 cm.

Quanto às mulheres bíblicas, fortes e sofredoras, três são destacadas na obra de Artemisia: Maria Madalena, Judith e Susana.

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“Judith decapitando Holofernes”, 1614/20

Assim como Caravaggio, Artemisia também fez sua “Maria Madalena em Êxtase“.  Esta obra foi vendida por $1,179,832, em 2014, na Sotheby’s de Paris.

A obra “Judith decapitando Holofernes” é talvez a mais conhecida de Artemisia. Trata-se de um tema recorrente na obra da pintora: o general assírio Holofernes é decapitado por Judith que, com esse ato, libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos.

Em “Susana e os Velhos“, Artemisia procurou na Bíblia uma história parecida com a sua. Susana era uma bela e jovem esposa de um rico judeu do século VI a.C. Ela sofre um assédio de dois velhos que frequentam a sua casa, surpreendendo-a no banho e exigindo que ela se submeta aos seus desejos sob pena de a difamarem. Susana resiste, é julgada e condenada. Posteriormente, o juiz Daniel reabre o processo e devido às contradições dos depoimentos dos acusados, prova a inocência de Susana e provoca a condenação dos velhos à morte.

Assunto polêmico: será que, algum dia, a obra de Artemisia irá superar a de Caravaggio, assim como a de Camille Claudel  está sendo considerada maior que a de Rodin?

    Autor: Catherine Beltrão

As nove obras de Leonardo da Vinci

Outro dia estava tomando café com alguns amigos e surgiu o nome Leonardo. Leonardo da Vinci. O maior gênio de todos os tempos. E talvez o maior polímata de toda a História, destacando-se como  cientista, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, inventor, fisiólogo, anatomista, escritor, poeta e músico.

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“São Jerónimo no deserto” – c. 1480 – Tempera e óleo sobre painel – 103 × 75 cm

Mas a prosa enveredou para o Leonardo pintor. Mesmo porque ninguém ali iria discutir “O Homem Vitruviano“, a proporção áurea e a simetria da beleza. Nem tecer considerações sobre protótipos de helicópteros ou calculadoras.

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“A Adoração dos Magos” – 1481 – Óleo sobre madeira – 240 × 250 cm

Uso de energia solar? Alguém entende de? Teoria de placas tectônicas? Placas o quê? Não, definitivamente não. A zona de conforto era falar de “Mona Lisa“, certo?

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“Virgem das Rochas” – 1483–1486 – Óleo sobre madeira (transferida para tela) – 199 × 122 cm

Bem, todo mundo sabe que a “Mona Lisa” é o retrato mais famoso e valioso já pintado na História. Está na linha de frente das obras de arte mais controversas, questionadas, valiosas, elogiadas, comemoradas e reproduzidas.

Foi aí que comentei que a quantidade de obras pintadas por Leonardo cabiam nos dedos das duas mãos. Mesmo faltando um dedo. Isso mesmo! Somente nove obras são atribuídas universalmente a Da Vinci! Como assim? Isso não é possível…

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“A Última Ceia” – (1495-1498) – Mista com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco – 460 × 880 cm

É verdade. O maior gênio de todos os tempos, autor do quadro mais famoso da História da Arte, possui somente nove obras a ele atribuídas sem contestação. Senão vejamos, por ordem cronológica:

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“A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João Batista” – c. 1499–1500 – Carvão e giz preto e branco sobre papel colorido – 142 × 105 cm

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Sala delle Asse – 1498–1499 – Afrescos

1. “São Jerônimo no deserto” – c. 1480 – Tempera e óleo sobre painel – 103 × 75 cm – Museu do Vaticano, Vaticano
2. “A Adoração dos Magos” – 1481 – Óleo sobre madeira – 240 × 250 cm – Uffizi, Florence
3. “Virgem das Rochas” – 1483–1486 – Óleo sobre madeira (transferida para tela) – 199 × 122 cm – Museu do Louvre, Paris
4. “A Última Ceia” – (1495-1498)  – Mista com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco – 460 × 880 cm – Santa Maria delle Grazie, Milão
5. “Sala delle Asse” – 1498–1499 – Afrescos – Castelo Sforzesco, Milão
6. “A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João Batista” – c. 1499–1500 – Carvão e giz preto e branco sobre papel colorido – 142 × 105 cm – National Gallery, Londres
7. “Salvator Mundi“- c. 1499–1500 – Óleo sobre painel – 66 × 46 cm – Museu do Louvre, filial em Abu Dhabi
8. “Mona Lisa ” – c. 1503–1507 – Óleo sobre madeira – 76.8 × 53.0 cm – Museu do Louvre, Paris
9. “A Virgem e o Menino com Santa Ana” – c. 1508 – Óleo sobre painel – 168 × 112 cm – Museu do Louvre, Paris

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“Salvator Mundi” – c. 1499–1500 – Óleo sobre painel – 66 × 46 cm

Ao analisarmos a lista das nove obras, percebemos que todas se encontram na Europa, com exceção de “Salvator Mundi“. Este quadro, aliás, ostenta hoje o título de obra mais valiosa já adquirida em leilão: no dia 15 de novembro de 2017, na casa Christie’s de leilões, foi arrematada por um valor recorde de 450,3 milhões de dólares.

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“Mona Lisa” – c. 1503–1507 – Óleo sobre madeira – 76.8 × 53.0 cm

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“A Virgem e o Menino com Santa Ana” – c. 1508 – Óleo sobre painel – 168 × 112 cm

 

Paris, Milão, Florença, Vaticano e Londres: cinco cidades europeias a percorrer para visitar oito obras de Leonardo da Vinci. É o que se pode chamar de concentração de beleza!

 

   Autor: Catherine Beltrão

Fatias de arte

Você quer uma fatia de Van Gogh? Ou de Dali? Ou prefere uma de Mondrian, talvez…

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Bolo Mondrian

Estes bolos construídos como releituras de obras importantes de pintores famosos não são de hoje. Todos já devem ter visto imagens dessas maravilhas…

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Bolos “O Grito”, de Munch e “A Garota no Espelho”, de Picasso. By Maria Aristidou

São muitas as histórias sobre a origem dos bolos decorados. Itália e França se empenham em empunhar essa bandeira de pioneirismo. De qualquer modo, o cake design  nasceu ainda no período da Idade Média. Naquela época, a massa de açúcar - pâte à sucre – não podia ser utilizada por qualquer um pois o açúcar era artigo de luxo.  Estes bolos, às vezes de vários andares, faziam parte de banquetes promovidos pela aristocracia francesa.  Assim, o cake design caiu em desuso na França durante o século XIX. Mas voltou com força total no século XX, nos Estados Unidos, com a utilização de glacê real e pasta de açúcar, a conhecida pasta americana.

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Bolo “A Noite Estrelada”, de Van Gogh

Mas e os bolos criados a partir de obras icônicas de grandes pintores?

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Bolos “A persistência da memória”, de Dali e “O beijo”, de Klimt

Alguns bolos decorados são verdadeiros trabalhos artísticos. Um dia, um cake designer deve ter se perguntado: “Por que não decorar um bolo como se fosse um releitura de uma obra de arte famosa?” E assim foi feito. Surgiram várias releituras doces e comestíveis de “A Noite Estrelada“, de Van Gogh, de “O Grito“, de Edvard Munch, de “Garota no Espelho“, de Pablo Picasso, de “A Persistência da Memória“, de Salvador Dali… entre várias outras.

Mas ainda não encontrei bolos decorados com releituras de obras como “O Ciclo do Café“, de Cândido Portinari, “Abaporu“, de Tarsila do Amaral ou de uma “Paisagem Imaginante“, de Alberto da Veiga Guignard … Alguém já comeu? Alguém já viu?

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Escultura de bolos com releituras de obras de Van Gogh, Pollock, Mondrian, Warhol, Brito e Da Vinci. Como cereja do bolo, um móbile de Calder

 Autor: Catherine Beltrão

 

Cecília, a bailarina que não gostava de sol

1957. Katia, a menina, com nove anos. Edith, a avó da menina, tendo passado dos sessenta. E quem se importava com essa diferença de idade? As duas liam juntas todos os dias. As duas também  conversavam todos os dias.

- “Vó, eu queria ser bailarina!“, disse Katia, naquela tarde de inverno.

Edith já sabia disso, pois ela tinha ouvido essa frase mais de dez vezes, só naquele inverno.

Mas foi naquela tarde que a avó lembrou de Cecília. Cecília Meireles.

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“Petite danseuse” , de Edgar Degas – desenho, 1875

- “Você sabe que Cecília Meireles, uma das maiores poetisas brasileiras, escreveu um poema – ‘A bailarina’ – que fala de uma menina que quer ser bailarina?

- “Não sei não, vó! “, respondeu Katia. E perguntou:  “Como é a poesia?

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“Três estudos para a pequena bailarina de 14 anos”, de Edgar Degas – desenho, c.1877

- “Não sei toda, mas sei que começa com as notas musicais… Assim:

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.  ……..”

- “Que linda, vó!“, exclamou Katia.  E continuou: “Mas faltou uma nota: o sol!

- “É mesmo, faltou o sol… “.  Edith tinha ficado espantada com o fato que a neta percebeu a falta da nota sol na poesia da Cecília.

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“Danseuse en blanc”, de Edgar Degas – desenhoe pastel, 1877

- “Por que a poesia não tem o sol, você sabe, vó? Será que a bailarina não gostava de tomar sol? “, brincou Katia.

- “Quem sabe? Pode ser… ” E as duas ficaram rindo do trocadilho que Katia acabara de fazer entre a nota sol e a estrela maior do sistema solar, o Sol.

- “Vó, será que dá pra pintar uma bailarina que não gosta de sol?”

- “Deixe-me pensar um pouco… Acho que vou pintar uma bailarina perto de uma cortina. Assim, quando o Sol aparecer, ela poderá fechar a cortina!

E Edith pintou “Cecília, a bailarina que não gostava de sol“, em homenagem à bailarina de Cecília Meireles.

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“A bailarina que não gostava de sol”, de Edith Blin. Pastel sobre cartolina preta, 50 X 38cm, 1957.

E você? Quer que Cecília feche a cortina ou deixe ela aberta para o sol entrar?

Autor: Catherine Beltrão

Este é o 7º post da série “Bailarinas“.  1º post: “A Bailarina Azul”; 2º post: “A Fada Bailarina Lilás“; 3º post: “A Bailarina de Tutu Amarelo”; 4º post: “Odete, Aurora ou Clara?” 5º post: “Isadora”; 6º post: “Julieta“.

Até onde o papel cortado emociona?

Quem lembra daquelas tiras de papel recortado apresentando menininhas de mãos dadas? Todo mundo já deve ter feito algum dia uma dessas tirinhas, não? O post de hoje também é sobre corte de papel. Mas corte a laser de papel. E até onde cortar papel pode emocionar como obra de arte.

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“Ipswish”, de Eric Standley

Eric Standley é conhecido por suas obras de arte de papel cortado a laser notavelmente detalhadas que são criadas na interseção da tecnologia, mitologia e geometria.

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“Argos”, de Eric Standley

Nascido em 1968, Eric é Professor Associado do Estúdio de Arte na Virgina Tech. Possui obras em cerca de noventa museus e galerias espalhadas pelo mundo.

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“Octagon Drawings”, de Eric Standley

Eric constrói artefatos complexos de papel cortado usando software baseado em vetores e máquinas de corte a laser. Cada camada de papel é cortada e depois as camadas são montadas para a criação da obra. Este processo costuma ser lento, o que acarreta meses, às vezes anos, para a complementação de um trabalho. Suas composições incluem a remoção de resíduos de cada camada de papel e na pré visualização da superposição das camadas, abrangendo linha, cor e espaço. Ele não usa algoritmos para gerar elementos e sim desenha cada linha.

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Obra de Eric Standley

A tecnologia circunscreve limites, como fazem os artistas. Nós estendemos nosso corpo e nossa mente pelos avanços de nossa imaginação e criação.”

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“Daphne”, de Eric Standley. Detalhe.

Eu gosto do pensamento que a fé é uma ligação que unifica a humanidade. Dentro de cada necessidade de crença individual, existe um compartilhamento intrínseco. Talvez este compartilhamento possa ser expresso visualmente como arquétipos potenciais que transcendem nossas diferenças, e nos unificam por meio da familiaridade humana. Encontro padrões arquetípicos em culturas mitológicas, nos rituais de fé em muitas religiões, e na geometria de artefatos que escolhemos para serem sagradas. Eles são encontrados nas quatro forças da natureza. Eles são encontrados na teoria do DNA e na teoria dos fractais. Os sonhos utópicos do modernismo foram imprudentes ao excluir as complexidades da familiaridade humana. A maior força de ligação na humanidade é o reconhecimento unificado de nossa própria fragilidade.

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“Either/Or Delta Orionis”, de Eric Standley

A natureza está recheada de exemplos de fractais. O número de ouro (número phi) se repete a perder de vista ao nosso redor. Músicos e pintores se esmeraram em nos mostrar isso em suas obras. Johann Sebastian Bach, Leonardo da Vinci e Salvador Dali são alguns deles. E, na medida que a tecnologia avança, mais exemplos vão aparecendo. A obra de Eric Standley é mais um legado artístico nesta direção.

 Autor: Catherine Beltrão

Julieta

As duas estavam na varanda. Avó e neta. Edith e Katia. As duas com um livro na mão. O som de uma música vinha da sala. Na vitrola, o disco de vinil tocava “Romeu e Julieta“, de Sergei Prokofiev.

- “Que música bonita, vó! Dá até vontade de sair dançando…

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Galina Ulanova, no balé “Romeu e Julieta”

- “É mesmo, Katia! O Prokofiev deve estar feliz agora pois ele fez essa música pra dançar. Estamos ouvindo a música do balé ‘Romeu e Julieta’…“, falou Edith. E continuou:

- “Você conhece a história, não?

- “É aquela em que os dois morrem no final, vó? É muito triste… “, respondeu a neta.

- “Depende. Se você pensa só nisto, é triste. Mas vamos pensar mais?

- “Vamos!“, concordou Katia, toda feliz com o que ía ficar sabendo.

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Galina Ulanova, no balé “Romeu e Julieta”

E Edith contou a história escrita há mais de quatrocentos anos por William Shakespeare, um dos maiores escritores de todos os tempos,  que se chama “Romeu e Julieta, do Ódio ao Amor“.

Contou das famílias tradicionais que se odiavam na Itália do séc. XVI, os Montecchios e os Capuletos. Contou da paixão proibida de Julieta e Romeu, filhos das famílias rivais. Contou da poção tomada por Julieta para fingir que tinha morrido. Contou do desespero de Romeu que, acreditando na morte de sua amada, ingere um veneno e se mata. E contou que Julieta, ao acordar e deparar com o corpo inerte de Romeu a seu lado, pega um punhal e se mata também.

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Galina Ulanova, no balé “Romeu e Julieta”

- “Pois é, vó, não falei? O Romeu e a Julieta morrem no final, viu?

- “Sim, é verdade“, respondeu Edith. “Mas sabe o que aconteceu depois?

- “Este não é o final da história? O que aconteceu depois?“, perguntou a neta.

- “Pois bem: as famílias de Romeu e de Julieta ficaram tão abaladas com a tragédia que nunca mais brigaram! Este é o fim da história… “

- “Puxa, é mesmo, o final da história não é tão triste.”, concordou Katia. E continou:

- “Vó, se eu dançar um dia este balé, eu queria ser a Julieta!

Tá certo. Enquanto isso, vou pintar uma bailarina Julieta pra você!

E Edith pintou a “Bailarina vestida de azul” para Katia.

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“Bailarina vestida de azul”, de Edith Blin. 1957, pastel sobre cartolina, 50 X 38cm

 

Naquele dia, Katia aprendeu que a tristeza pode gerar felicidade. Basta esperar mais um pouco. Ou olhar para o horizonte.

 Autor: Catherine Beltrão

Este é o 6º post da série “Bailarinas“.  1º post: “A Bailarina Azul”; 2º post: “A Fada Bailarina Lilás“; 3º post: “A Bailarina de Tutu Amarelo”; 4º post: “Odete, Aurora ou Clara?” 5º post: “Isadora”.

Três pintores russos

Hora de falar da Rússia.

A arte russa é monumental. Música, balé, pintura… Sem falar na literatura. Vou focar na pintura. E somente em três pintores: Chagall, Kandinsky e Soutine.

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“A noiva”, de Marc Chagall. 1950

Marc Chagall (1887-1985) foi um pintor, ceramista e gravurista surrealista judeu russo-francês. Considerado  um pintor solar, abusou de cores, fantasias e sonhos em suas obras.

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“Paris, através da janela”, de Marc Chagall. 1913/14

E, por isso mesmo, precisou fugir das lideranças russas, que não viam relação entre Karl Marx, Lênin e uma vaca verde.  A França o adotou. Ela aceitava mais bodes tocando violino, vacas voando, peixes segurando vela…

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“Daphnis e Chloé”, de Marc Chagall. 1961. Detalhe

Em Paris, Chagall conheceu outros artistas, como Amadeo Modigliani e Guillaume Apollinaire.

Em 1956, Chagall recebeu uma encomenda de ilustrar um maravilhoso romance pastoral grego – “Daphnis e Chloé“. Ele passou 5 anos nesta tarefa, que resultou em 42 litografias magistrais.

Mas, embora tivesse passado pela Alemanha, França e EUA, Chagall sempre trouxe a alma russa para as suas obras:

Todo pintor nasce em algum lugar. Embora mais tarde ele possa reagir às influências de outros ambientes, uma certa essência – um certo ‘aroma’ de seu local de nascimento – adere à sua obra.”

“Vão se passando os anos e a gente se sente cada vez mais uma ‘árvore’ que precisa do solo que lhe é próprio, da chuva e do ar que são seus.”

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“Composição 8″, de Kandinsky. 1923

Wassily Kandinsky (1866-1944) foi um artista plástico russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das
artes visuais. Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade alemã em 1928 e a francesa em 1939.

Kandinsky foi muito influenciado pela Música e pela Teosofia.

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“Amarelo, Vermelho, Azul”, de Kandinsky. 1925

A influência da música foi bastante importante no nascimento da arte abstrata. A arte abstrata não representa o mundo exterior mas, sim, procura expressar, numa maneira imediata, os sentimentos interiores da alma humana. Kandinsky às vezes usava termos musicais para designar o seu trabalho; ele chamou a muitas das suas pinturas “Improvisações” e “Composições”.  O compositor Arnold Schönberg, com quem Kandinsky manteve correspondência entre 1911 e 1914, marcou muito de suas criações. Para saber mais, clique aqui.

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“Composição 10″, de Kandinsky. 1939

A teoria teosófica propõe que a criação é uma proporção geométrica, começando num único ponto. O aspecto criativo das formas é expressado por uma série descendente de círculos, triângulos e quadrados.

Na obra “Composição X“, pequenos quadrados e faixas de cores variadas parecem projetar contra o fundo preto fragmentos de estrelas ou filamentos, enquanto hieróglifos – ou seriam abstrações de notas musicais? – com tons de pastel cobrem o grande plano marrom, que parece flutuar no canto esquerdo superior da lona, adotada como suporte para esta obra. E mais alguém identificou um pentagrama nesta composição?

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“Les Maisons”, de Chaïm Soutine. 1920/21

Chaïm Soutine (1893-1943) nasceu em uma pequena aldeia lituana, pertencente naquele momento ao Império Russo, sendo o décimo filho de uma família de onze irmãos. Seus problemas já começaram dentro de casa, pois seu pai não viu com bons olhos o interesse de Chaim por arte, visto que, dentro da comunidade judia ortodoxa onde viviam, estava proibida a representação de imagens.

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“Carcaça de carne”, de Chaïm Soutine. 1925

Ele também, assim como Chagall e Kandinsky, veio para Paris. Estabeleceu-se em Montparnasse, junto a outros artistas. Entre seus amigos estava também Amedeo Modigliani.

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“O pequeno pasteleiro”, de Chaïm Soutine. 1922/23

Nunca foi capaz de pintar a não ser que tivesse um modelo à sua frente. Certa vez, Soutine horrorizou seus vizinhos, por manter uma carcaça de boi em seu estúdio, para que pudesse pintá-la (“Boeuf écorché“). O fedor fez com que os vizinhos chamassem a polícia, a quem Soutine prontamente dissertou sobre a importância relativa da arte acima da higiene. Hoje, as três versões  dessa carcaça estão nos museus de Amsterdã, Grenoble e Buffalo.

Fazendo um paralelo entre Chagall e Soutine, o primeiro seria o dia, com o exterior predominando, a cor, a flor, a mulher… e o sonho, a imaginação. Já, Soutine representaria a noite, com a predominância do interior, do escuro, do sombrio, das entranhas, das carcaças.

Quanto à Kandinsky, a representação não se prende ao mundo exterior e ultrapassa o mundo interior. Seu abstracionismo remete a uma ligação com as sensações provocadas pela Música. Ou pelo Universo.

 Autor: Catherine Beltrão

 

O lote de US$ 1,63 bilhão… quem dá mais?

Da Vinci, Picasso, Modigliani, Bacon,  Giacometti, Munch, Basquiat e Warhol… o que eles têm em comum? Você sabe? Eles são os autores das dez obras mais caras já vendidas em leilão. Picasso e Giacometti aparecem duas vezes nesta lista. Os valores destas obras, em conjunto, ultrapassam US$ 1,63 bilhão!

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“Salvador do Mundo”, de Leonardo da Vinci.
45,4 cm x 65,6 cm – ost – cerca de 1500

Comecemos pela obra “Salvator Mundi” (“Salvador do Mundo“), de Leonardo da Vinci (1452-1519).  Ela representa Jesus Cristo, no estilo renascentista, dando uma bênção com a mão direita  levantada e os dedos cruzados enquanto segura uma esfera de cristal na mão esquerda. A obra precorreu uma extensa trajetória até ser   redescoberta em 2005. Alguns especialistas contestam a autoria de Da Vinci. Apesar disso, a obra foi vendida em leilão pela Christie’s em Nova York, em 15 de novembro de 2017, por US$ 450,3 milhões, estabelecendo uma nova marca para a pintura mais cara já vendida.

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“As mulheres de Argel”, de Pablo Picasso.
114 X 146,4cm – ost – 1954/55

A segunda obra mais cara é de autoria de Pablo Picasso (1881-1973). Sua obra “Les femmes d’Alger” (“As mulheres de Argel“) representa um harém, e foi arrematada por US$ 179,3 milhões em um leilão na casa Christie’s, em Nova York, em 11 de maio de 2015. Esta obra faz parte de uma série de 15 pinturas e vários desenhos feitos por Picasso, com o mesmo tema,  tendo o pintor sido inspirado pelo artista francês do século XIX, Eugène Delacroix.

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“Nu deitado”, de Amedeo Modigliani.
92 X 160cm – ost – 1917

No terceiro lugar, fica Amedeo Modigliani (1884-1920),  com a obra “Nu couché” (“Nu deitado“), vendida por US$ 170,4 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York. A pintura é uma das famosas séries de nus que Modigliani pintou em 1917 sob o patrocínio de Léopold Zborowski, seu negociador polonês. Acredita-se que ela tenha sido incluída na primeira e única exposição de arte de Modigliani em 1917, na Galeria Berthe Weill, que foi encerrada pela polícia. Este grupo de nus de Modigliani serviu para reafirmar e revigorar o nu como sujeito da arte modernista.

Em seguida, temos a obra “Three Studies of Lucian Freud” (“Três estudos de Lucian Freud”), um tríptico de Francis Bacon (1909-1992), vendido por US$ 142,4 milhões em 12 de novembro de 2013  também na Christie’s de Nova York.

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“Três estudos de Lucien Freud”, de Francis Bacon.
147,5 X 198cm – ost – 1969

O tríptico é composto por telas do mesmo tamanho e emolduradas individualmente, que retrata o pintor Lucian Freud (neto de Sigmund Freud), grande amigo de Bacon, tendo um exercido grande influência sobre o outro. Os três painéis foram trabalhados ao mesmo tempo, mas foram vendidos separadamente em meados de 1970, após o tríptico ser exposto no Grand Palais/Paris (1971-1972), para tristeza do artista, que dizia que ficavam “sem sentido, a menos que um  estivesse unido aos outros dois painéis.” Mas em 1999 o trabalho voltou à sua forma original.

Recorde_Giacometti

“O homem que aponta”, de Alberto Giacometti.
177,5cm de altura – bronze – 1947

A quinta obra mais cara já vendida em leilão é a escultura “L’homme au doigt” (“O homem que aponta”), de Alberto Giacometti (1901-1966),  que se tornou em 11 de maio 2015, a escultura mais cara já leiloada ao alcançar o preço de US$ 141,28 milhões em um leilão promovido pela casa Christie’s, em Nova York. A obra é uma representação escultórica da filosofia do existencialismo e faz parte de uma série de seis peças, das quais é a única pintada à mão pelo artista. A peça de bronze faz parte de uma série de seis esculturas e foi vendida no mesmo leilão em que também foi vendida a obra “Mulheres de Argel” de Picasso.

Record_Munch

“O Grito”, de Edvard Munch.
83,5 X 66cm – óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão – 1895

Em sexto lugar, fica talvez a mais famosa desta lista de top10. Trata-se da obra “O Grito“, de Edvard Munch (1863-1944), vendida por US$ 119,9 milhões em 2 de maio de 2012 na Sotheby’s de Nova York.  Esta obra também pertence a uma série, com quatro pinturas conhecidas, que se encontram no Museu Munch, em Oslo, na Galeria Nacional de Oslo e a terceira em coleção particular. Em 2012, a quarta obra da série tornou-se a pintura mais cara da história a ser arrematada na época, num leilão. É uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Nesta versão de 1895 as cores são mais fortes do que nas outras três versões e é a única em que a moldura foi pintada pelo artista com o poema que descreve uma caminhada ao pôr-do-sol que inspirou a pintura. Outra particularidade única desta versão é que uma das figuras que está em segundo plano olha para baixo, para a cidade. O poema:
Eu caminhava com dois amigos – o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue – eu ressenti como que um sopro de melancolia. Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho – eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza.”

Recorde_Basquiat

“Sem título”, de Jean-Michel Basquiat.
183 X 173cm – ost – 1982

Segue-se uma obra bastante controversa: a tela sem título de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), vendida por US$ 110,5 milhões em 18 de maio de 2017 na Sotheby’s de Nova York. Basquiat criou a obra com 21 anos, no momento mais importante de sua carreira como artista. “Tudo o que tocava era fantástico”, disseram os responsáveis da Sotheby’s durante a apresentação da tela antes do leilão. O comprador anterior pagou US$ 19 mil em um leilão em 1984. Desde então ela não voltou a ser vista em público. Os especialistas afirmam que é um dos três melhores quadros de Basquiat, transformado desde então em “uma grande obra prima”.

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“Nu, folhas verdes e busto”, de Pablo Picasso.
163 X 130cm – ost – 1932

O oitavo luga também pertence a uma outra obra de Pablo Picasso, o  “Nu au plateau de sculpteur” (“Nu, folhas verdes e busto“), vendida por US$ 106,4 milhões em 4 de maio de 2010 na Christie’s de Nova York.  A obra representa a amante de Picasso, Marie-Thérèse Walter, nua e reclinada, enquanto a cabeça do pintor está   representada num busto postado num pedestal, que observa a mulher logo abaixo. Faz parte de uma série de retratos que Picasso pintou de sua amante e musa Marie-Thérèse Walter, em 1932.

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“Silver car crash (double disaster)”, de Andy Warhol.
390 X 240cm – serigrafia – 1963

Segue mais uma obra polêmica, desta vez de Andy Warhol (1928-1987), a “Silver car crash (double disaster)”, vendida por US$ 105,4 milhões em 13 de novembro de 2013 na Sotheby’s de Nova York. A serigrafia é de tamanho monumental e pertence a um dos quatro trabalhos da série ‘Car Crash – Death and Disasters‘.  Especialistas afirmam que esta obra é um trabalho de grande escala e ambição, da mesma forma que  “Guernica“, de Picasso, ou a “ Balsa da Medusa” de Théodore  Géricault.

Para muitos, a série ‘Death and Disasters‘ é a conquista artística mais significativa de Warhol, considerado pai e expoente máximo da pop art.

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“O homem caminhando I”, de Alberto Giacometti.
183cm de altura – bronze – 1961.

Terminando esta lista, a segunda obra de Alberto Giacometti.  A escultura “L’homme qui marche” (“O Homem Caminhando I”) foi vendida  104,3 milhões de dólares em 4 de fevereiro de 2010 num leilão da Sotheby’s, em Londres. “Ela representa o ápice da experimentação de Giacometti com a forma humana e é tanto a imagem de um homem simples e submisso como um forte símbolo da humanidade“, afirmou a Sotheby’s, na época. Esta escultura é  considerada a principal obra de Giacometti e está estampada também na nota de 100 francos suíços. Existem seis originais da peça. O homem caminhando I faz parte de uma série de esculturas de bronze esbeltas feitas pelo artista suíço entre 1947 e sua morte e que representam homens e mulheres solitários.

Essa lista dos top10 é bastante intrigante. O mais amado dos pintores – Vincent van Gogh – já não consta da lista. Picasso e Giacometti estão representados duas vezes. Basquiat, um desconhecido para a maioria, está aí. Ele e Warhol talvez tomaram o lugar de Monet e de Van Gogh. Pop Art no lugar do Impressionismo. Munch e Modigliani seguram o expressionismo e o modernismo. E, acima de todos, o renascentista Leonardo da Vinci…

Autor: Catherine Beltrão

Isadora

Como sempre faziam na maior parte dos finais de tarde, Katia e sua avó Edith, recostadas respectivamente no sofá e na poltrona bergère da sala, repetiam seus rituais de leitura: livros de pintura para a avó, livros de balé para a neta.

De repente,  a menina exclamou:

- “Olha só, vó, descobri uma bailarina que faz aniversário no mesmo dia que eu: 27 de maio!”

- “É mesmo? E quem é?“, perguntou Edith:

- “Isadora Duncan! Você conhece, vó?

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Isadora Duncan, em 1904.

- “Se conheço? Conheço, sim. ” E a avó foi falando tudo que sabia sobre a bailarina.

Falou que Isadora Duncan tinha sido uma pioneira da dança moderna, para muitos a mais importante.  Ela era também revolucionária, amante das artes e um espírito livre e independente. Isadora se inspirava nos gregos e pelos movimentos da natureza, como o vento, plantas e animais.

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Isadora Duncan

- “E como ela fazia o movimento do vento, vó?

- “Isadora gostava de dançar de pés descalços, vestindo apenas uma simples túnica de seda. Assim, era mais fácil representar o vento… ”

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Isadora Duncan

Katia também ficou sabendo que Isadora não concordava com as regras e exigências do balé clássico: coreografias rígidas, sapatilhas de ponta, corpetes apertados. Quanto à música, ela gostava de dançar ao som de melodias dos compositores Frédéric Chopin e de Richard Wagner, o que também não era comum na época.

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Isadora Duncan

E, antes que a neta falasse alguma coisa, a avó pintora decretou:

- “Vou pintar uma bailarina Isadora pra você!

E Edith pintou a “Bailarina com véu lilás” para Katia.

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“Bailarina com véu lilás”, de Edith Blin. 1957, pastel sobre cartolina, 50 X 38cm

Naquele dia, Katia soube que Isadora foi única e seu legado enorme, pois introduziu a liberdade na dança. Que seu nome é reconhecidamente um dos mais importantes da dança de todos os tempos. E que nunca haverá outra Isadora Duncan.

E, também naquele dia, Katia decidiu que iria deixar um legado. Não sabia ainda qual. Só sabia que este legado seria de Arte.

Autor: Catherine Beltrão

  Este é o 5º post da série “Bailarinas“.  1º post: “A Bailarina Azul”; 2º post: “A Fada Bailarina Lilás“; 3º post: “A Bailarina de Tutu Amarelo”; 4º post: “Odete, Aurora ou Clara?”

No blog ArtenaRede são postados textos sobre impressões artísticas de seus colaboradores, que poderão servir de pretextos para comentários e discussões dos leitores, pois a Arte nunca foi unânime.