Artenarede ,domingo, 21 de dezembro de 2014.
 
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     VANGUARDAS ARTÍSTICAS HISTÓRICAS

Reginaldo Leite

CUBISMO - O Cubismo pode ser considerado o verdadeiro início da arte contemporânea, pois continha, potencialmente, todas as principais tendências artísticas que marcaram o século XX. A influência de Paul Cézanne sobre Georges Braque, que também se exerceu sobre Pablo Picasso, foi o mais importante fator para o nascimento do movimento gerado a partir das experiências dos mesmos.

"As Senhoritas de Avignon" 
Pablo Picasso, 1907
O Cubismo desenvolveu-se inicialmente na pintura, valorizando as formas geométricas (como esferas, cones e cilindros) ao mesmo tempo em que revelava um objeto em seus múltiplos ângulos. A pintura cubista surgiu em 1907 e conheceu seu declínio com a Primeira Guerra, terminando em 1914.
Em 1908, o artista Georges Braque expôs alguns quadros em Paris no Salão de Outono. Numa de suas telas apareciam telhados que se fundiam com árvores, dando a sensação de cubos. O pintor Henri Matisse teria expressado nesta oportunidade, que "ele despreza as formas, reduz tudo a esquemas geométricos, a cubos", derivando daí a denominação Cubismo. O pintor espanhol Pablo Picasso é considerado como o gênio do Cubismo, e seu nome se transformou em ícone do movimento cubista.

"Casas e àrvores"
George Braque, 1908
Do Cubismo nasceram o Neo-plasticismo (arte geométrico-construtiva) de Piet Mondrian de que derivaria a Arte Concreta, a Arte Neoconcreta brasileira e a Optical Art. O Dadaísmo com o Papier collé (colagens) que o dadaísta Kurt Schwitters com seus merzbilder criaria as primeiras instalações. Francis Picabia e Marcel Duchamp também aderiram ao Cubismo dando origem ao Dadaísmo (inspirador da Art Pop norte-americana) e ao Futurismo. As Vanguardas Russas, com influência sobre o Suprematismo de Kazimir Malevitch, o Construtivismo de Antoine Pevsner e Naum Gabo e contra-relevos de Vladimir Tatlin e Alexander Rodchenko. A Arte do objeto, (antecipação) uso de novos materiais e reciclagem dos dejetos do cotidiano (ex. esculturas Bandolins, guitarras, etc. de Pablo Picasso - 1911/12)

Principais artistas: Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris, Robert Delaunay, Fernand Léger, Albert Gleizes e Jean Metzinger.

Características do Cubismo:
· utilização das formas geométricas para representar as figuras, não se obedecendo os princípios clássicos de representação dos objetos tais como são vistos;
· destruição da harmonia das cores e formas;
· decomposição das figuras ao extremo, abandonando a aparência real das coisas;
· apresentação dos objetos com todas as suas partes num mesmo plano;
· a preocupação não é o que se representa, mas como se representa;
· o objeto pintado é fruto de uma decomposição e de uma recomposição do objeto feita pelo artista.

FUTURISMO

"Dança do Mar"
Gino Severini, 1914
O Futurismo, movimento de artistas italianos, deve ser considerado o primeiro movimento artístico tipicamente de vanguarda, embora tenha surgido um pouco depois do Cubismo.

O primeiro manifesto do movimento foi publicado em 20 de fevereiro de 1909, em Paris no "Le Figaro" e não na Itália, assinado por Filippo Tommaso Marinetti (1876/1944); apresentava como pontos fundamentais a exaltação da vida moderna, da máquina, da eletricidade, do automóvel e da velocidade. Período 1909 a 1914.

Principais artistas: Umberto Boccioni, Carlo Carrá, Luigi Russolo,  Gino Severini, Giacomo Balla.

"Formas de Continuidade no Espaço"
Humberto Boccioni, 1913



Características do Futurismo:
· Precedência da teoria sobre a prática e pretensão de ser "moderno", com exclusividade da expressão mais avançada da arte do seu tempo, características que, também, marcaram outros movimentos de vanguarda.
· Movimento que mais produziu manifestos.
· Expressão do dinamismo, ponto essencial da estética futurista.
· Busca de uma linguagem intensa, dinâmica, audaciosa capaz de expressar as novas concepções de espaço e movimento.

 

 

EXPRESSIONISMO

"Retrato de Ernst Ludwig Kirchner"
Erich Heckel, 1913
O Expressionismo talvez seja o único movimento de vanguarda histórica cujas idéias mantêm hoje relativa atualidade: é que ao contrário do Futurismo e do Construtivismo, por exemplo, o Expressionismo, pelo menos durante a fase inicial, contestou a sociedade industrial, a massificação e pregou o retorno à natureza. A sua visão de arte revolucionária não coincidia com a noção de progresso tecnológico.

O movimento surgiu em 1910, na Alemanha, trazendo uma forte herança da arte do final do século XIX, preocupada com as manifestações do mundo interior e com uma forma de expressá-las. Daí o importante ser a expressão, ou seja, a materialização numa tela ou numa folha de papel, de imagens nascidas em nosso mundo interior, pouco importando os conceitos então vigentes de belo e feio. Por suas características, o Expressionismo desenvolveu-se mais na pintura, dando continuidade a um trabalho iniciado por Vincent Van Gogh, Paul Cézane e Paul Gauguin.

"Mulheres na rua"
Ernst Kirchner, 1915
Esse movimento artístico procura através da distorção da realidade visível, dar expressão chocante aos sentimentos humanos: seu estado de amargura, espanto, insatisfação e todos os impactos negativos da sociedade dita moderna.

O Expressionismo pode ser visto como uma tendência permanente da arte, especialmente nos países nórdicos, que se acentua nos períodos de crise social ou espiritual, encontrando, assim, na época moderna um terreno propício para se desenvolver.

Principais artistas: Ernst Kirchner, Erich Heckel, Karl Schmidt, Wassily Kandinsky, Edvard Munch, Oskar Kokoschka.

Características do Expressionismo:
· deformação proposital da realidade;
· abandono das regras tradicionais de equilíbrio da composição temática; · abandono da harmonia das cores e formas;
· expressão veemente do pessimismo;
· importância dos sentimentos humanos (angústia, desespero e amargura).
· a expressão de uma autenticidade fundamental do ser humano, que se exprime em explosões de cores violentas e traços dramáticos.

DADAÍSMO

"Fonte"
Marcel Duchamp, 1917
Em 1916, em plena guerra, quando tudo fazia supor uma vitória alemã, um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, inicia o mais radical movimento da vanguarda européia: o Dadaísmo. A própria palavra dadá, escolhida (segundo eles, ao acaso) para batizar o movimento, não significa nada. Negando o passado, o presente e o futuro, o Dadaísmo é a total falta de perspectiva diante da guerra; daí ser contra as teorias e as ordenações lógicas. Aliás, também é contra os manifestos, como afirma um de seus iniciadores, Tristan Tzara (1896/1963), em seu Manifesto Dadá 1918. Importante era criar palavras pela sonoridade, quebrando as barreiras do significado, importante era o grito, o urro contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra.

O Dadaísmo foi o mais radical de todos os movimentos de vanguarda surgidos no começo do século XX. O Cubismo, o Futurismo e o Expressionismo se negaram à estética ou aos estilos anteriores a eles, propuseram uma nova estética ou um novo estilo. O Dadaísmo não: ele nega toda a arte do passado - inclusive a moderna - e nada propõe. Ou, melhor, propõe a morte da arte. Nega não apenas a arte, mas também a moral, a política e a religião. Nega até a si mesmo "Ser dadá é ser antidadá", afirma em um de seus manifestos.

Principais artistas: Tristan Tzara, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Raoul Hausmann, Hans Arp, Hans Richter, Kurt Shwitters.

"Colagem sobre óleo - Weltenkreise"
Kurt Schwitters, 1911.
Características do Dadaísmo:
· não significou um movimento artístico no sentido tradicional, mas uma rebelião, um novo modo de pensar, um novo sentir, um novo saber, uma arte nova em meio a uma liberdade nova;
· forma de expressão de modo positivo enquanto possibilitou total liberdade de criação, que nos foi deixada como legado;
· forma de expressão de modo negativo quando invocava a destruição da arte, a não arte, a antiarte, negando até mesmo, a própria revolução Dadá;
· não propunha nenhum estilo;
· utilização da fotomontagem (descoberta pelos dadaístas) como meio para o sarcasmo;
· rompimento com o fazer artístico causado pela utilização e apropriação do que já estava feito (ready-mades).


SURREALISMO

"A persistência da Memória"
Salvador Dalí, 1931.
O Manifesto Surrealista foi lançado em Paris, em 1924, por André Breton (1896-1970), um ex-participante do Dadaísmo, que rompera com Tristan Tzara. É importante salientar que o Surrealismo é um movimento de vanguarda iniciado no período entre guerras, ou seja, foi criado sobre as cinzas da Primeira Guerra e sobre a experiência acumulada de todos os outros movimentos. Entretanto, suas origens estão mais próximas do Expressionismo e da sondagem do mundo interior, em busca do homem primitivo, da liberação do inconsciente e da valorização do sonho.

O Surrealismo conhece uma ruptura interna quando André Breton faz uma opção pela arte revolucionária, influenciado que estava pelo marxismo. Muitos dos seguidores do movimento não admitiam o engajamento da arte na política, criando assim uma divisão entre os surrealistas comunistas e os não comunistas.

"A Venus Dormindo"
Paul Delvaux, 1923.
Movimento fundado em Zurique, na Suiça, por um grupo de artistas e intelectuais, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). Suas inquietações eram derivadas da desconfiança na ciência, na religião e na moral. O espetáculo hediondo da guerra e o irracionalismo tomaram conta da Europa e de todos os valores tradicionais que sustentavam essa civilização. Vale lembrar que nesse momento, o pensamento do psicanalista Sigmund Freud trazia inovações ao revelar que muitos dos atos humanos não estão ligados ao encadeamento lógico. A ausência de controle exercido pela razão e o "automatismo psíquico puro" indicavam os novos rumos da arte.

Principais artistas: Salvador Dalí, Ives Tanguy, Max Ernst, Juan Miró, René Magritte, Paul Delvaux, André Masson.

Características do Surrealismo:
· valoriza a intervenção fantasiosa na realidade;
· ressalta o automatismo contra o domínio da consciência;
· as formas da realidade são completamente abandonadas.
· Explorar o inconsciente, o sonho, a loucura; aproximar-se de tudo que fosse antagônico à lógica e estivesse fora do controle da consciência.

VANGUARDAS RUSSAS

O ambiente artístico da Rússia nos anos anteriores à Revolução de 1917 era de uma efervescência impressionante. A cada dia surgia um novo movimento de vanguarda, um novo manifesto era lido nos bares de Moscou, freqüentados por jovens artistas. Constituíram a Vanguarda Russa as seguintes vertentes artísticas: Raionismo, Suprematismo, Construtivismo e Não-Objetivismo.

"Composição Raionista Dominada por vermelho"
Mikhail Larionov, 1912-13

 

RAIONISMO - O Raionismo de Mikhail Larionov e sua esposa Natalia Goncharova consistia em formas de linhas convergentes ou divergentes a um ponto, partindo da natureza e com supremacia da cor. Mikhail Larionov lançou o manifesto Raionista em 1923.

 

 

"Quadrado Preto Sobre Fundo Branco"
Kasimir Malevitch, 1915

SUPREMATISMO
- O Suprematismo, da cor pura e da forma, foi criado por Kasimir Malevitch e a sua geometria tinha a linha como a forma suprema, revelando a ascendência do homem sobre o caos da natureza, e o quadrado - inexistente na natureza - era o elemento suprematista básico. Kasimir Malevitch em 1915 criou o "Quadrado preto sobre fundo branco", no qual o quadrado estava cheio de ausência de objetos, e em 1918 o "Quadrado "branco sobre o branco" - a ausência da ausência -, no qual o quadrado branco seria a vontade humana fundindo o homem com o infinito.


"Monumento à Terceira Internacional"
Vladimir Tatlin, 1919
CONSTRUTIVISMO
- O Construtivismo surgiu na década de 1920 quando a arte moderna era anarquia. A anarquia era o comunismo e o Construtivismo era de fato vermelho. O Construtivismo era a socialização da arte, a arte com fins utilitários - artes práticas. A ordem era a arquitetura simples e a produção de objetos / produtos utilitários. O artista era o designer. O processo criativo consistia-se no tectônico, ou seja, na arte de construir. Fusão de conteúdo e forma. Fatura (transformação dos materiais). Os irmãos Antoine Pevsner e Naum Gabo (manifesto de 1920) foram os principais idealizadores. A torre de Vladimir Tatlin ficou só na maquete - Monumento a III Internacional. El Lissitzky e Alexander Rodchenko também participaram ativamente do movimento. A obra mais importante construída foi o "Mausoléu de Lênin" em Moscou. A maioria das obras projetadas ficou somente no papel, em virtude de sua complexidade e do atraso tecnológico da época. O Construtivismo rejeitava o conceito de gênio: intuição, inspiração e auto-expressão. Rejeitava a arte pela arte.

"Composição Vermelho Dominante"
Alexander Rodchenko, 1918.

NÃO-OBJETIVISMO - O Não-Objetivismo de Alexander Rodchenko, movimento que ocupara uma posição intermediária entre o Construtivismo e o Suprematismo, participando moderadamente do entusiasmo do primeiro pela mecânica e da preocupação do segundo com a busca da sensibilidade pura. Essas experiências foram interrompidas subitamente no começo dos anos 1920, quando a política artística do estado soviético sofre brusca mudança, com o fechamento dos ateliês de vanguarda.


 

 

(Extraído de trabalho do autor apresentado na UFES - Centro de Artes
Vitória-ES - Verão 2002)

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